27 agosto 2007

não é justo

Voltaste a bater-me à porta. Insistentemente. Como sou mais teimosa que tu, finjo não ouvir e aumento o volume das colunas. "Porra, devia ter comprado umas colunas melhores, esta merda não chega." - digo. Na realidade são poucas as coisas te chegam aos calcanhares. No pior e no melhor. E portanto há pouco a ser feito. Continuas a insistir e eu não tenho outra opção. De qualquer forma, também tenho umas palavras a proferir. Eu joguei com as cartas que me deste, mas chegou a hora de pôr o jogo em cima da mesa. Fartei-me dos teus golpes baixos. Porque não são justos. Porque deixaste-me sem reacção. Porque, ainda que à custa deles, tu não deixaste de ser o grande vencedor. Afinal o que queres mais? Dei-me por vencida e icei, naquele preciso momento, a bandeirola branca.
Podes entrar mas não faças barulho e não me faças mais perguntas. Estou demasiado cansada. A sério que não quero mais. Não aguentaria uma nova cartada.

23 agosto 2007

uma manhã à hitchcock

Acordo de uma noite aconchegada por um miudo muito doce, perfeito para quem sofre de hipoglicemia. Pensando no quão bem me parece o dia que se avizinha dirijo-me ao quarto-de-banho acompanhando a sessão musical do vizinho. Inclino-me para procurar a minha escova de dentes e nessa altura ecoa em alfama um grito impróprio para cardíacos. Algo maléfico e assustador está a ocupar o espaço entre a minha mão e a escova de dentes. Assim que me recompus, pensei: "Calma porque só pode ser imaginação tua. Aquela coisa amarela, não é aquilo que pensas. Aliás, nem lá está. É fruto da tua imaginação." Enchi-me de coragem e espreitei novamente, confiante de que estava a ter alucinações. Sim, porque a esta altura tudo me parecia melhor à realidade. A minha mão tenta passar por ela, ignorando-a a todo custo mas por lapso, ou ironia do destino, no momento em que estava praticamente a chegar ao meu objectivo, toco-lhe de leve e alfama estremece de novo. "Pronto. Confirma-se. Ela existe. O que é que faço agora? Mais, como é que isto veio cá parar?" Na esperança de ouvir uma resposta ainda perguntei em alto e bom som se num momento de pura insanidade tinha dado autorização para aquilo estar ali. A resposta tardou e nunca chegou. Mas aquilo não podia ficar ali, impune. Alguém tinha de pagar pela intrusão.

Estava a pensar em deitá-la ao rio, num saco preto para que ninguém descobrisse o meu crime macabro. Mas olhando bem e com atenção, ela parecia-me tão indefesa. Afinal não passava de uma coisa desgastada pelo tempo que não tinha lugar em lado algum.

"Ok. Pronto. Está combinado. Ficas na gaveta. Na tua gaveta, que espero sinceramente não ser ocupada por outras coisas despropositadas como tu. Será um segredo só nosso... É que uma sabe a pouco e duas são demais."

22 agosto 2007

"so please take the chance, be reckless with me ..."

Candyman,
Escrevo-te porque voltei a fazê-lo... Eu sei que te magoa, que te incomoda e não contribui em nada para justificar o meu "mais-do-mesmo". E eu sei que tu, a todo o custo, queres acreditar que este é apenas mais um dos meus exageros. Mas não é. E se to digo é porque também eu gostaria que tudo fosse um pouco diferente. Mas, mais uma vez, não é nem vai ser, porque de facto não trazemos nada de bom.
O que nos separa, desconheço, mas a sensação de desconforto que acompanha o nosso silêncio é suficiente para saber que também tu o reconheces.

Queria poder dizer que gosto de ti, que me perdi e me encontrei. Não o posso fazer porque tu não deixas e não me permites qualquer passo em falso.
Mas a culpa é minha, não é? Fui eu quem sempre afastei a hipótese de criarmos expectativas, de nos envolvermos, de escrevermos a dois um guião melodramático onde no final a protagonista é beijada pelo galã. Fui eu quem desta vez estragou a história glicodoce. Deve ser esta a sensação de um guionista que mata as suas personagens por orgulho e que se arrepende na fatídica noite da ante-estreia. A crítica adora e aplaude de pé, mas o sabor que fica a quem lhes dá o golpe de misericórdia é sempre azedo.

