23 maio 2005

hello!

Hoje o absurdo bateu-me à porta...
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E eu absurdamente deixei-o entrar.

16 maio 2005

the cannonball

A maior parte de nós não tem consciência da importância do momento, aquela fracção de segundo que faz a verdadeira diferença e muitas vezes que nos marca para sempre.
O gesto, a palavra proferida ou a ausência de ambos podem fazer que que um mundo se erga ou acabe naquele momento. Uma vez li que não somos nós que possuimos os gestos, ao invés, eles é que nos têm. E é esta imortalidade dos gestos que todos nós procuramos, de uma maneira ou outra. Eu procuro um sorriso... franco e sincero. E é esse sorriso que vai fazer com que o meu mundo se erga de novo. É esse gesto imortal que eu procuro sem descanso. É aquilo a que eu chamo de "estado de luz"... a felicidade pura.
Uma vez já o vi... é uma coisa que não se esquece. Passou de raspão por mim, tal como uma estrela cadente que mergulha no céu. E tal como uma estrela cadente que não se repete, também ele não volta a ser vislumbrado. Uma fracção de segundo que não volta a ser reconstituída. E seria fácil resignar-me a este facto se não tivesse sido eu a desviar os olhos enquanto o momento ainda existia. Agora apenas resta o vazio, para me mostrar invarialvelmente que a minha instabilidade faz-me perder algumas fracções de segundo que mereciam ser captadas. É disso que mais saudades tenho... do estado de luz que nos preenche a alma
, o momento de pura concretização.

15 maio 2005

closer

Às vezes sou sobressaltada com um nó na garganta, qualquer coisa que me impede respirar, como se tivesse uma mão em volta do meu pescoço. Depois, a mão torna-se maior e começa a esmagar o meu corpo, cada vez com mais força. Ás vezes a pressão é tão grande que a minha alma acaba por ser "despejada" da matéria. E é neste processo doloroso, que o meu inconsciente toma conta de mim, como que quisesse lavar-me a alma, o meu ego, de tudo o que me rodeia. Depois, resta uma sensação de pureza, de paz de espítito. A mesma mão que me magoa é aquela que depois me liberta com uma profunda sensação de bem estar, é aquela que me permite transcender para além do espaço e do tempo. É nesta altura que eu morro e renasço... das palavras e das cores. Sim, acho que isto não passa do meu processo de substituição de que falei uma vez. É esta substituição que me permite manter um pouco de sanidade, este processo que me sossega e me mantém mais serena. Serenidade esta que aparentemente todos desejam que eu atinja, ainda que nem eles e nem eu saibamos muito bem como.
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"still a little bit of your song in my ear
stiil a little bit of your words i long to hear
you step a little closer to me
so close that i can´t see what´s going on" (in Damien Rice)

05 maio 2005

uma página ao acaso

"Ela era uma rapariga especial, cada passo e cada palavra sua tinham um colorido e um cunho especiais, e nem sempre era fácil segui-la e acompanhar o seu passo. (...) Era muito singular, e tornar-se-ia difícil viver junto dela e seguir a sua culta altivez, pois desta não suportava ouvir falar. Além do mais, também não era muito forte e saudável e suportava mal, nomeadamente a sociedade e as festas. O seu maior prazer era viver com flores e música, e eventualmente um livro em seu redor, em silenciosa solidão, e deixava que o mundo prosseguisse no seu caminho. Por vezes era tão delicada e sensível, que por tudo quanto fosse estranho a magoava e facilmente lhe provocava lágrimas. Depois, novamente ficava radiante, silenciosa e delicada na sua felicidade solitária, e quem isto observava senti quão difícil seria ofertar e representar algo para esta mulher bela e singular. "
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Contos Maravilhosos, Herman Hesse

04 maio 2005

what is essential is invisible to the eye

Antes de sair pela porta tenho sempre uma esperança tonta de encontrar alguma coisa que denuncie a tua presença. Como disse é uma esperança tonta, mas agora tornou-se quase como que um ritual. Olho para a direita, depois para a esquerda... nada. Não foi hoje. Não faz mal, só o facto de o continuar a fazer dá-me algum conforto. Fazes-me falta sabias? E este ritual é apenas uma maneira de me lembrar de ti. Tu, que roças o desconcertante, o absurdo. Não és necessariamente mau... muito pelo contrário.
Tu és a imagem que eu criei à minha semelhança, pode-se dizer que és a minha outra parte. Eu sei que não existes... mas é tão bom acreditar em ti...

