Se hoje fosse o derradeiro dia, fugia para os teus braços. Juro que não pensava duas vezes. Sabes como é, certo? Faço de tudo uma grande peça de teatro. Começo a acreditar na minha mãe quando me diz que faço da minha vida um grande melodrama. E por ser assim, hoje sou eu a encenadora da minha própria vida. Então, vou ao teu encontro e agarro-te muito para que não tivesse de dizer nada. Tu ias perceber e retribuias de uma forma que só nós entendemos.
Depois peço-te o divórcio, porque já chegam os lugares, as musicas, os filmes e tudo o que nos rodeia para me lembrar que tenho uma outra parte com a qual não sei viver.
Depois do pacto quebrado, com sangue como manda a tradição, vou ao médico e imploro-lhe que cirurgicamente me arranque o pedaço que tenho a mais e que já não me pertence. E é nesse preciso momento que acordo e penso que ainda não foi desta que tu és tu e eu sou eu. Continuamos a ser um só.