27 setembro 2008

um dia destes

Um dia destes, vou-lhes contar a nossa história. Porque serão anos que com toda a certeza não poderemos apagar e porque teremos outros tantos pela frente. O mais importante não são os marcos, são sim, as razões pelos quais ficam registados. No nosso caso, a razão é simples: temos um objectivo comum. Queremos construir algo que julgamos fazer a diferença. Queremos ser nós, com uma certa tendência para traçar o nosso próprio destino. Partilhamos as mesmas crenças. Partilhamos a vontade e a determinação. Partilhamos algo que os outros não vêem e que nós mal compreendemos. Apesar de tudo isto, sabemos que estamos a fazer o que é certo. E o certo é acreditar.

eternal sunshine of the spotless mind

Se soubesses que às vezes penso no assunto provavelmente rir-te-ias do tremendo absurdo. Tu e eu, e mesmo assim não deixo de o fazer. Por qualquer razão lembro-me dos pormenores ridículos que fizeram e continuam a fazer toda a diferença. Passam-me principalmente pela cabeça as perguntas mais parvas, como por exemplo, se me deixas chegar perto quando for necessário ou se sabes que estarei lá assim que chamares por mim. Ainda que as nossas vidas sejam rectas paralelas e que por isso apenas se cruzarão num infinito longínquo demais, será que sabes que caminhamos lado a lado? Que temos exactamente o mesmo comprimento de onda? Sabes?
Num dia de verão sobre uma falésia qualquer fiz aquilo que a idade não permitia compreender. Hoje sei que na altura fiz os meus votos sobre um mar de prata sem ter noção da sua importância. Mas fi-los contigo.
Para tua informação, tenciono não esquecê-los e acima de tudo pretendo cumpri-los.

18 agosto 2008

round #1

Gosto quando olhas para mim com aquele ar de safado que só tu sabes fazer. Evidentemente que ambos sabemos como irredutivelmente acaba o enredo, mas mesmo assim não deixa de ser um delicioso jogo do toca-e-foge. Para variar, como tudo não passa de um equilíbrio ténue entre o bom e o péssimo, nunca nos entregamos verdadeiramente e tão pouco falamos nisso. É por isso que sou a favor do superficialismo. Porque não magoa mas afaga-nos a alma.

16 agosto 2008

things behind the sun

Há dias em que depressa é noite, e a nossa vida escorre-nos entre os dedos, o que eu considero uma verdadeira perda de tempo. Já noutros, a espera por um novo amanhecer é penosa e faz mal.
Pergunto-me se ainda pensas em mim. Pergunto-me se fui apenas eu, a única alma a ficar agarrada a um tempo que a distância já se encarregou de distorcer. Se assim for, só posso agradecer porque caso contrário seria a minha desgraça. Talvez nunca o tenhas entendido, mas o seu significado será sempre maior do que a intenção de o apagar.
Hoje é um daqueles dias em que me sento no tapete e vejo a vida a escorrer-me entre os dedos. Logo hoje que preferia mil vezes que o dia depressa se tornasse noite.

14 agosto 2008

recomeço

Posso dizer com toda a certeza que tinha saudades disto. Há muito que pensava ter-me esquecido como era. De como me fazia sentir borboletas e como do outro lado do mundo gerava uma tempestade que todos os anos bate recordes. Afinal, fazê-lo porque sim até sabe bem. Ninguém está à espera de um final surpreendente, mas todos procuramos no entanto o mesmo. Não existe certamente ninguém que não queira um dia perder a cabeça e que muitos pensam mais no assunto do que gostariam, mas são os mais corajosos que a perdem mais vezes. "Às vezes gostava de ser eu a corajosa só para variar..." - disse-me. Se calhar eu também.

18 julho 2008

versões de mundos

Porque não se trata do meu próprio movimento hedonista.
Porque nós sem os outros não somos nada.
Porque interessante é viver noutro papel que não o nosso.
Porque nos enriquece.
Porque sabe bem.
Porque permite-nos chegar um pouco mais à frente.
Porque é um exercício de lógica.
É apenas uma receita de outras versões, de outras verdades, de outros mundos que não o nosso.
Ou talvez não. Talvez seja este o nosso próprio mundo: o mundo que é dos outros.

Message in a bottle

Raramente te sinto quando passas a caminho da casa do lado. Mas às vezes, o óbvio leva irredutivelmente à certeza. Ontem foi um dia desses. Gostaria de te conhecido antes. Gostaria de ter tido tempo de aprender aquilo que tinhas para ensinar. Talvez tenhamos uma outra vida inteira para o fazer. Até já.

