04 outubro 2010

the greatest

Hoje dou por terminada uma longa história. Ainda que na vida, que vai para além destas histórias, nem sempre possa escolher a forma como termina o enredo, aqui posso fazê-lo de forma determinada. E se o faço é porque quero e porque posso e isso continua a valer por tudo.

A bem dos nossos pecados, nem tudo são linhas rectas perfeitamente paralelas, e por isso a personagem desta história teve direito a um fim digno, ainda que nunca se venha a saber qual foi. Mais que não seja porque o fim não passa de facto menor e irrelevante. O que interessa é o caminho que se percorre.

Até sempre.

27 setembro 2010

universos paralelos

Se há coisa que nos é comum de forma inagualável é a capacidade de ter saudades. Faz parte da nossa memória colectiva e provavelmente mais ninguém o sente como nós. Culturalmente crescemos agarrados a um tempo que já passou e que não foi o nosso. Por termos consciência disso fazemos das tradições o nosso elo a um passado demasiado distante. Alienada a estas efemérides das quais nunca fui muito adepta, não deixo de guardar na bagagem outras coisas que à partida parecem indesejadas. Tu és uma delas ainda que ninguém o compreenda. Ultimamente nem o sol mais caloroso tem minimizado a ausência de quem faz falta e por isso torna-se bastante difícil fingir que tudo corre de feição. Porque não corre. E por isso mesmo vou fazer o que hoje não é hábito fazer. Hoje vou queixar-me e lamber a minha pele lacerada. Hoje vou fazer a dança da chuva e uivar à lua minguante. Hoje não estou, nem quero, estar bem.

"Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame" - Sia, Breathe me.

26 setembro 2010

soltar sal


Estávamos a precisar disto e por isso roubei-lhe a mão e levei-a atrás. Fez-se o que há muito não era feito. Num regresso a um passado pouco distante mas que ainda assim está demasiado longe, soltámos o sal que estava acumulado desde então e soube bem. Com ou sem ritmo no adn, saltar muito é sempre uma óptima terapia para tudo. Liberta o sal que está preso em nós e que não tem outra forma de sair. Chorar não é, nem nunca será, alternativa.

25 setembro 2010

hoje tenho desculpa

Dói-me tudo. Não há uma parte de mim que não se lamente e grite dor. A luz, os sons e a temperatura fazem mal a tudo aquilo que tenho à superfície do corpo. Sinto-me francamente mal e isso vê-se. Felizmente hoje já tenho desculpa. Que esta enfermidade dure até à próxima primavera para não ter de arranjar outra razão qualquer bem menos plausível. Até a uma próxima, vou arrumar-me no meu cantinho.

i.m. versão sem rosto




24 setembro 2010

nada a acrescentar depois disto

Não era suposto ser assim. Aquele que foi a maior paixão da sua vida foi também aquele que lhe deu o maior desgosto. Não a honrou e esteve muito aquém do que se espera de um pretenso cavaleiro andante. Uma lástima. Uma paixão deve ser consumida, não asfixiada. Pode-se ler no protocolo que se deve deixá-la arder. Ser gasta até não haver mais substância. Da forma como foi, mais se assemelha a uma morte na praia depois de ter sobrevivido a um naufrágio. Chega a ser pecado. Histórias destas raramente ficam registadas. Esta fica para que não seja esquecida.

23 setembro 2010

meias medidas

Aqui vamos nós... Se te moves de uma forma descontrolada será certamente porque tens um síndrome de hiperactividade que mais tarde ou mais cedo vai acabar contigo. Mas se pelo contrário mais parece que nasceste agarrado ao chão não passas de um fraco. Se, por outro lado falas muito, és inconveniente e se não dizes palavra és reservado. Se és fiel a ti mesmo não passas de mais um dos muitos narcisistas mas se pões as prioridades dos outros antes das tuas, nunca hás-de ser feliz. Se acreditas no amor é certo que és louco e se não lhe dás valor estás condenado ao inferno. No meio de todos estes factos consumados resta-nos ficar à deriva. De há uns tempos para cá tornei-me bastante crente. Certa de não fazermos a mais pálida ideia de como chegar ao fim sem desistirmos pelo caminho, uma e outra vez. E quando achamos que já pagámos a nossa dívida, voltamos ao princípio só mais uma vez e para não variar.

juro que nunca tinha ouvido esta

et voilà! Adoro coisas caídas de pára-quedas!

I want to be a good woman And I want, for you to be a good man. This is why I will be leaving And this is why, I can see you no more. I will miss your heart so tender And I will love This love forever I don’t want to be a bad woman And I can’t stand to see you be a bad man I will miss your heart so tender And I will love This love forever And this is why I am leaving And this is why I can see you no more This is why I am lying when I say That I don’t love you no more Cause I want to be a good woman And I want for you to be a good man.
CP, Good Woman

22 setembro 2010

alma de pássaro guerreiro

Provavelmente nunca to hei-de dizer. O nosso tempo já acabou e isto não ia acrescentar nada de bom. Mas ainda assim sinto, preciso e quero agradecer-te. Perdi o meu melhor amigo mas ganhei aquela que foi, até agora, a minha maior conquista. Com toda a tua obstinação aprendi a lutar por mim. E isso não tem preço. Se tu soubesses... aconteceu tanta coisa e eu não to posso contar. Fazes-me falta.

