01 dezembro 2005

assim como eu...

Dou comigo a rir-me do seu ar impertigado, de miúdo que tudo sabe. Às vezes mais vale deixá-lo no seu mundinho para não o irritar. Mas de repente, dá-me um ataque e tenho vontade de o tirar daquele pedestal e mandá-lo ao chão para que se parta em mil pedaços e se dê conta da sua mortalidade. É que ele acha-se Deus!
Um dia perguntei-lhe: "Miúdo, achas que com a tua fraca figura podes mesmo ser o dono do mundo?". E Ele responde-me: " Claro que não... não apenas deste. Olha para o céu. Vês as estrelas? Então quando acabares de as contar multiplica esse valor por 10. Aí terás o valor aproximado da minha propriedade. Sabes, é que não é apenas o sol que tem planetas... as outras estrelas também terão. E portanto tudo isto me pertence!".
"Ai sim?" - retorqui-lhe.
"Claro, tudo o que está ao meu alcance a mim se rende. São os meus olhos... E quando não querem e fazem-se de difíceis, eu faço-lhes ar de mau... assim... com as sobrancelhas, vês?!? E elas percebem logo que não há nada a fazer. Que não vale a pena contrariar-me. No fundo, elas sabem. Assim como tu..."

ideias à parte

A ideia. s. f., representação mental; representação abstracta e geral de um objecto ou relação; conceito; imagem; juízo; noção; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projecto; intenção; invenção; expediente; lembrança.
Mais, aquilo que está por detrás de uma grande coisa. Mas afinal se é ideia porque raio tem de passar para o realizável? Isto deve ser uma conspiração dos materialistas, e portanto por convénio determinou-se que a ideia terá sempre um dia de passar para outra coisa bem mais objectiva.
Mas porquê? Porque é que não pode ficar assim, subjectiva? Subjectividade essa que lhe confere um carácter tão voluvél, tão delicioso, tão mutável? É isso que lhe possibilita aperfeiçoar-se, sem limites, até ao fim, ou até que assim nos apeteça. Juro que não entendo. Porque razão as coisas têm de objectivas, perenes até, se nós homens não o somos? Talvez seja por isso. Uma ideia objectiva e acabada será uma impressão digital daquilo que um dia fomos.
A questão é que se nós avançamos, porque é que a ideia não?

aforismo I, mas não de Pascoaes

Às vezes quanto mais se avança, mais se anda para trás.

26 novembro 2005

pensamentos suburbanos

Dói e não é pouco. Dói como um objecto cortante que trespassa o coração. Ou seja, quase não se sente. E quando se sente, aí, é tarde demais. É aí que a dor chega. A sensação flamejante que não dá lugar a outra coisa. É o tempo de um suspiro. E no momento em que para nosso descanso pensamos ser este, o último, é hora de continuar. De continuar a caminhar ainda que não se saiba para onde.
E é este o verdadeiro momento para se dizer: "Vai-se andando.".

27 outubro 2005

a coisa que é coisa

A coisa. Coisa que se diz, coisa que se fala, coisa que se sente, ou não. De um lado para o outro sem nunca parar para pensar nessa coisa.
A coisa. Para uns a coisa evidente, a coisa que é coisa, para outros nem tanto.
Certo dia pensei: "E se as outras coisas não vêem a mesma coisa que eu?". E foi então que me lembrei que por mais que a coisa seja a mesma, os olhos das coisas que vêem a coisa nunca o são!

18 outubro 2005

palavras a metro

"Gostaria de ser capaz. Capaz de fazer e sentir aquilo que realmente faço. Mas não. Preciso de um cigarro.", disse. Pouca sorte a minha, já tinha um na mão. Foi então que pensei fumar dois ao mesmo tempo.
"A realidade é de facto uma coisa relativamente fácil de manipular. Ou não. A verdade é que partindo de nós próprios conseguimos alterar determinados momentos. Basta conhecermo-nos. E é essa a nossa derradeira imperfeição. Raramente nos tratamos por tu. Na maioria das vezes, o exterior é muito mais lógico que nós próprios, ou pelo menos, assim o pensamos.
Por isso é que gosto tanto de universos paralelos. Universos estes que me permitem explorar apenas uma fracção daquilo que sou, conseguindo desta maneira ter uma perspectiva muito mais objectiva de mim própria. De um passo para outro. E assim dou o salto de fracção para fracção." Não é difícil, basta convencermo-nos disso.

lisboa a 18 de outubro e hoje quase um ano depois

Um dia destes pediste-me uma coisa. Não uma coisa qualquer, aliás, tu nunca pedes algo facilmente realizável. Tu pedes sempre o impossível. Esse foi apenas mais um desses momentos.
Pensei então escrever-te uma história, mas isso é a tua vida. És um contador de histórias, de lugares longínquos, de pessoas diferentes e locais inóspitos.
Tentei levar-te para um lugar de ideias, de sonhos e de fracções de segundo. Fracções de segundo que por si só bastam. Foram as últimas
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o menino que queria ensinar os pássaros a voar

dv2046006.jpg

Apareceu tão fugazmente quanto desapareceu sem deixar rasto.
Agradeço-lhe por não me ter acordado quando fechou a janela. Digo pela janela porque foi por ela que ele fugiu, mais uma vez. Chega-se de mansinho ao parapeito e parte, assim sem mais, sem barulho, nunca deixando para trás qualquer coisa que denuncie a sua presença. Eu nunca o vi verdadeiramente pois ele jamais se deixaria ver.
E assim nunca deixará de ser um sonho.
Certo dia, o menino assomou à minha janela. Fingi não o pressentir para que ele não ficasse desgostoso. Seria uma grande tragédia se o menino descobrisse que eu era capaz de reconhecer a sua presença. O menino precisa de pensar que é mais leve que uma pena e eu... eu faço-lhe a vontade.
Nada na vida é certo, o menino de cabelos encaracolados, muito menos.
De resto, eu já o sabia...
O menino vai e vem conforme o vento lunar. Eu não me importo, e é assim que gosto dele, com alma de pássaro. O pássaro menino que não prende, que não fica e que tudo pede.