29 abril 2005

a insustentável leveza... da paixão

Hoje vou falar-vos de um assunto mais que batido "em praça", mas no entanto sem solução aparente!
Estava eu no carro, naquelas filas que nunca acabam, quando dei por mim com uma teoria fantástica sobre a paixão (sim porque o trânsito dá-me para estas coisas... deve ser da elevada concentração de CO2).
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E então é assim,
Todos nos apaixonamos, a bem ou a mal. E é certo e sabido que normalmente as coisas correm mal e quantos de nós não gostaría de voltar atrás para emendar uma coisa ou outra!?
Pois é... mas comigo não é bem assim... e foi o "reason why" disto que eu descortinei, dissequei até, durante a minha a minha travessia pelo maravilhoso rio Tejo.
A conclusão a que cheguei? Espero que o "acesso" me passe. Certinho, direitinho! É infalível!
Como já fiz questão de vos dizer a paixão é resultado das nossas homonas e outros processos psico-biológicos e por esta razão tem prazo de validade. E portanto, em vez que andar a fazer maluqueiras fico sentada pacientemente à espera que o ataque se dissipe. O que não quer dizer invariavelmente que não me apaixone... Apenas lido com "isso" de uma maneira talvez pouco ortodoxa. Sabem, normalmente nós temos tendência a criar um conceito, uma imagem (muito pouco real, deixem que vos diga) da outra parte e a crise está mesmo aí... Essa imagem acaba por consumir e até atraiçoar-nos o nosso bom senso... Ás vezes chega a apoderar-se dos nossos dias, da nossa vida... felizmente, apenas durante escassos dias ou com azar alguns meses.
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O cerne da questão está em aproveitar a parte boa e deixá-la no pedestal.
Hoje não estou com muita paciência para explicar tudo tim-por-tim, mas quanto mais alimentamos a paixão, mais forte ela fica.
Por isso eu deixo-a morrer à fome.

26 abril 2005

sou pelo meu "Plantinha"!

Este espaço é dedicado ao meu cão...
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Não vou falar sobre ele, não vale a pena. Vale sim, tudo o que restou depois da sua morte.
E o que ficou foi essencialmente o conceito... de "cão maravilha".
f12.jpg

15 abril 2005

!

Só como nota para que não me esqueça, tenho de fazer um post sobre a minha psicose sobre a substituição pessoal e a arte enquanto elemento fundamental nesse processo. Complicado, hein? Por isso é que não o faço agora...

26 março 2005

25 março 2005

confissão de pedro paixão

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."

21 março 2005

porque não se deve matar a saudade doce

TIPOS DE SAUDADE...
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1) A que dói, a que corrói por dentro, aquela que mata. A que sobrevive e nos afoga lentamente porque, um dia, ficou algo por fazer. O que mata não é a saudade em sim, mas a incapacidade que temos de poder voltar atrás no tempo de maneira a refazer, ou melhor fazer, as coisas de novo. Acho que é mais isto...
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2) A saudade triste, a saudade melacólica, a que demonstra claramente que não conseguimos ultrapassamo-nos e dar mais um passo em frente. A saudade do medo como gosto de chamar-lhe... a esta trato-a por tu.
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3) A saudade doce. Esta é a mais díficil de explicar e por isso ficou para o fim.

Vejamos...
Fecha os olhos, imagina-te no teu sítio preferido, concentrata-te, já chegaste? O que vês?
Eu vejo um sorriso. A saudade doce é mesmo isto. A saudade doce é aquela que deixa um rasgo de alegria, um gosto doce, um sorriso. E esta é talvez a melhor saudade que se pode ter, é esta que nos enche de um sentimento bom, um sentimento reconfortante: a felicidade.
A saudade que nos mostra que já tivemos os nossos momentos de felicidade pura, ainda que momentâneos, nunca últimos.

