25 julho 2010

noite de nojo

Hoje obrigo-me a fazer o luto. No momento em que a morte foi anunciada não o ouvi porque à cabeça só me vinha o pensamento de que finalmente era livre. Que com a morte anunciada também estava a deixar uma parte pesada de mim para trás.

Adoro os sábados à noite, trazem-nos uma melancolia muito própria para este tipo de cerimónia e por isso hoje faço o que vinha adiar por não achar propositado. Hoje assino o atestado de óbito de alguém que não devia ter sido ressuscitado. Se com isto aprendi alguma coisa foi de que jamais se recuperam páginas arrancadas à força. E ao contrário do que sempre defendi, nem sempre se esquece e perdoa.

Por nunca ter chorado a morte, hoje obrigo-me, pelo menos, a reflectir sobre ela. E sobretudo, a encerrar um capítulo. Porque já chega. E acima de tudo porque não quero mais.

Uma vez que não pretendo carpir em frente a uma lápide, despeço-me agora. Não porque ache importante, mas apenas porque o luto deve ser feito de uma forma consciente e séria, ainda que em frente a um ecrã anémico.

Esta será a última vez que assino com um apelido que não é o meu e cujas letras não assentam no papel da mesma forma fácil e deslizante que as restantes.