23 setembro 2005

a lua clementina e o mar tela de pintor

lua clementina.jpg



A lua poderá ser uma clementina perdida no céu.
E mar cor de púrpura a tela de alguém que ainda não encontrou o caminho para casa.

As estrelas poderão não passar de inúmeros candeeiros que iluminam o Universo.

E as palavras que me escreves ainda não as li porque o vento, dissolvido, as perdeu.

Mas conta-me uma história e faz-me acreditar nela.

Prometo não questionar...

17 setembro 2005

limiar do perfeito

Um abismo. Um passo para a frente e outros tantos para trás. O medo, de avançar ou de ficar parada, é sempre o mesmo. É medo de errar, medo de morrer, medo de não viver. Seja o que for.
Podemos modificar, dividir, adaptar, diminuir, subtrair, reordenar, inverter, combinar, adicionar, multiplicar, reagrupar ou inverter até, mas não deixará nunca de ser o que é, de ter a essência da primeira coisa.
Pergunto, até que ponto é-nos permitido fazer algo fora dos limites da própria natureza, da base, do já perfeito?

16 setembro 2005

09 setembro 2005

subjectividades

Tudo acontece num determinado tempo e num determinado espaço. Quer dizer, talvez seja mais ou menos assim, afinal certezas, ninguém as tem. Até porque se pensarmos bem no assunto, o tempo e o espaço são variáveis altamente subjectivas.
Nada se repete. É único e diferente de todos os outros. É o aqui e agora que nunca mais volta atrás, ainda que por nossa vontade fosse repetido vezes sem conta, tal como o som resultante de um disco riscado.
Mas mesmo assim, nunca igual, nunca mais o verdadeiro.

16 julho 2005

não prendo, não fico e nada prometo

Um reflexo mudo no espelho. Uma imagem que por si só, de nada vale. Sou eu, ela e mais umas tantas outras. Todas diferentes e todas tão iguais. Se partilhamos a mesma matéria será por acaso.
Um passo seguido de outro. E se por vezes tudo parece incerto significa que estou a seguir o rumo correcto, disso tenho a certeza. Não somos adeptas do "continuísmo". Nunca fomos. Fecha-se uma porta e abre-se uma janela, isso é certo. Então porquê parar? Não prendo, não fico e nada prometo.
Tudo não passará de uma simples regra matemática: duas rectas paralelas apenas se cruzam no infini
to...

29 junho 2005

ana . logia

Se eu te fugir não corras atrás de mim.
Se te escorrer das mãos como areia ao vento, deixa-te ficar.
Nao tentes agarrar-me porque será em vão.

Aí será tarde demais.
Não gosto de olhar para trás.
A fracção de segundo deverá bastar-se a ela própria.
Será ela que me prende ao momento, como quem espera por uma única gota no deserto. É o instante em que a gota cai que vale por tudo.
Deixa-me correr.
Para onde, não interessa... é irrelevante e talvez o mais importante.
Não me dês terreno batido. Dá-me antes um caminho que nunca antes tenha sido pisado.
Deixa que o vento me guie até que tenha forças...
Serei feliz por ter percorrido o caminho sozinha. Assim terá de ser.
Deixa-me saber que consegui ser mais que eu própria.
Deixa-me saber que um dia me transcendi, que um dia me superei.
Deixa-me saber que um dia me substituí, por outra coisa que não eu.
Um dia hei-de parar... talvez no dia em que morrer.

27 junho 2005

o fabulouso mundo de Amélie e de todas nós

Não há palavras para descrever algo tão peculiar. Como cenário temos Lisboa e o Rio Tejo pintados em tons rosa. Num fim de tarde recriamos toda uma parafernália de personagens, falas e actos completos.
Nada nos pára. O mundo, ainda que apenas naquele instante, é nosso. Despimo-nos de preconceitos, de máscaras e somos nós.
Entre um café, um Martini, duas imperiais e alguns cigarros, rimo-nos, muitas vezes das nossas próprias desgraças e das nossas parvoíces. Abrimos a nossa alma. Sem medos, sem cerimónias. Assim somos nós. O eterno mundo feminino.
Pagamos a conta. Separamo-nos com beijos e sem que nos demos conta disso voltamos a vestir a "gabardine". Cada uma de nós volta ao ponto em que ficou nos inúmeros papéis que compõem a nossa vida...

21 junho 2005

subterfúgios

Acordei e estava muda. Não sei o que se passou. Foi assim, sem mais. O mundo que outrora fora meu, já não é mais.
As palavras são excelentes subterfúgios para substituir a nossa própria realidade, a nossa própria existência. Como diz Pedro Paixão,

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."
Refugiei-me nelas, nos seus múltiplos sentidos, na sua dualidade inerente a alguma coisa que é composta por outras peças várias. Assim somos todos nós... uma multiplicidade de peças que pouco a pouco se encaixam umas nas outras. Ainda que não saibamos muito bem como.
As palavras são uma tentativa de encaixar tudo o que nos rodeia, uma manisfestação daquilo que vivemos. Fazem parte do nosso reflexo, o seu sentido varia conforme a pessoa que as profere. Assim como o silêncio... A ausência das palavras que mostra de forma irredutível que por vezes as palavras não chegam... aliás, quase nunca são suficientes. A concretização suprema é e sempre será o acto...

14 junho 2005

palavras já escritas...

Se alguém ainda não o tivesse escrito, provavelmente teria sido eu a fazê-lo... Está simplesmente "Quase Perfeito".
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Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

08 junho 2005

promete-me

No dia em que tu quiseres tomar conta de mim, eu vou dizer que sim.
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Promete-me apenas que me irás cantar ao ouvido baixinho e que me afagarás o cabelo até que eu adormeça.
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Promete-te também, que gostarás de mim... não precisa de ser muito, apenas um bocadinho.
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Promete-me que terás paciência para as minhas inúmeras perspectivas.
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Vais descobrir em mim alguns defeitos e uma multiplicidade de indecisões. Mas se assim for, devo advertir-te que não é por maldade... A ânsia de querer este mundo e outro faz com que nunca esteja satisfeita, que queira sempre mais.
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Promete-me que teremos longas conversas pela noite dentro até que o sol nasça de novo e que quando acordar ter-te-ei a meu lado.
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Terás de ser mais rápido que eu, para que eu possa continuar a correr.
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E de vez em quando terás de me contar uma história...
Prefiro não conhecer a verdadeira cor da realidade, por isso terás de pintá-la para mim!
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E mais importante que tudo isto, promete-te que me encantarás!
Encantada devolver-te-ei um sorriso...

