22 setembro 2010

amanhã


A partir de amanhã é tempo de comer castanhas, beber água-pé, andar de galochas, apanhar chuva na praia, regressar ao ninho, abrir a porta do quarto aos cães e ver com eles os filmes dos sábados à tarde. Este Outono promete. As portas e as janelas estão abertas para o deixar entrar.

21 setembro 2010

não há heróis

Os heróis são mitos em vias de extinção e como tal nunca vi um único exemplar dessa espécie que se diz tão especial. Por isso mesmo escolho aquele que é de carne e osso. O destemido guerreiro que traz para casa a bagagem e as marcas das inúmeras batalhas travadas. O que erra, o que chora, ri e ama como se o dia seguinte não estivesse garantido. Sabes uma coisa? Não está mesmo. E é por isso que o amor se rege pelas mesmas leis da guerra onde vale tudo. E aquele que não o ignora é o verdadeiro herói, aquele em que eu não posso deixar de acreditar porque no dia em isso acontecer será o fim dos dois.

"Struck from a great height by someone
who should know better than that"
,
FM - Dog days are over.

20 setembro 2010

lo siento, fue tarde demás.

É o ar que não entra. O sangue que não corre nas artérias e os fios condutores que deixam de fazer a função a que estavam destinados. O zumbido nos ouvidos é ensurdecedor e o equilíbrio vai ao chão. De certo modo, momentaneamente, morreu. Porque a dor é superior ao que é humanamente possível aguentar e porque não é suposto sobreviver-se impune e sem qualquer marca. Agora reza muito à noite para que isto passe depressa. Eu rezo também e peço a deus que as coisas melhorem nem que seja um bocadinho.

Num mundo justo, todos temos uma segunda oportunidade. E este é um mundo justo, por isso só se pode lamentar ter sido tarde demais.

19 setembro 2010

sangue

Corre-nos o mesmo sangue nas veias. Com uma ou outra variante é praticamente o mesmo. Para acentuar as semelhanças deus quis que estivéssemos todas no mesmo sítio, à mesma hora. Partilhamos a mesma capacidade de encaixe assim como a vontade de nos rirmos das nossas próprias desgraças.

Palavras da minha querida mana : " Nem o Cruz nos salva, nem o Santos. Com tanta influência cristã no nome e é o que é... Não quero sequer imaginar se fosse Pereira." Acho que está na altura de começar seriamente a acreditar que será o que deus quiser. E deus quer que sejamos muito criativas, pouco realistas e acima de tudo muito crentes.

17 setembro 2010

a minha cama

Tenho 30 anos e não era nada disto que eu esperava. Ainda assim não posso deixar de pensar como é possível estar no exacto ponto onde há anos deduzi estar. Como é que isto foi acontecer de forma tão linear? Ainda tentei combater o que me estava destinado mas foi mais ou menos o mesmo que remar contra a maré.

Talvez seja efectivamente suposto ser o meu cão a ocupar a metade vazia da cama... Hoje descobri que, para lá de uma cama excepcionalmente grande, tenho todo o tempo do mundo para fazer os desvios que me apetecer. Ainda assim recuso-me a perder a esperança e por isso o becas vai continuar a dormir no sofá durante mais algum tempo.

16 setembro 2010

enclave

Sem saber muito bem como já está. Já foi. Já "foste". E num ápice. De tal forma que nem me apercebi. Para não variar acontece tudo demasiado depressa sem sequer haver oportunidade de tirar o sumo. Chego à conclusão que sou uma ladra do tempo. Num momento de loucura corto tudo pela raíz e depois vem a desgraça. Como há coisas que não mudam, continuo a acreditar que posso tirar do baú a qualquer momento o que durante demasiado tempo esteve guardado. Acho que me enganei. Afinal o tempo é subjectivo e nunca só nosso. O tempo, o nosso tempo, é efectivamente o dos outros. E raramente os outros têm o mesmo tempo que nós.

14 setembro 2010

nunca sozinhos

Somos cinco. Somos muito diferentes e ainda assim sempre com a sensação que há qualquer coisa que nos vai agarrando uns aos outros. Talvez não por coincidência estamos todos no mesmo sítio e nenhum de nós sabe que coordenadas pôr no gps. Nenhum de nós sabe bem o caminho a tomar e por isso deixamos-nos ir. Somos cinco. Solteiros, psicologicamente danificados mas nunca sozinhos. Estou tentada em atribuir a responsabilidade disto ao adn porque de outra forma juro que isto não se justifica.

11 setembro 2010

coração que não sente

Sempre soube que se dissermos muitas vezes a mesma mentira mais tarde ou mais cedo começamos a acreditar nela da mesma forma ingénua que todos os outros. E rezamos, muito, para que um dia passemos também nós a vivê-la como se fosse de facto real. Acontece exactamente o mesmo com a visão. Só vemos o que queremos. Ainda que tenhamos os olhos bem abertos conseguimos perfeitamente evitar aquilo que não deve ser encontrado. O desencontro dos olhares é digno de registo fotográfico e perfeitamente inconsciente a bem da nossa sanidade. Olhos que não vêem, coração que não sente. Os milésimos de segundo em que tudo acontece é basilar para a nossa sobrevivência. Aquela fracção, a que nos salva de tudo o resto, e que ao mesmo tempo não nos deixa dormir.

