29 junho 2005

ana . logia

Se eu te fugir não corras atrás de mim.
Se te escorrer das mãos como areia ao vento, deixa-te ficar.
Nao tentes agarrar-me porque será em vão.

Aí será tarde demais.
Não gosto de olhar para trás.
A fracção de segundo deverá bastar-se a ela própria.
Será ela que me prende ao momento, como quem espera por uma única gota no deserto. É o instante em que a gota cai que vale por tudo.
Deixa-me correr.
Para onde, não interessa... é irrelevante e talvez o mais importante.
Não me dês terreno batido. Dá-me antes um caminho que nunca antes tenha sido pisado.
Deixa que o vento me guie até que tenha forças...
Serei feliz por ter percorrido o caminho sozinha. Assim terá de ser.
Deixa-me saber que consegui ser mais que eu própria.
Deixa-me saber que um dia me transcendi, que um dia me superei.
Deixa-me saber que um dia me substituí, por outra coisa que não eu.
Um dia hei-de parar... talvez no dia em que morrer.