09 abril 2009

# 1 retratos de pessoas da minha vida

A sua forma de inspirar e expirar o ar que entra nos seus pulmões é particularmente interessante. Nada é ao acaso, nem sequer a forma despreocupada com que humedece os lábios. Uma leve passagem da língua pelo lábio superior mostra de forma declarada que a hipótese de um desvio de milímetros é absurda. O seu controlo interior pode comparar-se a uma prisão de alta segurança o que eu acho perfeitamente magnífico. Não porque seja saudável, apenas porque consegue vestir o raio da gabardina durante todos os segundos do dia. Às vezes dou por mim a pensar se nunca lhe passou pela cabeça mandar alguém à merda, se nunca deu um murro na mesa... se algum dia errou. Daí ser-me tão difícil vê-lo como ser humano. Mas na verdade também não preciso. Não é esse o objectivo, não é esse o meu papel e muito menos o dele. Quando for grande quero ser melhor.