26 junho 2007

monólogo a dois

- "Vieste na altura errada... merda!
Devias ter telefonado primeiro, já sabes que não gosto que apareças aqui sem avisar. Tenho imensas coisas em que pensar. Isto não tem estado fácil sabias? Passo os dias a preocupar-me comigo mesma. O que quero. O que deveria querer e aquilo que já deveria saber à partida. Mas afinal o que é que fazes aqui? Tens alguma coisa para me dizer que eu já não saiba? Isso é impossível e tu sabes que eu sei. Por isso to pergunto novamente. Queres um café? Faço um terrível. Ouvi dizer que é óptimo para passar o resto da noite acordado."
...
Pronto está bem, não digas nada. Já percebi. Mas afinal o que é que esperavas... eu não te avisei que seria assim? Chateias-me de morte quando ficas com esse ar de quem chegou aqui de pára-quedas. Tira imediatamente essa cara de cachorro abandonado. Já te tinha dito que não pode ser. Não quero que tu o queiras e também eu não o posso querer. É demasiado complicado e eu já disse que estou demasiado ocupada em ser infeliz e a martirizar-me por tudo aquilo que fiz e aquilo que ainda estou para fazer. Tu não és um dos meus planos. Por isso sai. Sai e deixa-me lamentar por isso. Não por seres tu, mas porque poderia ser um outro qualquer e eu continuaria sem disposição para o fazer."

25 junho 2007

winning a battle and losing the war...

Já vi este filme demasiadas vezes.
O cenário varia impreterivelmente porque nada se repete, ainda que as personagens sejam as mesmas. Mas as deixas e acima de tudo o desfecho da história é sempre o mesmo. É chato.
Dou por mim com vontade de desligar a televisão para não ter de assistir mais à história glicodoce, de dar vómitos ao mancebo mais guloso. Na verdade, hoje em dia tudo não passa de um mito urbano porque já ninguém morre de amor.
Estamos formatados para viver com isso. E o mais incrível é que continuamos a tentar, como salmões em época de desova procurando chegar a "bom-porto". É estúpido. Só alguns lá chegam e todos acabam por morrer. É também este o nosso fim. A parte boa? O percurso. As coisas tontas. Quando nada tem um propósito. Eu gosto das coisas postas desta forma. Pura e simplesmente porque sim. Porque apetece. Sem explicações. Sem barreiras à entrada ou à saída.
Sem galgar rios e com a certeza de que não vou morrer por esta causa... perdida já à partida.

17 junho 2007

um dia diferente

Apesar de hoje ser um dia diferente, isso pouco ou nada é relevante. É-o, mas não pela razão esperada. É-o porque mais uma vez este dia marcou outra coisa que não a ordinária. É-o porque mais uma vez dei um passo em frente, ignorando as mil razões pelas quais eu sou eu. Sim, acontece.
Este foi marcado por uma manifestação pessoal que muito revelou aquilo que sou verdadeiramente. Eu, uma mistura sem receita de uma ana e outra bárbara que não passam de água e azeite unidas à força. Desta vez a ana ganhou. Sem papéis nem receitas para medir a dose certa. Aconteceu. Apenas porque sim. Porque me apeteceu. Sem consequências. Sem explicações.

11 junho 2007

o síndrome de uma miúda igual a outras tantas

Vejo-o a dirigir-se a mim devagar.
Passo a passo, como alguém que quisesse outra coisa que não eu. E ainda que o veja a chegar, dou por mim incapaz de sair dali. Fico então ali, à espera. O meu coração entra em alerta encarnado. Ouço buzinas de emergência a ecoar na minha cabeça. E ainda assim não saio! Sinto o corpo sem chão, como se uma folha arrastada pelo vento se tratasse. E deixo-me ir.