Mas se eu te disser que estou arrependida podemos cortar alguns "takes"?

12 agosto 2007

vida de cão

Acordo e olho para ela. Espreguiça-se a jeito de Francesca e diz-me um "bom dia, amor" meloso. Corre para o chuveiro porque para variar está atrasada e enquanto lá está tenho a cama só para mim. Estico-me, rebolo-me e esfrego-me nos seus lençois. Ela não gosta muito, mas o "dadinha feia, não faças isso!" não é para ser levado muito a sério.
Sai do banho e veste-se à pressa. O ritual de todos os dias. Eu fico a vê-la, agora da minha cama. É simpática. Caótica, mas amorosa. Está sempre a queixar-se do tempo que não tem. E à conta disso, já passaram por aqui algumas pessoas que nunca ficaram muito tempo. Eu não me importo porque assim tenho-a só para mim. Mas ela às vezes chora. Muito. Felizmente, tão depressa começa como acaba, o que significa hora do passeio. O nosso tempo. Aquele que é só nosso. Onde não há mais ninguém. Nem a Francesca.
Essa é outra. Apareceu há dois anos. Pensei que não sobrevivesse porque era muito pequenina. Mas não. Não só cresceu para contar a sua miserável história, como ainda tem saúde para andar atrás de mim com as garras de fora. É chata e não gosto muito dela. Tem a mania de me roubar os croquetes para brincar com eles. Será que a parva não percebe que é de mau tom brincar com a comida, principalmente quando essa comida é a dos outros? A minha pessoa já está pronta. Dá uma festa à Francesca e outra a mim complementada com um beijo no focinho. Depois pega nas coisas dela e dirige-se para a porta com as chaves na mão.
Volta-se para trás antes de sair e diz: "Volto já. Não demoro muito. Gosto muito de vocês."

08 agosto 2007

o fatíco mais do mesmo

A expressão a utilizar é "não posso com um gato pelo rabo"... mas causa-me calafrios. A imagem mental que se cria não é das mais estéticas. Por isso uso outra. Não tão verdadeira. Nem tão crua. Com um sem número de corantes e conservantes. Porque prezo a vista com óculos de sol que filtram o que me é nocivo aos olhos. Porque adoro o que é fugaz e ainda mais as perspectivas vistas à lupa. Faço das últimas a minha vida. Perspectivas sem contexto, distorcidas e desencontradas, como nós. Não me pergunto como ou porquê, porque invariavelmente não o sei. Mas sei que dependo das fracções de segundo para as viver. Uma palavra, um gesto, um som num determinado momento fazem estremecer toda uma plateia, então porque não a nós?

07 agosto 2007

les choses d´or

O que mais gosto: o encaixe perfeito. O que menos gosto: o facto desse pormenor nos levar irredutivelmente ao engano. Não é justo, mas sabe bem. No momento em que as palavras não fazem outra coisa senão limitar-nos, vale o silêncio que as espaça. Ainda assim, não suficiente porque nunca nada o é. Poucas são as coisas que fazem a diferença. E também isto não é justo. Todos nós deveríamos ter direito a elas de vez em quando.
As minhas preferidas: o encosto num ombro, um beijo com um suspiro pelo meio, uma mão que se aperta no momento certo e uma palavra que se diz no mais absoluto silêncio.