Tenho perfeita noção que separados somos os dois melhores, ainda que para isso tivéssemos de ter ganho força juntos.

continuas tão bonito

Por mais que quisesse esconder-se por detrás dos óculos e de uma postura muito discreta nunca o conseguiu fazer. Sempre foi um miúdo lindíssimo. Alto, muito magro e com o cabelo sempre desgrenhado o que lhe dava uma certa graça. Nunca trocámos mais de duas palavras durante todos os anos em que partilhámos corredores. Hoje a conversa flui sem grande embaraço. É engraçado perceber que com a idade ganhamos uma certa familiaridade com as pessoas que, de uma forma ou outra, tiveram impacto na nossa vida. Para ti, até uma próxima esquina.

amanhã


A partir de amanhã é tempo de comer castanhas, beber água-pé, andar de galochas, apanhar chuva na praia, regressar ao ninho, abrir a porta do quarto aos cães e ver com eles os filmes dos sábados à tarde. Este Outono promete. As portas e as janelas estão abertas para o deixar entrar.

21 setembro 2010

não há heróis

Os heróis são mitos em vias de extinção e como tal nunca vi um único exemplar dessa espécie que se diz tão especial. Por isso mesmo escolho aquele que é de carne e osso. O destemido guerreiro que traz para casa a bagagem e as marcas das inúmeras batalhas travadas. O que erra, o que chora, ri e ama como se o dia seguinte não estivesse garantido. Sabes uma coisa? Não está mesmo. E é por isso que o amor se rege pelas mesmas leis da guerra onde vale tudo. E aquele que não o ignora é o verdadeiro herói, aquele em que eu não posso deixar de acreditar porque no dia em isso acontecer será o fim dos dois.

"Struck from a great height by someone
who should know better than that"
,
FM - Dog days are over.

20 setembro 2010

lo siento, fue tarde demás.

É o ar que não entra. O sangue que não corre nas artérias e os fios condutores que deixam de fazer a função a que estavam destinados. O zumbido nos ouvidos é ensurdecedor e o equilíbrio vai ao chão. De certo modo, momentaneamente, morreu. Porque a dor é superior ao que é humanamente possível aguentar e porque não é suposto sobreviver-se impune e sem qualquer marca. Agora reza muito à noite para que isto passe depressa. Eu rezo também e peço a deus que as coisas melhorem nem que seja um bocadinho.

Num mundo justo, todos temos uma segunda oportunidade. E este é um mundo justo, por isso só se pode lamentar ter sido tarde demais.

19 setembro 2010

sangue

Corre-nos o mesmo sangue nas veias. Com uma ou outra variante é praticamente o mesmo. Para acentuar as semelhanças deus quis que estivéssemos todas no mesmo sítio, à mesma hora. Partilhamos a mesma capacidade de encaixe assim como a vontade de nos rirmos das nossas próprias desgraças.

Palavras da minha querida mana : " Nem o Cruz nos salva, nem o Santos. Com tanta influência cristã no nome e é o que é... Não quero sequer imaginar se fosse Pereira." Acho que está na altura de começar seriamente a acreditar que será o que deus quiser. E deus quer que sejamos muito criativas, pouco realistas e acima de tudo muito crentes.

17 setembro 2010

a minha cama

Tenho 30 anos e não era nada disto que eu esperava. Ainda assim não posso deixar de pensar como é possível estar no exacto ponto onde há anos deduzi estar. Como é que isto foi acontecer de forma tão linear? Ainda tentei combater o que me estava destinado mas foi mais ou menos o mesmo que remar contra a maré.

Talvez seja efectivamente suposto ser o meu cão a ocupar a metade vazia da cama... Hoje descobri que, para lá de uma cama excepcionalmente grande, tenho todo o tempo do mundo para fazer os desvios que me apetecer. Ainda assim recuso-me a perder a esperança e por isso o becas vai continuar a dormir no sofá durante mais algum tempo.

16 setembro 2010

enclave

Sem saber muito bem como já está. Já foi. Já "foste". E num ápice. De tal forma que nem me apercebi. Para não variar acontece tudo demasiado depressa sem sequer haver oportunidade de tirar o sumo. Chego à conclusão que sou uma ladra do tempo. Num momento de loucura corto tudo pela raíz e depois vem a desgraça. Como há coisas que não mudam, continuo a acreditar que posso tirar do baú a qualquer momento o que durante demasiado tempo esteve guardado. Acho que me enganei. Afinal o tempo é subjectivo e nunca só nosso. O tempo, o nosso tempo, é efectivamente o dos outros. E raramente os outros têm o mesmo tempo que nós.

14 setembro 2010

nunca sozinhos

Somos cinco. Somos muito diferentes e ainda assim sempre com a sensação que há qualquer coisa que nos vai agarrando uns aos outros. Talvez não por coincidência estamos todos no mesmo sítio e nenhum de nós sabe que coordenadas pôr no gps. Nenhum de nós sabe bem o caminho a tomar e por isso deixamos-nos ir. Somos cinco. Solteiros, psicologicamente danificados mas nunca sozinhos. Estou tentada em atribuir a responsabilidade disto ao adn porque de outra forma juro que isto não se justifica.

11 setembro 2010

coração que não sente

Sempre soube que se dissermos muitas vezes a mesma mentira mais tarde ou mais cedo começamos a acreditar nela da mesma forma ingénua que todos os outros. E rezamos, muito, para que um dia passemos também nós a vivê-la como se fosse de facto real. Acontece exactamente o mesmo com a visão. Só vemos o que queremos. Ainda que tenhamos os olhos bem abertos conseguimos perfeitamente evitar aquilo que não deve ser encontrado. O desencontro dos olhares é digno de registo fotográfico e perfeitamente inconsciente a bem da nossa sanidade. Olhos que não vêem, coração que não sente. Os milésimos de segundo em que tudo acontece é basilar para a nossa sobrevivência. Aquela fracção, a que nos salva de tudo o resto, e que ao mesmo tempo não nos deixa dormir.

