29 junho 2005

ana . logia

Se eu te fugir não corras atrás de mim.
Se te escorrer das mãos como areia ao vento, deixa-te ficar.
Nao tentes agarrar-me porque será em vão.

Aí será tarde demais.
Não gosto de olhar para trás.
A fracção de segundo deverá bastar-se a ela própria.
Será ela que me prende ao momento, como quem espera por uma única gota no deserto. É o instante em que a gota cai que vale por tudo.
Deixa-me correr.
Para onde, não interessa... é irrelevante e talvez o mais importante.
Não me dês terreno batido. Dá-me antes um caminho que nunca antes tenha sido pisado.
Deixa que o vento me guie até que tenha forças...
Serei feliz por ter percorrido o caminho sozinha. Assim terá de ser.
Deixa-me saber que consegui ser mais que eu própria.
Deixa-me saber que um dia me transcendi, que um dia me superei.
Deixa-me saber que um dia me substituí, por outra coisa que não eu.
Um dia hei-de parar... talvez no dia em que morrer.

27 junho 2005

o fabulouso mundo de Amélie e de todas nós

Não há palavras para descrever algo tão peculiar. Como cenário temos Lisboa e o Rio Tejo pintados em tons rosa. Num fim de tarde recriamos toda uma parafernália de personagens, falas e actos completos.
Nada nos pára. O mundo, ainda que apenas naquele instante, é nosso. Despimo-nos de preconceitos, de máscaras e somos nós.
Entre um café, um Martini, duas imperiais e alguns cigarros, rimo-nos, muitas vezes das nossas próprias desgraças e das nossas parvoíces. Abrimos a nossa alma. Sem medos, sem cerimónias. Assim somos nós. O eterno mundo feminino.
Pagamos a conta. Separamo-nos com beijos e sem que nos demos conta disso voltamos a vestir a "gabardine". Cada uma de nós volta ao ponto em que ficou nos inúmeros papéis que compõem a nossa vida...

21 junho 2005

subterfúgios

Acordei e estava muda. Não sei o que se passou. Foi assim, sem mais. O mundo que outrora fora meu, já não é mais.
As palavras são excelentes subterfúgios para substituir a nossa própria realidade, a nossa própria existência. Como diz Pedro Paixão,

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."
Refugiei-me nelas, nos seus múltiplos sentidos, na sua dualidade inerente a alguma coisa que é composta por outras peças várias. Assim somos todos nós... uma multiplicidade de peças que pouco a pouco se encaixam umas nas outras. Ainda que não saibamos muito bem como.
As palavras são uma tentativa de encaixar tudo o que nos rodeia, uma manisfestação daquilo que vivemos. Fazem parte do nosso reflexo, o seu sentido varia conforme a pessoa que as profere. Assim como o silêncio... A ausência das palavras que mostra de forma irredutível que por vezes as palavras não chegam... aliás, quase nunca são suficientes. A concretização suprema é e sempre será o acto...

14 junho 2005

palavras já escritas...

Se alguém ainda não o tivesse escrito, provavelmente teria sido eu a fazê-lo... Está simplesmente "Quase Perfeito".
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Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

08 junho 2005

promete-me

No dia em que tu quiseres tomar conta de mim, eu vou dizer que sim.
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Promete-me apenas que me irás cantar ao ouvido baixinho e que me afagarás o cabelo até que eu adormeça.
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Promete-te também, que gostarás de mim... não precisa de ser muito, apenas um bocadinho.
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Promete-me que terás paciência para as minhas inúmeras perspectivas.
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Vais descobrir em mim alguns defeitos e uma multiplicidade de indecisões. Mas se assim for, devo advertir-te que não é por maldade... A ânsia de querer este mundo e outro faz com que nunca esteja satisfeita, que queira sempre mais.
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Promete-me que teremos longas conversas pela noite dentro até que o sol nasça de novo e que quando acordar ter-te-ei a meu lado.
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Terás de ser mais rápido que eu, para que eu possa continuar a correr.
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E de vez em quando terás de me contar uma história...
Prefiro não conhecer a verdadeira cor da realidade, por isso terás de pintá-la para mim!
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E mais importante que tudo isto, promete-te que me encantarás!
Encantada devolver-te-ei um sorriso...