Se a renúncia e o acaso tocassem ao mesmo compasso, essa seria a minha vida. Mas tudo não passa de uma regra matemática em que duas linhas rectas apenas se cruzam no infinito. Não no início, a meio, nem no fim. E é isso que nos enloquece. Andamos perdidos à procura de qualquer coisa que se cruze na nossa vida. Uma outra vida também ela rumando para o infinito. Mas a falha não está em nós. A falha está na matemática. E é essa mesma falha, esse fosso, que faz com que procuremos tanto. A questão é que ninguém jamais olhou para o lado. Se assim o tivessem feito, por esta altura já todos saberíamos que ainda que não nos cruzemos, caminhamos lado a lado. Não passamos de códigos de barras. Uns seguidos de outros.