09 setembro 2010

partida, largada, corrida

Tenho escassos minutos para dizer o que nunca disse. À laia de pacote de açúcar, hoje é o dia. Olho-me ao espelho e digo que basta. Que dou por terminada uma batalha perdida desde o início. E apesar de o saber desde o primeiro instante, a vontade de te ter por perto foi tão grande quanto a vontade de acreditar que fazíamos a diferença um no outro. Hoje é o dia em que tenho a certeza que não é assim. Não faz mal ainda que o lamente profundamente. Porque a verdade é que se não és tu, há-de ser um outro qualquer. Porque, por parvoíce ou por infantilidade, eu vou continuar a achar que existe uma consciência que sente e faz as coisas exactamente da mesma forma que eu.

17 minutos. Foi o quanto bastou.

08 setembro 2010

picar o ponto

Pode parecer rídiculo mas no dia em que ela morreu eu pensei que não queria passar por aquilo sozinha. E mais tarde, no dia em que ele morreu tive a certeza. Faltavas lá tu. Todos nós vivemos com a ausência de alguém e disso não morremos. Morremos de outras coisas bastante menos interessantes, mas a isto todos sobrevivem. Calculo que assim seja para que se possa deixar um legado. Certamente que também eu vou deixar o meu e para isso vou continuar a inventar a minha vida, mas preferia mil vezes fazê-lo contigo.

04 setembro 2010

upgrade ao homem do café - versão 2.1

Pronto. Vamos começar de novo. Pelo sim, pelo não, optei por acrescentar alguns upgrades necessários para que isto corra de feição. Já chegam os erros de casting. Então, em primeiro lugar vai ter de estar munido de grande capacidade criativa porque eu não sou, nem algum dia serei, uma pessoa realista. Vivo num universo paralelo onde tudo é permitido e não há em circunstância alguma lugar para o impossível. Bem vistas as coisas há sempre uma solução para tudo, até para mim. Terá de saber alimentar-me caso contrário morro à fome e não poderá de forma nenhuma encorajar o meu lado mais escuro a vir ao de cima. Não aprecio dar largas ao meu lado mais neurótico já que, solto o "monstro" torna-se complicado voltar a esconde-lo no baú. Pelo meio vai ter de gostar de relva, chuva, praia, cães, gatos e de sofás que juntos contam parte da minha vida. Por último, vai ter de gostar de mim, ainda que não o possa dizer tantas vezes quanto gostaria.

É esta mediação que vale por tudo. O famoso jogo do rato e do gato numa versão totalmente anárquica.

02 setembro 2010

cabeça perdida #2

Acorda às seis da manhã. Para ele não há sábados nem domingos. E sou capaz de apostar que não há natal que não seja passado entre a mesa de consoada e uma secretária qualquer. Não bebe, não fuma e não dorme. Faz corridas de quatro horas e é um homem encantador. Trabalha 16 horas por dia no escritório e outras tantas em casa. Não há líder como ele, assim como não há quem consiga ficar indiferente à determinação, à força e à resistência que tem. Pode cair o mundo mas a máscara que usa todos os dias, essa nunca cai. É uma força da natureza e não há como nega-lo. Hoje, deixaram-lhe um recado na bancada da cozinha. Hoje o seu coração parou. Para meu bem não parou de vez, mas pergunto-me se vou encontrar o mesmo homem quando um dia voltar a entrar-me vida dentro.

Põe-te bem rapidamente e da melhor forma possível. Sem ti as coisas levam-se pior.

01 setembro 2010

cabeça perdida #1

Assim não pode ser. Não a esta distância. Nem da forma como o fazes, assim sem mais. Entras a matar e depois, de mansinho, sais de cena sem autorização. Assim não! Assim não quero. Mais que não seja porque cada vez que dás um passo em frente, tenho noção absoluta que logo de seguida dás três para trás. E é nessa altura que te vejo a fugir-me das mãos sem ter oportunidade de te agarrar. É no fatídico momento que dás um bocadinho de ti que mais longe te sinto, portanto faz-me um favor e deixa-te sossegado. De preferência, perto. Muito perto. Mais especificamente, ao meu lado. E se num momento de pura insanidade não te parecer a melhor opção, se num momento de cabeça perdida tiveres a sensação que eu não sou quem tu queres que eu seja, então finge-te em coma profundo e deixa-te ficar. Prometo não te alimentar.

e amanhã, hoje não se repete nunca mais

E pronto. Reza a história que foi um duelo duro. Onde não houve vencedores, só vencidos. Aqueles que Deus quer tornar imortais, cedo leva-os de nós. Parece-me que neste caso, Deus teve uma ideia semelhante. A minha dúvida é: e se por gozo Ele tem mais destas preparadas para mim? Da próxima vez não garanto que vá achar tanta piada.

29 agosto 2010

o marido

Ainda não tinha caído em si. E agora que aconteceu pergunta-se como é que as coisas chegaram ao ponto onde está agora. Decidiu entregar-se ao homem errado e isso levou-lhe anos de vida. Os de ouro. E por saber disso hoje, só o consegue lamentar. Sem ódio mas também sem amor. Quando lhe pergunto o que é que resta, ela responde-me triste que não sobrou nada. Concordou em dar o salto e na queda percebeu que foi a única a fazê-lo.

Hoje pergunta-se se o marido pensa nos erros que foram fazendo ao longo da vida. E acima de tudo, se ele aprendeu alguma coisa com eles. "Para que não volte a repeti-los", diz-me ela. O maior receio dela é que um dia ele volte, porque desta vez não há como. Ela não pensa mais nele.

27 agosto 2010

amigas como eu

Tal como os filhos, os amigos devem seguir a vida que escolhem, independentemente do facto se a opção tomada seria ou não a nossa própria escolha. É preciso deixá-los ir e voltar. Deixá-los que se encontrem ainda que nós já conheçamos invariavelmente o desfecho dos episódios. A vida dos meus amigos é uma espécie de série televisiva que vou seguindo sem interferir. Pontualmente, entro no esquema quando sou chamada à cena e represento o papel que me destinaram.

