29 abril 2005

a insustentável leveza... da paixão

Hoje vou falar-vos de um assunto mais que batido "em praça", mas no entanto sem solução aparente!
Estava eu no carro, naquelas filas que nunca acabam, quando dei por mim com uma teoria fantástica sobre a paixão (sim porque o trânsito dá-me para estas coisas... deve ser da elevada concentração de CO2).
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E então é assim,
Todos nos apaixonamos, a bem ou a mal. E é certo e sabido que normalmente as coisas correm mal e quantos de nós não gostaría de voltar atrás para emendar uma coisa ou outra!?
Pois é... mas comigo não é bem assim... e foi o "reason why" disto que eu descortinei, dissequei até, durante a minha a minha travessia pelo maravilhoso rio Tejo.
A conclusão a que cheguei? Espero que o "acesso" me passe. Certinho, direitinho! É infalível!
Como já fiz questão de vos dizer a paixão é resultado das nossas homonas e outros processos psico-biológicos e por esta razão tem prazo de validade. E portanto, em vez que andar a fazer maluqueiras fico sentada pacientemente à espera que o ataque se dissipe. O que não quer dizer invariavelmente que não me apaixone... Apenas lido com "isso" de uma maneira talvez pouco ortodoxa. Sabem, normalmente nós temos tendência a criar um conceito, uma imagem (muito pouco real, deixem que vos diga) da outra parte e a crise está mesmo aí... Essa imagem acaba por consumir e até atraiçoar-nos o nosso bom senso... Ás vezes chega a apoderar-se dos nossos dias, da nossa vida... felizmente, apenas durante escassos dias ou com azar alguns meses.
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O cerne da questão está em aproveitar a parte boa e deixá-la no pedestal.
Hoje não estou com muita paciência para explicar tudo tim-por-tim, mas quanto mais alimentamos a paixão, mais forte ela fica.
Por isso eu deixo-a morrer à fome.

26 abril 2005

sou pelo meu "Plantinha"!

Este espaço é dedicado ao meu cão...
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Não vou falar sobre ele, não vale a pena. Vale sim, tudo o que restou depois da sua morte.
E o que ficou foi essencialmente o conceito... de "cão maravilha".
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15 abril 2005

!

Só como nota para que não me esqueça, tenho de fazer um post sobre a minha psicose sobre a substituição pessoal e a arte enquanto elemento fundamental nesse processo. Complicado, hein? Por isso é que não o faço agora...

26 março 2005

25 março 2005

confissão de pedro paixão

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."

21 março 2005

porque não se deve matar a saudade doce

TIPOS DE SAUDADE...
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1) A que dói, a que corrói por dentro, aquela que mata. A que sobrevive e nos afoga lentamente porque, um dia, ficou algo por fazer. O que mata não é a saudade em sim, mas a incapacidade que temos de poder voltar atrás no tempo de maneira a refazer, ou melhor fazer, as coisas de novo. Acho que é mais isto...
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2) A saudade triste, a saudade melacólica, a que demonstra claramente que não conseguimos ultrapassamo-nos e dar mais um passo em frente. A saudade do medo como gosto de chamar-lhe... a esta trato-a por tu.
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3) A saudade doce. Esta é a mais díficil de explicar e por isso ficou para o fim.

Vejamos...
Fecha os olhos, imagina-te no teu sítio preferido, concentrata-te, já chegaste? O que vês?
Eu vejo um sorriso. A saudade doce é mesmo isto. A saudade doce é aquela que deixa um rasgo de alegria, um gosto doce, um sorriso. E esta é talvez a melhor saudade que se pode ter, é esta que nos enche de um sentimento bom, um sentimento reconfortante: a felicidade.
A saudade que nos mostra que já tivemos os nossos momentos de felicidade pura, ainda que momentâneos, nunca últimos.

onde... 17 de março, amesterdam

Onde o céu é algodão,
Onde as fachadas apontam indiscretamente para o vizinho,
Onde a chuva pára nos dias em que estou aqui e o sol vem dizer - "Olá!",
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Onde os marshmallows desaparecem subitamente sem que ninguém perceba muito bem como,
Onde tecnicamente devíamos estar afogados por esta altura,
Onde o queijo se chama Gouda,
Onde as paredes são postais
E este é apenas mais um...
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06 março 2005

a palavra no momento certo

Não tem necessariamente de ser original... geralmente o importante é vir na altura certa. Infelizmente, de vez em quando, não nos damos conta que não somos apenas o único bicho estranho à face da terra e uma palavra na altura certa ajuda a criar um certo alento para enfrentar o dia que segue.

