26 fevereiro 2005

apagar

Escrevo, apago, escrevo, apago e é isto que sobra - nada...
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Não podia ser mais apropriado...
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" Escrevia uma página. Relia-a e cortava logo alguns parágrafos. Voltava a lê-la e tirava algumas frases. Depois ia às palavras. Reparava na inutilidade de muitas e extraía-as. O que se encontra após uma vírgula também pode desaparecer. Um ponto e vírgula geralmente indicia a ineficácia das frases que une, e eram retiradas. Continuava assim durante algum tempo. Se não fosse a sua mulher roubar-lhe a página, restaria uma palavra ou talvez nada.
Ele precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia"
in Pedro Paixão.
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Ele é como eu...