09 setembro 2010

partida, largada, corrida

Tenho escassos minutos para dizer o que nunca disse. À laia de pacote de açúcar, hoje é o dia. Olho-me ao espelho e digo que basta. Que dou por terminada uma batalha perdida desde o início. E apesar de o saber desde o primeiro instante, a vontade de te ter por perto foi tão grande quanto a vontade de acreditar que fazíamos a diferença um no outro. Hoje é o dia em que tenho a certeza que não é assim. Não faz mal ainda que o lamente profundamente. Porque a verdade é que se não és tu, há-de ser um outro qualquer. Porque, por parvoíce ou por infantilidade, eu vou continuar a achar que existe uma consciência que sente e faz as coisas exactamente da mesma forma que eu.

17 minutos. Foi o quanto bastou.

08 setembro 2010

picar o ponto

Pode parecer rídiculo mas no dia em que ela morreu eu pensei que não queria passar por aquilo sozinha. E mais tarde, no dia em que ele morreu tive a certeza. Faltavas lá tu. Todos nós vivemos com a ausência de alguém e disso não morremos. Morremos de outras coisas bastante menos interessantes, mas a isto todos sobrevivem. Calculo que assim seja para que se possa deixar um legado. Certamente que também eu vou deixar o meu e para isso vou continuar a inventar a minha vida, mas preferia mil vezes fazê-lo contigo.

04 setembro 2010

upgrade ao homem do café - versão 2.1

Pronto. Vamos começar de novo. Pelo sim, pelo não, optei por acrescentar alguns upgrades necessários para que isto corra de feição. Já chegam os erros de casting. Então, em primeiro lugar vai ter de estar munido de grande capacidade criativa porque eu não sou, nem algum dia serei, uma pessoa realista. Vivo num universo paralelo onde tudo é permitido e não há em circunstância alguma lugar para o impossível. Bem vistas as coisas há sempre uma solução para tudo, até para mim. Terá de saber alimentar-me caso contrário morro à fome e não poderá de forma nenhuma encorajar o meu lado mais escuro a vir ao de cima. Não aprecio dar largas ao meu lado mais neurótico já que, solto o "monstro" torna-se complicado voltar a esconde-lo no baú. Pelo meio vai ter de gostar de relva, chuva, praia, cães, gatos e de sofás que juntos contam parte da minha vida. Por último, vai ter de gostar de mim, ainda que não o possa dizer tantas vezes quanto gostaria.

É esta mediação que vale por tudo. O famoso jogo do rato e do gato numa versão totalmente anárquica.

02 setembro 2010

cabeça perdida #2

Acorda às seis da manhã. Para ele não há sábados nem domingos. E sou capaz de apostar que não há natal que não seja passado entre a mesa de consoada e uma secretária qualquer. Não bebe, não fuma e não dorme. Faz corridas de quatro horas e é um homem encantador. Trabalha 16 horas por dia no escritório e outras tantas em casa. Não há líder como ele, assim como não há quem consiga ficar indiferente à determinação, à força e à resistência que tem. Pode cair o mundo mas a máscara que usa todos os dias, essa nunca cai. É uma força da natureza e não há como nega-lo. Hoje, deixaram-lhe um recado na bancada da cozinha. Hoje o seu coração parou. Para meu bem não parou de vez, mas pergunto-me se vou encontrar o mesmo homem quando um dia voltar a entrar-me vida dentro.

Põe-te bem rapidamente e da melhor forma possível. Sem ti as coisas levam-se pior.

01 setembro 2010

cabeça perdida #1

Assim não pode ser. Não a esta distância. Nem da forma como o fazes, assim sem mais. Entras a matar e depois, de mansinho, sais de cena sem autorização. Assim não! Assim não quero. Mais que não seja porque cada vez que dás um passo em frente, tenho noção absoluta que logo de seguida dás três para trás. E é nessa altura que te vejo a fugir-me das mãos sem ter oportunidade de te agarrar. É no fatídico momento que dás um bocadinho de ti que mais longe te sinto, portanto faz-me um favor e deixa-te sossegado. De preferência, perto. Muito perto. Mais especificamente, ao meu lado. E se num momento de pura insanidade não te parecer a melhor opção, se num momento de cabeça perdida tiveres a sensação que eu não sou quem tu queres que eu seja, então finge-te em coma profundo e deixa-te ficar. Prometo não te alimentar.

e amanhã, hoje não se repete nunca mais

E pronto. Reza a história que foi um duelo duro. Onde não houve vencedores, só vencidos. Aqueles que Deus quer tornar imortais, cedo leva-os de nós. Parece-me que neste caso, Deus teve uma ideia semelhante. A minha dúvida é: e se por gozo Ele tem mais destas preparadas para mim? Da próxima vez não garanto que vá achar tanta piada.