"
Se eu me tivesse que definir era como vadio. Disse de mim para mim: desconhece-te a ti mesmo. É uma maneira de chegar ao oco, ao mar de onde venho, tudo o resto, mesmo a linguagem são aquisições do exterior. Eu não quero continuar nada. Por isso não acredito nas coisas feitas diariamente, esse "continuísmo" tem dado cabo da cabeça de muita gente.
"

04 março 2005

02 março 2005

hoje sinto-me...

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...um peixinho vermelho fora d´ água.

o beijo

O primeiro e nunca último...
Elo discreto e poderoso que sela palavras que nunca chegam a ser proferidas. Este sim, o mais perfeito modo de concretização. É ele que encerra o mais puro dos sentimentos num doce e harmonioso silêncio. É com ele que expressamos aquilo que por palavras nos é censurado e por isso carrega um grande peso... o da insegurança do nosso Eu. Afinal, qual é a verdadeira faca de dois gumes senão o momento em que nos despimos da nossa fachada; senão o medo e a ânsia de pertencermos a alguém?
Passamos a vida a representar um papel para o qual muitas vezes nos sentimos à deriva. Mas é neste momento que a máscara cai, o pano sobe e se ouvem aplausos. É neste aqui e agora que se revela a verdadeira essência da nossa "outra parte" (Paulo Coelho in Brida).
O primeiro é sempre o mais complicado, mas talvez por isso, o que nunca esquecemos, o que nos faz sentir qualquer coisa de muito estranha e que nos percorre o corpo por inteiro.
O primeiro é aquele que mostra que, pelo menos, ainda não por enquanto, encontrámos o que todos procuramos... o momento de perfeita realização um no outro.

ao estilo de navarro-costa

Nota de introdução:
Este texto é unica e exclusivamente da responsabilidade de um amigo muito querido, Paulo Navarro Costa. Apreciem-no. Bem-vindo a este espaço!
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É muito longe e eu não posso levar este corpo… É pesado demais…”

Saint-Exupèry, in O principezinho.


“Je croyais que ça n’arrivait que aux très vieilles gens, d’avoir semé sur leur chemin tous leurs amis, tous”.

Saint-Exupèry, 1940.


- Hoje escrevo eu – digo ameaçando o écran branco-anémico que repousa provocantemente no topo da secretária. Não será como os outros dias, em que deixo a folha áspera do caderno guiar a caneta como lâmina de barbear em rosto mal dormido. Nesses dias, não sou eu que escrevo. É a folha. É a caneta. Ambas se servem dos meus dedos para rituais perversos, num jogo de domínio e submissão em que se usa e ousa.

Hoje não será assim. Defronte de mim tenho uma constelação de teclas que dedilharei como as costas de uma amante, pele macia, arrepio que começa com “pause” e termina com “enter”. As teclas afundam-se após uma suave pressão, sinto a resistência do écran que progressivamente se escurece com nuvens de verbo. Terei que atingir a quota de bytes suficiente para chegar ao precipício desta folha, precipício esse que estabeleci como meta para o meu esforço e para a vossa paciência.

Precipício e principezinho são palavras tão parecidas. O mesmo altivo “p” a iniciá-las, o “r” matreiro logo a seguir, aquele “cip” a meio, a língua já lúbrica com promessas que são desfeitas por um terminar abrupto, forçado pelo “c” ou “z”, onda violenta na rocha depois de canto de sereia. A Bárbara é assim. Quero dizer, a escrita da Bárbara é assim.

