17 dezembro 2008

pieces

Ainda que haja pouca gente a percebê-lo, sei que te devo vida. Tenho para contigo uma dívida que irá para além das minhas capacidades, já que na verdade te devo quem sou.
O mundo está virado do avesso e a culpa só a posso atribuir ao amor - ou neste caso, à falta dele - e que muitas vezes está para além da compreensão dos comuns. Por isso um «muito obrigada» não chega. Fizeste de mim uma pessoa melhor, mais compreensiva e acima de tudo, mais leal para com os valores que construí contigo. Um dia escrevi que a vida não tem qualquer significado sem os outros, porque é neles que nos concretizamos. Acho que fizemos a diferença ainda que tivesse sido apenas um num outro. E isso vale uma vida inteira.

Até já.

"I won't cry
Anyone would rather
Shift their eyes
Than open up their leather
But you, you seem to be the one
So try me please
I'm a better dancer
Than it seems
The lightest floating feather
Is how i feel when i'm with you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone
Blaring car horns howl
Through feedback from this city
But i don't hear it now,
The chaos that surrounds me
No, you, you hold my mind's desire
You give me shelter
From all that's done un-pretty
My sold-out, felt-up
Retreated little secrets
Are tucked inside the warmth of you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone.." Joan as Police Woman

05 dezembro 2008

real life

Se hoje fosse o derradeiro dia, fugia para os teus braços. Juro que não pensava duas vezes. Sabes como é, certo? Faço de tudo uma grande peça de teatro. Começo a acreditar na minha mãe quando me diz que faço da minha vida um grande melodrama. E por ser assim, hoje sou eu a encenadora da minha própria vida. Então, vou ao teu encontro e agarro-te muito para que não tivesse de dizer nada. Tu ias perceber e retribuias de uma forma que só nós entendemos.
Depois peço-te o divórcio, porque já chegam os lugares, as musicas, os filmes e tudo o que nos rodeia para me lembrar que tenho uma outra parte com a qual não sei viver.
Depois do pacto quebrado, com sangue como manda a tradição, vou ao médico e imploro-lhe que cirurgicamente me arranque o pedaço que tenho a mais e que já não me pertence. E é nesse preciso momento que acordo e penso que ainda não foi desta que tu és tu e eu sou eu. Continuamos a ser um só.

27 setembro 2008

um dia destes

Um dia destes, vou-lhes contar a nossa história. Porque serão anos que com toda a certeza não poderemos apagar e porque teremos outros tantos pela frente. O mais importante não são os marcos, são sim, as razões pelos quais ficam registados. No nosso caso, a razão é simples: temos um objectivo comum. Queremos construir algo que julgamos fazer a diferença. Queremos ser nós, com uma certa tendência para traçar o nosso próprio destino. Partilhamos as mesmas crenças. Partilhamos a vontade e a determinação. Partilhamos algo que os outros não vêem e que nós mal compreendemos. Apesar de tudo isto, sabemos que estamos a fazer o que é certo. E o certo é acreditar.

eternal sunshine of the spotless mind

Se soubesses que às vezes penso no assunto provavelmente rir-te-ias do tremendo absurdo. Tu e eu, e mesmo assim não deixo de o fazer. Por qualquer razão lembro-me dos pormenores ridículos que fizeram e continuam a fazer toda a diferença. Passam-me principalmente pela cabeça as perguntas mais parvas, como por exemplo, se me deixas chegar perto quando for necessário ou se sabes que estarei lá assim que chamares por mim. Ainda que as nossas vidas sejam rectas paralelas e que por isso apenas se cruzarão num infinito longínquo demais, será que sabes que caminhamos lado a lado? Que temos exactamente o mesmo comprimento de onda? Sabes?
Num dia de verão sobre uma falésia qualquer fiz aquilo que a idade não permitia compreender. Hoje sei que na altura fiz os meus votos sobre um mar de prata sem ter noção da sua importância. Mas fi-los contigo.
Para tua informação, tenciono não esquecê-los e acima de tudo pretendo cumpri-los.