23 maio 2005

hello!

Hoje o absurdo bateu-me à porta...
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E eu absurdamente deixei-o entrar.

16 maio 2005

the cannonball

A maior parte de nós não tem consciência da importância do momento, aquela fracção de segundo que faz a verdadeira diferença e muitas vezes que nos marca para sempre.
O gesto, a palavra proferida ou a ausência de ambos podem fazer que que um mundo se erga ou acabe naquele momento. Uma vez li que não somos nós que possuimos os gestos, ao invés, eles é que nos têm. E é esta imortalidade dos gestos que todos nós procuramos, de uma maneira ou outra. Eu procuro um sorriso... franco e sincero. E é esse sorriso que vai fazer com que o meu mundo se erga de novo. É esse gesto imortal que eu procuro sem descanso. É aquilo a que eu chamo de "estado de luz"... a felicidade pura.
Uma vez já o vi... é uma coisa que não se esquece. Passou de raspão por mim, tal como uma estrela cadente que mergulha no céu. E tal como uma estrela cadente que não se repete, também ele não volta a ser vislumbrado. Uma fracção de segundo que não volta a ser reconstituída. E seria fácil resignar-me a este facto se não tivesse sido eu a desviar os olhos enquanto o momento ainda existia. Agora apenas resta o vazio, para me mostrar invarialvelmente que a minha instabilidade faz-me perder algumas fracções de segundo que mereciam ser captadas. É disso que mais saudades tenho... do estado de luz que nos preenche a alma
, o momento de pura concretização.

15 maio 2005

closer

Às vezes sou sobressaltada com um nó na garganta, qualquer coisa que me impede respirar, como se tivesse uma mão em volta do meu pescoço. Depois, a mão torna-se maior e começa a esmagar o meu corpo, cada vez com mais força. Ás vezes a pressão é tão grande que a minha alma acaba por ser "despejada" da matéria. E é neste processo doloroso, que o meu inconsciente toma conta de mim, como que quisesse lavar-me a alma, o meu ego, de tudo o que me rodeia. Depois, resta uma sensação de pureza, de paz de espítito. A mesma mão que me magoa é aquela que depois me liberta com uma profunda sensação de bem estar, é aquela que me permite transcender para além do espaço e do tempo. É nesta altura que eu morro e renasço... das palavras e das cores. Sim, acho que isto não passa do meu processo de substituição de que falei uma vez. É esta substituição que me permite manter um pouco de sanidade, este processo que me sossega e me mantém mais serena. Serenidade esta que aparentemente todos desejam que eu atinja, ainda que nem eles e nem eu saibamos muito bem como.
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"still a little bit of your song in my ear
stiil a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me
so close that i can´t see what´s going on" (in Damien Rice)

05 maio 2005

uma página ao acaso

"Ela era uma rapariga especial, cada passo e cada palavra sua tinham um colorido e um cunho especiais, e nem sempre era fácil segui-la e acompanhar o seu passo. (...) Era muito singular, e tornar-se-ia difícil viver junto dela e seguir a sua culta altivez, pois desta não suportava ouvir falar. Além do mais, também não era muito forte e saudável e suportava mal, nomeadamente a sociedade e as festas. O seu maior prazer era viver com flores e música, e eventualmente um livro em seu redor, em silenciosa solidão, e deixava que o mundo prosseguisse no seu caminho. Por vezes era tão delicada e sensível, que por tudo quanto fosse estranho a magoava e facilmente lhe provocava lágrimas. Depois, novamente ficava radiante, silenciosa e delicada na sua felicidade solitária, e quem isto observava senti quão difícil seria ofertar e representar algo para esta mulher bela e singular. "
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Contos Maravilhosos, Herman Hesse

04 maio 2005

what is essential is invisible to the eye

Antes de sair pela porta tenho sempre uma esperança tonta de encontrar alguma coisa que denuncie a tua presença. Como disse é uma esperança tonta, mas agora tornou-se quase como que um ritual. Olho para a direita, depois para a esquerda... nada. Não foi hoje. Não faz mal, só o facto de o continuar a fazer dá-me algum conforto. Fazes-me falta sabias? E este ritual é apenas uma maneira de me lembrar de ti. Tu, que roças o desconcertante, o absurdo. Não és necessariamente mau... muito pelo contrário.
Tu és a imagem que eu criei à minha semelhança, pode-se dizer que és a minha outra parte. Eu sei que não existes... mas é tão bom acreditar em ti...

29 abril 2005

a insustentável leveza... da paixão

Hoje vou falar-vos de um assunto mais que batido "em praça", mas no entanto sem solução aparente!
Estava eu no carro, naquelas filas que nunca acabam, quando dei por mim com uma teoria fantástica sobre a paixão (sim porque o trânsito dá-me para estas coisas... deve ser da elevada concentração de CO2).
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E então é assim,
Todos nos apaixonamos, a bem ou a mal. E é certo e sabido que normalmente as coisas correm mal e quantos de nós não gostaría de voltar atrás para emendar uma coisa ou outra!?
Pois é... mas comigo não é bem assim... e foi o "reason why" disto que eu descortinei, dissequei até, durante a minha a minha travessia pelo maravilhoso rio Tejo.
A conclusão a que cheguei? Espero que o "acesso" me passe. Certinho, direitinho! É infalível!
Como já fiz questão de vos dizer a paixão é resultado das nossas homonas e outros processos psico-biológicos e por esta razão tem prazo de validade. E portanto, em vez que andar a fazer maluqueiras fico sentada pacientemente à espera que o ataque se dissipe. O que não quer dizer invariavelmente que não me apaixone... Apenas lido com "isso" de uma maneira talvez pouco ortodoxa. Sabem, normalmente nós temos tendência a criar um conceito, uma imagem (muito pouco real, deixem que vos diga) da outra parte e a crise está mesmo aí... Essa imagem acaba por consumir e até atraiçoar-nos o nosso bom senso... Ás vezes chega a apoderar-se dos nossos dias, da nossa vida... felizmente, apenas durante escassos dias ou com azar alguns meses.
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O cerne da questão está em aproveitar a parte boa e deixá-la no pedestal.
Hoje não estou com muita paciência para explicar tudo tim-por-tim, mas quanto mais alimentamos a paixão, mais forte ela fica.
Por isso eu deixo-a morrer à fome.

