07 outubro 2006

uma questão de escolhas

Um ou outro caminho. Ambos são válidos. O mesmo também se aplica a todos os restantes que nos aparecem pela frente. Mas eu só conheço dois. Um que espera, o outro que não me deixa descansar.

16 janeiro 2006

o meu pequeno príncipe

Assim foi a minha viagem a um lugar muito distante. Não fui ao outro lado do mundo, mas pode-se dizer que viajei para lá do imaginável. Não visitei museus, nem ruas, nem edifícios, nem nada. Não foi um avião que me levou até lá. Tão pouco uma bicicleta. Foi sim, um miúdo. Um miúdo chamado "O Meu Pequeno Príncipe".

01 dezembro 2005

assim como eu...

Dou comigo a rir-me do seu ar impertigado, de miúdo que tudo sabe. Às vezes mais vale deixá-lo no seu mundinho para não o irritar. Mas de repente, dá-me um ataque e tenho vontade de o tirar daquele pedestal e mandá-lo ao chão para que se parta em mil pedaços e se dê conta da sua mortalidade. É que ele acha-se Deus!
Um dia perguntei-lhe: "Miúdo, achas que com a tua fraca figura podes mesmo ser o dono do mundo?". E Ele responde-me: " Claro que não... não apenas deste. Olha para o céu. Vês as estrelas? Então quando acabares de as contar multiplica esse valor por 10. Aí terás o valor aproximado da minha propriedade. Sabes, é que não é apenas o sol que tem planetas... as outras estrelas também terão. E portanto tudo isto me pertence!".
"Ai sim?" - retorqui-lhe.
"Claro, tudo o que está ao meu alcance a mim se rende. São os meus olhos... E quando não querem e fazem-se de difíceis, eu faço-lhes ar de mau... assim... com as sobrancelhas, vês?!? E elas percebem logo que não há nada a fazer. Que não vale a pena contrariar-me. No fundo, elas sabem. Assim como tu..."

ideias à parte

A ideia. s. f., representação mental; representação abstracta e geral de um objecto ou relação; conceito; imagem; juízo; noção; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projecto; intenção; invenção; expediente; lembrança.
Mais, aquilo que está por detrás de uma grande coisa. Mas afinal se é ideia porque raio tem de passar para o realizável? Isto deve ser uma conspiração dos materialistas, e portanto por convénio determinou-se que a ideia terá sempre um dia de passar para outra coisa bem mais objectiva.
Mas porquê? Porque é que não pode ficar assim, subjectiva? Subjectividade essa que lhe confere um carácter tão voluvél, tão delicioso, tão mutável? É isso que lhe possibilita aperfeiçoar-se, sem limites, até ao fim, ou até que assim nos apeteça. Juro que não entendo. Porque razão as coisas têm de objectivas, perenes até, se nós homens não o somos? Talvez seja por isso. Uma ideia objectiva e acabada será uma impressão digital daquilo que um dia fomos.
A questão é que se nós avançamos, porque é que a ideia não?

aforismo I, mas não de Pascoaes

Às vezes quanto mais se avança, mais se anda para trás.

26 novembro 2005

pensamentos suburbanos

Dói e não é pouco. Dói como um objecto cortante que trespassa o coração. Ou seja, quase não se sente. E quando se sente, aí, é tarde demais. É aí que a dor chega. A sensação flamejante que não dá lugar a outra coisa. É o tempo de um suspiro. E no momento em que para nosso descanso pensamos ser este, o último, é hora de continuar. De continuar a caminhar ainda que não se saiba para onde.
E é este o verdadeiro momento para se dizer: "Vai-se andando.".

27 outubro 2005

a coisa que é coisa

A coisa. Coisa que se diz, coisa que se fala, coisa que se sente, ou não. De um lado para o outro sem nunca parar para pensar nessa coisa.
A coisa. Para uns a coisa evidente, a coisa que é coisa, para outros nem tanto.
Certo dia pensei: "E se as outras coisas não vêem a mesma coisa que eu?". E foi então que me lembrei que por mais que a coisa seja a mesma, os olhos das coisas que vêem a coisa nunca o são!

