31 julho 2010

por outro lado e só mais uma vez

Pareces um boneco. És tão perfeitinho que até irrita. Durante demasiado tempo andei à procura de qualquer coisa que me fizesse desistir de ti e o facto de não encontrar nada tornou as coisas bastante mais dramáticas. Há coisas que não se explicam. Tu és uma delas e isso mete medo. Por outro lado, o facto de saber que existe alguém que me deixa em ponto de rebuçado, por si, já é uma sorte. Quero convencer-me à força que seja qual for o desfecho, não há vencidos. Ainda assim preferia ter-te por perto mais algum tempo.


"Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom
Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro não sei perceber...
Queres só mais uma volta, desta ninguém vai dizer." - TB, Só mais uma volta.

knockout

Se quiseres virar-me do avesso vais consegui-lo em três tempos. Com tanta explicação e sentido prático da coisa ainda não fui capaz de perceber como é que estas coisas acontecem. Mas pior, pergunto-me ainda mais vezes se acontecem porque não em medidas iguais, perfeitamente democráticas? Perdi o direito há muito tempo e tenho perfeita noção disso, mas ficava bastante mais descansada por saber que não me vais levar ao tapete. Sempre tive a capacidade de antever o final de todos os episódios. Este não é excepção e não me parece que vás ter piedade.

30 julho 2010

a canção mais doce

Encontrar a canção mais doce, aquela que entendemos como sendo só nossa, é mais ou menos como nos apaixonarmos: uma questão de sorte. A minha não é a mais feliz, é um facto, no entanto, não deixa de ser a minha. Assim como também não deixa de continuar a cortar-me a respiração. Essencialmente tem a beleza de deixar em aberto o desfecho e isso sim faz toda a diferença.

" But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
To the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss

Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl just tonight" - DMB, Say Goodbye

29 julho 2010

parvoíces

Ainda estou à espera que toque um alarme qualquer. É suposto nesta altura ecoar um som estridente de uma buzina e uma luz a assinalar "PERIGO" com grande frenesim. Quase que por desporto tento descobrir alguma coisa que não faça sentido, ainda que sem sucesso. À falta de grandes apontamentos a fazer, resta-me aceitar que é assim e que não vale a pena lutar contra o óbvio. Porque mais uma vez sabe bem e acima de tudo porque desta vez há que enfrentar os cornos do touro. De frente e com a dignidade possível.

27 julho 2010

verdades

Hoje disseste-me uma coisa que ninguém me tinha dito. Apesar de ter sido em tom de brincadeira, o facto é que tens toda a razão. Como meu amigo já me devias ter alertado para isso e sobretudo explicar-me como é que estas coisas funcionam. Falta perceber se nunca passei por isto porque tive sorte ou porque fugi de todas as situações que adivinhavam um prognóstico reservado.

Portanto, explica-me, como é que isto se faz? Como é que se brinca ao gato e ao rato sem que eu acabe por ser a refeição de alguém? Por este andar vou precisar de anotações com canetas coloridas e esquemas, muitos esquemas!

25 julho 2010

noite de nojo

Hoje obrigo-me a fazer o luto. No momento em que a morte foi anunciada não o ouvi porque à cabeça só me vinha o pensamento de que finalmente era livre. Que com a morte anunciada também estava a deixar uma parte pesada de mim para trás.

Adoro os sábados à noite, trazem-nos uma melancolia muito própria para este tipo de cerimónia e por isso hoje faço o que vinha adiar por não achar propositado. Hoje assino o atestado de óbito de alguém que não devia ter sido ressuscitado. Se com isto aprendi alguma coisa foi de que jamais se recuperam páginas arrancadas à força. E ao contrário do que sempre defendi, nem sempre se esquece e perdoa.

Por nunca ter chorado a morte, hoje obrigo-me, pelo menos, a reflectir sobre ela. E sobretudo, a encerrar um capítulo. Porque já chega. E acima de tudo porque não quero mais.

Uma vez que não pretendo carpir em frente a uma lápide, despeço-me agora. Não porque ache importante, mas apenas porque o luto deve ser feito de uma forma consciente e séria, ainda que em frente a um ecrã anémico.

Esta será a última vez que assino com um apelido que não é o meu e cujas letras não assentam no papel da mesma forma fácil e deslizante que as restantes.

24 julho 2010

nota num post-it cor-de-rosa

Sempre levei tudo muito a peito. Amo ou odeio. É preto ou branco imaculado. É ou não é, sem meias medidas, sem consequências e até hoje nunca me dei mal, mais que não seja porque tenho sempre a perfeita consciência do que quero, ainda que às vezes pague caro por isso.