26 abril 2005

sou pelo meu "Plantinha"!

Este espaço é dedicado ao meu cão...
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Não vou falar sobre ele, não vale a pena. Vale sim, tudo o que restou depois da sua morte.
E o que ficou foi essencialmente o conceito... de "cão maravilha".
f12.jpg

15 abril 2005

!

Só como nota para que não me esqueça, tenho de fazer um post sobre a minha psicose sobre a substituição pessoal e a arte enquanto elemento fundamental nesse processo. Complicado, hein? Por isso é que não o faço agora...

26 março 2005

25 março 2005

confissão de pedro paixão

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."

21 março 2005

porque não se deve matar a saudade doce

TIPOS DE SAUDADE...
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1) A que dói, a que corrói por dentro, aquela que mata. A que sobrevive e nos afoga lentamente porque, um dia, ficou algo por fazer. O que mata não é a saudade em sim, mas a incapacidade que temos de poder voltar atrás no tempo de maneira a refazer, ou melhor fazer, as coisas de novo. Acho que é mais isto...
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2) A saudade triste, a saudade melacólica, a que demonstra claramente que não conseguimos ultrapassamo-nos e dar mais um passo em frente. A saudade do medo como gosto de chamar-lhe... a esta trato-a por tu.
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3) A saudade doce. Esta é a mais díficil de explicar e por isso ficou para o fim.

Vejamos...
Fecha os olhos, imagina-te no teu sítio preferido, concentrata-te, já chegaste? O que vês?
Eu vejo um sorriso. A saudade doce é mesmo isto. A saudade doce é aquela que deixa um rasgo de alegria, um gosto doce, um sorriso. E esta é talvez a melhor saudade que se pode ter, é esta que nos enche de um sentimento bom, um sentimento reconfortante: a felicidade.
A saudade que nos mostra que já tivemos os nossos momentos de felicidade pura, ainda que momentâneos, nunca últimos.

onde... 17 de março, amesterdam

Onde o céu é algodão,
Onde as fachadas apontam indiscretamente para o vizinho,
Onde a chuva pára nos dias em que estou aqui e o sol vem dizer - "Olá!",
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Onde os marshmallows desaparecem subitamente sem que ninguém perceba muito bem como,
Onde tecnicamente devíamos estar afogados por esta altura,
Onde o queijo se chama Gouda,
Onde as paredes são postais
E este é apenas mais um...
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06 março 2005

a palavra no momento certo

Não tem necessariamente de ser original... geralmente o importante é vir na altura certa. Infelizmente, de vez em quando, não nos damos conta que não somos apenas o único bicho estranho à face da terra e uma palavra na altura certa ajuda a criar um certo alento para enfrentar o dia que segue.

"
Se eu me tivesse que definir era como vadio. Disse de mim para mim: desconhece-te a ti mesmo. É uma maneira de chegar ao oco, ao mar de onde venho, tudo o resto, mesmo a linguagem são aquisições do exterior. Eu não quero continuar nada. Por isso não acredito nas coisas feitas diariamente, esse "continuísmo" tem dado cabo da cabeça de muita gente.
"

04 março 2005

02 março 2005

hoje sinto-me...

blog2.jpg
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...um peixinho vermelho fora d´ água.

o beijo

O primeiro e nunca último...
Elo discreto e poderoso que sela palavras que nunca chegam a ser proferidas. Este sim, o mais perfeito modo de concretização. É ele que encerra o mais puro dos sentimentos num doce e harmonioso silêncio. É com ele que expressamos aquilo que por palavras nos é censurado e por isso carrega um grande peso... o da insegurança do nosso Eu. Afinal, qual é a verdadeira faca de dois gumes senão o momento em que nos despimos da nossa fachada; senão o medo e a ânsia de pertencermos a alguém?
Passamos a vida a representar um papel para o qual muitas vezes nos sentimos à deriva. Mas é neste momento que a máscara cai, o pano sobe e se ouvem aplausos. É neste aqui e agora que se revela a verdadeira essência da nossa "outra parte" (Paulo Coelho in Brida).
O primeiro é sempre o mais complicado, mas talvez por isso, o que nunca esquecemos, o que nos faz sentir qualquer coisa de muito estranha e que nos percorre o corpo por inteiro.
O primeiro é aquele que mostra que, pelo menos, ainda não por enquanto, encontrámos o que todos procuramos... o momento de perfeita realização um no outro.

ao estilo de navarro-costa

Nota de introdução:
Este texto é unica e exclusivamente da responsabilidade de um amigo muito querido, Paulo Navarro Costa. Apreciem-no. Bem-vindo a este espaço!
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É muito longe e eu não posso levar este corpo… É pesado demais…”

Saint-Exupèry, in O principezinho.


“Je croyais que ça n’arrivait que aux très vieilles gens, d’avoir semé sur leur chemin tous leurs amis, tous”.

Saint-Exupèry, 1940.


- Hoje escrevo eu – digo ameaçando o écran branco-anémico que repousa provocantemente no topo da secretária. Não será como os outros dias, em que deixo a folha áspera do caderno guiar a caneta como lâmina de barbear em rosto mal dormido. Nesses dias, não sou eu que escrevo. É a folha. É a caneta. Ambas se servem dos meus dedos para rituais perversos, num jogo de domínio e submissão em que se usa e ousa.