onde... 17 de março, amesterdam

Onde o céu é algodão,
Onde as fachadas apontam indiscretamente para o vizinho,
Onde a chuva pára nos dias em que estou aqui e o sol vem dizer - "Olá!",
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Onde os marshmallows desaparecem subitamente sem que ninguém perceba muito bem como,
Onde tecnicamente devíamos estar afogados por esta altura,
Onde o queijo se chama Gouda,
Onde as paredes são postais
E este é apenas mais um...
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06 março 2005

a palavra no momento certo

Não tem necessariamente de ser original... geralmente o importante é vir na altura certa. Infelizmente, de vez em quando, não nos damos conta que não somos apenas o único bicho estranho à face da terra e uma palavra na altura certa ajuda a criar um certo alento para enfrentar o dia que segue.

"
Se eu me tivesse que definir era como vadio. Disse de mim para mim: desconhece-te a ti mesmo. É uma maneira de chegar ao oco, ao mar de onde venho, tudo o resto, mesmo a linguagem são aquisições do exterior. Eu não quero continuar nada. Por isso não acredito nas coisas feitas diariamente, esse "continuísmo" tem dado cabo da cabeça de muita gente.
"

04 março 2005

02 março 2005

hoje sinto-me...

blog2.jpg
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...um peixinho vermelho fora d´ água.

o beijo

O primeiro e nunca último...
Elo discreto e poderoso que sela palavras que nunca chegam a ser proferidas. Este sim, o mais perfeito modo de concretização. É ele que encerra o mais puro dos sentimentos num doce e harmonioso silêncio. É com ele que expressamos aquilo que por palavras nos é censurado e por isso carrega um grande peso... o da insegurança do nosso Eu. Afinal, qual é a verdadeira faca de dois gumes senão o momento em que nos despimos da nossa fachada; senão o medo e a ânsia de pertencermos a alguém?
Passamos a vida a representar um papel para o qual muitas vezes nos sentimos à deriva. Mas é neste momento que a máscara cai, o pano sobe e se ouvem aplausos. É neste aqui e agora que se revela a verdadeira essência da nossa "outra parte" (Paulo Coelho in Brida).
O primeiro é sempre o mais complicado, mas talvez por isso, o que nunca esquecemos, o que nos faz sentir qualquer coisa de muito estranha e que nos percorre o corpo por inteiro.
O primeiro é aquele que mostra que, pelo menos, ainda não por enquanto, encontrámos o que todos procuramos... o momento de perfeita realização um no outro.

ao estilo de navarro-costa

Nota de introdução:
Este texto é unica e exclusivamente da responsabilidade de um amigo muito querido, Paulo Navarro Costa. Apreciem-no. Bem-vindo a este espaço!
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É muito longe e eu não posso levar este corpo… É pesado demais…”

Saint-Exupèry, in O principezinho.


“Je croyais que ça n’arrivait que aux très vieilles gens, d’avoir semé sur leur chemin tous leurs amis, tous”.

Saint-Exupèry, 1940.


- Hoje escrevo eu – digo ameaçando o écran branco-anémico que repousa provocantemente no topo da secretária. Não será como os outros dias, em que deixo a folha áspera do caderno guiar a caneta como lâmina de barbear em rosto mal dormido. Nesses dias, não sou eu que escrevo. É a folha. É a caneta. Ambas se servem dos meus dedos para rituais perversos, num jogo de domínio e submissão em que se usa e ousa.

Hoje não será assim. Defronte de mim tenho uma constelação de teclas que dedilharei como as costas de uma amante, pele macia, arrepio que começa com “pause” e termina com “enter”. As teclas afundam-se após uma suave pressão, sinto a resistência do écran que progressivamente se escurece com nuvens de verbo. Terei que atingir a quota de bytes suficiente para chegar ao precipício desta folha, precipício esse que estabeleci como meta para o meu esforço e para a vossa paciência.

Precipício e principezinho são palavras tão parecidas. O mesmo altivo “p” a iniciá-las, o “r” matreiro logo a seguir, aquele “cip” a meio, a língua já lúbrica com promessas que são desfeitas por um terminar abrupto, forçado pelo “c” ou “z”, onda violenta na rocha depois de canto de sereia. A Bárbara é assim. Quero dizer, a escrita da Bárbara é assim.