Mas há coisas que não mudam e uma delas é o facto de eu viver as suas vitórias e os seus fracassos como se fossem meus. Hoje estou a viver vitórias. As da Sara e da Marta, as do Luís, as do Tiago, as da Joana e de tantos outros as que merecem.

26 agosto 2010

impossible man

Olho para ti e tento a todo esforço procurar qualquer coisa que não reconheça. Qualquer coisa, não importa o quê. Quero descobrir quem realmente tu és e também isso não mudou. Porque não tu não podes existir da forma como o fazes e tal como no passado, continuo a acreditar que não passas de uma epifania ou de uma personagem criada por ti nos momentos vagos.

Afinal, de onde é que tu apareceste? Ainda não sei se ter-te descoberto foi melhor do que passar a minha vida inteira sem saber da tua existência, na maior ignorância. Mais que não seja, porque a tua presença na minha vida levanta outras questões, tais como, existirão outras pessoas como tu? Existirão outras almas que deambulam por aí, capazes de me fazer aquilo que tu fazes, da forma como o fazes? Será existe um molde para pessoas como tu? E se assim não for, de que forma é que eu vou viver da forma como o faço sem te ter por perto?

Acho que vou passar a minha vida inteira à procura das respostas. Pessoalmente prefiro continuar a acreditar que tu és one of a kind e que nunca deixarás de ser o Impossible Man. O verdadeiro, o original e principalmente o meu... como se fosses possível.

trivialidades

Tenho trinta anos e não me conheço. Gente sábia diz que é importante morrermos assim e mais importante ainda é termos consciência disso. Não há nada que tenha feito ou deixado por fazer sem uma explicação perfeitamente estruturada, mas continuo sem saber do que sou capaz. Melhor dizendo, vou descobrindo.

Por outro lado, com a chegada da fatídica terceira década, passei a ter uma lucidez aterradora de tudo o que me rodeia. E se para isso é necessário admitir que sou mais uma das almas errantes, se este é o preço a pagar, então não há o que lamentar.

Tenho trinta anos e muitos outros pela frente para continuar a ser exactamente da mesma forma que tenho sido até hoje. Uma perfeita desconhecida para mim mesma.

23 agosto 2010

dias destes

As nuvens, a neblina e dias destes remetem para uma certa melancolia e talvez por isso sejam os meus dias preferidos. É em dias assim que me apetece pegar na mala e fugir para onde possa ver crescer alguma coisa. São estes dias que me fazem querer plantar beringelas, batatas ou qualquer outra coisa. Gosto de terra molhada e adoro sujar-me nela. Enfim, hoje é um daqueles dias que me apetece mandar tudo à merda. A chuva também faz disto...

13 agosto 2010

hoje é o dia

Poucas são as coisas que me fazem estremecer. Na maioria das vezes tenho a sensação que estou sob o efeito de fortes anestésicos. Nada me irrita, nada me choca e poucas são as coisas que me levam ao chão. Mas quando é mau, raramente se fica por aí. Quando dói, aperta, estrangula e mais tarde ou mais cedo acaba por matar.

Como em tudo na vida há sempre um equilíbrio muito ténue entre o mau e o bom, e então, depois temos as coisas boas. As que me fazem agir que nem louca, sem qualquer filtro esteja quem estiver, esteja onde estiver. O que faz a diferença? A fracção de segundo. O compasso. Os comprimentos de onda e a música que eles têm.

Sou viciada em coisas boas. E hoje parece-me um óptimo dia para saltar, gritar, dançar e namorar. Muito. Até cansar. Hoje é um óptimo dia para reinventar uma vida. A minha.

ideias parvas para passar o tempo

sexta-feita 13

Hoje é sexta-feira 13. Desde que acordei tenho um pressentimento estranho que me aperta o âmago da alma. Não estou bem nem mal, estou esquisita. O nó no estômago voltou em grande força e está a toldar-me o raciocínio e a coordenação do corpo. Começo a pensar seriamente que o bem que trazes não ultrapassa o mal que fazes. A ressaca da ausência é péssima.

10 agosto 2010

porta adentro

Nunca te contei que no fatídico momento em que me entraste pela porta não foste o único a ter uma sensação estranha. Se não estou em erro, os leigos chamam-lhe "amor-à-primeira-vista".

Devíamos arder no inferno por não sabermos valorizá-lo. Isso sim é um crime e vai continuar a sê-lo até que tu deixes de me pôr na posição da qual foges como o diabo foge da cruz.

choose me, pick me

E quando tudo já foi dito, não havendo mais nada de novo a acrescentar, ocorre-me um "escolhe-me" saído da alma. Ainda que eu tenha perfeita consciência que estarias a assinar a tua sentença de morte, se assim fosse, prometo que cavava a sepultura contigo.

Estive a escassos milímetros de te pedir o impossível. Mas será que é mesmo assim? Será que é assim tão descabido pedir-te que te deixes ficar? É que a mim parece tudo bastante certo.

Podia fazer-te mil e uma promessas a troco de anuíres aos meus caprichos. Mas não o vou fazer, porque pura e simplesmente, eu só te quero, se e quando, tu me quiseres em igual medida. E não, não consigo contentar-me com menos.

09 agosto 2010

alguém o disse por mim

"O momento em que desistimos de nos enganar,
nesse momento estamos mortos."

06 agosto 2010

é como é

Nunca fui de complicar muito. As coisas são como são e eu... bem, eu tento adaptar-me a elas com alguma facilidade e sem dramas pelo meio. Sempre fui adepta da mudança, desde que isso contribua para alguma coisa ou para alguém. Sou a favor da felicidade e das coisas boas. Gosto de gargalhadas altas e de ser prestável. Vivo apaixonada. Por alguma coisa ou por alguém, é indiferente desde que isso me faça mover. Não sei estar parada e meto-me na maioria das vezes em mais planos do que aqueles que posso abraçar.