Hoje não será assim. Defronte de mim tenho uma constelação de teclas que dedilharei como as costas de uma amante, pele macia, arrepio que começa com “pause” e termina com “enter”. As teclas afundam-se após uma suave pressão, sinto a resistência do écran que progressivamente se escurece com nuvens de verbo. Terei que atingir a quota de bytes suficiente para chegar ao precipício desta folha, precipício esse que estabeleci como meta para o meu esforço e para a vossa paciência.

Precipício e principezinho são palavras tão parecidas. O mesmo altivo “p” a iniciá-las, o “r” matreiro logo a seguir, aquele “cip” a meio, a língua já lúbrica com promessas que são desfeitas por um terminar abrupto, forçado pelo “c” ou “z”, onda violenta na rocha depois de canto de sereia. A Bárbara é assim. Quero dizer, a escrita da Bárbara é assim.

Ela leu o livro de um fôlego, impulsiva como é. Eu não. Intercalei-o com um livro sobre a guerra colonial e outro de poesia. Curiosa combinação, dirão alguns, mas todas as noites milhões de personagens morrem em livros. É caso de perguntar, quantos já matou, caro leitor?

Pelo que conheço dela, certamente que é Petite Princesse, mas como na elegante gravura que adorna a sua página, também é raposa sedutora. Pois é a mesma Bárbara que nos avisa, “É porque é, e assim fica sem mais explicações”, aquela que maliciosamente nos tenta com rendilhados linguísticos, bondage metafórico “É esse toque de magia que nos permite criar laços uns com os outros”. Nó cego, segue o texto para o precipício. Com distância de segurança.

28 fevereiro 2005

não-madalena

A Madalena é uma pessoa muito carismática, adjectivo ideal quando se quer caracterizar alguém que tem uma qualidade indescritível. É pura e simplesmente diferente... Mas não aos olhos de toda a gente. É preciso ser-se, também, especial para perceber a sua maior virtude. Aliás, eu prória nunca a compreendi muito bem. Às vezes parece uma criança... anda sempre no mundo da lua, como se costuma dizer. A verdade, é que ela passa muito pouco tempo na Terra. Ela está sempre a viajar para sítios onde a alma é a única bagagem que pode levar. O tempo não interessa, é apenas mais uma das muitas maneiras que utilizam para controlar as nossas viagens e por isso nunca tem relógio. São as suas vontades que iluminam vagarosamente o seu caminho e por isso nunca tem pressa.
Não sei porquê mas eu sempre adorei este nome: Madalena... Acho que é por me chamar Bárbara, o que traduzido à letra significa não-Helena... Ou seja, logo à nascença fiquei com a marca da contradição. Mal nasci, o selo de contrariar tudo e todos foi-me posto abruptamente sem sequer me perguntarem nada. Pergunto, onde está aqui o livre arbítrio?
Mas a Madalena é diferente, diferente no sentido de o ser por natureza. É-o de um modo extremamente delicado, súbtil até, e por isso passa despercebida pelo meio da multidão. Aliás, ela não saberia viver de uma maneira completa, se se soubesse capaz de chocar alguém.
É a voz que nunca se ouve, mas que está sempre presente, acompanhando, silenciosamente, todos os meus passos, tudo o que faço. Ela não é nada mais que a personifição daquilo que sou, no mais profundo sonho.
Madalena: Nome hebraico, a dos cabelos penteados. Pessoa discreta e observadora que prefere ouvir a falar. Está sempre analisando seus sentimentos e revela preocupação com a vida espiritual.
Preciso de alterar uma coisa... Bárbara traduzido à letra signfica não-Madalena.

uma ponta de imortalidade

O amor é imortalidade no sentido em modificamos, ou melhor, em que damos um bocadinho de nós aos outros... não tem de ser necessariamente apenas a uma pessoa. Mas é isso que sobrará de nós. Uma pessoa não existe sozinha, existe sim, através das experiências que tem com os outros. O amor é algo que permite marcar alguém que nos foi, é ou será importante. Quem é, não interessa. O que interessa é que esse bocadinho que foi levado faça alguma diferença...
Esta é talvez a música que retrata aquilo que tentei explicar a um amigo... Say goodbye
.
.
So here we are tonight,
you and me together
The storm outside,
the fire is bright
And in your eyes I see
what's on my mind
You've got me wild
turned around inside
And then desire, see, is creeping
up heavy inside here
And know you feel the same way
I do now
Now let's make this an evening
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
just for an evening
When we makeour passion pictures
You and me twist up
secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
to the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss
Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl, just tonight
Float away here with me
An evening just wait and see
But tomorrow go back to your man
I'm back to my world
And we're back to being friends
Wait and see me,
Tonight let's do this thing
All we are is wasting hours
until the sun comes up it's all ours
On our way here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
Tonight let's be lovers, say you will
And hear me call, soft-spoken whispering love
A thing or two I have to say here
Tonight let's go all the way then
Love I'll see you,
Just for this evening
Let's strip down, trip out at this
One evening starts with a kiss
Run away
And tomorrow
back to being friends
Lovers...love...lovers
Just for tonight, one night...love you
And tomorrow say goodbye

27 fevereiro 2005

um toque mágico

Em conversa, um amigo perguntou-me se eu já tinha lido "O principezinho", dado que a minha maneira de escrever tinha algumas semelhanças. Para ser sincera, tinha lido apenas algumas partes para um trabalho da faculdade, mas depois, a curiosidade levou-me a ler o livro completo. Pois bem... não parei! Bebi todas as palavras, com grande entusiasmo, tal qual como uma criança; que com grande orgulho faço por manter dentro de mim. O livro creio que todos já conhecem, mas penso que nunca é demais reafirmar que é um livro intemporal, para todas as idades. Aliás, se me é permitido acrescentar (claro que é... estou no meu blog) penso que seja um livro em especial para adultos. Não um adulto qualquer... Um adulto não iria dar o verdadeiro valor ao pequeno grande livro. O que se retira do livro é algo que ultrapassa as palavras.