Kafka escreveu um dia, "Alimento-o com leite doce, é o que melhor lhe assenta."

A mim assenta-me bem ser mimada, ser alimentada a chocolate e estar apaixonada. Da próxima não me fico por menos.

23 julho 2010

rita catita

Todos nós devíamos ter uma pessoa como a que eu tenho. Pequena, loira e encantadoramente parva. Vai e regressa à minha vida mais vezes do que aquelas que eu gostaria, mas isso faz parte. É uma versão minha mas concentrada. Fazemos as mesmas asneiras. Rimos das mesmas coisas. Partilhamos as coisas boas, acima de tudo as coisas más e com ela, sou eu, sem papel de embrulho a enfeitar.

No derradeiro dia perguntou-me “tens a certeza que queres fazer isto?” e eu disse-lhe que sim. Hoje, não faz perguntas, não opina porque no fundo sabe que, tal como ela, eu vou até ao fim.

Conforme mandam as regras do universo, nenhuma de nós tem um percurso fácil e nem ela consegue sobreviver a tudo sem derramar uma ou outra lágrima. Lá está, também isto faz parte.

Como forma de agradecimento pela paciência que tem, vou tomando conta dela da melhor forma que sei: alimento a sua maluquice e as nossas parvoíces. Mas na verdade é ela quem toma de mim, obrigando-me a ser mais “Ana” e menos “Bárbara”.

Sabes? Jamais me passaria pela cabeça ter escolhido outra pessoa. Disto não me arrependo mesmo nada.

conheço-te?

Tenho memória de peixe. Sete segundos e "O que foi? Quem? Onde? O quê? Eu conheço-te?". Uma autêntica tristeza. O tempo já tem por si a capacidade de esbater o passado, mas neste aspecto, ele não me poupa nada e faz desaparecer tudo com uma borracha capaz de apagar tinta da china.

Durante muito tempo fiz a mesma pergunta sem nunca ter tido uma resposta. Hoje tive-a e foi clara como a água. Obrigavas-me a ter uma capacidade de encaixe maior do que aquela que eu podia suportar. És vento desgovernado e eu não soube lidar com isso. Aliás, ainda não sei e todos os dias vou tendo mais certeza disso. Tu acabas com a minha lucidez num instante. Contigo tão depressa estou nos píncaros como no segundo a seguir estou num buraco escuro sem sinalização de saída. E o pior é que a responsabilidade nem é tua. Quanto mais coerente tento ser, melhor vejo o esforço inglório que é. Sabes uma coisa? Seja o que Deus quiser.

20 julho 2010

arquivos

Numa visita aos arquivos dei-me conta que ao contrário do que esperava, acabo ser extremamente coerente com as minhas próprias ideias. Ou isso, ou sou teimosa, porque ainda não aprendi com os erros sucessivos. Fico-me por acreditar que tenho convicções fortes. Algures, num daqueles livros de auto-ajuda, ou não, diz-se que somos donos do nosso destino. Será que graças à minha intransigência ando a arruinar o meu?

Como diz uma amiga minha, é-me mais fácil ficar por aquilo que conheço,
ainda que seja mau à partida, já que desta forma não tenho surpresas. Tenho uma grave intolerância a episódios desconhecidos, isso sim. E daí, rapidamente se dá o salto para a obsessão pelas regras e pelas as histórias que acabam sempre da mesma maneira. De qualquer forma, desta vez permiti-me abordar a coisa de forma diferente. Acho que também não está a funcionar... Cada tiro, cada melro! Bonito, sim senhora. Duas palavras: bastante espectacular!

procura-se homem do café

Passaram 3 anos e é a máquina da nespresso que continua a fazer-me o café. Este facto leva-me a crer que tenho andado um pouco desviada do meu objectivo. A partir de agora, e porque o tempo escasseia, vou focar-me naquilo que realmente é importante: encontrar o homem do café.

Estou a pensar em colocar um anúncio no jornal, do tipo "Procura-se relação com homem do café. Não tenho preferência entre Nicola, Delta ou Segaffredo, desde que seja bem tirado. Assunto sério."

Não querendo pedir muito, será que posso juntar outras coisas, pequenas, mas que me davam imenso jeito? Por exemplo, ao café juntar um pequeno almoço de tabuleiro e um ou outro jornal?

Não... era sorte a mais.

amigas

As minhas amigas são um verdadeiro encanto. Às vezes olho em volta e encontro um bando de miúdas de 10 anos mas com curvas que nessa altura não existiam.