Ela leu o livro de um fôlego, impulsiva como é. Eu não. Intercalei-o com um livro sobre a guerra colonial e outro de poesia. Curiosa combinação, dirão alguns, mas todas as noites milhões de personagens morrem em livros. É caso de perguntar, quantos já matou, caro leitor?

Pelo que conheço dela, certamente que é Petite Princesse, mas como na elegante gravura que adorna a sua página, também é raposa sedutora. Pois é a mesma Bárbara que nos avisa, “É porque é, e assim fica sem mais explicações”, aquela que maliciosamente nos tenta com rendilhados linguísticos, bondage metafórico “É esse toque de magia que nos permite criar laços uns com os outros”. Nó cego, segue o texto para o precipício. Com distância de segurança.

28 fevereiro 2005

não-madalena

A Madalena é uma pessoa muito carismática, adjectivo ideal quando se quer caracterizar alguém que tem uma qualidade indescritível. É pura e simplesmente diferente... Mas não aos olhos de toda a gente. É preciso ser-se, também, especial para perceber a sua maior virtude. Aliás, eu prória nunca a compreendi muito bem. Às vezes parece uma criança... anda sempre no mundo da lua, como se costuma dizer. A verdade, é que ela passa muito pouco tempo na Terra. Ela está sempre a viajar para sítios onde a alma é a única bagagem que pode levar. O tempo não interessa, é apenas mais uma das muitas maneiras que utilizam para controlar as nossas viagens e por isso nunca tem relógio. São as suas vontades que iluminam vagarosamente o seu caminho e por isso nunca tem pressa.
Não sei porquê mas eu sempre adorei este nome: Madalena... Acho que é por me chamar Bárbara, o que traduzido à letra significa não-Helena... Ou seja, logo à nascença fiquei com a marca da contradição. Mal nasci, o selo de contrariar tudo e todos foi-me posto abruptamente sem sequer me perguntarem nada. Pergunto, onde está aqui o livre arbítrio?
Mas a Madalena é diferente, diferente no sentido de o ser por natureza. É-o de um modo extremamente delicado, súbtil até, e por isso passa despercebida pelo meio da multidão. Aliás, ela não saberia viver de uma maneira completa, se se soubesse capaz de chocar alguém.
É a voz que nunca se ouve, mas que está sempre presente, acompanhando, silenciosamente, todos os meus passos, tudo o que faço. Ela não é nada mais que a personifição daquilo que sou, no mais profundo sonho.
Madalena: Nome hebraico, a dos cabelos penteados. Pessoa discreta e observadora que prefere ouvir a falar. Está sempre analisando seus sentimentos e revela preocupação com a vida espiritual.
Preciso de alterar uma coisa... Bárbara traduzido à letra signfica não-Madalena.

uma ponta de imortalidade

O amor é imortalidade no sentido em modificamos, ou melhor, em que damos um bocadinho de nós aos outros... não tem de ser necessariamente apenas a uma pessoa. Mas é isso que sobrará de nós. Uma pessoa não existe sozinha, existe sim, através das experiências que tem com os outros. O amor é algo que permite marcar alguém que nos foi, é ou será importante. Quem é, não interessa. O que interessa é que esse bocadinho que foi levado faça alguma diferença...
Esta é talvez a música que retrata aquilo que tentei explicar a um amigo... Say goodbye
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So here we are tonight,
you and me together
The storm outside,
the fire is bright
And in your eyes I see
what's on my mind
You've got me wild
turned around inside
And then desire, see, is creeping
up heavy inside here
And know you feel the same way
I do now
Now let's make this an evening
Lovers for a night, lovers for tonight
Stay here with me, love, tonight
just for an evening
When we makeour passion pictures
You and me twist up
secret creatures
And we'll stay here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
to the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss
Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl, just tonight
Float away here with me
An evening just wait and see
But tomorrow go back to your man
I'm back to my world
And we're back to being friends
Wait and see me,
Tonight let's do this thing
All we are is wasting hours
until the sun comes up it's all ours
On our way here
Tomorrow go back to being friends
Go back to being friends
Tonight let's be lovers, say you will
And hear me call, soft-spoken whispering love
A thing or two I have to say here
Tonight let's go all the way then
Love I'll see you,
Just for this evening
Let's strip down, trip out at this
One evening starts with a kiss
Run away
And tomorrow
back to being friends
Lovers...love...lovers
Just for tonight, one night...love you
And tomorrow say goodbye