Sempre fui da opinião de que as palavras limitam um pouco a existência humana. Basicamente, as palavras impedem que as pessoas atinjam outros domínios não abrangidos por elas. Pois é, o sentimento, uma amizade nunca poderá ser realmente traduzido em alguma coisa. É porque é, e assim fica sem mais explicações. E neste caso, Saint-Exupèry foi capaz de jogar como ninguém com situações, personagens, diálogos e palavras.

Gostei especialmente de dois pontos no livro- a relação do principezinho com a flor do seu planeta e o diálogo entre o principezinho e a raposa.
O primeiro porque retrata, de um modo geral, a capacidade que temos de lidar com as fragilidades dos outros. Normalmente as pessoas têm a tendência para apontar o dedo às outras, é muito fácil não acham? E não me venham dizer que não faz mal se forem críticas construtivas. Para mim é muito mais importante ter um amigo que saiba entender os meus erros, do que ter um que à primeira hipótese está a dizer o que posso/devo ou não fazer. É isso que trata a amizade, a capacidade de compreensão e de respeito entre as duas partes, mesmo que muito diferentes. É a capacidade de partilha apesar de todas as contrariedades da vida, é a amizade pela substância da pessoa e não propriamente pelos seus actos. Mas há que ser condescendente... a maioria das pessoas têm uma pala nos olhos, tal qual bestas de trabalho, que não lhes permite ver um pouco mais além. E com eles, principalmente com eles, é necessário um certo de nível de altruismo. Aliás, acho que única e exclusivamente com eles.

E isto vai dar invariavelmente à segunda coisa que mais me cativou no livro - a conversa entre a raposa e o menino dos cabelos dourados. Para que nos tornemos realmente importantes, e para que não sejamos todos iguais à vista de alguém, é imperativo cativar essa pessoa, criar laços com ela. O modo como se o faz nao interessa... se cada um o fizer à sua maneira, teremos definitivamente um lugar cativo no seu coração. O acto de cativar depende de cada um de nós. Cada um cativa com um aspecto diferente, se assim não fosse, continuavamos a ser todos iguais, não é? E é esse "toque" da nossa personalidade, com esse aspecto que nos tornamos diferentes e não indiferentes. É uma espécie de magia que paira em nosso torno que nos torna especiais. É esse toque de magia que nos permite criar laços uns com os outros. É isso que nos torna especiais para os outros e para nós próprios. E não se esqueçam: what is essencial is invisible to the eye.

26 fevereiro 2005

apagar

Escrevo, apago, escrevo, apago e é isto que sobra - nada...
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Não podia ser mais apropriado...
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" Escrevia uma página. Relia-a e cortava logo alguns parágrafos. Voltava a lê-la e tirava algumas frases. Depois ia às palavras. Reparava na inutilidade de muitas e extraía-as. O que se encontra após uma vírgula também pode desaparecer. Um ponto e vírgula geralmente indicia a ineficácia das frases que une, e eram retiradas. Continuava assim durante algum tempo. Se não fosse a sua mulher roubar-lhe a página, restaria uma palavra ou talvez nada.
Ele precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia"
in Pedro Paixão.
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Ele é como eu...

the little prince


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“- Good morning," said the fox.
-Good morning," the little prince responded politely…
…
-Come and play with me - proposed the little prince. - I am so unhappy.
- I cannot play with you - the fox said. - I am not tamed.
…
But, after some thought, he added: - What does that mean “tame” ?
…
-It is an act too often neglected - said the fox. - It means to “establish ties” .
…
- One only understands the things that one tames – said the Fox. - Men have no more time to understand anything. They buy things all ready made at the shops. But there is no shop anywhere where one can buy friendship, and so men have no friends any more…”

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What is essential is invisible to the eye.

25 fevereiro 2005

palavras soltas

"O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição." in Clarice Lispector

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"Livre de quê? Que importa a Zararustra! Mas o teu olhar deve dizer-me claramente: Livre para quê?" in Nietzsche
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"Importa que não haja ilusões sobre este ponto: é que todos podemos morrer de sede em pleno mar." in João Fernandes
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"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos,
se não fora a mágica presença das estrelas!" in Mário Quintana

...a fonte da minha inspiração literária

Normalmente, comento o que consegue sobreviver ao trânsito, à exaustão, às brigas, às buzinadelas na ponte e àquela rotunda do Centro-Sul que me transforma num animal igual a tantos outros que por ali circulam. Se a memória por vezes fraqueja é porque presencio a tanta bestialidade que quase petrifico. Petrificado, o meu estado actual, significa transformado em pedra, assombrado, estarrecido, que nao se desenvolve, que não evolui. Assombrada sim, mas evoluo, pelo menos mediante as minhas capacidades. Se bem que, e nisto devo ser sincera, as minhas capacidades não estão na sua performance óptima... pois não estão, não. Continuando na minha dissertação sobre whatever (ouvi dizer que esta palavra tem direitos de autor, mas sinceramente que se lixe o autor!) estava a dizer que mediante todos os actos de bestialidade com os quais nos deparamos actualmente, como ter tempo para reflectir sobre coisas mais importantes? Sim, já sei, tenho de aprender a ser superior. Mas eu respondo-vos do seguinte modo: Somos ser sensíveis certo? Somos seres que estamos abertos a todas as sensações vindas do exterior. É naturalmente tácito que uns tomam mais consciência dessas sensações que outros e que a isso se chama se percepção. Ora, se somos seres abertos às experiências exteriores é normal que mediante tanta bestialidade, as coisas realmente importantes passem um pouco despercebidas. Acontece exactamente o mesmo quando estamos perante algo verdadeiramente grotesco. Normalmente é mais fácil cativar a atenção de terceiros através do choque do que propriamente com algo verdadeiramente erudito, exemplo perfeito daquilo que vos retrato é aquele spot do shampô. E é assim que as coisas, que realmente interessam, acabam por desaparecer pelos meandros da memória. Aliás, o que é uma teoria perfeitamente plausível quando for acusada de memória fraca. Nessa altura que vou declinar a responsabilidade da minha falta de memória para os actos bestiais a que assisto todos os dias. O belo do português declina sempre as responsabilidades para terceiros. E é isso que vou fazer... Ando eu a ralar-me com politiquices e protocolos...
Hoje, o que sobreviveu a um dia muito atarefado foi mais um acto bestial, não no sentido de perfeitamente espantoso, mas sim de besta. Mais uma vez, a minha inteligência, a minha percepção das coisas realmente importantes foi atropelada por uma coisa realmente fantástica... que outro nome lhe chamar senão bestial.

siga!