Fui educada para ser uma "força da natureza", daí nunca perder a postura, poucas vezes perder a razão e raramente gritar.

Errei mais vezes do que aquelas que a memória me permite guardar mas sempre o enfrentei de cabeça levantada. Se há coisa imprescindível para mim é ter a certeza absoluta que se morrer amanhã, fiz tudo o que havia a fazer. Está claro que isso acrescenta a tudo o que sou e faço uma boa dose de insanidade, no entanto, isso não faz me mim uma pessoa menos feliz. Pelo contrário.

Posto isto, não me arrependo de te ter arrancado à força um beijo nem das palavras ditas. Não me arrependo de forma nenhuma de ter aterrado de pára-quedas na tua vida e muito menos de querer permanecer nela.

05 agosto 2010

hold still

Vejo-o claramente a fugir-me por entre os dedos. E a cada dia que passa o aperto de saber que não há nada que possa fazer para o agarrar fica mais forte. De qualquer forma não é suposto prender seja o que for. Sou contra. Mas vê-lo escorrer-me entre os dedos dá cabo de mim, por mais força com que feche a mão, sei perfeitamente que de pouco adianta. Que pouco a pouco vai-se perdendo. Estou tentada a abrir a mão de vez. Certamente que custa menos.

04 agosto 2010

pequenos prazeres

Quero andar descalça,
Quero ficar onde houver um compasso diferente,
Quero adormecer com o vento,
E dormir à sombra até que o corpo me doa.

Gosto de sentir o cheiro da terra molhada,
E de tomar banho em dias húmidos.
Gosto de passarinhar de roupão e de café acabado de fazer
Gosto ainda mais de o beber em tardes frias.
Gosto do campo e da música que tem.

Um dia fujo daqui e vou plantar beringelas para bem longe.

01 agosto 2010

trio da caparica

Faça o que eu fizer. Diga o que eu disser e escolha o rumo que eu escolher, eles estão lá. Seja para festejar as minhas vitórias ou minimizar as minhas derrotas, eles estão lá. Sempre os dois. Conheço-os há tanto tempo assim, que para mim são uma só pessoa. Gosto deles e fazem parte da família. Aquela que escolhi. Não gostamos das mesmas coisas é certo. Mas gostamos uns dos outros.

31 julho 2010

por outro lado e só mais uma vez

Pareces um boneco. És tão perfeitinho que até irrita. Durante demasiado tempo andei à procura de qualquer coisa que me fizesse desistir de ti e o facto de não encontrar nada tornou as coisas bastante mais dramáticas. Há coisas que não se explicam. Tu és uma delas e isso mete medo. Por outro lado, o facto de saber que existe alguém que me deixa em ponto de rebuçado, por si, já é uma sorte. Quero convencer-me à força que seja qual for o desfecho, não há vencidos. Ainda assim preferia ter-te por perto mais algum tempo.


"Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom
Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro não sei perceber...
Queres só mais uma volta, desta ninguém vai dizer." - TB, Só mais uma volta.

knockout

Se quiseres virar-me do avesso vais consegui-lo em três tempos. Com tanta explicação e sentido prático da coisa ainda não fui capaz de perceber como é que estas coisas acontecem. Mas pior, pergunto-me ainda mais vezes se acontecem porque não em medidas iguais, perfeitamente democráticas? Perdi o direito há muito tempo e tenho perfeita noção disso, mas ficava bastante mais descansada por saber que não me vais levar ao tapete. Sempre tive a capacidade de antever o final de todos os episódios. Este não é excepção e não me parece que vás ter piedade.

30 julho 2010

a canção mais doce

Encontrar a canção mais doce, aquela que entendemos como sendo só nossa, é mais ou menos como nos apaixonarmos: uma questão de sorte. A minha não é a mais feliz, é um facto, no entanto, não deixa de ser a minha. Assim como também não deixa de continuar a cortar-me a respiração. Essencialmente tem a beleza de deixar em aberto o desfecho e isso sim faz toda a diferença.

" But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
To the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss

Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl just tonight" - DMB, Say Goodbye

29 julho 2010

parvoíces

Ainda estou à espera que toque um alarme qualquer. É suposto nesta altura ecoar um som estridente de uma buzina e uma luz a assinalar "PERIGO" com grande frenesim. Quase que por desporto tento descobrir alguma coisa que não faça sentido, ainda que sem sucesso. À falta de grandes apontamentos a fazer, resta-me aceitar que é assim e que não vale a pena lutar contra o óbvio. Porque mais uma vez sabe bem e acima de tudo porque desta vez há que enfrentar os cornos do touro. De frente e com a dignidade possível.

27 julho 2010

verdades

Hoje disseste-me uma coisa que ninguém me tinha dito. Apesar de ter sido em tom de brincadeira, o facto é que tens toda a razão. Como meu amigo já me devias ter alertado para isso e sobretudo explicar-me como é que estas coisas funcionam. Falta perceber se nunca passei por isto porque tive sorte ou porque fugi de todas as situações que adivinhavam um prognóstico reservado.

Portanto, explica-me, como é que isto se faz? Como é que se brinca ao gato e ao rato sem que eu acabe por ser a refeição de alguém? Por este andar vou precisar de anotações com canetas coloridas e esquemas, muitos esquemas!

25 julho 2010

noite de nojo

Hoje obrigo-me a fazer o luto. No momento em que a morte foi anunciada não o ouvi porque à cabeça só me vinha o pensamento de que finalmente era livre. Que com a morte anunciada também estava a deixar uma parte pesada de mim para trás.

Adoro os sábados à noite, trazem-nos uma melancolia muito própria para este tipo de cerimónia e por isso hoje faço o que vinha adiar por não achar propositado. Hoje assino o atestado de óbito de alguém que não devia ter sido ressuscitado. Se com isto aprendi alguma coisa foi de que jamais se recuperam páginas arrancadas à força. E ao contrário do que sempre defendi, nem sempre se esquece e perdoa.

