28 outubro 2004

eu sei...

Aqui estou eu de novo meus caros amigos, com pouco tempo e muita coisa para dizer, para variar!
As aulas de Ética da Comunicação estão a ser uma verdadeira emoção, e tal como a cadeira de Didática da Escrita Criativa dá muito que pensar... Primeiro foi Erich Fromm, o homem, que revolucionou a minha maneira de ver muitas coisas no mundo e que me deu muitas dores de cabeça, agora outro! Tenho de ser sincera e dizer que são as cadeiras a que eu tenho piores notas (pelo menos costuma ser assim, quando roça a filosofia a bábá vai-se abaixo), mas se eu fosse avaliada pelo "trabalho de casa" tinha no mínimo um vinte. É que voces não imaginam o tempo (ia dizer perdido, mas nunca o é) que eu disponho (esta é que é a palavra certa, segundo o Professor Rodrigo Cunha. Aliás, ele havia de ficar satisfeito em saber que tem uma aluna que faz os "trabalhos de casa"!). Continuando... Vocês não imaginam o tempo que eu disponho a pensar nestas questões, quanto a meu ver, psico-antropológicas.
Numa das aulas e a respeito da ética eu disse ao professor: "Eu não tenho nada a ver com aquilo que os outros fazem!". Para variar expliquei-me mal e o professor deve ter ficado a pensar que eu era mais uma adida ao movimento hedonista que eu tanto critico. E a questão que eu vos queria por aqui era mesmo esta: o meu próprio movimento hedonista! É uma coisa com que eu luto constantemente! Tenho consciência que a minha primeira prioridade sou eu própria, mas no entanto, tento contrariar um pouco esta tendência que não é só minha. A questão (e não devo ser a única... mulheres deste mundo que estão aí para me compreenderem!) é que eu sou um ser um tanto ou quanto complicado! Vocês dizem: "Que novidade!". Pois é, não é novidade nenhuma, mas eu não consigo lidar com toda esta confusão de pensamentos (confusão, que deriva da palavra fusão... ai Rodrigo Cunha!) e por vezes estravaso todos estes sentimentos cá para fora da pior maneira.
Sou instável, completamente confusa... Não sou arrogante, vejam antes a minha postura, como uma concha que me protege das crueldades a que eu possa ser sujeita e principalmente de mim própria. Sou uma pessoa muito crítica principalmente comigo, aliás unica e exclusivamente comigo. Mas julgo que o meu pior defeito é ter a mania da perfeição. Tenho consciência de que a perfeição não existe, mas tento atingir aquilo que eu considero fulcral para que me torne, um dia quem sabe, uma pessoa melhor. Claro que por arrasto vêm aqueles que mais próximo estão de mim... A eles o meu pedido de desculpas.
E aqui estou eu, num mundo que nunca foi o meu, o das palavras... um mundo que embora não me pertença, serve para que eu possa deitar para fora toda a minha insanidade e partilhá-la com vocês. Vocês, que pertencem à vida, muito ou pouco não interessa...o ponto fundamental é que de facto fazem parte dela.

