30 maio 2007

little things

Queria falar de todas as coisas das quais tenho saudades, mas o tempo já as desgastou.
Queria então que tudo voltasse um pouco atrás e que de novo sentisse para que então reconhecesse.
Lembro-me que tudo foi uma questão de opostos. O melhor e o péssimo.
Porque sofri como nunca tinha acontecido.
Porque chorei demais.
Porque voltava a fazer tudo de novo.
Há duas ou três coisas, as quais não consigo esquecer. E são essas que ainda hoje me fazem tremer que nem varas verdes quando sei que estás ali.

29 maio 2007

in a manner of speaking


In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you
I should find a way
To tell you everything
By saying nothing...
(nouvelle vague)

28 maio 2007

lullaby

Fecho os olhos com muita força e digo a mim mesma para adormecer rápido. Mas não sou capaz. Fumo um cigarro seguido de outros tantos, mas o sono nunca chega. Algo inesperado, maravilhoso e aterrador aconteceu. Luto a todo o custo para ficar calada. E vou ficar. Já saldei a minha dívida e quero por tudo manter-me assim. Quero paz. Quero sossego.
O que eu quero mesmo é ter certezas e essas ninguém mas pode dar... Talvez sejas tu capaz de o fazer um dia destes. Agora apenas quero pedir-te desculpa. Por ter fugido. Por sempre ter sabido e nunca aceitado.
A verdade é que não o devia ter feito. Pura e simplesmente porque não o merecias. Porque de facto não foi justo. O maior erro que uma pessoa pode cometer eu já o cometi. Contrariar ou desacreditar a verdade é o que de pior há. Pergunto porque é que tem de ser assim? Mas isto não passa? Nunca? Sou literalmente o meu pior inimigo e muitas vezes também o teu.
Tenho medo. De te deixar. De te magoar. De te prender. Até mesmo de te fazer feliz. Porque acho sempre que mereces qualquer coisa melhor que não eu. De te fazer de meu porto de abrigo sem ser capaz de te dar algo em troca.

Mas sabe tão bem.
Não digas nada. Segura-me e não me deixes cair nunca. E deixa que eu faça o mesmo. Não porque o queremos, mas porque assim tem de ser.
Estamos juntos nisto quer queiramos quer não. É doença comum que não se trata. Que não nos deixa respirar, estejamos próximos ou afastados.

deixa contar-te como foi...

Antes que me esqueça quero contar-te como foi. Porque merece ser contado. Porque aprendi com ele, aquela que poderá ser a maior lição da minha vida.

Antes de mais, quero agradecer-lhe:
Por me deixar encostar a minha cabeça no seu ombro todas as noites.
Por me aconchegar enquanto dormia.
Por me deixar proteger-lo enquanto o fazia.
Por querer fazer de mim a miúda mais feliz do mundo.
Por me levar a lugares longínquos.
Por me dar aquilo que considerava ser amor.
Por quer fazer-me acreditar que as histórias de amor ainda acontecem, ainda que ele nunca tivesse acreditado nelas.

Ambos resolvemos lutar contra todas as probabilidades e tentámos. Tentámos partilhar. Tentámos ser felizes. Tentámos acima de tudo amar da mesma forma.

Uns morrem por amor em excesso. Nós morremos porque o amor de um era o anti-cristo do amor do outro. Foi por isso.

Não vou apagar da memória o seu carinho, os beijos e o amor à sua maneira.

A questão é que o “menino dos cabelos encaracolados” não chegou.

Nada chegou. Nada foi suficiente para dizer agora que um dia fui feliz.
Não ficou nada. Não restam sorrisos de saudade doce. Resta apenas um lapso de tempo que não consigo reconstituir. É por isso que escrevo. Para te contar como foi. Para que também eu não me esqueça.

Lamento por ele.
Por não me ter deixado fazer mais.
Por não me ter amado como devia.
A verdade é que não o soube fazer.

Saiu pela janela de mansinho, só como o menino com alma de pássaro sabe fazer. Um menino que um dia julguei meu.

24 maio 2007

sweet talk

hey candyman, please come crash into me!
this might be the sweetest song...

23 maio 2007

o ritmo substância das coisas

Sinto-me estranhamente bem. Ao contrário do que esperava, sobrevivi.
Interessante é o facto de eu conhecer estranhamente os próximos passos dos outros e o caminho que escolhem, e ser uma perfeita estranha para mim mesma.
Estou sempre à espera de cair redonda e de me aperceber disso apenas quando estiver no chão. Acho que é esse o meu maior medo:deixar-me cair sem noção de que estou a fazê-lo. Depois de um passo vem outro e dou por mim a andar. Livre.
Tento convencer-me de que já paguei a minha dívida e que finalmente sou eu. Só eu. Mas depois, vem o medo. Não de saber que o passado ficou lá trás, mas medo de me ter esquecido como se corre.
A verdade é não há nada para lembrar e o futuro é por defeito, amnésico.

14 maio 2007

talvez a música mais doce...

Aquela em deixa espreitar o sorriso tonto. O sorriso do enamoramento.

We got the afternoon
You got this room for two
One thing I've left to do
Discover me
Discovering you
One mile to every inch of
Your skin like porcelain
One pair of candy lips and
Your bubblegum tongue
And if you want love
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Something 'bout the way your hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it
You want love?
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Damn baby You frustrate me
I know you're mine all mine all mine
But you look so good it hurts sometimes
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Your body is a wonderland.

(j. mayer)

11 maio 2007

a velha e a fé

“Se ainda não morri é como se já tivesse acontecido”, diz ela.
Respira o mais fundo que consegue para sentir o ar a entrar-lhe pelo corpo. Afinal ainda está viva, ainda que não perceba como e porquê. Muito ao longe ouve vozes que não lhe dizem nada. Percebe que a chamam mas não reage. Não consegue. E assim ficou. A olhar para as ondas que um dia tentaram sussurrar-lhe ao ouvido que existem coisas no mundo as quais jamais se podem alcançar.
Nunca ninguém soube dizer ao certo o que tinha acontecido com a velha. Mas alguém contou um dia que tinha sido um desgosto, o qual nunca chegara a superar.
Assim era ela. A velha da falésia. Todos os dias, os habitantes da terra a viam chegar e dirigir-se à falésia. Cumprimentavam-na, mas da sua boca nunca saiu palavra. Ficava calada, sentada nas pedras no último degrau antes do precipício.
Nunca se soube o que ela fazia sentada todos os dias na falésia. Mas ela sim.
A velha estava à espera. Mas tanto esperou que se esqueceu daquilo por que tanto esperava. Mas apesar dos anos lhe terem tirado a memória, a velha nunca deixou de lá ir. Acreditava piamente que se um dia aquilo que esquecera aparecesse, ela saberia de imediato aquilo que procurava.
Chama-se a isto fé. Fé pelas nossas certezas. Certezas que fazem com que nunca desistamos de respirar para saber que continuamos vivos. É isso que nos mantém vivos num mundo que se quer cruel, onde as pessoas já não conhecem a palavra amor, onde já ninguém respira tendo perfeita noção disso. É um mundo de mortos-vivos, onde ninguém sabe quem que é.