09 julho 2008

os homens da minha vida

Até à data contam-se por uma mão aqueles que entraram e mudaram a minha vida. Apesar de não mo ser permitido, nunca gostei de abdicar de nenhum deles. Porque todos são diferentes, porque todos enriqueceram a minha vida de alguma forma e transformaram-na a partir daí.

Ainda que não lhes diga, tenho saudades e sinto-me em dívida. Talvez por essa razão, mantenha uma relação pouco usual com todos eles. Um misto de amizade e sensação de perda, porque tudo tem um espaço temporal muito limitado, facto com o qual ainda não lido muito bem.

Eles que, mal ou bem, sempre me aceitaram: sem máscaras, sem subterfúgios, sem protocolos desnecessários entre duas pessoas que apenas estão juntas porque querem. Sempre vivemos um misto de tempestade e de bonança que invariavelmente leva a episódios que deveriam ficar registados. São estes episódios que me fazem ter um sorriso rasgado, e ainda que uns bons e outros maus, todos eles deixam uma melancolia muito própria.

Tenho um problema em abrir mão das coisas, isso é certo e sabido.

Hoje é um desses dias, o dia das memórias dos “homens da minha vida”.

30 junho 2008

engana-me que eu gosto

"Com esta minha mania, um dia deito tudo a perder" - digo a mim própria na esperança que surta algum efeito. Mas não. Não agora, e provavelmente nunca venha a ter essa sorte, ou azar... Não sei. A única certeza é que tenho um espaço. Sim, um espaço, porque dizer que tenho um buraco no estômago é demasiado dramático e remete para imagens pouco apelativas, como por exemplo, para uma úlcera e não é esse o objectivo. Não se pode perder o chá que a minha avó me obrigou a beber durante anos, para chegar a este ponto. Portanto, falta qualquer coisa... Céus, a Florbela Espanca é que o sabia bem. Tento convencer-me a todo custo que isto deve ser da idade. Sim, porque estar a caminho dos trinta é uma grande responsabilidade. Por esta altura devemos estar lançadas profissionalmente, elevadas habilitações literárias, ser esposas e mães de alguém. Ah, como podia esquecer, manter uma inebrinate frescura. Eis uma coisa importante. Se calhar não tenho um espaço... talvez tenha é mesmo falta dele.

02 maio 2008

juntos

Mais do que uma vontade, sempre foi a certeza. Mais do que uma impressão, sempre foi a força que nos uniu.
Queiramos ou não, a nossa vida cruzou-se mais vezes que o suposto. E pergunto-me porquê, já que é difícil a convivência, um duelo de titãs que cansa, que corrói e que mais tarde ou mais cedo há-de matar. Lembro-me perfeitamente do coração que batia mais do que devia, da falta de palavras no momento errado e a vontade que tinha de te agarrar. E depois pensava “ainda não pode ser, espero mais um pouco”. Estavas no sofá e a expressão da tua cara perguntava-me se tinhas de esperar muito mais. Na verdade, tiveste. Mais do que querias e menos que eu previa. Hoje tento olhar para trás e não te reconheço desses tempos. O que nos marca agora é o presente e definitivamente o futuro. Aquele que teremos pela frente. Juntos.

03 março 2008

o aperto no estômago

Às vezes vem de mansinho, assim como só tu sabes fazer. Sopra de leve no ombro e mostra de forma muito subtil que ainda não foi desta vez que foste embora. Outras, poder-se-á dizer que me leva ao chão.

22 janeiro 2008

a ironia do delete

Assim foi. Uma fracção de segundo. Um erro. Um delete que não deveria ter sido executado. Porque sabia bem. Porque fazia-me recordar o que não queria esquecer.

A ironia do destino é lixada.

07 janeiro 2008

5 minutos

5 minutos é o tempo necessário para deitar a perder um beijo que era nosso. O tempo de ver o sol a esconder-se atrás do mar. O tempo para escrever um aforismo que jamais esqueceremos. É no entanto aquela fracção de segundo que faz toda a diferença. Um rasgo de genialidade em que o tempo não é mensurável. Portanto, e posto isto, que diferença fará 5 minutos a mais ou a menos? A resposta é simples, e apenas neste contexto se coloca: 5 minutos é tão só e tão pouco, o tempo de um desencontro. Nada mais.