"O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós."
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"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo."
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"O acto revolucionário é o acto livre por excelência."
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"Podemos desfazermo-nos de uma neurose, mas não nos curamos de nós próprios."
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"O homem não é senão o seu projecto, e só existe na medida em que se realiza." in Paul Sartre
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A verdadeira virtude é ter consciência de tudo isto e mesmo assim conseguir lidar com toda a nossa mediocridade. No entanto, o sonho comanda a vida e portanto acho que é legitímo tentar. Aliás, já considero uma verdadeira vitória não desistirmos a meio do caminho, altura em que tomamos consciência dos nossos erros. Mas pelos vistos o Homem também precisa de errar, para que se possa concretizar. O que é isto de concretizar? Na minha óptica, entendo que seja passar do pensamento para o realizável. Lógico? Nem por isso, mas também não interessa nada. A escrita é, talvez, o meio de concretização menos nocivo de que tenho conhecimento e talvez por isso passe a vida aqui enfiada. Se não for através desta, ou de qualquer outra arte, acabamos sempre por ter de interagir com alguém, de comunicar, de partilhar experiências e para tal é necessário ter um maior sentido de responsabilidade. Responsabilidade para a qual não estamos aptos na maioria das vezes. Solução? Eu por mim fico-me por esta, assim como assim, este espaço é meu e portanto faço o que me dá na gana e não tenho de dar satisfações a ninguém. Não me lembro da última vez que me senti tão decepcionada comigo própria. Mas como diz o outro, os nossos verdadeiros problemas serão sempre aqueles de que não teremos consciência. Portanto, olha que se lixe! SIGA! Para a frente é que é o caminho e se tiver de me arrepender será sempre de alguma coisa que não fiz por falta de coragem. E agora uma frase de minha autoria e inventada à pressão porque hoje o mundo é meu!
Errar edifica o carácter!

substitui-te

"Substitui-te sempre a ti-próprio.
Tu não és bastante para ti.
Sê sempre imprevenido por ti-próprio.
Acontece-te perante ti-próprio.
Que as tuas sensações sejam meros acasos,
aventuras que te acontecem.
Deves ser um universo sem leis
para poderes ser superior."
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Fernando Pessoa

fragilidades

Ser-se uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada.
Devia ter aprendido isto há muito tempo, mas não. Gostava de saber quem é que me enganou toda a vida ao dizer que ficamos sempre a ganhar com a sinceridade? Mais uma vez, só podia estar a sonhar... e mais uma vez a minha teimosia ganhou. Meu deus, quando é que aprendo? Provalvelmente, não será tão depressa... ainda me faltam umas quantas cabeçadas.
O barulho das ondas chega ao meu quarto e agora sim ouço-as claramente. Mas porque é que tem de ser sempre assim?
"É preferível não explicar nada e não o aceitar." in Franz Kafka

24 fevereiro 2005

passo a passo...devagar, devagarinho!

Passo a passo a coisa vai andando. Quem me conheça, minimamente, sabe que comigo tudo tem de ser à má fila! Nunca tive paciência para esperar, mas a minha vida está a tomar um rumo. Já fui à faculdade e tomei a iniciativa de começar a fazer alguma coisa por mim. As notas, ainda que nada por aí além, não foram más de todo e tendo em consideração a minha aplicação e o meu esforço, posso dar-me como feliz. Pode ser que me sirva de lição no próximo semestre... De qualquer maneira, a média é mais do que suficiente para eu poder avançar para voos mais altos.
Só me falta mesmo aprender a esperar... afinal é só mais um ano...

inquietudes

Normalmente, o mar e o sol ajudam-me a acalmar. Normalmente, vou para a praia para abafar no barulho das ondas o meu silêncio. E hoje, isso foi-me negado. Normalmente, fico horas sem que ninguém me dirija a palavra. Logo hoje, isso foi-me negado. Alguém estava a tentar dizer-me qualquer coisa, mas o quê?
Qualquer que tenha sido a mensagem, não a consegui ouvir. O barulho das ondas deve ter sido suficiente forte para levar palavras vãs, palavras que nunca me hão-de levar a lugar algum.
Começo a achar que as palavras vinham de dentro de mim, afinal era mesmo eu que estava a tentar dizer alguma coisa e fui eu que não as quis ouvir.
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Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner

monólogo

Quero dizer algo que nunca tenha dito, mas acho que é impossível... Hoje disse a um amigo que sempre disse o que tinha a dizer, mesmo que através de outras palavras. O problema é que por vezes as pessoas não percebem, ou não querem perceber, já não sei ao certo... O Homem é um ser complicado, evidentemente, que ao dizer isto estou a incluir-me, não sou diferente de ninguém... Mas às vezes falta a coragem de admitir, de dizer com toda a frontalidade, admitir qualquer coisa...não sei.
Temos definitivamente um problema de timing, como é costume. Pois é, é isso mesmo, um problema de timing... Uns fogem e os outros correm, não o suficiente para lá chegar. Pelo que aprendi, existem mesmo coisas que nunca se devem chegar a dizer... digamos que é por vontade de alguém... o que é que eu entendo disto... nada!
Hoje foi a última e derradeira tentativa.

22 fevereiro 2005

para um grande amigo

A pé, talvez nunca
De bicicleta também não
De carro, cinco, seis horas,
De avião, uma hora sem trânsito
Em pensamento... uma fracção de segundo

21 fevereiro 2005

blue

You give your love and friendship unconditionaly. You enjoy long, thoughtful conversations rich in philosophy and spirituality. You are very loyal and intuitive.

