21 junho 2005

subterfúgios

Acordei e estava muda. Não sei o que se passou. Foi assim, sem mais. O mundo que outrora fora meu, já não é mais.
As palavras são excelentes subterfúgios para substituir a nossa própria realidade, a nossa própria existência. Como diz Pedro Paixão,

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."
Refugiei-me nelas, nos seus múltiplos sentidos, na sua dualidade inerente a alguma coisa que é composta por outras peças várias. Assim somos todos nós... uma multiplicidade de peças que pouco a pouco se encaixam umas nas outras. Ainda que não saibamos muito bem como.
As palavras são uma tentativa de encaixar tudo o que nos rodeia, uma manisfestação daquilo que vivemos. Fazem parte do nosso reflexo, o seu sentido varia conforme a pessoa que as profere. Assim como o silêncio... A ausência das palavras que mostra de forma irredutível que por vezes as palavras não chegam... aliás, quase nunca são suficientes. A concretização suprema é e sempre será o acto...