10 outubro 2004

a insustentável leveza da racionalidade humana

O Homem

Ser racional, todo poderoso! Atrevo-me a dizer que este Homem de que vos falo é senhor do seu destino, criador de sonhos instantâneos, e que pouco a pouco tem vindo a substituir o Deus que ele próprio criou (está claro que isto é a perspectiva de uma pessoa que não acredita em Deus, que me perdoem os crentes religiosos).
Este Homem, perfeitamente racional, consciente de si mesmo, tem o controlo de tudo o que o rodeia, ou pelo menos, é o que Ele pensa... Pois é, estou-vos a falar simplesmente do egocêntrismo inerente ao Homem dos nossos tempos. Há pouco, numa conversa, referi o facto da racionalidade do Homem não ser suficiente, no que toca ao controlar o seu prório corpo. Se o Homem é um ser tão racional e tão poderoso que controla tudo o que rodeia, porque não começar por controlar-se a si mesmo? Pois é, não tem explicação... O que começo a ver, é que o Homem quer a todo custo controlar o ambiente externo, mas quando se fala em controlar-se já muda o discurso... são as hormonas, dizem.
Este ano, para uma das muitas cadeiras que tive, entreguei um trabalho sobre o amor... já sei que com todas as explicações científicas que eu tenho, acabo por estragar o romantismo da coisa, mas vai ter mesmo de ser... O amor é todo um mecanismo entre hormonas e sinais que faz com que nos apaixonemos. Lamento informa-vos mas, inicialmente, não passa disso mesmo. E já agora que estou numa de vos estragar os pensamentos mais glicodoces, digo-vos também, e está provado cientificamente, que a paixão tem um prazo de validade. Ah pois é! TRÊS ANOS! Passo a explicar: Estes três anos são suficientes para gerar uma criança e garantir o seu crescimento na fase mais crítica da sua vida, e por esta razão as hormonas fazem com que os seus progenitores fiquem juntos (duas cabeças pensam sempre melhor que uma). Tudo pela sobrevivência da sua prole. Claro que existem excepções, mas isso apenas acontece quando uma das pessoas não é correspondida e cria como que uma obcessão pelo outro.
Mas continuando, estava a dizer-vos que o amor era todo um mecanismo que reacções químicas do cérebro. Assim, temos gente que se mata por amor tal qual Romeu e Julieta esquecendo-se que se trata de um processo neuro-biológico. ONDE ESTÁ A RACIONALIDADE NISTO?
A conclusão a que chego, muito sinceramente, é que apesar de toda a racionalidade, que os filósofos e estudiosos do assunto apregoam aos sete ventos, não passa de uma utopia. O Homem, quer queira ou não, vive dos "seus" impulsos , tornando-se preso aos seus instintos. Vive e ama indiscriminadamente, sempre seguindo a sua intuição...
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So let it be known for what we believe in
I can see no reason for it to fail...
...
So breathe on, little sister, breathe on
Ohh so breathe on, little sister, like a fool