29 agosto 2010

o marido

Ainda não tinha caído em si. E agora que aconteceu pergunta-se como é que as coisas chegaram ao ponto onde está agora. Decidiu entregar-se ao homem errado e isso levou-lhe anos de vida. Os de ouro. E por saber disso hoje, só o consegue lamentar. Sem ódio mas também sem amor. Quando lhe pergunto o que é que resta, ela responde-me triste que não sobrou nada. Concordou em dar o salto e na queda percebeu que foi a única a fazê-lo.

Hoje pergunta-se se o marido pensa nos erros que foram fazendo ao longo da vida. E acima de tudo, se ele aprendeu alguma coisa com eles. "Para que não volte a repeti-los", diz-me ela. O maior receio dela é que um dia ele volte, porque desta vez não há como. Ela não pensa mais nele.

27 agosto 2010

amigas como eu

Tal como os filhos, os amigos devem seguir a vida que escolhem, independentemente do facto se a opção tomada seria ou não a nossa própria escolha. É preciso deixá-los ir e voltar. Deixá-los que se encontrem ainda que nós já conheçamos invariavelmente o desfecho dos episódios. A vida dos meus amigos é uma espécie de série televisiva que vou seguindo sem interferir. Pontualmente, entro no esquema quando sou chamada à cena e represento o papel que me destinaram.

Mas há coisas que não mudam e uma delas é o facto de eu viver as suas vitórias e os seus fracassos como se fossem meus. Hoje estou a viver vitórias. As da Sara e da Marta, as do Luís, as do Tiago, as da Joana e de tantos outros as que merecem.

26 agosto 2010

impossible man

Olho para ti e tento a todo esforço procurar qualquer coisa que não reconheça. Qualquer coisa, não importa o quê. Quero descobrir quem realmente tu és e também isso não mudou. Porque não tu não podes existir da forma como o fazes e tal como no passado, continuo a acreditar que não passas de uma epifania ou de uma personagem criada por ti nos momentos vagos.

Afinal, de onde é que tu apareceste? Ainda não sei se ter-te descoberto foi melhor do que passar a minha vida inteira sem saber da tua existência, na maior ignorância. Mais que não seja, porque a tua presença na minha vida levanta outras questões, tais como, existirão outras pessoas como tu? Existirão outras almas que deambulam por aí, capazes de me fazer aquilo que tu fazes, da forma como o fazes? Será existe um molde para pessoas como tu? E se assim não for, de que forma é que eu vou viver da forma como o faço sem te ter por perto?

Acho que vou passar a minha vida inteira à procura das respostas. Pessoalmente prefiro continuar a acreditar que tu és one of a kind e que nunca deixarás de ser o Impossible Man. O verdadeiro, o original e principalmente o meu... como se fosses possível.

trivialidades

Tenho trinta anos e não me conheço. Gente sábia diz que é importante morrermos assim e mais importante ainda é termos consciência disso. Não há nada que tenha feito ou deixado por fazer sem uma explicação perfeitamente estruturada, mas continuo sem saber do que sou capaz. Melhor dizendo, vou descobrindo.

Por outro lado, com a chegada da fatídica terceira década, passei a ter uma lucidez aterradora de tudo o que me rodeia. E se para isso é necessário admitir que sou mais uma das almas errantes, se este é o preço a pagar, então não há o que lamentar.

Tenho trinta anos e muitos outros pela frente para continuar a ser exactamente da mesma forma que tenho sido até hoje. Uma perfeita desconhecida para mim mesma.

23 agosto 2010

dias destes

As nuvens, a neblina e dias destes remetem para uma certa melancolia e talvez por isso sejam os meus dias preferidos. É em dias assim que me apetece pegar na mala e fugir para onde possa ver crescer alguma coisa. São estes dias que me fazem querer plantar beringelas, batatas ou qualquer outra coisa. Gosto de terra molhada e adoro sujar-me nela. Enfim, hoje é um daqueles dias que me apetece mandar tudo à merda. A chuva também faz disto...

13 agosto 2010

hoje é o dia

Poucas são as coisas que me fazem estremecer. Na maioria das vezes tenho a sensação que estou sob o efeito de fortes anestésicos. Nada me irrita, nada me choca e poucas são as coisas que me levam ao chão. Mas quando é mau, raramente se fica por aí. Quando dói, aperta, estrangula e mais tarde ou mais cedo acaba por matar.

Como em tudo na vida há sempre um equilíbrio muito ténue entre o mau e o bom, e então, depois temos as coisas boas. As que me fazem agir que nem louca, sem qualquer filtro esteja quem estiver, esteja onde estiver. O que faz a diferença? A fracção de segundo. O compasso. Os comprimentos de onda e a música que eles têm.