um raminho de salsa

A história repete-se infinitamente mais vezes do que aquelas que podemos presenciar para as depois contar. Porque faz parte da história da humanidade. Porque quer queiramos, quer não, tudo isto é bastante superior a nós, homens e mulheres que procuram incessantemente a sua outra parte. Também isto faz parte. E o mal não está no facto de não sabermos por onde ela anda até a encontrarmos, está sim no facto dessa parte andar por aí partida, ao sabor do vento. E enquanto a nossa inocência não nos é desfolhada, por vilões mil, a ideia de que a nossa outra parte é una permanece imaculada. A perdição, a verdadeira era da rendição, chega quando um dia nos apercebemos que de facto a nossa outra parte anda por aí, mas totalmente estraçalhada. E é neste momento que um de nós perde o norte. A caminhada perde sentido e optamos na maioria das vezes por ficar à beira-rio a ver passar navios. Apesar de estarmos absolutamente convictos que é neste ponto que perdemos o rumo, a esperança de encontrar ali a parte milésima da nossa outra parte nunca morre.
Porque conforta. Porque não temos força para mais. Porque é a nossa última tentativa. Porque sabe bem.

28 dezembro 2007

you grabbed my hand

... and we fell into it like a daydream or a fever.



Lembras-te dos nossos segredos inconfessáveis? Eu às vezes sim. Dou-me conta que deixo fugir um sorriso quando acontece. Não sei a razão, sei apenas que o faço, e definitavamente, mais vezes do que gostaria. Não falo do assunto com ninguém. Passaste a ser um mito urbano até porque provavelmente ninguém iria entender... nem mesmo tu, pois não?

24 dezembro 2007

e tudo um ano levou...

Ri e chorei mais vezes do que previ.
Perdi, reencontrei e conquistei estrelas que jamais esquecerei.

O ombro, as parvoíces, a mão, o abraço e o afago na altura mais que certa. Foi isto que ficou e que marcou definitivamente 2007.

10 outubro 2007

everything you want to give me

Se nem sempre sabemos qual o caminho certo, saberemos certamente identificar aquele que nos é nocivo. Mas ainda assim, muitas vezes, vezes demais, é esse que seguimos e para o qual corremos com quantas forças temos. Porque tem de ser. Porque existe sempre alguma coisa que nos empurra para lá. Tu és o meu caminho. Aquele para o qual sou empurrada, quer queira, quer não. Sabes que tento a todo custo fugir disso. Porque já lhe conheço o gosto amargo. Porque não passa de ácido úrico em cima de mármore, que não mata mas corrói.
Vou continuar a perguntar-me várias, demasiadas vezes, se não existe um antídoto para tudo isto. Mas calculo já saber a resposta: boa sorte.

05 outubro 2007

dear prince charming,

The only thing i can have of you is a weak description from my dearest mother. After all i never saw you. I am starting to think that you are not more than a urban legend. Here it is saying that: "He is who comes to the rescue of the damsel in distres, and typically must engage in a quest to liberate her from an evil spell."

So... i am wondering: WHERE THE F*** ARE YOU?

02 outubro 2007

hoje não

Nem hoje, nem nunca mais.
Estava decidida a não dizer mais nada. Aliás, estava decidida a não dizer nada de todo. Mas vou dizê-lo, em inglês porque é esta a única forma verbal que de facto expressa a coisa nas condições que eu considero mínimas e perceptíveis: "i´m finished here." Nenhum me chega. Nada é suficiente! Movam mundos e fundos não vale de facto a pena. Mas está visto que não fui suficiente clara para esses escassos neurónios, portanto vou tentar mais uma vez. Eu quero ter aquilo que um dia a minha mãe e o meu pai me prometeram. Eu não quero perder tempo com rectas e universos paralelos. Eu quero um que se cruze com o meu.
Tenho dito.

09 setembro 2007

what else?

A sabedoria popular é algo que me fascina. Quer queiramos, quer não, foge-nos da boca sem qualquer filtro e talvez por isso é sempre a mais genuína, aquela que devemos ter sempre em conta, porque é de facto a nossa melhor conselheira.
Deixei-me de merdas. Estendo as cuecas do lado da janela para que não sejam objecto de curiosidade por parte da vizinhança. Não visto a pele de lobo mau e trabalho que me farto. É esta a minha vida. Sou a filha, a irmã e a amiga afável e atenciosa. Ainda não aprendi a fazer café, mas fartei-me de esperar por alguém que me ensinasse. Basicamente, cansei-me de esperar pela história a que todos deveríamos ter por direito. A um sábado à noite estou na minha sala em excelente companhia. Sou eu, a cadela e a gata.
O que falta? Só mesmo o café. E por isso mesmo comprei uma nespresso.
"What else?"