27 fevereiro 2005

um toque mágico

Em conversa, um amigo perguntou-me se eu já tinha lido "O principezinho", dado que a minha maneira de escrever tinha algumas semelhanças. Para ser sincera, tinha lido apenas algumas partes para um trabalho da faculdade, mas depois, a curiosidade levou-me a ler o livro completo. Pois bem... não parei! Bebi todas as palavras, com grande entusiasmo, tal qual como uma criança; que com grande orgulho faço por manter dentro de mim. O livro creio que todos já conhecem, mas penso que nunca é demais reafirmar que é um livro intemporal, para todas as idades. Aliás, se me é permitido acrescentar (claro que é... estou no meu blog) penso que seja um livro em especial para adultos. Não um adulto qualquer... Um adulto não iria dar o verdadeiro valor ao pequeno grande livro. O que se retira do livro é algo que ultrapassa as palavras.

Sempre fui da opinião de que as palavras limitam um pouco a existência humana. Basicamente, as palavras impedem que as pessoas atinjam outros domínios não abrangidos por elas. Pois é, o sentimento, uma amizade nunca poderá ser realmente traduzido em alguma coisa. É porque é, e assim fica sem mais explicações. E neste caso, Saint-Exupèry foi capaz de jogar como ninguém com situações, personagens, diálogos e palavras.

Gostei especialmente de dois pontos no livro- a relação do principezinho com a flor do seu planeta e o diálogo entre o principezinho e a raposa.
O primeiro porque retrata, de um modo geral, a capacidade que temos de lidar com as fragilidades dos outros. Normalmente as pessoas têm a tendência para apontar o dedo às outras, é muito fácil não acham? E não me venham dizer que não faz mal se forem críticas construtivas. Para mim é muito mais importante ter um amigo que saiba entender os meus erros, do que ter um que à primeira hipótese está a dizer o que posso/devo ou não fazer. É isso que trata a amizade, a capacidade de compreensão e de respeito entre as duas partes, mesmo que muito diferentes. É a capacidade de partilha apesar de todas as contrariedades da vida, é a amizade pela substância da pessoa e não propriamente pelos seus actos. Mas há que ser condescendente... a maioria das pessoas têm uma pala nos olhos, tal qual bestas de trabalho, que não lhes permite ver um pouco mais além. E com eles, principalmente com eles, é necessário um certo de nível de altruismo. Aliás, acho que única e exclusivamente com eles.

E isto vai dar invariavelmente à segunda coisa que mais me cativou no livro - a conversa entre a raposa e o menino dos cabelos dourados. Para que nos tornemos realmente importantes, e para que não sejamos todos iguais à vista de alguém, é imperativo cativar essa pessoa, criar laços com ela. O modo como se o faz nao interessa... se cada um o fizer à sua maneira, teremos definitivamente um lugar cativo no seu coração. O acto de cativar depende de cada um de nós. Cada um cativa com um aspecto diferente, se assim não fosse, continuavamos a ser todos iguais, não é? E é esse "toque" da nossa personalidade, com esse aspecto que nos tornamos diferentes e não indiferentes. É uma espécie de magia que paira em nosso torno que nos torna especiais. É esse toque de magia que nos permite criar laços uns com os outros. É isso que nos torna especiais para os outros e para nós próprios. E não se esqueçam: what is essencial is invisible to the eye.