Sou viciada em coisas boas. E hoje parece-me um óptimo dia para saltar, gritar, dançar e namorar. Muito. Até cansar. Hoje é um óptimo dia para reinventar uma vida. A minha.

ideias parvas para passar o tempo

sexta-feita 13

Hoje é sexta-feira 13. Desde que acordei tenho um pressentimento estranho que me aperta o âmago da alma. Não estou bem nem mal, estou esquisita. O nó no estômago voltou em grande força e está a toldar-me o raciocínio e a coordenação do corpo. Começo a pensar seriamente que o bem que trazes não ultrapassa o mal que fazes. A ressaca da ausência é péssima.

10 agosto 2010

porta adentro

Nunca te contei que no fatídico momento em que me entraste pela porta não foste o único a ter uma sensação estranha. Se não estou em erro, os leigos chamam-lhe "amor-à-primeira-vista".

Devíamos arder no inferno por não sabermos valorizá-lo. Isso sim é um crime e vai continuar a sê-lo até que tu deixes de me pôr na posição da qual foges como o diabo foge da cruz.

choose me, pick me

E quando tudo já foi dito, não havendo mais nada de novo a acrescentar, ocorre-me um "escolhe-me" saído da alma. Ainda que eu tenha perfeita consciência que estarias a assinar a tua sentença de morte, se assim fosse, prometo que cavava a sepultura contigo.

Estive a escassos milímetros de te pedir o impossível. Mas será que é mesmo assim? Será que é assim tão descabido pedir-te que te deixes ficar? É que a mim parece tudo bastante certo.

Podia fazer-te mil e uma promessas a troco de anuíres aos meus caprichos. Mas não o vou fazer, porque pura e simplesmente, eu só te quero, se e quando, tu me quiseres em igual medida. E não, não consigo contentar-me com menos.

09 agosto 2010

alguém o disse por mim

"O momento em que desistimos de nos enganar,
nesse momento estamos mortos."

06 agosto 2010

é como é

Nunca fui de complicar muito. As coisas são como são e eu... bem, eu tento adaptar-me a elas com alguma facilidade e sem dramas pelo meio. Sempre fui adepta da mudança, desde que isso contribua para alguma coisa ou para alguém. Sou a favor da felicidade e das coisas boas. Gosto de gargalhadas altas e de ser prestável. Vivo apaixonada. Por alguma coisa ou por alguém, é indiferente desde que isso me faça mover. Não sei estar parada e meto-me na maioria das vezes em mais planos do que aqueles que posso abraçar.

Fui educada para ser uma "força da natureza", daí nunca perder a postura, poucas vezes perder a razão e raramente gritar.

Errei mais vezes do que aquelas que a memória me permite guardar mas sempre o enfrentei de cabeça levantada. Se há coisa imprescindível para mim é ter a certeza absoluta que se morrer amanhã, fiz tudo o que havia a fazer. Está claro que isso acrescenta a tudo o que sou e faço uma boa dose de insanidade, no entanto, isso não faz me mim uma pessoa menos feliz. Pelo contrário.

Posto isto, não me arrependo de te ter arrancado à força um beijo nem das palavras ditas. Não me arrependo de forma nenhuma de ter aterrado de pára-quedas na tua vida e muito menos de querer permanecer nela.

05 agosto 2010

hold still

Vejo-o claramente a fugir-me por entre os dedos. E a cada dia que passa o aperto de saber que não há nada que possa fazer para o agarrar fica mais forte. De qualquer forma não é suposto prender seja o que for. Sou contra. Mas vê-lo escorrer-me entre os dedos dá cabo de mim, por mais força com que feche a mão, sei perfeitamente que de pouco adianta. Que pouco a pouco vai-se perdendo. Estou tentada a abrir a mão de vez. Certamente que custa menos.

04 agosto 2010

pequenos prazeres

Quero andar descalça,
Quero ficar onde houver um compasso diferente,
Quero adormecer com o vento,
E dormir à sombra até que o corpo me doa.

Gosto de sentir o cheiro da terra molhada,
E de tomar banho em dias húmidos.
Gosto de passarinhar de roupão e de café acabado de fazer
Gosto ainda mais de o beber em tardes frias.
Gosto do campo e da música que tem.

Um dia fujo daqui e vou plantar beringelas para bem longe.

01 agosto 2010

trio da caparica

Faça o que eu fizer. Diga o que eu disser e escolha o rumo que eu escolher, eles estão lá. Seja para festejar as minhas vitórias ou minimizar as minhas derrotas, eles estão lá. Sempre os dois. Conheço-os há tanto tempo assim, que para mim são uma só pessoa. Gosto deles e fazem parte da família. Aquela que escolhi. Não gostamos das mesmas coisas é certo. Mas gostamos uns dos outros.