06 junho 2007

recado no frigorífico

Tens definitivamente um problema de timing.
Não é novo. Sempre o tiveste.
Aprende a viver com isso.
Aliás, tu gostas mesmo é da pressão.
Daquilo que é caótico. Não compreensível. Desgastante.
É isso que te dá adrenalina.
Literalmente, tu gostas é de te meter em confusões.

05 junho 2007

isto não é uma história é o estado de cagufa

Cagufa. Estado de terror. De medo.
Medo de não saber o que quero.
Medo de saber e não conseguir lá chegar.
Medo de não ser suficiente.
Medo de não acreditar.
Medo de avançar.
Medo de ficar.
Medo de deixar por fazer.
Medo de tudo.
É este o meu actual estado. Credo, pela primeira vez em muito tempo, estou de facto a escrever sem personagens e cenários imaginados. Também isto mete medo.
Tenho todo um caminho desconhecido para percorrer e estou aterrorizada. No entanto, pela primeira vez em muito tempo, estou a sentir aquilo que as pessoas munidas de alguma sabedoria popular chamam de "nervoso miudinho".

04 junho 2007

o poder limitativo das palavras

Durante três dias chorou sem parar para pensar porque afinal o fazia e quando parou, tão pouco sabia porque o tinha começado. Limpou as lágrimas e saiu.
É este o maravilhoso mundo feminino. Choramos. Muito. Mais do que seria necessário. Mais que não seja porque de pouco serve. Mas não. Nós insistimos.
Lava-nos a alma. É por isso. É assim que carpimos a nossa raiva, o nosso desgosto e também a nossa alegria. Acho verdadeiramente deliciosa a forma leviana como uma mulher o consegue fazer.
Quando paramos, damos por nós a rir que nem perdidas porque de facto somos seres perfeitamente desconcertantes. E sabe tão bem sermos assim...

30 maio 2007

little things

Queria falar de todas as coisas das quais tenho saudades, mas o tempo já as desgastou.
Queria então que tudo voltasse um pouco atrás e que de novo sentisse para que então reconhecesse.
Lembro-me que tudo foi uma questão de opostos. O melhor e o péssimo.
Porque sofri como nunca tinha acontecido.
Porque chorei demais.
Porque voltava a fazer tudo de novo.
Há duas ou três coisas, as quais não consigo esquecer. E são essas que ainda hoje me fazem tremer que nem varas verdes quando sei que estás ali.

29 maio 2007

in a manner of speaking


In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you
I should find a way
To tell you everything
By saying nothing...
(nouvelle vague)

28 maio 2007

lullaby

Fecho os olhos com muita força e digo a mim mesma para adormecer rápido. Mas não sou capaz. Fumo um cigarro seguido de outros tantos, mas o sono nunca chega. Algo inesperado, maravilhoso e aterrador aconteceu. Luto a todo o custo para ficar calada. E vou ficar. Já saldei a minha dívida e quero por tudo manter-me assim. Quero paz. Quero sossego.
O que eu quero mesmo é ter certezas e essas ninguém mas pode dar... Talvez sejas tu capaz de o fazer um dia destes. Agora apenas quero pedir-te desculpa. Por ter fugido. Por sempre ter sabido e nunca aceitado.
A verdade é que não o devia ter feito. Pura e simplesmente porque não o merecias. Porque de facto não foi justo. O maior erro que uma pessoa pode cometer eu já o cometi. Contrariar ou desacreditar a verdade é o que de pior há. Pergunto porque é que tem de ser assim? Mas isto não passa? Nunca? Sou literalmente o meu pior inimigo e muitas vezes também o teu.
Tenho medo. De te deixar. De te magoar. De te prender. Até mesmo de te fazer feliz. Porque acho sempre que mereces qualquer coisa melhor que não eu. De te fazer de meu porto de abrigo sem ser capaz de te dar algo em troca.

