Se há coisa que nos é comum de forma inagualável é a capacidade de ter saudades. Faz parte da nossa memória colectiva e provavelmente mais ninguém o sente como nós. Culturalmente crescemos agarrados a um tempo que já passou e que não foi o nosso. Por termos consciência disso fazemos das tradições o nosso elo a um passado demasiado distante. Alienada a estas efemérides das quais nunca fui muito adepta, não deixo de guardar na bagagem outras coisas que à partida parecem indesejadas. Tu és uma delas ainda que ninguém o compreenda. Ultimamente nem o sol mais caloroso tem minimizado a ausência de quem faz falta e por isso torna-se bastante difícil fingir que tudo corre de feição. Porque não corre. E por isso mesmo vou fazer o que hoje não é hábito fazer. Hoje vou queixar-me e lamber a minha pele lacerada. Hoje vou fazer a dança da chuva e uivar à lua minguante. Hoje não estou, nem quero, estar bem.
"Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame" - Sia, Breathe me.
"Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame" - Sia, Breathe me.