31 julho 2010

por outro lado e só mais uma vez

Pareces um boneco. És tão perfeitinho que até irrita. Durante demasiado tempo andei à procura de qualquer coisa que me fizesse desistir de ti e o facto de não encontrar nada tornou as coisas bastante mais dramáticas. Há coisas que não se explicam. Tu és uma delas e isso mete medo. Por outro lado, o facto de saber que existe alguém que me deixa em ponto de rebuçado, por si, já é uma sorte. Quero convencer-me à força que seja qual for o desfecho, não há vencidos. Ainda assim preferia ter-te por perto mais algum tempo.


"Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom
Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro não sei perceber...
Queres só mais uma volta, desta ninguém vai dizer." - TB, Só mais uma volta.

knockout

Se quiseres virar-me do avesso vais consegui-lo em três tempos. Com tanta explicação e sentido prático da coisa ainda não fui capaz de perceber como é que estas coisas acontecem. Mas pior, pergunto-me ainda mais vezes se acontecem porque não em medidas iguais, perfeitamente democráticas? Perdi o direito há muito tempo e tenho perfeita noção disso, mas ficava bastante mais descansada por saber que não me vais levar ao tapete. Sempre tive a capacidade de antever o final de todos os episódios. Este não é excepção e não me parece que vás ter piedade.

30 julho 2010

a canção mais doce

Encontrar a canção mais doce, aquela que entendemos como sendo só nossa, é mais ou menos como nos apaixonarmos: uma questão de sorte. A minha não é a mais feliz, é um facto, no entanto, não deixa de ser a minha. Assim como também não deixa de continuar a cortar-me a respiração. Essencialmente tem a beleza de deixar em aberto o desfecho e isso sim faz toda a diferença.

" But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
To the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss

Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl just tonight" - DMB, Say Goodbye

29 julho 2010

parvoíces

Ainda estou à espera que toque um alarme qualquer. É suposto nesta altura ecoar um som estridente de uma buzina e uma luz a assinalar "PERIGO" com grande frenesim. Quase que por desporto tento descobrir alguma coisa que não faça sentido, ainda que sem sucesso. À falta de grandes apontamentos a fazer, resta-me aceitar que é assim e que não vale a pena lutar contra o óbvio. Porque mais uma vez sabe bem e acima de tudo porque desta vez há que enfrentar os cornos do touro. De frente e com a dignidade possível.

27 julho 2010

verdades

Hoje disseste-me uma coisa que ninguém me tinha dito. Apesar de ter sido em tom de brincadeira, o facto é que tens toda a razão. Como meu amigo já me devias ter alertado para isso e sobretudo explicar-me como é que estas coisas funcionam. Falta perceber se nunca passei por isto porque tive sorte ou porque fugi de todas as situações que adivinhavam um prognóstico reservado.

Portanto, explica-me, como é que isto se faz? Como é que se brinca ao gato e ao rato sem que eu acabe por ser a refeição de alguém? Por este andar vou precisar de anotações com canetas coloridas e esquemas, muitos esquemas!

25 julho 2010

noite de nojo

Hoje obrigo-me a fazer o luto. No momento em que a morte foi anunciada não o ouvi porque à cabeça só me vinha o pensamento de que finalmente era livre. Que com a morte anunciada também estava a deixar uma parte pesada de mim para trás.

Adoro os sábados à noite, trazem-nos uma melancolia muito própria para este tipo de cerimónia e por isso hoje faço o que vinha adiar por não achar propositado. Hoje assino o atestado de óbito de alguém que não devia ter sido ressuscitado. Se com isto aprendi alguma coisa foi de que jamais se recuperam páginas arrancadas à força. E ao contrário do que sempre defendi, nem sempre se esquece e perdoa.

Por nunca ter chorado a morte, hoje obrigo-me, pelo menos, a reflectir sobre ela. E sobretudo, a encerrar um capítulo. Porque já chega. E acima de tudo porque não quero mais.

Uma vez que não pretendo carpir em frente a uma lápide, despeço-me agora. Não porque ache importante, mas apenas porque o luto deve ser feito de uma forma consciente e séria, ainda que em frente a um ecrã anémico.

Esta será a última vez que assino com um apelido que não é o meu e cujas letras não assentam no papel da mesma forma fácil e deslizante que as restantes.

24 julho 2010

nota num post-it cor-de-rosa

Sempre levei tudo muito a peito. Amo ou odeio. É preto ou branco imaculado. É ou não é, sem meias medidas, sem consequências e até hoje nunca me dei mal, mais que não seja porque tenho sempre a perfeita consciência do que quero, ainda que às vezes pague caro por isso.

Kafka escreveu um dia, "Alimento-o com leite doce, é o que melhor lhe assenta."

A mim assenta-me bem ser mimada, ser alimentada a chocolate e estar apaixonada. Da próxima não me fico por menos.