Mas sabe tão bem.
Não digas nada. Segura-me e não me deixes cair nunca. E deixa que eu faça o mesmo. Não porque o queremos, mas porque assim tem de ser.
Estamos juntos nisto quer queiramos quer não. É doença comum que não se trata. Que não nos deixa respirar, estejamos próximos ou afastados.

deixa contar-te como foi...

Antes que me esqueça quero contar-te como foi. Porque merece ser contado. Porque aprendi com ele, aquela que poderá ser a maior lição da minha vida.

Antes de mais, quero agradecer-lhe:
Por me deixar encostar a minha cabeça no seu ombro todas as noites.
Por me aconchegar enquanto dormia.
Por me deixar proteger-lo enquanto o fazia.
Por querer fazer de mim a miúda mais feliz do mundo.
Por me levar a lugares longínquos.
Por me dar aquilo que considerava ser amor.
Por quer fazer-me acreditar que as histórias de amor ainda acontecem, ainda que ele nunca tivesse acreditado nelas.

Ambos resolvemos lutar contra todas as probabilidades e tentámos. Tentámos partilhar. Tentámos ser felizes. Tentámos acima de tudo amar da mesma forma.

Uns morrem por amor em excesso. Nós morremos porque o amor de um era o anti-cristo do amor do outro. Foi por isso.

Não vou apagar da memória o seu carinho, os beijos e o amor à sua maneira.

A questão é que o “menino dos cabelos encaracolados” não chegou.

Nada chegou. Nada foi suficiente para dizer agora que um dia fui feliz.
Não ficou nada. Não restam sorrisos de saudade doce. Resta apenas um lapso de tempo que não consigo reconstituir. É por isso que escrevo. Para te contar como foi. Para que também eu não me esqueça.

Lamento por ele.
Por não me ter deixado fazer mais.
Por não me ter amado como devia.
A verdade é que não o soube fazer.

Saiu pela janela de mansinho, só como o menino com alma de pássaro sabe fazer. Um menino que um dia julguei meu.

24 maio 2007

sweet talk

hey candyman, please come crash into me!
this might be the sweetest song...

23 maio 2007

o ritmo substância das coisas

Sinto-me estranhamente bem. Ao contrário do que esperava, sobrevivi.
Interessante é o facto de eu conhecer estranhamente os próximos passos dos outros e o caminho que escolhem, e ser uma perfeita estranha para mim mesma.
Estou sempre à espera de cair redonda e de me aperceber disso apenas quando estiver no chão. Acho que é esse o meu maior medo:deixar-me cair sem noção de que estou a fazê-lo. Depois de um passo vem outro e dou por mim a andar. Livre.
Tento convencer-me de que já paguei a minha dívida e que finalmente sou eu. Só eu. Mas depois, vem o medo. Não de saber que o passado ficou lá trás, mas medo de me ter esquecido como se corre.
A verdade é não há nada para lembrar e o futuro é por defeito, amnésico.

14 maio 2007

talvez a música mais doce...

Aquela em deixa espreitar o sorriso tonto. O sorriso do enamoramento.

We got the afternoon
You got this room for two
One thing I've left to do
Discover me
Discovering you
One mile to every inch of
Your skin like porcelain
One pair of candy lips and
Your bubblegum tongue
And if you want love
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Something 'bout the way your hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it
You want love?
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Damn baby You frustrate me
I know you're mine all mine all mine
But you look so good it hurts sometimes
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Your body is a wonderland.

(j. mayer)