05 agosto 2007

até já

Se tudo não não fosse mais do que aquilo que tenho à minha frente, a minha vida estaria reduzida a dez caixas de cartão. "Aquela sou eu empacotada", digo. Mas daquele monte de caixas desiguais, retiradas de um contentor porque ainda não tinha chegado a hora delas, apenas escolho duas peças que guardo por razões que ultrapassam a utilidade... A minha preferida: um copo que me foi oferecido há já demasiado tempo. Um copo que nunca foi utilizado porque primeiro nunca teve par, porque depois se tornou parte da decoração e finalmente porque se tornou demasiado valioso para correr o risco de se partir nas mãos de quem não lhe conhecia a história. O valor não está de facto no objecto, está sim nas vezes que o quis partir por raiva à pessoa que mo ofereceu, nas vezes em que o segurei com saudade e que hoje faz parte de mim. Foste tu quem bebeu o meu café vezes sem conta, foste tu quem sobreviveu às minhas trevas e que ainda hoje atende o telefone, com uma paciência de santo, e que produz o som típico de quem já me conhece há demasiado. O tempo passou-nos por cima sem que nos déssemos conta e ainda assim tu continuas comigo de uma forma que provavelmente só nós dois entendemos.
Hoje encontrei-te e segui porque é suposto assim ser. Mas no momento em que o telefone toca, a conversa flui sem a noção do tempo ou do espaço que nos separou. Como se de um mero recado esquecido se tratasse. A despedida? Com um breve até já porque de facto é-o sempre.

01 agosto 2007

solilóquio

Estou perdida. A história é sempre a mesma. O final já o sei de cor. Ainda assim, não sei o que é o certo ou o errado. Ou melhor sei. Mas não desisto do que é feio, mau ou falso. Não páro de correr. Desta vez em direcção a ti, não no sentido oposto como é habitual. Acho que definitivamente tenho um problema. Daqueles graves. Daqueles que permitem ter uma lúcidez aterradora, e que ainda assim não evita este terrível momento. O momento do solilóquio:
"Não é a ideia mais brilhante que tiveste. Sabes disso não sabes? Respira fundo e acaba com isto de uma vez. Nem tens de te esforçar muito. É tudo uma questão de não piorar o que já foi feito. É uma questão de estares sossegada. Não o alimentes e deixa-o morrer."

30 julho 2007

queixume

Falta qualquer coisa.
E apesar de eu querer a todo custo renunciar a falta que fazes, o esforço nunca é suficiente. Literalmente, nunca chega. Convenço os outros da ausência que não sinto, dos actos helénicos de que sou capaz. Mas também isto não me sobeja.
Fazes-me falta. Espero e desespero porque não sei quem és.
Porque te procuro e não te encontro.
Porque quero a todo custo acreditar que existes,

Ainda que noutro ponto distante do meu.
Serás tu quem:

Rir-se-á das minhas tolices com cumplicidade.
Adormecerá no meu sofá nas tardes de chuva.

Partilhará as minhas longas leituras para a tese.
E me ensinará a fazer café.

Será esta a minha outra pessoa?

recado na bancada da cozinha

Gosto de te ver dormir.

Durante todo o tempo que o fazes, tens um sorriso maroto na cara. E quando acordas, espreguiças-te como um gato. E também tu ronronas, baixinho, e enlaças-te em mim. É bom. És doce. Não me canso de olhar para ti, e por isso mesmo, fico sempre com a impressão que te observo em excesso. És uma criança crescida, que não tem lugar em lado algum. Tento a todo custo minimizar isso. É por isso que te sou tão aprazível. No fundo sei que não passam de gestos inglórios porque na verdade eu não faço a diferença. A vida não te é mais fecunda com a minha permanência nela. É irrelevante. E é desgastante para mim sabê-lo.

Não passo de um sofá confortável em que te aninhas quando precisas. Às vezes dou-me conta que existem alguns momentos, particularidades relevantes. Infelizmente, apenas naquela fracção de segundo. E isso não chega. Queremos à força arranjar um motivo para acordarmos juntos que não seja a vontade de não querermos dormir sozinhos. Por enquanto ainda não o encontrámos. Esta mentira conveniente dá cabo de mim. Mas ambos queremos vivê-la à força.

12 julho 2007

hoje não

Porque não me apetece. Porque não sou capaz. A substituição por outra coisa qualquer nem sempre basta. Ás vezes, muitas vezes, é preciso mais do que um querer pouco certo. Mas hoje não. Hoje sou eu a derrotada. Perdida numa edificação de carácter que já dura há demasiado tempo.
Hoje entro em estado de latência. Porque nada foi certo. E porque nada o é. Porque dói. Porque corrói. Porque hoje mata.