18 outubro 2005

palavras a metro

"Gostaria de ser capaz. Capaz de fazer e sentir aquilo que realmente faço. Mas não. Preciso de um cigarro.", disse. Pouca sorte a minha, já tinha um na mão. Foi então que pensei fumar dois ao mesmo tempo.
"A realidade é de facto uma coisa relativamente fácil de manipular. Ou não. A verdade é que partindo de nós próprios conseguimos alterar determinados momentos. Basta conhecermo-nos. E é essa a nossa derradeira imperfeição. Raramente nos tratamos por tu. Na maioria das vezes, o exterior é muito mais lógico que nós próprios, ou pelo menos, assim o pensamos.
Por isso é que gosto tanto de universos paralelos. Universos estes que me permitem explorar apenas uma fracção daquilo que sou, conseguindo desta maneira ter uma perspectiva muito mais objectiva de mim própria. De um passo para outro. E assim dou o salto de fracção para fracção." Não é difícil, basta convencermo-nos disso.

lisboa a 18 de outubro e hoje quase um ano depois

Um dia destes pediste-me uma coisa. Não uma coisa qualquer, aliás, tu nunca pedes algo facilmente realizável. Tu pedes sempre o impossível. Esse foi apenas mais um desses momentos.
Pensei então escrever-te uma história, mas isso é a tua vida. És um contador de histórias, de lugares longínquos, de pessoas diferentes e locais inóspitos.
Tentei levar-te para um lugar de ideias, de sonhos e de fracções de segundo. Fracções de segundo que por si só bastam. Foram as últimas
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o menino que queria ensinar os pássaros a voar

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Apareceu tão fugazmente quanto desapareceu sem deixar rasto.
Agradeço-lhe por não me ter acordado quando fechou a janela. Digo pela janela porque foi por ela que ele fugiu, mais uma vez. Chega-se de mansinho ao parapeito e parte, assim sem mais, sem barulho, nunca deixando para trás qualquer coisa que denuncie a sua presença. Eu nunca o vi verdadeiramente pois ele jamais se deixaria ver.
E assim nunca deixará de ser um sonho.
Certo dia, o menino assomou à minha janela. Fingi não o pressentir para que ele não ficasse desgostoso. Seria uma grande tragédia se o menino descobrisse que eu era capaz de reconhecer a sua presença. O menino precisa de pensar que é mais leve que uma pena e eu... eu faço-lhe a vontade.
Nada na vida é certo, o menino de cabelos encaracolados, muito menos.
De resto, eu já o sabia...
O menino vai e vem conforme o vento lunar. Eu não me importo, e é assim que gosto dele, com alma de pássaro. O pássaro menino que não prende, que não fica e que tudo pede.

23 setembro 2005

a lua clementina e o mar tela de pintor

lua clementina.jpg



A lua poderá ser uma clementina perdida no céu.
E mar cor de púrpura a tela de alguém que ainda não encontrou o caminho para casa.

As estrelas poderão não passar de inúmeros candeeiros que iluminam o Universo.

E as palavras que me escreves ainda não as li porque o vento, dissolvido, as perdeu.

Mas conta-me uma história e faz-me acreditar nela.

Prometo não questionar...

17 setembro 2005

limiar do perfeito

Um abismo. Um passo para a frente e outros tantos para trás. O medo, de avançar ou de ficar parada, é sempre o mesmo. É medo de errar, medo de morrer, medo de não viver. Seja o que for.
Podemos modificar, dividir, adaptar, diminuir, subtrair, reordenar, inverter, combinar, adicionar, multiplicar, reagrupar ou inverter até, mas não deixará nunca de ser o que é, de ter a essência da primeira coisa.
Pergunto, até que ponto é-nos permitido fazer algo fora dos limites da própria natureza, da base, do já perfeito?

16 setembro 2005

09 setembro 2005

subjectividades

Tudo acontece num determinado tempo e num determinado espaço. Quer dizer, talvez seja mais ou menos assim, afinal certezas, ninguém as tem. Até porque se pensarmos bem no assunto, o tempo e o espaço são variáveis altamente subjectivas.
Nada se repete. É único e diferente de todos os outros. É o aqui e agora que nunca mais volta atrás, ainda que por nossa vontade fosse repetido vezes sem conta, tal como o som resultante de um disco riscado.
Mas mesmo assim, nunca igual, nunca mais o verdadeiro.

16 julho 2005

não prendo, não fico e nada prometo

Um reflexo mudo no espelho. Uma imagem que por si só, de nada vale. Sou eu, ela e mais umas tantas outras. Todas diferentes e todas tão iguais. Se partilhamos a mesma matéria será por acaso.
Um passo seguido de outro. E se por vezes tudo parece incerto significa que estou a seguir o rumo correcto, disso tenho a certeza. Não somos adeptas do "continuísmo". Nunca fomos. Fecha-se uma porta e abre-se uma janela, isso é certo. Então porquê parar? Não prendo, não fico e nada prometo.
Tudo não passará de uma simples regra matemática: duas rectas paralelas apenas se cruzam no infini
to...