26 fevereiro 2005

apagar

Escrevo, apago, escrevo, apago e é isto que sobra - nada...
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Não podia ser mais apropriado...
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" Escrevia uma página. Relia-a e cortava logo alguns parágrafos. Voltava a lê-la e tirava algumas frases. Depois ia às palavras. Reparava na inutilidade de muitas e extraía-as. O que se encontra após uma vírgula também pode desaparecer. Um ponto e vírgula geralmente indicia a ineficácia das frases que une, e eram retiradas. Continuava assim durante algum tempo. Se não fosse a sua mulher roubar-lhe a página, restaria uma palavra ou talvez nada.
Ele precisava tanto de escrever como de apagar o que escrevia"
in Pedro Paixão.
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Ele é como eu...

the little prince


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“- Good morning," said the fox.
-Good morning," the little prince responded politely…
…
-Come and play with me - proposed the little prince. - I am so unhappy.
- I cannot play with you - the fox said. - I am not tamed.
…
But, after some thought, he added: - What does that mean “tame” ?
…
-It is an act too often neglected - said the fox. - It means to “establish ties” .
…
- One only understands the things that one tames – said the Fox. - Men have no more time to understand anything. They buy things all ready made at the shops. But there is no shop anywhere where one can buy friendship, and so men have no friends any more…”

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What is essential is invisible to the eye.

25 fevereiro 2005

palavras soltas

"O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição." in Clarice Lispector

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"Livre de quê? Que importa a Zararustra! Mas o teu olhar deve dizer-me claramente: Livre para quê?" in Nietzsche
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"Importa que não haja ilusões sobre este ponto: é que todos podemos morrer de sede em pleno mar." in João Fernandes
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"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos,
se não fora a mágica presença das estrelas!" in Mário Quintana

...a fonte da minha inspiração literária

Normalmente, comento o que consegue sobreviver ao trânsito, à exaustão, às brigas, às buzinadelas na ponte e àquela rotunda do Centro-Sul que me transforma num animal igual a tantos outros que por ali circulam. Se a memória por vezes fraqueja é porque presencio a tanta bestialidade que quase petrifico. Petrificado, o meu estado actual, significa transformado em pedra, assombrado, estarrecido, que nao se desenvolve, que não evolui. Assombrada sim, mas evoluo, pelo menos mediante as minhas capacidades. Se bem que, e nisto devo ser sincera, as minhas capacidades não estão na sua performance óptima... pois não estão, não. Continuando na minha dissertação sobre whatever (ouvi dizer que esta palavra tem direitos de autor, mas sinceramente que se lixe o autor!) estava a dizer que mediante todos os actos de bestialidade com os quais nos deparamos actualmente, como ter tempo para reflectir sobre coisas mais importantes? Sim, já sei, tenho de aprender a ser superior. Mas eu respondo-vos do seguinte modo: Somos ser sensíveis certo? Somos seres que estamos abertos a todas as sensações vindas do exterior. É naturalmente tácito que uns tomam mais consciência dessas sensações que outros e que a isso se chama se percepção. Ora, se somos seres abertos às experiências exteriores é normal que mediante tanta bestialidade, as coisas realmente importantes passem um pouco despercebidas. Acontece exactamente o mesmo quando estamos perante algo verdadeiramente grotesco. Normalmente é mais fácil cativar a atenção de terceiros através do choque do que propriamente com algo verdadeiramente erudito, exemplo perfeito daquilo que vos retrato é aquele spot do shampô. E é assim que as coisas, que realmente interessam, acabam por desaparecer pelos meandros da memória. Aliás, o que é uma teoria perfeitamente plausível quando for acusada de memória fraca. Nessa altura que vou declinar a responsabilidade da minha falta de memória para os actos bestiais a que assisto todos os dias. O belo do português declina sempre as responsabilidades para terceiros. E é isso que vou fazer... Ando eu a ralar-me com politiquices e protocolos...
Hoje, o que sobreviveu a um dia muito atarefado foi mais um acto bestial, não no sentido de perfeitamente espantoso, mas sim de besta. Mais uma vez, a minha inteligência, a minha percepção das coisas realmente importantes foi atropelada por uma coisa realmente fantástica... que outro nome lhe chamar senão bestial.