23 julho 2010

rita catita

Todos nós devíamos ter uma pessoa como a que eu tenho. Pequena, loira e encantadoramente parva. Vai e regressa à minha vida mais vezes do que aquelas que eu gostaria, mas isso faz parte. É uma versão minha mas concentrada. Fazemos as mesmas asneiras. Rimos das mesmas coisas. Partilhamos as coisas boas, acima de tudo as coisas más e com ela, sou eu, sem papel de embrulho a enfeitar.

No derradeiro dia perguntou-me “tens a certeza que queres fazer isto?” e eu disse-lhe que sim. Hoje, não faz perguntas, não opina porque no fundo sabe que, tal como ela, eu vou até ao fim.

Conforme mandam as regras do universo, nenhuma de nós tem um percurso fácil e nem ela consegue sobreviver a tudo sem derramar uma ou outra lágrima. Lá está, também isto faz parte.

Como forma de agradecimento pela paciência que tem, vou tomando conta dela da melhor forma que sei: alimento a sua maluquice e as nossas parvoíces. Mas na verdade é ela quem toma de mim, obrigando-me a ser mais “Ana” e menos “Bárbara”.

Sabes? Jamais me passaria pela cabeça ter escolhido outra pessoa. Disto não me arrependo mesmo nada.

conheço-te?

Tenho memória de peixe. Sete segundos e "O que foi? Quem? Onde? O quê? Eu conheço-te?". Uma autêntica tristeza. O tempo já tem por si a capacidade de esbater o passado, mas neste aspecto, ele não me poupa nada e faz desaparecer tudo com uma borracha capaz de apagar tinta da china.

Durante muito tempo fiz a mesma pergunta sem nunca ter tido uma resposta. Hoje tive-a e foi clara como a água. Obrigavas-me a ter uma capacidade de encaixe maior do que aquela que eu podia suportar. És vento desgovernado e eu não soube lidar com isso. Aliás, ainda não sei e todos os dias vou tendo mais certeza disso. Tu acabas com a minha lucidez num instante. Contigo tão depressa estou nos píncaros como no segundo a seguir estou num buraco escuro sem sinalização de saída. E o pior é que a responsabilidade nem é tua. Quanto mais coerente tento ser, melhor vejo o esforço inglório que é. Sabes uma coisa? Seja o que Deus quiser.

20 julho 2010

arquivos

Numa visita aos arquivos dei-me conta que ao contrário do que esperava, acabo ser extremamente coerente com as minhas próprias ideias. Ou isso, ou sou teimosa, porque ainda não aprendi com os erros sucessivos. Fico-me por acreditar que tenho convicções fortes. Algures, num daqueles livros de auto-ajuda, ou não, diz-se que somos donos do nosso destino. Será que graças à minha intransigência ando a arruinar o meu?

Como diz uma amiga minha, é-me mais fácil ficar por aquilo que conheço,
ainda que seja mau à partida, já que desta forma não tenho surpresas. Tenho uma grave intolerância a episódios desconhecidos, isso sim. E daí, rapidamente se dá o salto para a obsessão pelas regras e pelas as histórias que acabam sempre da mesma maneira. De qualquer forma, desta vez permiti-me abordar a coisa de forma diferente. Acho que também não está a funcionar... Cada tiro, cada melro! Bonito, sim senhora. Duas palavras: bastante espectacular!

procura-se homem do café

Passaram 3 anos e é a máquina da nespresso que continua a fazer-me o café. Este facto leva-me a crer que tenho andado um pouco desviada do meu objectivo. A partir de agora, e porque o tempo escasseia, vou focar-me naquilo que realmente é importante: encontrar o homem do café.

Estou a pensar em colocar um anúncio no jornal, do tipo "Procura-se relação com homem do café. Não tenho preferência entre Nicola, Delta ou Segaffredo, desde que seja bem tirado. Assunto sério."

Não querendo pedir muito, será que posso juntar outras coisas, pequenas, mas que me davam imenso jeito? Por exemplo, ao café juntar um pequeno almoço de tabuleiro e um ou outro jornal?

Não... era sorte a mais.

amigas

As minhas amigas são um verdadeiro encanto. Às vezes olho em volta e encontro um bando de miúdas de 10 anos mas com curvas que nessa altura não existiam.

"Se voltares a falar mais com ele, deixo de ser tua amiga!", diz uma delas. Começo a achar que qualquer coisa aqui está mal e que a culpa só pode ser minha. Ao que parece esta história de sobreviver a um episódio menos feliz não parece, à vista dos outros, nada bem. Parece-me que era mais credível chorar pedras da calçada e entrar no mundo das substâncias ilícitas. Lamentavelmente não sou capaz. Não faz parte do acordo. Não estava incluído na promoção.

Ando demasiado ocupada a tratar de um assunto realmente importante: ter direito aos que os meus pais me prometeram!

19 julho 2010

como diz pedro paixão

Escrever é um acto bastante particular. Pemite-nos dizer tudo mas com a distância limpíssima das palavras escritas. Há portanto, uma margem de segurança que hoje em dia não nos é possível prescindir. Pelo menos enquanto não passamos da escrita para a prática, o que no meu caso até é bastante simples porque pura e simplesmente não me deixam.