Por nunca ter chorado a morte, hoje obrigo-me, pelo menos, a reflectir sobre ela. E sobretudo, a encerrar um capítulo. Porque já chega. E acima de tudo porque não quero mais.

Uma vez que não pretendo carpir em frente a uma lápide, despeço-me agora. Não porque ache importante, mas apenas porque o luto deve ser feito de uma forma consciente e séria, ainda que em frente a um ecrã anémico.

Esta será a última vez que assino com um apelido que não é o meu e cujas letras não assentam no papel da mesma forma fácil e deslizante que as restantes.

24 julho 2010

nota num post-it cor-de-rosa

Sempre levei tudo muito a peito. Amo ou odeio. É preto ou branco imaculado. É ou não é, sem meias medidas, sem consequências e até hoje nunca me dei mal, mais que não seja porque tenho sempre a perfeita consciência do que quero, ainda que às vezes pague caro por isso.

Kafka escreveu um dia, "Alimento-o com leite doce, é o que melhor lhe assenta."

A mim assenta-me bem ser mimada, ser alimentada a chocolate e estar apaixonada. Da próxima não me fico por menos.

23 julho 2010

rita catita

Todos nós devíamos ter uma pessoa como a que eu tenho. Pequena, loira e encantadoramente parva. Vai e regressa à minha vida mais vezes do que aquelas que eu gostaria, mas isso faz parte. É uma versão minha mas concentrada. Fazemos as mesmas asneiras. Rimos das mesmas coisas. Partilhamos as coisas boas, acima de tudo as coisas más e com ela, sou eu, sem papel de embrulho a enfeitar.

No derradeiro dia perguntou-me “tens a certeza que queres fazer isto?” e eu disse-lhe que sim. Hoje, não faz perguntas, não opina porque no fundo sabe que, tal como ela, eu vou até ao fim.

Conforme mandam as regras do universo, nenhuma de nós tem um percurso fácil e nem ela consegue sobreviver a tudo sem derramar uma ou outra lágrima. Lá está, também isto faz parte.

Como forma de agradecimento pela paciência que tem, vou tomando conta dela da melhor forma que sei: alimento a sua maluquice e as nossas parvoíces. Mas na verdade é ela quem toma de mim, obrigando-me a ser mais “Ana” e menos “Bárbara”.

Sabes? Jamais me passaria pela cabeça ter escolhido outra pessoa. Disto não me arrependo mesmo nada.

conheço-te?

Tenho memória de peixe. Sete segundos e "O que foi? Quem? Onde? O quê? Eu conheço-te?". Uma autêntica tristeza. O tempo já tem por si a capacidade de esbater o passado, mas neste aspecto, ele não me poupa nada e faz desaparecer tudo com uma borracha capaz de apagar tinta da china.

Durante muito tempo fiz a mesma pergunta sem nunca ter tido uma resposta. Hoje tive-a e foi clara como a água. Obrigavas-me a ter uma capacidade de encaixe maior do que aquela que eu podia suportar. És vento desgovernado e eu não soube lidar com isso. Aliás, ainda não sei e todos os dias vou tendo mais certeza disso. Tu acabas com a minha lucidez num instante. Contigo tão depressa estou nos píncaros como no segundo a seguir estou num buraco escuro sem sinalização de saída. E o pior é que a responsabilidade nem é tua. Quanto mais coerente tento ser, melhor vejo o esforço inglório que é. Sabes uma coisa? Seja o que Deus quiser.

20 julho 2010

arquivos

Numa visita aos arquivos dei-me conta que ao contrário do que esperava, acabo ser extremamente coerente com as minhas próprias ideias. Ou isso, ou sou teimosa, porque ainda não aprendi com os erros sucessivos. Fico-me por acreditar que tenho convicções fortes. Algures, num daqueles livros de auto-ajuda, ou não, diz-se que somos donos do nosso destino. Será que graças à minha intransigência ando a arruinar o meu?

Como diz uma amiga minha, é-me mais fácil ficar por aquilo que conheço,
ainda que seja mau à partida, já que desta forma não tenho surpresas. Tenho uma grave intolerância a episódios desconhecidos, isso sim. E daí, rapidamente se dá o salto para a obsessão pelas regras e pelas as histórias que acabam sempre da mesma maneira. De qualquer forma, desta vez permiti-me abordar a coisa de forma diferente. Acho que também não está a funcionar... Cada tiro, cada melro! Bonito, sim senhora. Duas palavras: bastante espectacular!

procura-se homem do café

Passaram 3 anos e é a máquina da nespresso que continua a fazer-me o café. Este facto leva-me a crer que tenho andado um pouco desviada do meu objectivo. A partir de agora, e porque o tempo escasseia, vou focar-me naquilo que realmente é importante: encontrar o homem do café.

Estou a pensar em colocar um anúncio no jornal, do tipo "Procura-se relação com homem do café. Não tenho preferência entre Nicola, Delta ou Segaffredo, desde que seja bem tirado. Assunto sério."

Não querendo pedir muito, será que posso juntar outras coisas, pequenas, mas que me davam imenso jeito? Por exemplo, ao café juntar um pequeno almoço de tabuleiro e um ou outro jornal?

Não... era sorte a mais.

amigas

As minhas amigas são um verdadeiro encanto. Às vezes olho em volta e encontro um bando de miúdas de 10 anos mas com curvas que nessa altura não existiam.

"Se voltares a falar mais com ele, deixo de ser tua amiga!", diz uma delas. Começo a achar que qualquer coisa aqui está mal e que a culpa só pode ser minha. Ao que parece esta história de sobreviver a um episódio menos feliz não parece, à vista dos outros, nada bem. Parece-me que era mais credível chorar pedras da calçada e entrar no mundo das substâncias ilícitas. Lamentavelmente não sou capaz. Não faz parte do acordo. Não estava incluído na promoção.