11 maio 2007

a velha e a fé

“Se ainda não morri é como se já tivesse acontecido”, diz ela.
Respira o mais fundo que consegue para sentir o ar a entrar-lhe pelo corpo. Afinal ainda está viva, ainda que não perceba como e porquê. Muito ao longe ouve vozes que não lhe dizem nada. Percebe que a chamam mas não reage. Não consegue. E assim ficou. A olhar para as ondas que um dia tentaram sussurrar-lhe ao ouvido que existem coisas no mundo as quais jamais se podem alcançar.
Nunca ninguém soube dizer ao certo o que tinha acontecido com a velha. Mas alguém contou um dia que tinha sido um desgosto, o qual nunca chegara a superar.
Assim era ela. A velha da falésia. Todos os dias, os habitantes da terra a viam chegar e dirigir-se à falésia. Cumprimentavam-na, mas da sua boca nunca saiu palavra. Ficava calada, sentada nas pedras no último degrau antes do precipício.
Nunca se soube o que ela fazia sentada todos os dias na falésia. Mas ela sim.
A velha estava à espera. Mas tanto esperou que se esqueceu daquilo por que tanto esperava. Mas apesar dos anos lhe terem tirado a memória, a velha nunca deixou de lá ir. Acreditava piamente que se um dia aquilo que esquecera aparecesse, ela saberia de imediato aquilo que procurava.
Chama-se a isto fé. Fé pelas nossas certezas. Certezas que fazem com que nunca desistamos de respirar para saber que continuamos vivos. É isso que nos mantém vivos num mundo que se quer cruel, onde as pessoas já não conhecem a palavra amor, onde já ninguém respira tendo perfeita noção disso. É um mundo de mortos-vivos, onde ninguém sabe quem que é.

13 março 2007

pardal em cativeiro

Eu conheço-te como as palmas das minhas mãos... talvez até um pouco melhor.
Tu és eu e portanto quer tu queiras, quer não queiras, nós somos a mesma pessoa. E por isso, e independentemente de tudo o resto, eu vou continuar a querer ouvir as tuas histórias e tu as minhas.
És a minha alma gémea, aquilo por que eu esperei anos sem fim. Esperei até achar que estavas preparado. Infelizmente o medo de te perder não me permitiu esperar o suficiente. Admito-o: deveria ter sido mais forte, afinal aquilo que é nosso às nossas mãos há-de vir parar. Enfim, precipitei-me. Acabei por perder aquilo que por anos esperei.
O mais inacreditável é que não te consigo odiar. Ficou sim, a certeza de que não mudaste, a certeza de que és o pássaro que morre em cativeiro.
Resta-me a certeza de que um dia tu me hás-de prometer o mundo e nessa altura, eu vou dizer que sim.

09 março 2007

há mar e mar, há ir e voltar.

A lua não é a melhor conselheira... por isso prefiro o sol. O sol e o mar. A última vez que lá fui, faz agora dois anos. Por esta altura desejo nunca lá ter estado. Mas não é que tivesse mudado alguma coisa. Às vezes é preciso ir ao encontro das ondas para termos a certeza que não sabemos nadar. Não posso dizer que me arrependo. Arrepender é verbo para coisas que não fazemos por falta de coragem. Por isso acredito que o fui. Até talvez um pouco mais do que devia.
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Podia ter-me afogado. Mas não. Para marcar o final da aventura ficaram apenas algumas nódoas negras.
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Se lá voltava? Sem dúvida. É para isso que nasci. Há mar e mar, há ir e voltar.

euforismos à parte

A vida dá sempre mais voltas do que aquelas que estamos verdadeiramente à espera.

28 dezembro 2006

aos que...

Aos que me apoiaram.
Aos que me ouviram vezes sem conta.
Aos que me fizeram ouvir.
Aos que me mostraram o lado mais cinzento da vida.
Aos que trabalham comigo todos os dias.
Aos que me sorriem pela manhã.
Aos que, independentemente da minha insanidade, continuam a quer partilhá-la comigo.
Aos me me odeiam, porque sem eles eu não saberia o que era o amor.
Aos que me amam incansavelmente.
E finalmente aos que me inspiram todos os dias, mostrando-me que a vida é uma coisa que merece ser partilhada.

07 outubro 2006

uma questão de escolhas

Um ou outro caminho. Ambos são válidos. O mesmo também se aplica a todos os restantes que nos aparecem pela frente. Mas eu só conheço dois. Um que espera, o outro que não me deixa descansar.