30 julho 2007
queixume
E apesar de eu querer a todo custo renunciar a falta que fazes, o esforço nunca é suficiente. Literalmente, nunca chega. Convenço os outros da ausência que não sinto, dos actos helénicos de que sou capaz. Mas também isto não me sobeja.
Fazes-me falta. Espero e desespero porque não sei quem és.
Porque te procuro e não te encontro.
Porque quero a todo custo acreditar que existes,
Ainda que noutro ponto distante do meu.
Serás tu quem:
Rir-se-á das minhas tolices com cumplicidade.
Adormecerá no meu sofá nas tardes de chuva.
Partilhará as minhas longas leituras para a tese.
E me ensinará a fazer café.
Será esta a minha outra pessoa?
recado na bancada da cozinha
Gosto de te ver dormir.
Durante todo o tempo que o fazes, tens um sorriso maroto na cara. E quando acordas, espreguiças-te como um gato. E também tu ronronas, baixinho, e enlaças-te em mim. É bom. És doce. Não me canso de olhar para ti, e por isso mesmo, fico sempre com a impressão que te observo em excesso. És uma criança crescida, que não tem lugar em lado algum. Tento a todo custo minimizar isso. É por isso que te sou tão aprazível. No fundo sei que não passam de gestos inglórios porque na verdade eu não faço a diferença. A vida não te é mais fecunda com a minha permanência nela. É irrelevante. E é desgastante para mim sabê-lo.
Não passo de um sofá confortável em que te aninhas quando precisas. Às vezes dou-me conta que existem alguns momentos, particularidades relevantes. Infelizmente, apenas naquela fracção de segundo. E isso não chega. Queremos à força arranjar um motivo para acordarmos juntos que não seja a vontade de não querermos dormir sozinhos. Por enquanto ainda não o encontrámos. Esta mentira conveniente dá cabo de mim. Mas ambos queremos vivê-la à força.
12 julho 2007
hoje não
11 julho 2007
ref.17061980
monólogo de marte
És um ser perfeitamente desconcertante, sabes isso não sabes? Roubas a alma, levas a essência sem permissão e depois gritas o habitual preciso-de-espaço... O que é desesperante. Aliás tu és desesperante. Capaz do melhor e do pior. Tão depressa dás, como no instante seguinte tiras o chão que pisamos.
"Não prendes, não ficas e nada prometes"... assim gostas tu de dizer baixinho. Mas é mentira. Tu prendes. E cansas. E não dás lugar a outra coisa senão à renúncia. No entanto, à lupa, és tu quem tem medo. Medo de te deixares levar e entregar. Medo de te perderes por alguém que não por ti. Mas um dia vai acontecer. E aí sim, tu vais entender que por mais caminhos percorras, que por mais depressa que corras não escaparás. E quando isso acontecer será a tua derradeira era da rendição.
07 julho 2007
há mais uma estrela no céu
Reparaste como brilha? Como ofusca todas as outras?
06 julho 2007
o que o silêncio não diz por ela
04 julho 2007
um adeus
03 julho 2007
a história da minha vida...
26 junho 2007
monólogo a dois
25 junho 2007
winning a battle and losing the war...
17 junho 2007
um dia diferente
11 junho 2007
o síndrome de uma miúda igual a outras tantas
06 junho 2007
recado no frigorífico
05 junho 2007
isto não é uma história é o estado de cagufa
04 junho 2007
o poder limitativo das palavras
É este o maravilhoso mundo feminino. Choramos. Muito. Mais do que seria necessário. Mais que não seja porque de pouco serve. Mas não. Nós insistimos.
Lava-nos a alma. É por isso. É assim que carpimos a nossa raiva, o nosso desgosto e também a nossa alegria. Acho verdadeiramente deliciosa a forma leviana como uma mulher o consegue fazer.
Quando paramos, damos por nós a rir que nem perdidas porque de facto somos seres perfeitamente desconcertantes. E sabe tão bem sermos assim...
30 maio 2007
little things
29 maio 2007
in a manner of speaking

28 maio 2007
lullaby
O que eu quero mesmo é ter certezas e essas ninguém mas pode dar... Talvez sejas tu capaz de o fazer um dia destes. Agora apenas quero pedir-te desculpa. Por ter fugido. Por sempre ter sabido e nunca aceitado.
Tenho medo. De te deixar. De te magoar. De te prender. Até mesmo de te fazer feliz. Porque acho sempre que mereces qualquer coisa melhor que não eu. De te fazer de meu porto de abrigo sem ser capaz de te dar algo em troca.
Mas sabe tão bem.
Não digas nada. Segura-me e não me deixes cair nunca. E deixa que eu faça o mesmo. Não porque o queremos, mas porque assim tem de ser.
Estamos juntos nisto quer queiramos quer não. É doença comum que não se trata. Que não nos deixa respirar, estejamos próximos ou afastados.
deixa contar-te como foi...
Antes de mais, quero agradecer-lhe:
Por me deixar encostar a minha cabeça no seu ombro todas as noites.
Por me aconchegar enquanto dormia.
Por me deixar proteger-lo enquanto o fazia.
Por querer fazer de mim a miúda mais feliz do mundo.
Por me levar a lugares longínquos.
Por me dar aquilo que considerava ser amor.
Por quer fazer-me acreditar que as histórias de amor ainda acontecem, ainda que ele nunca tivesse acreditado nelas.
Ambos resolvemos lutar contra todas as probabilidades e tentámos. Tentámos partilhar. Tentámos ser felizes. Tentámos acima de tudo amar da mesma forma.
Uns morrem por amor em excesso. Nós morremos porque o amor de um era o anti-cristo do amor do outro. Foi por isso.
Não vou apagar da memória o seu carinho, os beijos e o amor à sua maneira.
A questão é que o “menino dos cabelos encaracolados” não chegou.
Nada chegou. Nada foi suficiente para dizer agora que um dia fui feliz.
Não ficou nada. Não restam sorrisos de saudade doce. Resta apenas um lapso de tempo que não consigo reconstituir. É por isso que escrevo. Para te contar como foi. Para que também eu não me esqueça.
Lamento por ele.
Por não me ter deixado fazer mais.
Por não me ter amado como devia.
A verdade é que não o soube fazer.
Saiu pela janela de mansinho, só como o menino com alma de pássaro sabe fazer. Um menino que um dia julguei meu.