Ando demasiado ocupada a tratar de um assunto realmente importante: ter direito aos que os meus pais me prometeram!

19 julho 2010

como diz pedro paixão

Escrever é um acto bastante particular. Pemite-nos dizer tudo mas com a distância limpíssima das palavras escritas. Há portanto, uma margem de segurança que hoje em dia não nos é possível prescindir. Pelo menos enquanto não passamos da escrita para a prática, o que no meu caso até é bastante simples porque pura e simplesmente não me deixam.

Acho que estou a pagar a minha dívida com a sorte. Não fiz um pacto com o diabo, é certo, mas parece-me que o universo me está a fazer pagar pelas oportunidades dadas de mão beijada. Sempre consegui voltar atrás e carregar no reset e nunca uma opção tomada deixou de ter retrocesso. Agora parece-me que vou ter de cumprir a minha parte do tratado.

De qualquer forma, estava na altura de aprender alguma coisa, portanto vou tentar ver isto da melhor perspectiva.

"Para variar ainda não aprendeste. Tu gostas mesmo de te meter em confusões. Já devias estar à espera disto... ou não? É bem feito, pode ser que assim aprendas a lição.", diz a minha mãe. Talvez não esteja enganada, mas pelo sim, pelo não, vou fazer um pacto com satanás para não lhe ter de dar razão.

18 julho 2010

o meu namorado

Decidi ter um namorado. Mas não um qualquer. Este é especial. Fui pescá-lo ao rio e desde aí nunca mais o deixei. Recebe-me à porta sempre feliz, não se queixa quando o jantar chega tarde e não tem vícios a não ser eu, portanto, o namorado perfeito. Tem 3 cores, quatro patas, duas orelhas descaídas e não é ciumento. Sara-me as feridas com a eterna paciência de alguém que julga que vai sempre ficar por cá. Eu também gostaria que assim fosse. Lamentavelmente tudo tem prazo de validade e ele não é excepção, por isso, faço de tudo para tentar minimizar a sua curta existência.

Enquanto andares por cá prometo que te farei muito feliz. Ah, e tenho a certeza que tu farás exactamente o mesmo.

17 julho 2010

a mesma música em repeat

Hoje permito-me fumar um cigarro antes de ir dormir. Porque preciso e porque o sono não vem. Começo a pensar que tenho um problema grave na dissecação de mensagens. Não percebo sinceramente onde vamos parar. Quer dizer, a resposta é óbvia e não é a bom porto certamente. Não sou feita para isto e por mais que me custe, por mais que eu gostasse de ser o meu alter ego a tempo inteiro, a verdade é que a minha capacidade de encaixe é bastante diminuta.

Hoje não consegui evitar. O meu corpo revoltou-se e manifestou o que me ia na alma. Pela primeira vez perdi literalmente a compostura e tremi que nem varas verdes ao sabor de um vento bastante desgovernado.

Sempre acreditei que bastava não alimentá-lo para que ele morresse por si só, sem grande esforço. Acho que andei enganada... caramba que o sacana é resistente!

14 julho 2010

o hastear da bandeira

Pergunto-me como é que posso fazer com que isto passe depressa, ainda que não saiba se o quero fazer. E pergunto-me também se podia ter feito mais alguma coisa ou se pelo contrário devia ter ficado sossegada. Tenho literalmente um buraco no lugar do peito. Não entendo como é que isso aconteceu tão depressa e acima de tudo como é que eu deixei que chegássemos ao ponto do "sem retorno".

Hoje não tenho vontade de ser a miúda afável e mesmo assim não consegui ter outra atitude que não essa, e isso dá cabo de mim.

Ninguém morre de amor é certo, mas as saudades, essas sim acabam connosco em três tempos.

13 julho 2010

golpe do chinês

Não te devias ter despedido da forma como o fizeste. Acabou por ser mil vezes pior. Sim, eu sei que sou melodramática e que vivo para estas pequenas coisas mas não precisavas de ter alimentado isso. E apesar de ter-me afastado de sorriso rasgado, mais tarde a tua parlemice deu lugar a um nó no estômago agonizante portanto, nada de bom. És sádico, é o que é. E ou não percebes nada disto ou deste o golpe do chinês à antiga. Como em todos os períodos de nojo há três fases: a negação, a raiva e a aceitação. Parece-me que estou na segunda. Pode ser que um dia até volte a esboçar um sorriso quando me lembrar do episódio, mas por enquanto aquilo que eu quero é manter-te bem longe da minha vista.

...Longe da vista, longe do coração.

12 julho 2010

de volta a casa

Dei-me conta que sou uma saudosista. Entro na sala e deparo-me com um sofá onde fui amassada por todos os homens da minha vida e duas poltronas que têm para lá de 30 anos. Numa delas vi o incêndio do chiado pela televisão e como não sei em qual delas foi, optei por restaurar as duas. Isto já diz tudo. Sou agarrada às coisas. E não vale a pena tentar mudar isso. Não é defeito, é feitio. As músicas são sempre as mesmas, assim como os filmes que vejo vezes sem conta.

Dou por mim a pensar que ser assim não é muito bom. Porque se pensa demais, porque nos agarramos ao que na verdade pouco sentido faz.

Tenho mais duas peças na bagagem: dois quadros do Guilherme, porque mais ninguém pinta o acto de enamorar da forma como ele o faz. Ambos têm cor, um rapaz, uma rapariga e pouco mais. Mesmo assim, não deixa de me encher o coração sempre que olho para eles e cada vez que o faço penso que um dia também eu terei direito àquilo que à primeira vista está por completar.