Acho que estou a pagar a minha dívida com a sorte. Não fiz um pacto com o diabo, é certo, mas parece-me que o universo me está a fazer pagar pelas oportunidades dadas de mão beijada. Sempre consegui voltar atrás e carregar no reset e nunca uma opção tomada deixou de ter retrocesso. Agora parece-me que vou ter de cumprir a minha parte do tratado.

De qualquer forma, estava na altura de aprender alguma coisa, portanto vou tentar ver isto da melhor perspectiva.

"Para variar ainda não aprendeste. Tu gostas mesmo de te meter em confusões. Já devias estar à espera disto... ou não? É bem feito, pode ser que assim aprendas a lição.", diz a minha mãe. Talvez não esteja enganada, mas pelo sim, pelo não, vou fazer um pacto com satanás para não lhe ter de dar razão.

18 julho 2010

o meu namorado

Decidi ter um namorado. Mas não um qualquer. Este é especial. Fui pescá-lo ao rio e desde aí nunca mais o deixei. Recebe-me à porta sempre feliz, não se queixa quando o jantar chega tarde e não tem vícios a não ser eu, portanto, o namorado perfeito. Tem 3 cores, quatro patas, duas orelhas descaídas e não é ciumento. Sara-me as feridas com a eterna paciência de alguém que julga que vai sempre ficar por cá. Eu também gostaria que assim fosse. Lamentavelmente tudo tem prazo de validade e ele não é excepção, por isso, faço de tudo para tentar minimizar a sua curta existência.

Enquanto andares por cá prometo que te farei muito feliz. Ah, e tenho a certeza que tu farás exactamente o mesmo.

17 julho 2010

a mesma música em repeat

Hoje permito-me fumar um cigarro antes de ir dormir. Porque preciso e porque o sono não vem. Começo a pensar que tenho um problema grave na dissecação de mensagens. Não percebo sinceramente onde vamos parar. Quer dizer, a resposta é óbvia e não é a bom porto certamente. Não sou feita para isto e por mais que me custe, por mais que eu gostasse de ser o meu alter ego a tempo inteiro, a verdade é que a minha capacidade de encaixe é bastante diminuta.

Hoje não consegui evitar. O meu corpo revoltou-se e manifestou o que me ia na alma. Pela primeira vez perdi literalmente a compostura e tremi que nem varas verdes ao sabor de um vento bastante desgovernado.

Sempre acreditei que bastava não alimentá-lo para que ele morresse por si só, sem grande esforço. Acho que andei enganada... caramba que o sacana é resistente!

14 julho 2010

o hastear da bandeira

Pergunto-me como é que posso fazer com que isto passe depressa, ainda que não saiba se o quero fazer. E pergunto-me também se podia ter feito mais alguma coisa ou se pelo contrário devia ter ficado sossegada. Tenho literalmente um buraco no lugar do peito. Não entendo como é que isso aconteceu tão depressa e acima de tudo como é que eu deixei que chegássemos ao ponto do "sem retorno".

Hoje não tenho vontade de ser a miúda afável e mesmo assim não consegui ter outra atitude que não essa, e isso dá cabo de mim.

Ninguém morre de amor é certo, mas as saudades, essas sim acabam connosco em três tempos.

13 julho 2010

golpe do chinês

Não te devias ter despedido da forma como o fizeste. Acabou por ser mil vezes pior. Sim, eu sei que sou melodramática e que vivo para estas pequenas coisas mas não precisavas de ter alimentado isso. E apesar de ter-me afastado de sorriso rasgado, mais tarde a tua parlemice deu lugar a um nó no estômago agonizante portanto, nada de bom. És sádico, é o que é. E ou não percebes nada disto ou deste o golpe do chinês à antiga. Como em todos os períodos de nojo há três fases: a negação, a raiva e a aceitação. Parece-me que estou na segunda. Pode ser que um dia até volte a esboçar um sorriso quando me lembrar do episódio, mas por enquanto aquilo que eu quero é manter-te bem longe da minha vista.

...Longe da vista, longe do coração.

12 julho 2010

de volta a casa

Dei-me conta que sou uma saudosista. Entro na sala e deparo-me com um sofá onde fui amassada por todos os homens da minha vida e duas poltronas que têm para lá de 30 anos. Numa delas vi o incêndio do chiado pela televisão e como não sei em qual delas foi, optei por restaurar as duas. Isto já diz tudo. Sou agarrada às coisas. E não vale a pena tentar mudar isso. Não é defeito, é feitio. As músicas são sempre as mesmas, assim como os filmes que vejo vezes sem conta.

Dou por mim a pensar que ser assim não é muito bom. Porque se pensa demais, porque nos agarramos ao que na verdade pouco sentido faz.

