Candyman,Escrevo-te porque voltei a fazê-lo... Eu sei que te magoa, que te incomoda e não contribui em nada para justificar o meu "mais-do-mesmo". E eu sei que tu, a todo o custo, queres acreditar que este é apenas mais um dos meus exageros. Mas não é. E se to digo é porque também eu gostaria que tudo fosse um pouco diferente. Mas, mais uma vez, não é nem vai ser, porque de facto não trazemos nada de bom.
O que nos separa, desconheço, mas a sensação de desconforto que acompanha o nosso silêncio é suficiente para saber que também tu o reconheces.
Queria poder dizer que gosto de ti, que me perdi e me encontrei. Não o posso fazer porque tu não deixas e não me permites qualquer passo em falso. Mas a culpa é minha, não é? Fui eu quem sempre afastei a hipótese de criarmos expectativas, de nos envolvermos, de escrevermos a dois um guião melodramático onde no final a protagonista é beijada pelo galã. Fui eu quem desta vez estragou a história glicodoce. Deve ser esta a sensação de um guionista que mata as suas personagens por orgulho e que se arrepende na fatídica noite da ante-estreia. A crítica adora e aplaude de pé, mas o sabor que fica a quem lhes dá o golpe de misericórdia é sempre azedo.
Mas se eu te disser que estou arrependida podemos cortar alguns "takes"?