18 agosto 2008

round #1

Gosto quando olhas para mim com aquele ar de safado que só tu sabes fazer. Evidentemente que ambos sabemos como irredutivelmente acaba o enredo, mas mesmo assim não deixa de ser um delicioso jogo do toca-e-foge. Para variar, como tudo não passa de um equilíbrio ténue entre o bom e o péssimo, nunca nos entregamos verdadeiramente e tão pouco falamos nisso. É por isso que sou a favor do superficialismo. Porque não magoa mas afaga-nos a alma.

16 agosto 2008

things behind the sun

Há dias em que depressa é noite, e a nossa vida escorre-nos entre os dedos, o que eu considero uma verdadeira perda de tempo. Já noutros, a espera por um novo amanhecer é penosa e faz mal.
Pergunto-me se ainda pensas em mim. Pergunto-me se fui apenas eu, a única alma a ficar agarrada a um tempo que a distância já se encarregou de distorcer. Se assim for, só posso agradecer porque caso contrário seria a minha desgraça. Talvez nunca o tenhas entendido, mas o seu significado será sempre maior do que a intenção de o apagar.
Hoje é um daqueles dias em que me sento no tapete e vejo a vida a escorrer-me entre os dedos. Logo hoje que preferia mil vezes que o dia depressa se tornasse noite.

14 agosto 2008

recomeço

Posso dizer com toda a certeza que tinha saudades disto. Há muito que pensava ter-me esquecido como era. De como me fazia sentir borboletas e como do outro lado do mundo gerava uma tempestade que todos os anos bate recordes. Afinal, fazê-lo porque sim até sabe bem. Ninguém está à espera de um final surpreendente, mas todos procuramos no entanto o mesmo. Não existe certamente ninguém que não queira um dia perder a cabeça e que muitos pensam mais no assunto do que gostariam, mas são os mais corajosos que a perdem mais vezes. "Às vezes gostava de ser eu a corajosa só para variar..." - disse-me. Se calhar eu também.

18 julho 2008

versões de mundos

Porque não se trata do meu próprio movimento hedonista.
Porque nós sem os outros não somos nada.
Porque interessante é viver noutro papel que não o nosso.
Porque nos enriquece.
Porque sabe bem.
Porque permite-nos chegar um pouco mais à frente.
Porque é um exercício de lógica.
É apenas uma receita de outras versões, de outras verdades, de outros mundos que não o nosso.
Ou talvez não. Talvez seja este o nosso próprio mundo: o mundo que é dos outros.

Message in a bottle

Raramente te sinto quando passas a caminho da casa do lado. Mas às vezes, o óbvio leva irredutivelmente à certeza. Ontem foi um dia desses. Gostaria de te conhecido antes. Gostaria de ter tido tempo de aprender aquilo que tinhas para ensinar. Talvez tenhamos uma outra vida inteira para o fazer. Até já.

09 julho 2008

os homens da minha vida

Até à data contam-se por uma mão aqueles que entraram e mudaram a minha vida. Apesar de não mo ser permitido, nunca gostei de abdicar de nenhum deles. Porque todos são diferentes, porque todos enriqueceram a minha vida de alguma forma e transformaram-na a partir daí.

Ainda que não lhes diga, tenho saudades e sinto-me em dívida. Talvez por essa razão, mantenha uma relação pouco usual com todos eles. Um misto de amizade e sensação de perda, porque tudo tem um espaço temporal muito limitado, facto com o qual ainda não lido muito bem.

Eles que, mal ou bem, sempre me aceitaram: sem máscaras, sem subterfúgios, sem protocolos desnecessários entre duas pessoas que apenas estão juntas porque querem. Sempre vivemos um misto de tempestade e de bonança que invariavelmente leva a episódios que deveriam ficar registados. São estes episódios que me fazem ter um sorriso rasgado, e ainda que uns bons e outros maus, todos eles deixam uma melancolia muito própria.

Tenho um problema em abrir mão das coisas, isso é certo e sabido.

Hoje é um desses dias, o dia das memórias dos “homens da minha vida”.