"Se voltares a falar mais com ele, deixo de ser tua amiga!", diz uma delas. Começo a achar que qualquer coisa aqui está mal e que a culpa só pode ser minha. Ao que parece esta história de sobreviver a um episódio menos feliz não parece, à vista dos outros, nada bem. Parece-me que era mais credível chorar pedras da calçada e entrar no mundo das substâncias ilícitas. Lamentavelmente não sou capaz. Não faz parte do acordo. Não estava incluído na promoção.

Ando demasiado ocupada a tratar de um assunto realmente importante: ter direito aos que os meus pais me prometeram!

19 julho 2010

como diz pedro paixão

Escrever é um acto bastante particular. Pemite-nos dizer tudo mas com a distância limpíssima das palavras escritas. Há portanto, uma margem de segurança que hoje em dia não nos é possível prescindir. Pelo menos enquanto não passamos da escrita para a prática, o que no meu caso até é bastante simples porque pura e simplesmente não me deixam.

Acho que estou a pagar a minha dívida com a sorte. Não fiz um pacto com o diabo, é certo, mas parece-me que o universo me está a fazer pagar pelas oportunidades dadas de mão beijada. Sempre consegui voltar atrás e carregar no reset e nunca uma opção tomada deixou de ter retrocesso. Agora parece-me que vou ter de cumprir a minha parte do tratado.

De qualquer forma, estava na altura de aprender alguma coisa, portanto vou tentar ver isto da melhor perspectiva.

"Para variar ainda não aprendeste. Tu gostas mesmo de te meter em confusões. Já devias estar à espera disto... ou não? É bem feito, pode ser que assim aprendas a lição.", diz a minha mãe. Talvez não esteja enganada, mas pelo sim, pelo não, vou fazer um pacto com satanás para não lhe ter de dar razão.

18 julho 2010

o meu namorado

Decidi ter um namorado. Mas não um qualquer. Este é especial. Fui pescá-lo ao rio e desde aí nunca mais o deixei. Recebe-me à porta sempre feliz, não se queixa quando o jantar chega tarde e não tem vícios a não ser eu, portanto, o namorado perfeito. Tem 3 cores, quatro patas, duas orelhas descaídas e não é ciumento. Sara-me as feridas com a eterna paciência de alguém que julga que vai sempre ficar por cá. Eu também gostaria que assim fosse. Lamentavelmente tudo tem prazo de validade e ele não é excepção, por isso, faço de tudo para tentar minimizar a sua curta existência.

Enquanto andares por cá prometo que te farei muito feliz. Ah, e tenho a certeza que tu farás exactamente o mesmo.

17 julho 2010

a mesma música em repeat

Hoje permito-me fumar um cigarro antes de ir dormir. Porque preciso e porque o sono não vem. Começo a pensar que tenho um problema grave na dissecação de mensagens. Não percebo sinceramente onde vamos parar. Quer dizer, a resposta é óbvia e não é a bom porto certamente. Não sou feita para isto e por mais que me custe, por mais que eu gostasse de ser o meu alter ego a tempo inteiro, a verdade é que a minha capacidade de encaixe é bastante diminuta.

Hoje não consegui evitar. O meu corpo revoltou-se e manifestou o que me ia na alma. Pela primeira vez perdi literalmente a compostura e tremi que nem varas verdes ao sabor de um vento bastante desgovernado.

Sempre acreditei que bastava não alimentá-lo para que ele morresse por si só, sem grande esforço. Acho que andei enganada... caramba que o sacana é resistente!

14 julho 2010

o hastear da bandeira

Pergunto-me como é que posso fazer com que isto passe depressa, ainda que não saiba se o quero fazer. E pergunto-me também se podia ter feito mais alguma coisa ou se pelo contrário devia ter ficado sossegada. Tenho literalmente um buraco no lugar do peito. Não entendo como é que isso aconteceu tão depressa e acima de tudo como é que eu deixei que chegássemos ao ponto do "sem retorno".

Hoje não tenho vontade de ser a miúda afável e mesmo assim não consegui ter outra atitude que não essa, e isso dá cabo de mim.

Ninguém morre de amor é certo, mas as saudades, essas sim acabam connosco em três tempos.

13 julho 2010

golpe do chinês

Não te devias ter despedido da forma como o fizeste. Acabou por ser mil vezes pior. Sim, eu sei que sou melodramática e que vivo para estas pequenas coisas mas não precisavas de ter alimentado isso. E apesar de ter-me afastado de sorriso rasgado, mais tarde a tua parlemice deu lugar a um nó no estômago agonizante portanto, nada de bom. És sádico, é o que é. E ou não percebes nada disto ou deste o golpe do chinês à antiga. Como em todos os períodos de nojo há três fases: a negação, a raiva e a aceitação. Parece-me que estou na segunda. Pode ser que um dia até volte a esboçar um sorriso quando me lembrar do episódio, mas por enquanto aquilo que eu quero é manter-te bem longe da minha vista.

