11 setembro 2010

coração que não sente

Sempre soube que se dissermos muitas vezes a mesma mentira mais tarde ou mais cedo começamos a acreditar nela da mesma forma ingénua que todos os outros. E rezamos, muito, para que um dia passemos também nós a vivê-la como se fosse de facto real. Acontece exactamente o mesmo com a visão. Só vemos o que queremos. Ainda que tenhamos os olhos bem abertos conseguimos perfeitamente evitar aquilo que não deve ser encontrado. O desencontro dos olhares é digno de registo fotográfico e perfeitamente inconsciente a bem da nossa sanidade. Olhos que não vêem, coração que não sente. Os milésimos de segundo em que tudo acontece é basilar para a nossa sobrevivência. Aquela fracção, a que nos salva de tudo o resto, e que ao mesmo tempo não nos deixa dormir.