Ela leu o livro de um fôlego, impulsiva como é. Eu não. Intercalei-o com um livro sobre a guerra colonial e outro de poesia. Curiosa combinação, dirão alguns, mas todas as noites milhões de personagens morrem em livros. É caso de perguntar, quantos já matou, caro leitor?

Pelo que conheço dela, certamente que é Petite Princesse, mas como na elegante gravura que adorna a sua página, também é raposa sedutora. Pois é a mesma Bárbara que nos avisa, “É porque é, e assim fica sem mais explicações”, aquela que maliciosamente nos tenta com rendilhados linguísticos, bondage metafórico “É esse toque de magia que nos permite criar laços uns com os outros”. Nó cego, segue o texto para o precipício. Com distância de segurança.

28 fevereiro 2005

não-madalena

A Madalena é uma pessoa muito carismática, adjectivo ideal quando se quer caracterizar alguém que tem uma qualidade indescritível. É pura e simplesmente diferente... Mas não aos olhos de toda a gente. É preciso ser-se, também, especial para perceber a sua maior virtude. Aliás, eu prória nunca a compreendi muito bem. Às vezes parece uma criança... anda sempre no mundo da lua, como se costuma dizer. A verdade, é que ela passa muito pouco tempo na Terra. Ela está sempre a viajar para sítios onde a alma é a única bagagem que pode levar. O tempo não interessa, é apenas mais uma das muitas maneiras que utilizam para controlar as nossas viagens e por isso nunca tem relógio. São as suas vontades que iluminam vagarosamente o seu caminho e por isso nunca tem pressa.
Não sei porquê mas eu sempre adorei este nome: Madalena... Acho que é por me chamar Bárbara, o que traduzido à letra significa não-Helena... Ou seja, logo à nascença fiquei com a marca da contradição. Mal nasci, o selo de contrariar tudo e todos foi-me posto abruptamente sem sequer me perguntarem nada. Pergunto, onde está aqui o livre arbítrio?
Mas a Madalena é diferente, diferente no sentido de o ser por natureza. É-o de um modo extremamente delicado, súbtil até, e por isso passa despercebida pelo meio da multidão. Aliás, ela não saberia viver de uma maneira completa, se se soubesse capaz de chocar alguém.
É a voz que nunca se ouve, mas que está sempre presente, acompanhando, silenciosamente, todos os meus passos, tudo o que faço. Ela não é nada mais que a personifição daquilo que sou, no mais profundo sonho.
Madalena: Nome hebraico, a dos cabelos penteados. Pessoa discreta e observadora que prefere ouvir a falar. Está sempre analisando seus sentimentos e revela preocupação com a vida espiritual.
Preciso de alterar uma coisa... Bárbara traduzido à letra signfica não-Madalena.

uma ponta de imortalidade

O amor é imortalidade no sentido em modificamos, ou melhor, em que damos um bocadinho de nós aos outros... não tem de ser necessariamente apenas a uma pessoa. Mas é isso que sobrará de nós. Uma pessoa não existe sozinha, existe sim, através das experiências que tem com os outros. O amor é algo que permite marcar alguém que nos foi, é ou será importante. Quem é, não interessa. O que interessa é que esse bocadinho que foi levado faça alguma diferença...
Esta é talvez a música que retrata aquilo que tentei explicar a um amigo... Say goodbye
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So here we are tonight,
you and me together
The storm outside,
the fire is bright
And in your eyes I see
what's on my mind
You've got me wild
turned around inside
And then desire, see, is creeping
up heavy inside here
And know you feel the same way
I do now
Now let's make this an evening
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
just for an evening
When we makeour passion pictures
You and me twist up
secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
to the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss
Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl, just tonight
Float away here with me
An evening just wait and see
But tomorrow go back to your man
I'm back to my world
And we're back to being friends
Wait and see me,
Tonight let's do this thing
All we are is wasting hours
until the sun comes up it's all ours
On our way here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
Tonight let's be lovers, say you will
And hear me call, soft-spoken whispering love
A thing or two I have to say here
Tonight let's go all the way then
Love I'll see you,
Just for this evening
Let's strip down, trip out at this
One evening starts with a kiss
Run away
And tomorrow
back to being friends
Lovers...love...lovers
Just for tonight, one night...love you
And tomorrow say goodbye