29 agosto 2010

o marido

Ainda não tinha caído em si. E agora que aconteceu pergunta-se como é que as coisas chegaram ao ponto onde está agora. Decidiu entregar-se ao homem errado e isso levou-lhe anos de vida. Os de ouro. E por saber disso hoje, só o consegue lamentar. Sem ódio mas também sem amor. Quando lhe pergunto o que é que resta, ela responde-me triste que não sobrou nada. Concordou em dar o salto e na queda percebeu que foi a única a fazê-lo.

Hoje pergunta-se se o marido pensa nos erros que foram fazendo ao longo da vida. E acima de tudo, se ele aprendeu alguma coisa com eles. "Para que não volte a repeti-los", diz-me ela. O maior receio dela é que um dia ele volte, porque desta vez não há como. Ela não pensa mais nele.

27 agosto 2010

amigas como eu

Tal como os filhos, os amigos devem seguir a vida que escolhem, independentemente do facto se a opção tomada seria ou não a nossa própria escolha. É preciso deixá-los ir e voltar. Deixá-los que se encontrem ainda que nós já conheçamos invariavelmente o desfecho dos episódios. A vida dos meus amigos é uma espécie de série televisiva que vou seguindo sem interferir. Pontualmente, entro no esquema quando sou chamada à cena e represento o papel que me destinaram.

Mas há coisas que não mudam e uma delas é o facto de eu viver as suas vitórias e os seus fracassos como se fossem meus. Hoje estou a viver vitórias. As da Sara e da Marta, as do Luís, as do Tiago, as da Joana e de tantos outros as que merecem.

26 agosto 2010

impossible man

Olho para ti e tento a todo esforço procurar qualquer coisa que não reconheça. Qualquer coisa, não importa o quê. Quero descobrir quem realmente tu és e também isso não mudou. Porque não tu não podes existir da forma como o fazes e tal como no passado, continuo a acreditar que não passas de uma epifania ou de uma personagem criada por ti nos momentos vagos.

Afinal, de onde é que tu apareceste? Ainda não sei se ter-te descoberto foi melhor do que passar a minha vida inteira sem saber da tua existência, na maior ignorância. Mais que não seja, porque a tua presença na minha vida levanta outras questões, tais como, existirão outras pessoas como tu? Existirão outras almas que deambulam por aí, capazes de me fazer aquilo que tu fazes, da forma como o fazes? Será existe um molde para pessoas como tu? E se assim não for, de que forma é que eu vou viver da forma como o faço sem te ter por perto?

Acho que vou passar a minha vida inteira à procura das respostas. Pessoalmente prefiro continuar a acreditar que tu és one of a kind e que nunca deixarás de ser o Impossible Man. O verdadeiro, o original e principalmente o meu... como se fosses possível.

trivialidades

Tenho trinta anos e não me conheço. Gente sábia diz que é importante morrermos assim e mais importante ainda é termos consciência disso. Não há nada que tenha feito ou deixado por fazer sem uma explicação perfeitamente estruturada, mas continuo sem saber do que sou capaz. Melhor dizendo, vou descobrindo.

Por outro lado, com a chegada da fatídica terceira década, passei a ter uma lucidez aterradora de tudo o que me rodeia. E se para isso é necessário admitir que sou mais uma das almas errantes, se este é o preço a pagar, então não há o que lamentar.

Tenho trinta anos e muitos outros pela frente para continuar a ser exactamente da mesma forma que tenho sido até hoje. Uma perfeita desconhecida para mim mesma.

23 agosto 2010

dias destes

As nuvens, a neblina e dias destes remetem para uma certa melancolia e talvez por isso sejam os meus dias preferidos. É em dias assim que me apetece pegar na mala e fugir para onde possa ver crescer alguma coisa. São estes dias que me fazem querer plantar beringelas, batatas ou qualquer outra coisa. Gosto de terra molhada e adoro sujar-me nela. Enfim, hoje é um daqueles dias que me apetece mandar tudo à merda. A chuva também faz disto...

13 agosto 2010

hoje é o dia

Poucas são as coisas que me fazem estremecer. Na maioria das vezes tenho a sensação que estou sob o efeito de fortes anestésicos. Nada me irrita, nada me choca e poucas são as coisas que me levam ao chão. Mas quando é mau, raramente se fica por aí. Quando dói, aperta, estrangula e mais tarde ou mais cedo acaba por matar.

Como em tudo na vida há sempre um equilíbrio muito ténue entre o mau e o bom, e então, depois temos as coisas boas. As que me fazem agir que nem louca, sem qualquer filtro esteja quem estiver, esteja onde estiver. O que faz a diferença? A fracção de segundo. O compasso. Os comprimentos de onda e a música que eles têm.