20 fevereiro 2005

de volta à carga!

Olá, caros leitores do espaço onde habitualmente só se leêm óptimos textos aliás, se me é permitido... verdadeiras obras literárias munidas de certa criatividade a qual já me reconhecida! Eh eh, como diz uma colega "presunção e água benta, cada qual toma a que quer!".
Agora com uns dias de descanso prometo voltar à carga; só não começo já porque estou verdadeiramente cansada... no entanto, queria agradecer às pessoas, que apesar de todas as minhas teorias sem qualquer fundamento, continuam a passar por cá para ler os meus posts.

03 fevereiro 2005

e quando tu me quiseres

Já que estou numa de citações levam também com esta. Este texto é do Pedro Paixão, autor que acompanhou a minha estada na Universidade do Algarve... andava à procura deste texto desde sempre...
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"Queria dizer-te uma coisa que nunca te disse. Mas nunca vem a propósito. Quando ficas em silêncio muito tempo apetece-me quebrá-lo e dizer-te assim sem mais. Mas então sou eu que tenho medo. De não conseguir dizer senão outra coisa, se bem que próxima, e te conduza inevitavelmente ao engano. Então digo-te uma coisa qualquer para avaliar o teu estado de espírito e chego à conclusão que ainda não é tempo. Por vezes creio que já te disse sem querer, por outras palavras. Tu não ouviste ou não quiseste ouvir ou não achaste necessário prestar atenção, esforçares-te a responder. Quando for preciso vai ser tarde demais. Sim, é isso, se calhar é isso. É uma coisa para te dizer depois, quando já não estiveres aqui a meu lado para a ouvires. Uma coisa do tipo: quando me quiseres eu já não vou estar aqui para te querer."

não resisto...

Pois é meus caros amigos, prometi que voltava apenas dia 18 mas não consegui aguentar... tenho aqui uns aforismos de Teixeira Pascoaes que não resisto partilhá-los com vocês!
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"O ideal da nuvem é o rochedo."
"O homem é todos os animais menos ele."
"Eliminem a palavra Humanidade e ficaremos cobertos de pêlo, num instante."
"A morte é a pessoa feminina de Deus." (eu não digo que as coisas más ficam sempre para as gaijas?)
"Quanto mais estranhos, mais intímos." (duh, basta olhar para a relação Homem-Mulher)
"Nascer, é pôr a máscara."
"A corrupção favorece as ideias novas."
(só nós sabemos...)
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E o último e derradeiro
"O homem é ele e o mundo. Um boi é ele sozinho, armado de cornos contra os lobos." (nem comento...)

30 janeiro 2005

reclusão total

Em reclusão social até dia 18 de Fevereiro!
A culpa é do governo... agora perguntam vocês: Ana Bárbara, QUAL GOVERNO?
A propósito disto, alguém vai ter de me explicar muito bem o que quer isto dizer de governo de gestão? Gestão do quê? Só lá estiveram quatro meses... Enfim...

21 janeiro 2005

reflexões à la minute

Olá! Não tenho tido muito tempo (e sinceramente, nem inspiração) para estas andanças literárias. No entanto venho por este meio expressar a minha indignação pelo estado em que as coisas, ou melhor, pelo estado em que as pessoas andam.
Já sei, não vale a pena repetir, a vida não anda fácil, os putos berram pelos corredores dos supermercados, os pais andam chateados porque não têm dinheiro para comprar o carro ou o barco que tanto sonham por causa da mensalidade da escola dos seus descendentes, etc...
Mas será que ninguém se preocupa com o facto de passarem mais de metade da sua vida a trabalhar para que no fim do mês possam comprar os ditos produtos que garantem uma vida muito mais feliz? Será que é isso o que de mais importante levamos desta passagem? Posso estar a ser completamente utópica, mas digo-vos isto sinceramente: mesmo que um dia venha a descobrir que todas as minhas lutas foram em vão, porque mais tarde ou mais cedo lhes vou dar razão, vou sempre poder dizer que lutei contra isto.
No outro dia, enquanto respondia a um mail deparei-me com aquilo que verdadeiramente sou e fiquei orgulhosa com aquilo que vim a descobrir à medida que ia "dedilhando" o teclado do computador.
"Aquilo que considero de mais importante é saber que nunca desisti da minha luta... não desisti de sonhar! É essa a minha essência e que eu espero não perder. Quero, no dia em que morrer, saber que nunca deixei de ser aquilo porque sempre lutei... É esse o legado que quero deixar às pessoas que amo e que amarei no futuro... mostrar-lhes que nunca se deve deixar de sonhar e de lutar por aquilo em que acreditamos... Não pretendo dar conselhos a ninguém, não quero que as pessoas que me rodeiam se comportem à minha imagem... quero apenas mostrar-lhes que a vida proporciona ao Homem um dom que mais nenhum outro animal possui... a capacidade de poder sonhar!"
Confesso que tenho consciência que na maioria das vezes me acham maluca, mas é essa insanidade que odeio, que me permite ir mais além... essa insanidade de que eu dependo para continuar a ser a mesma.

07 janeiro 2005

um ano muito cor-de-rosa...

Neste ano que passou encontraram neste espaço uma amiga que às vezes estava alegre, outras completamente deprimida. Como já tinha prometido, o ano novo trás sempre coisas novas, a questão é que este trouxe mesmo... Finalmente descobri quem verdadeiramente sou, agora vou passar o resto da minha vida a aprender lidar com isso, mas enfim, a vida é como uma escada. Uma escada que se sobe degrau a degrau, mas que por vezes também é preciso galgá-los sem olhar para trás até perder o fôlego. E foi o que fiz, corri em direcção ao meu sonho; para aquilo que eu quero ser...
Espero que um dia, também vocês, encontrem o vosso caminho, ainda que isso vos leve a dar umas quantas quedas, por vezes verdadeiros mergulhos.