...Longe da vista, longe do coração.

12 julho 2010

de volta a casa

Dei-me conta que sou uma saudosista. Entro na sala e deparo-me com um sofá onde fui amassada por todos os homens da minha vida e duas poltronas que têm para lá de 30 anos. Numa delas vi o incêndio do chiado pela televisão e como não sei em qual delas foi, optei por restaurar as duas. Isto já diz tudo. Sou agarrada às coisas. E não vale a pena tentar mudar isso. Não é defeito, é feitio. As músicas são sempre as mesmas, assim como os filmes que vejo vezes sem conta.

Dou por mim a pensar que ser assim não é muito bom. Porque se pensa demais, porque nos agarramos ao que na verdade pouco sentido faz.

Tenho mais duas peças na bagagem: dois quadros do Guilherme, porque mais ninguém pinta o acto de enamorar da forma como ele o faz. Ambos têm cor, um rapaz, uma rapariga e pouco mais. Mesmo assim, não deixa de me encher o coração sempre que olho para eles e cada vez que o faço penso que um dia também eu terei direito àquilo que à primeira vista está por completar.

Voltar a casa é bom. Lembra-nos quem somos e da bagagem que temos, gostemos nós dela ou não.


três tiros de caçadeira

Tudo se resume a três tiros de caçadeira. Um seguido de outros dois sem grande oportunidade para dizer: "Ai e tal, já chega!". Na linha de raciocínio do "ou-vai-ou-racha" tem-se direito a tudo. Até a isto. Ainda estou para perceber como é que se consegue sentir uma alegria estupidamente parva depois de levarmos com um valente balde de água fria.

Vinha na viagem a rir-me sozinha enquanto ia pensando na situação insólita em que me tinha metido. Lá está, dei por mim com um sorriso do tamanho do mundo depois de ter dado três tiros de caçadeira no pé.

Sempre fui ensinada a não perder a postura ainda que tivesse muita vontade de o fazer. “Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.”, diz a minha mãe. Pois bem mãezinha, desta vez não só me pus a jeito para levar com três chumbadas como premi o gatilho. Mas fiz o que tinha de ser feito, sabes? Antes três chumbadas e um sorriso do que uma dúvida persistente e incómoda.

10 julho 2010

#2 pessoas da minha vida

Lembro-me que era muito preguiçoso e que só com grande habilidade o roubava do sofá. Lembro-me que reagia como uma criança pequena a críticas e que "fechava a cara" se não lhe dava o que queria. Lembro-me também que não levantava a voz e que se portava como um cavalheiro num momento de aflição tipicamente feminino.

Eu - "Entrou uma barata no restaurante e ela está a vir em direcção a nós. Se ela se aproximar mais eu salto para cima da mesa e começo a gritar". Ele - " Calma, queres que a mate?"

Lembro-me da voz melodiosa com que cantava baixinho e lembro-me que o final da história foi triste para a barata.

09 julho 2010

longe está o tempo

Uma vez, há algum tempo atrás, disse-lhes que eras doce. Pergunto-me muitas vezes como é que isso se conjuga com o teu lado pragmático e racional e sinceramente ainda não cheguei a conclusão alguma.

"Amanhã respondo-te"? Isso é coisa que se faça? Ainda para mais quando não cumpres o prometido? Faltam sensivelmente quarenta minutos para o dia seguinte. Estás literalmente a quarenta minutos de dar comigo em louca!

...trinta minutos...

Sou a miúda dos "e se" e dos "tudo é possível e eu faço acontecer" mas dava-me jeito que me ligasses a luz de forma a poder ver alguma coisa. Às escuras sou como um gato em frente aos faróis de um carro em noite de lua nova: cego.

Do what you must do, but do something.

...vinte minutos...dez minutos...e nada.

03 julho 2010

é assim que acontece

Agradeço aos meus pais todos os princípios que me ensinaram. São eles que fazem de mim o que sou, com defeitos e virtudes. Hoje dei-me conta que nunca chamei "filho da puta" a ninguém e acho que isso faz de mim uma pessoa melhor. Não por nunca o ter feito, mas sim, o facto de nunca ter sequer sentido necessidade de o fazer. Porque nunca me senti suficientemente ameaçada por ninguém. Porque eu sou eu e os outros se que se enterrem bem longe.

Meus queridos pais: Puta de educação aquela que me deram!