11 outubro 2004

afogando mágoas em mar alto

Pois é... aqui estou eu de novo, e tudo porque o messenger não funciona! Meu Deus, estou completamente dependente daquela coisa para contactar com o mundo exterior, e logo hoje, não funciona! Olha que maravilha! Agora que eu precisava de desopilar todas as minhas dores e angústias!
A faculdade começa amanhã, e o que eu lamento sinceramente, é o facto de eu já não ter aquele entusiasmo do primeiro dia de aulas, como tinha há alguns anos atrás. Provalvelmente alguns de vocês vão-me dizer: "Pudera estás na faculdade há um porradão de anos!". Provavelmente têm razão, mas será suposto perder o entusiamo por tudo aquilo que se torna uma rotina? Eu gostava de pensar que não, mas como estou verdadeiramente macabúzia, sinto-me um bocadinho desiludida...
A Universidade do Algarve marcou-me de um modo tal, que jamais esquecerei aqueles tempos de maluquice, aqueles tempos de verdadeira folia! A Universidade do Algarve... ora aí está uma das poucas vivências que eu guardo com grande ternura. É altura da fornada de novos caloirinhos, praxes, jantares de curso... Aquela BANHEIRA nauseabunda, que tanto me orgulho de ter mergulhado de cabeça!
Quem me dera ser uma mosquinha para poder espreitar apenas um bocadinho daqueles que foram um dos melhores tempos da minha vida. Agora pouco resta, apenas a saudade imensa que eu sinto de todo o ambiente universitário ficou, para me lembrar que um dia fui quem quis ser, mas que por força do destino fui "obrigada" a desistir. Mas talvez, se tivesse lá ficado, hoje não estaria a escrever tudo isto e não saberia dar-lhe o devido valor. A todos os que lá ficaram quero prestar homenagem e agradecimentos por terem feito parte do meu sonho. Um sonho que ficou aí, que eu deixei para trás quando me vim embora... o sonho das histórias encantadas, o meu primeiro projecto de vida, aliás, o único.
Um grande abraço cheio de saudade...

10 outubro 2004

a insustentável leveza da racionalidade humana

O Homem

Ser racional, todo poderoso! Atrevo-me a dizer que este Homem de que vos falo é senhor do seu destino, criador de sonhos instantâneos, e que pouco a pouco tem vindo a substituir o Deus que ele próprio criou (está claro que isto é a perspectiva de uma pessoa que não acredita em Deus, que me perdoem os crentes religiosos).
Este Homem, perfeitamente racional, consciente de si mesmo, tem o controlo de tudo o que o rodeia, ou pelo menos, é o que Ele pensa... Pois é, estou-vos a falar simplesmente do egocêntrismo inerente ao Homem dos nossos tempos. Há pouco, numa conversa, referi o facto da racionalidade do Homem não ser suficiente, no que toca ao controlar o seu prório corpo. Se o Homem é um ser tão racional e tão poderoso que controla tudo o que rodeia, porque não começar por controlar-se a si mesmo? Pois é, não tem explicação... O que começo a ver, é que o Homem quer a todo custo controlar o ambiente externo, mas quando se fala em controlar-se já muda o discurso... são as hormonas, dizem.
Este ano, para uma das muitas cadeiras que tive, entreguei um trabalho sobre o amor... já sei que com todas as explicações científicas que eu tenho, acabo por estragar o romantismo da coisa, mas vai ter mesmo de ser... O amor é todo um mecanismo entre hormonas e sinais que faz com que nos apaixonemos. Lamento informa-vos mas, inicialmente, não passa disso mesmo. E já agora que estou numa de vos estragar os pensamentos mais glicodoces, digo-vos também, e está provado cientificamente, que a paixão tem um prazo de validade. Ah pois é! TRÊS ANOS! Passo a explicar: Estes três anos são suficientes para gerar uma criança e garantir o seu crescimento na fase mais crítica da sua vida, e por esta razão as hormonas fazem com que os seus progenitores fiquem juntos (duas cabeças pensam sempre melhor que uma). Tudo pela sobrevivência da sua prole. Claro que existem excepções, mas isso apenas acontece quando uma das pessoas não é correspondida e cria como que uma obcessão pelo outro.
Mas continuando, estava a dizer-vos que o amor era todo um mecanismo que reacções químicas do cérebro. Assim, temos gente que se mata por amor tal qual Romeu e Julieta esquecendo-se que se trata de um processo neuro-biológico. ONDE ESTÁ A RACIONALIDADE NISTO?
A conclusão a que chego, muito sinceramente, é que apesar de toda a racionalidade, que os filósofos e estudiosos do assunto apregoam aos sete ventos, não passa de uma utopia. O Homem, quer queira ou não, vive dos "seus" impulsos , tornando-se preso aos seus instintos. Vive e ama indiscriminadamente, sempre seguindo a sua intuição...
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So let it be known for what we believe in
I can see no reason for it to fail...
...
So breathe on, little sister, breathe on
Ohh so breathe on, little sister, like a fool