30 junho 2008

engana-me que eu gosto

"Com esta minha mania, um dia deito tudo a perder" - digo a mim própria na esperança que surta algum efeito. Mas não. Não agora, e provavelmente nunca venha a ter essa sorte, ou azar... Não sei. A única certeza é que tenho um espaço. Sim, um espaço, porque dizer que tenho um buraco no estômago é demasiado dramático e remete para imagens pouco apelativas, como por exemplo, para uma úlcera e não é esse o objectivo. Não se pode perder o chá que a minha avó me obrigou a beber durante anos, para chegar a este ponto. Portanto, falta qualquer coisa... Céus, a Florbela Espanca é que o sabia bem. Tento convencer-me a todo custo que isto deve ser da idade. Sim, porque estar a caminho dos trinta é uma grande responsabilidade. Por esta altura devemos estar lançadas profissionalmente, elevadas habilitações literárias, ser esposas e mães de alguém. Ah, como podia esquecer, manter uma inebrinate frescura. Eis uma coisa importante. Se calhar não tenho um espaço... talvez tenha é mesmo falta dele.

02 maio 2008

juntos

Mais do que uma vontade, sempre foi a certeza. Mais do que uma impressão, sempre foi a força que nos uniu.
Queiramos ou não, a nossa vida cruzou-se mais vezes que o suposto. E pergunto-me porquê, já que é difícil a convivência, um duelo de titãs que cansa, que corrói e que mais tarde ou mais cedo há-de matar. Lembro-me perfeitamente do coração que batia mais do que devia, da falta de palavras no momento errado e a vontade que tinha de te agarrar. E depois pensava “ainda não pode ser, espero mais um pouco”. Estavas no sofá e a expressão da tua cara perguntava-me se tinhas de esperar muito mais. Na verdade, tiveste. Mais do que querias e menos que eu previa. Hoje tento olhar para trás e não te reconheço desses tempos. O que nos marca agora é o presente e definitivamente o futuro. Aquele que teremos pela frente. Juntos.

03 março 2008

o aperto no estômago

Às vezes vem de mansinho, assim como só tu sabes fazer. Sopra de leve no ombro e mostra de forma muito subtil que ainda não foi desta vez que foste embora. Outras, poder-se-á dizer que me leva ao chão.

22 janeiro 2008

a ironia do delete

Assim foi. Uma fracção de segundo. Um erro. Um delete que não deveria ter sido executado. Porque sabia bem. Porque fazia-me recordar o que não queria esquecer.

A ironia do destino é lixada.

07 janeiro 2008

5 minutos

5 minutos é o tempo necessário para deitar a perder um beijo que era nosso. O tempo de ver o sol a esconder-se atrás do mar. O tempo para escrever um aforismo que jamais esqueceremos. É no entanto aquela fracção de segundo que faz toda a diferença. Um rasgo de genialidade em que o tempo não é mensurável. Portanto, e posto isto, que diferença fará 5 minutos a mais ou a menos? A resposta é simples, e apenas neste contexto se coloca: 5 minutos é tão só e tão pouco, o tempo de um desencontro. Nada mais.

um raminho de salsa

A história repete-se infinitamente mais vezes do que aquelas que podemos presenciar para as depois contar. Porque faz parte da história da humanidade. Porque quer queiramos, quer não, tudo isto é bastante superior a nós, homens e mulheres que procuram incessantemente a sua outra parte. Também isto faz parte. E o mal não está no facto de não sabermos por onde ela anda até a encontrarmos, está sim no facto dessa parte andar por aí partida, ao sabor do vento. E enquanto a nossa inocência não nos é desfolhada, por vilões mil, a ideia de que a nossa outra parte é una permanece imaculada. A perdição, a verdadeira era da rendição, chega quando um dia nos apercebemos que de facto a nossa outra parte anda por aí, mas totalmente estraçalhada. E é neste momento que um de nós perde o norte. A caminhada perde sentido e optamos na maioria das vezes por ficar à beira-rio a ver passar navios. Apesar de estarmos absolutamente convictos que é neste ponto que perdemos o rumo, a esperança de encontrar ali a parte milésima da nossa outra parte nunca morre.
Porque conforta. Porque não temos força para mais. Porque é a nossa última tentativa. Porque sabe bem.