Voltar a casa é bom. Lembra-nos quem somos e da bagagem que temos, gostemos nós dela ou não.


três tiros de caçadeira

Tudo se resume a três tiros de caçadeira. Um seguido de outros dois sem grande oportunidade para dizer: "Ai e tal, já chega!". Na linha de raciocínio do "ou-vai-ou-racha" tem-se direito a tudo. Até a isto. Ainda estou para perceber como é que se consegue sentir uma alegria estupidamente parva depois de levarmos com um valente balde de água fria.

Vinha na viagem a rir-me sozinha enquanto ia pensando na situação insólita em que me tinha metido. Lá está, dei por mim com um sorriso do tamanho do mundo depois de ter dado três tiros de caçadeira no pé.

Sempre fui ensinada a não perder a postura ainda que tivesse muita vontade de o fazer. “Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.”, diz a minha mãe. Pois bem mãezinha, desta vez não só me pus a jeito para levar com três chumbadas como premi o gatilho. Mas fiz o que tinha de ser feito, sabes? Antes três chumbadas e um sorriso do que uma dúvida persistente e incómoda.

10 julho 2010

#2 pessoas da minha vida

Lembro-me que era muito preguiçoso e que só com grande habilidade o roubava do sofá. Lembro-me que reagia como uma criança pequena a críticas e que "fechava a cara" se não lhe dava o que queria. Lembro-me também que não levantava a voz e que se portava como um cavalheiro num momento de aflição tipicamente feminino.

Eu - "Entrou uma barata no restaurante e ela está a vir em direcção a nós. Se ela se aproximar mais eu salto para cima da mesa e começo a gritar". Ele - " Calma, queres que a mate?"

Lembro-me da voz melodiosa com que cantava baixinho e lembro-me que o final da história foi triste para a barata.

09 julho 2010

longe está o tempo

Uma vez, há algum tempo atrás, disse-lhes que eras doce. Pergunto-me muitas vezes como é que isso se conjuga com o teu lado pragmático e racional e sinceramente ainda não cheguei a conclusão alguma.

"Amanhã respondo-te"? Isso é coisa que se faça? Ainda para mais quando não cumpres o prometido? Faltam sensivelmente quarenta minutos para o dia seguinte. Estás literalmente a quarenta minutos de dar comigo em louca!

...trinta minutos...

Sou a miúda dos "e se" e dos "tudo é possível e eu faço acontecer" mas dava-me jeito que me ligasses a luz de forma a poder ver alguma coisa. Às escuras sou como um gato em frente aos faróis de um carro em noite de lua nova: cego.

Do what you must do, but do something.

...vinte minutos...dez minutos...e nada.

03 julho 2010

é assim que acontece

Agradeço aos meus pais todos os princípios que me ensinaram. São eles que fazem de mim o que sou, com defeitos e virtudes. Hoje dei-me conta que nunca chamei "filho da puta" a ninguém e acho que isso faz de mim uma pessoa melhor. Não por nunca o ter feito, mas sim, o facto de nunca ter sequer sentido necessidade de o fazer. Porque nunca me senti suficientemente ameaçada por ninguém. Porque eu sou eu e os outros se que se enterrem bem longe.

Meus queridos pais: Puta de educação aquela que me deram!

11 junho 2010

segredos inconfessáveis

Tenho saudades tuas. Muitas. E tenho saudades de me sentir no epicentro de um terramoto quando te aproximas. Tenho saudades de te ter enroscado em mim. E o pior é não to poder dizer. Tenho consciência que continuamos a ter comprimentos de onda diferentes, no entanto, acho que desta vez estou disposta a experimentar o teu.

01 março 2010

momentos de fé

Casar não é uma decisão tomada de ânimo leve. Acho eu.
Ainda assim não deixa de ser um acto de fé. Porque acreditamos que será para sempre e que vamos conseguir ultrapassar todos os momentos maus. Afinal, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Os mais infelizes costumam chamar-lhe irresponsabilidade, eu prefiro dizer que o casamento é um acto de coragem. Hoje em dia já quase parece mal dizermos que estamos apaixonados e isso é sim é pecado.

06 fevereiro 2010

better man

Às vezes sinto que vou perder a paciência mais cedo ou mais tarde. Mas isso é perfeitamente normal vindo de nós. Talvez não seja só eu a desconcertada. E talvez seja também eu, a desconcertante. Estamos num verdadeiro duelo de titãs e às vezes cansa. Se eu podia ter ficado um outro homem? Podia, até podia, mas não era a mesma coisa.

guy next door

Na minha modesta opinião, todas as mulheres deviam ter um. Porque nos alegra logo pela manhã. Porque nos obriga a sair de casa para ir ao café manhoso do lado sem aquelas calças pavorosas. Porque nos faz companhia à varanda nas noites quentes de verão. Porque faz parte da família. Porque nos alimenta a alma. Eu tive dois. Um deles toma conta de mim, o outro toma conta dos meus cães.

05 fevereiro 2010

auto-ajuda para mulheres de fé


Fui ensinada desde sempre a fugir da mediocridade e a não aceitar de forma alguma a fatídica frase do “quem dá o que tem a mais não é obrigado”. Por vezes dou-me conta da sorte que temos e, ainda mais, das sucessivas queixas de que tudo está mal. Este ano, como sabem, prometi ia dar o melhor de mim aos outros.

Ora como devem imaginar, o estado de hibernação profunda em que estive mergulhada nos últimos dois anos causou-me uma espécie de amnésia do “saber viver”, portanto, resolvi assumir publicamente que preciso de ajuda!
Assim que sair do mausoléu vou à Bertrand tratar do assunto.

04 janeiro 2010

em 2010

As coisas nem sempre correm como o esperado, aliás, estatisticamente falando, vou admitir que nunca correm conforme planeado. Por isso em vez de desejar coisas que estão para além da minha capacidade de decisão, vou-me limitar ao que efectivamente posso fazer apenas com uma boa dose de força de vontade.

Este ano vou dar aos outros o melhor de mim!