11 julho 2007

ref.17061980

Se a renúncia e o acaso tocassem ao mesmo compasso, essa seria a minha vida. Mas tudo não passa de uma regra matemática em que duas linhas rectas apenas se cruzam no infinito. Não no início, a meio, nem no fim. E é isso que nos enloquece. Andamos perdidos à procura de qualquer coisa que se cruze na nossa vida. Uma outra vida também ela rumando para o infinito. Mas a falha não está em nós. A falha está na matemática. E é essa mesma falha, esse fosso, que faz com que procuremos tanto. A questão é que ninguém jamais olhou para o lado. Se assim o tivessem feito, por esta altura já todos saberíamos que ainda que não nos cruzemos, caminhamos lado a lado. Não passamos de códigos de barras. Uns seguidos de outros.

monólogo de marte

Não falamos a mesma lingua certamente. Tu vens de vénus e eu sou de marte. E temos um problema de timing, ambos sabemos disso. É talvez este o único aspecto em que estamos de acordo. E quando procuro algo mais que isso vejo um grande fosso que nos separa. Tu és uma idealista. Eu pelo contrário não sou nada. Nem bom nem mau. Apenas não sou. O que para ti significa que não existo.

És um ser perfeitamente desconcertante, sabes isso não sabes? Roubas a alma, levas a essência sem permissão e depois gritas o habitual preciso-de-espaço... O que é desesperante. Aliás tu és desesperante. Capaz do melhor e do pior. Tão depressa dás, como no instante seguinte tiras o chão que pisamos.

"Não prendes, não ficas e nada prometes"... assim gostas tu de dizer baixinho. Mas é mentira. Tu prendes. E cansas. E não dás lugar a outra coisa senão à renúncia. No entanto, à lupa, és tu quem tem medo. Medo de te deixares levar e entregar. Medo de te perderes por alguém que não por ti. Mas um dia vai acontecer. E aí sim, tu vais entender que por mais caminhos percorras, que por mais depressa que corras não escaparás. E quando isso acontecer será a tua derradeira era da rendição.

07 julho 2007

há mais uma estrela no céu

Deixou gargalhadas, que a doença não intimidava.
Deixou alegria.
Deixou uma vida.
Deixou esperança, ainda que o destino lhe tenha roubado aquilo a que tinha direito.
Deixou amor:
A todos aqueles que com ela aprenderam a manter a cabeça erguida.
A todos aqueles que souberam abrir o seu coração.
Deixou acima de tudo uma grande lição de vida.
E uma grande saudade...
Luísa, há mais uma estrela no céu.
Reparaste como brilha? Como ofusca todas as outras?
É a mais bonita não é? Essa estrela és tu.

06 julho 2007

o que o silêncio não diz por ela

Sinto a tua falta. E sinto também que não vou lutar contra isso.
Mas sinto que luto contra ti. Todos os dias, a todos os instantes.
Não vieste a calhar. E sinceramente é uma merda. No outro dia perguntaste-me se tencionava fugir. Na verdade a resposta é um redondo sim. E se ainda assim não fosse, perguntar-me-ia qual o objectivo de tudo isto.
Se calhar sou eu que estou errada. Sinto-me como um operário que não se lembra como desaparafusar porque passou a vida inteira a fazer exactamente o oposto. Mas talvez também não seja isto. Talvez não seja de facto suposto fugir. Porque provavelmente e porque no fundo não o quero fazer. Sabes uma coisa? Acho que gosto de ti.

04 julho 2007

um adeus

Estou tentada a apagar-te. Tenho o dedo no delete há várias horas. Já arrumei e guardei as minhas coisas. Nada já me prende a ti. Hoje decidi que chegou a altura de mudar. Não foi premeditado, mas assim terá de ser. Já chega.
Ainda assim custa. Custa apagar o que foi dito, sentido e chorado na tua presença. Fizeste parte da minha vida durante o tempo fantástico que levou o descobrimento de "me, myself and i". Mas agora já sei o que quero e não posso continuar aqui. Vou sair. Apagar o passado e correr para o futuro. Um dia escrevi qualquer coisa como " a verdade é que não há nada para lembrar, e o futuro é amnésico por defeito"... Mas se o é, porque é que custa tanto?
Um adeus sentido, de alguém que não te quer apagar hoje. E não o vou fazer. Para variar a razão é simples... apenas porque sim.