Sou viciada em coisas boas. E hoje parece-me um óptimo dia para saltar, gritar, dançar e namorar. Muito. Até cansar. Hoje é um óptimo dia para reinventar uma vida. A minha.

ideias parvas para passar o tempo

sexta-feita 13

Hoje é sexta-feira 13. Desde que acordei tenho um pressentimento estranho que me aperta o âmago da alma. Não estou bem nem mal, estou esquisita. O nó no estômago voltou em grande força e está a toldar-me o raciocínio e a coordenação do corpo. Começo a pensar seriamente que o bem que trazes não ultrapassa o mal que fazes. A ressaca da ausência é péssima.

10 agosto 2010

porta adentro

Nunca te contei que no fatídico momento em que me entraste pela porta não foste o único a ter uma sensação estranha. Se não estou em erro, os leigos chamam-lhe "amor-à-primeira-vista".

Devíamos arder no inferno por não sabermos valorizá-lo. Isso sim é um crime e vai continuar a sê-lo até que tu deixes de me pôr na posição da qual foges como o diabo foge da cruz.

choose me, pick me

E quando tudo já foi dito, não havendo mais nada de novo a acrescentar, ocorre-me um "escolhe-me" saído da alma. Ainda que eu tenha perfeita consciência que estarias a assinar a tua sentença de morte, se assim fosse, prometo que cavava a sepultura contigo.

Estive a escassos milímetros de te pedir o impossível. Mas será que é mesmo assim? Será que é assim tão descabido pedir-te que te deixes ficar? É que a mim parece tudo bastante certo.

Podia fazer-te mil e uma promessas a troco de anuíres aos meus caprichos. Mas não o vou fazer, porque pura e simplesmente, eu só te quero, se e quando, tu me quiseres em igual medida. E não, não consigo contentar-me com menos.

09 agosto 2010

alguém o disse por mim

"O momento em que desistimos de nos enganar,
nesse momento estamos mortos."

06 agosto 2010

é como é

Nunca fui de complicar muito. As coisas são como são e eu... bem, eu tento adaptar-me a elas com alguma facilidade e sem dramas pelo meio. Sempre fui adepta da mudança, desde que isso contribua para alguma coisa ou para alguém. Sou a favor da felicidade e das coisas boas. Gosto de gargalhadas altas e de ser prestável. Vivo apaixonada. Por alguma coisa ou por alguém, é indiferente desde que isso me faça mover. Não sei estar parada e meto-me na maioria das vezes em mais planos do que aqueles que posso abraçar.

Fui educada para ser uma "força da natureza", daí nunca perder a postura, poucas vezes perder a razão e raramente gritar.

Errei mais vezes do que aquelas que a memória me permite guardar mas sempre o enfrentei de cabeça levantada. Se há coisa imprescindível para mim é ter a certeza absoluta que se morrer amanhã, fiz tudo o que havia a fazer. Está claro que isso acrescenta a tudo o que sou e faço uma boa dose de insanidade, no entanto, isso não faz me mim uma pessoa menos feliz. Pelo contrário.

Posto isto, não me arrependo de te ter arrancado à força um beijo nem das palavras ditas. Não me arrependo de forma nenhuma de ter aterrado de pára-quedas na tua vida e muito menos de querer permanecer nela.

05 agosto 2010

hold still

Vejo-o claramente a fugir-me por entre os dedos. E a cada dia que passa o aperto de saber que não há nada que possa fazer para o agarrar fica mais forte. De qualquer forma não é suposto prender seja o que for. Sou contra. Mas vê-lo escorrer-me entre os dedos dá cabo de mim, por mais força com que feche a mão, sei perfeitamente que de pouco adianta. Que pouco a pouco vai-se perdendo. Estou tentada a abrir a mão de vez. Certamente que custa menos.

04 agosto 2010

pequenos prazeres

Quero andar descalça,
Quero ficar onde houver um compasso diferente,
Quero adormecer com o vento,
E dormir à sombra até que o corpo me doa.

Gosto de sentir o cheiro da terra molhada,
E de tomar banho em dias húmidos.
Gosto de passarinhar de roupão e de café acabado de fazer
Gosto ainda mais de o beber em tardes frias.
Gosto do campo e da música que tem.

Um dia fujo daqui e vou plantar beringelas para bem longe.

01 agosto 2010

trio da caparica

Faça o que eu fizer. Diga o que eu disser e escolha o rumo que eu escolher, eles estão lá. Seja para festejar as minhas vitórias ou minimizar as minhas derrotas, eles estão lá. Sempre os dois. Conheço-os há tanto tempo assim, que para mim são uma só pessoa. Gosto deles e fazem parte da família. Aquela que escolhi. Não gostamos das mesmas coisas é certo. Mas gostamos uns dos outros.