29 junho 2005

ana . logia

Se eu te fugir não corras atrás de mim.
Se te escorrer das mãos como areia ao vento, deixa-te ficar.
Nao tentes agarrar-me porque será em vão.

Aí será tarde demais.
Não gosto de olhar para trás.
A fracção de segundo deverá bastar-se a ela própria.
Será ela que me prende ao momento, como quem espera por uma única gota no deserto. É o instante em que a gota cai que vale por tudo.
Deixa-me correr.
Para onde, não interessa... é irrelevante e talvez o mais importante.
Não me dês terreno batido. Dá-me antes um caminho que nunca antes tenha sido pisado.
Deixa que o vento me guie até que tenha forças...
Serei feliz por ter percorrido o caminho sozinha. Assim terá de ser.
Deixa-me saber que consegui ser mais que eu própria.
Deixa-me saber que um dia me transcendi, que um dia me superei.
Deixa-me saber que um dia me substituí, por outra coisa que não eu.
Um dia hei-de parar... talvez no dia em que morrer.

27 junho 2005

o fabulouso mundo de Amélie e de todas nós

Não há palavras para descrever algo tão peculiar. Como cenário temos Lisboa e o Rio Tejo pintados em tons rosa. Num fim de tarde recriamos toda uma parafernália de personagens, falas e actos completos.
Nada nos pára. O mundo, ainda que apenas naquele instante, é nosso. Despimo-nos de preconceitos, de máscaras e somos nós.
Entre um café, um Martini, duas imperiais e alguns cigarros, rimo-nos, muitas vezes das nossas próprias desgraças e das nossas parvoíces. Abrimos a nossa alma. Sem medos, sem cerimónias. Assim somos nós. O eterno mundo feminino.
Pagamos a conta. Separamo-nos com beijos e sem que nos demos conta disso voltamos a vestir a "gabardine". Cada uma de nós volta ao ponto em que ficou nos inúmeros papéis que compõem a nossa vida...

21 junho 2005

subterfúgios

Acordei e estava muda. Não sei o que se passou. Foi assim, sem mais. O mundo que outrora fora meu, já não é mais.
As palavras são excelentes subterfúgios para substituir a nossa própria realidade, a nossa própria existência. Como diz Pedro Paixão,

"Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. É sempre a vida, é claro, mas com a distância limpíssima das palavras. E tudo sofre de uma insuficiência que a arte tenta reparar e falha..."
Refugiei-me nelas, nos seus múltiplos sentidos, na sua dualidade inerente a alguma coisa que é composta por outras peças várias. Assim somos todos nós... uma multiplicidade de peças que pouco a pouco se encaixam umas nas outras. Ainda que não saibamos muito bem como.
As palavras são uma tentativa de encaixar tudo o que nos rodeia, uma manisfestação daquilo que vivemos. Fazem parte do nosso reflexo, o seu sentido varia conforme a pessoa que as profere. Assim como o silêncio... A ausência das palavras que mostra de forma irredutível que por vezes as palavras não chegam... aliás, quase nunca são suficientes. A concretização suprema é e sempre será o acto...

14 junho 2005

palavras já escritas...

Se alguém ainda não o tivesse escrito, provavelmente teria sido eu a fazê-lo... Está simplesmente "Quase Perfeito".
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Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

08 junho 2005

promete-me

No dia em que tu quiseres tomar conta de mim, eu vou dizer que sim.
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Promete-me apenas que me irás cantar ao ouvido baixinho e que me afagarás o cabelo até que eu adormeça.
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Promete-te também, que gostarás de mim... não precisa de ser muito, apenas um bocadinho.
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Promete-me que terás paciência para as minhas inúmeras perspectivas.
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Vais descobrir em mim alguns defeitos e uma multiplicidade de indecisões. Mas se assim for, devo advertir-te que não é por maldade... A ânsia de querer este mundo e outro faz com que nunca esteja satisfeita, que queira sempre mais.
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Promete-me que teremos longas conversas pela noite dentro até que o sol nasça de novo e que quando acordar ter-te-ei a meu lado.
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Terás de ser mais rápido que eu, para que eu possa continuar a correr.
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E de vez em quando terás de me contar uma história...
Prefiro não conhecer a verdadeira cor da realidade, por isso terás de pintá-la para mim!
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E mais importante que tudo isto, promete-te que me encantarás!
Encantada devolver-te-ei um sorriso...