03 julho 2007

a história da minha vida...

Ser fonte de conforto para alguém que se cruze comigo não é novidade. Dou por mim a ser tudo o que os outros querem. Não é dificil: afinal todos procuram o mesmo. O preocupante é tudo não passar de um mundo paralelo. E apesar de não o fazer propositadamente, dou por mim a cantar-te a música da sereia. Pode até ser agradável, mas não passará de um fruto da tua imaginação. No outro dia disseste meio a sério, meio a brincar, que eu precisava apenas de existir e é nesse preciso ponto que tudo falha.
Não passo de uma miragem para alguém que não bebe há já demasiado tempo.

26 junho 2007

monólogo a dois

- "Vieste na altura errada... merda!
Devias ter telefonado primeiro, já sabes que não gosto que apareças aqui sem avisar. Tenho imensas coisas em que pensar. Isto não tem estado fácil sabias? Passo os dias a preocupar-me comigo mesma. O que quero. O que deveria querer e aquilo que já deveria saber à partida. Mas afinal o que é que fazes aqui? Tens alguma coisa para me dizer que eu já não saiba? Isso é impossível e tu sabes que eu sei. Por isso to pergunto novamente. Queres um café? Faço um terrível. Ouvi dizer que é óptimo para passar o resto da noite acordado."
...
Pronto está bem, não digas nada. Já percebi. Mas afinal o que é que esperavas... eu não te avisei que seria assim? Chateias-me de morte quando ficas com esse ar de quem chegou aqui de pára-quedas. Tira imediatamente essa cara de cachorro abandonado. Já te tinha dito que não pode ser. Não quero que tu o queiras e também eu não o posso querer. É demasiado complicado e eu já disse que estou demasiado ocupada em ser infeliz e a martirizar-me por tudo aquilo que fiz e aquilo que ainda estou para fazer. Tu não és um dos meus planos. Por isso sai. Sai e deixa-me lamentar por isso. Não por seres tu, mas porque poderia ser um outro qualquer e eu continuaria sem disposição para o fazer."

25 junho 2007

winning a battle and losing the war...

Já vi este filme demasiadas vezes.
O cenário varia impreterivelmente porque nada se repete, ainda que as personagens sejam as mesmas. Mas as deixas e acima de tudo o desfecho da história é sempre o mesmo. É chato.
Dou por mim com vontade de desligar a televisão para não ter de assistir mais à história glicodoce, de dar vómitos ao mancebo mais guloso. Na verdade, hoje em dia tudo não passa de um mito urbano porque já ninguém morre de amor.
Estamos formatados para viver com isso. E o mais incrível é que continuamos a tentar, como salmões em época de desova procurando chegar a "bom-porto". É estúpido. Só alguns lá chegam e todos acabam por morrer. É também este o nosso fim. A parte boa? O percurso. As coisas tontas. Quando nada tem um propósito. Eu gosto das coisas postas desta forma. Pura e simplesmente porque sim. Porque apetece. Sem explicações. Sem barreiras à entrada ou à saída.
Sem galgar rios e com a certeza de que não vou morrer por esta causa... perdida já à partida.

17 junho 2007

um dia diferente

Apesar de hoje ser um dia diferente, isso pouco ou nada é relevante. É-o, mas não pela razão esperada. É-o porque mais uma vez este dia marcou outra coisa que não a ordinária. É-o porque mais uma vez dei um passo em frente, ignorando as mil razões pelas quais eu sou eu. Sim, acontece.
Este foi marcado por uma manifestação pessoal que muito revelou aquilo que sou verdadeiramente. Eu, uma mistura sem receita de uma ana e outra bárbara que não passam de água e azeite unidas à força. Desta vez a ana ganhou. Sem papéis nem receitas para medir a dose certa. Aconteceu. Apenas porque sim. Porque me apeteceu. Sem consequências. Sem explicações.