Tenho mais duas peças na bagagem: dois quadros do Guilherme, porque mais ninguém pinta o acto de enamorar da forma como ele o faz. Ambos têm cor, um rapaz, uma rapariga e pouco mais. Mesmo assim, não deixa de me encher o coração sempre que olho para eles e cada vez que o faço penso que um dia também eu terei direito àquilo que à primeira vista está por completar.

Voltar a casa é bom. Lembra-nos quem somos e da bagagem que temos, gostemos nós dela ou não.


três tiros de caçadeira

Tudo se resume a três tiros de caçadeira. Um seguido de outros dois sem grande oportunidade para dizer: "Ai e tal, já chega!". Na linha de raciocínio do "ou-vai-ou-racha" tem-se direito a tudo. Até a isto. Ainda estou para perceber como é que se consegue sentir uma alegria estupidamente parva depois de levarmos com um valente balde de água fria.

Vinha na viagem a rir-me sozinha enquanto ia pensando na situação insólita em que me tinha metido. Lá está, dei por mim com um sorriso do tamanho do mundo depois de ter dado três tiros de caçadeira no pé.

Sempre fui ensinada a não perder a postura ainda que tivesse muita vontade de o fazer. “Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.”, diz a minha mãe. Pois bem mãezinha, desta vez não só me pus a jeito para levar com três chumbadas como premi o gatilho. Mas fiz o que tinha de ser feito, sabes? Antes três chumbadas e um sorriso do que uma dúvida persistente e incómoda.

10 julho 2010

#2 pessoas da minha vida

Lembro-me que era muito preguiçoso e que só com grande habilidade o roubava do sofá. Lembro-me que reagia como uma criança pequena a críticas e que "fechava a cara" se não lhe dava o que queria. Lembro-me também que não levantava a voz e que se portava como um cavalheiro num momento de aflição tipicamente feminino.

Eu - "Entrou uma barata no restaurante e ela está a vir em direcção a nós. Se ela se aproximar mais eu salto para cima da mesa e começo a gritar". Ele - " Calma, queres que a mate?"

Lembro-me da voz melodiosa com que cantava baixinho e lembro-me que o final da história foi triste para a barata.

09 julho 2010

longe está o tempo

Uma vez, há algum tempo atrás, disse-lhes que eras doce. Pergunto-me muitas vezes como é que isso se conjuga com o teu lado pragmático e racional e sinceramente ainda não cheguei a conclusão alguma.

"Amanhã respondo-te"? Isso é coisa que se faça? Ainda para mais quando não cumpres o prometido? Faltam sensivelmente quarenta minutos para o dia seguinte. Estás literalmente a quarenta minutos de dar comigo em louca!

...trinta minutos...

Sou a miúda dos "e se" e dos "tudo é possível e eu faço acontecer" mas dava-me jeito que me ligasses a luz de forma a poder ver alguma coisa. Às escuras sou como um gato em frente aos faróis de um carro em noite de lua nova: cego.

Do what you must do, but do something.

...vinte minutos...dez minutos...e nada.

03 julho 2010

é assim que acontece

Agradeço aos meus pais todos os princípios que me ensinaram. São eles que fazem de mim o que sou, com defeitos e virtudes. Hoje dei-me conta que nunca chamei "filho da puta" a ninguém e acho que isso faz de mim uma pessoa melhor. Não por nunca o ter feito, mas sim, o facto de nunca ter sequer sentido necessidade de o fazer. Porque nunca me senti suficientemente ameaçada por ninguém. Porque eu sou eu e os outros se que se enterrem bem longe.

Meus queridos pais: Puta de educação aquela que me deram!

11 junho 2010

segredos inconfessáveis

Tenho saudades tuas. Muitas. E tenho saudades de me sentir no epicentro de um terramoto quando te aproximas. Tenho saudades de te ter enroscado em mim. E o pior é não to poder dizer. Tenho consciência que continuamos a ter comprimentos de onda diferentes, no entanto, acho que desta vez estou disposta a experimentar o teu.

01 março 2010

momentos de fé

Casar não é uma decisão tomada de ânimo leve. Acho eu.
Ainda assim não deixa de ser um acto de fé. Porque acreditamos que será para sempre e que vamos conseguir ultrapassar todos os momentos maus. Afinal, o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Os mais infelizes costumam chamar-lhe irresponsabilidade, eu prefiro dizer que o casamento é um acto de coragem. Hoje em dia já quase parece mal dizermos que estamos apaixonados e isso é sim é pecado.

06 fevereiro 2010

better man

Às vezes sinto que vou perder a paciência mais cedo ou mais tarde. Mas isso é perfeitamente normal vindo de nós. Talvez não seja só eu a desconcertada. E talvez seja também eu, a desconcertante. Estamos num verdadeiro duelo de titãs e às vezes cansa. Se eu podia ter ficado um outro homem? Podia, até podia, mas não era a mesma coisa.

guy next door

Na minha modesta opinião, todas as mulheres deviam ter um. Porque nos alegra logo pela manhã. Porque nos obriga a sair de casa para ir ao café manhoso do lado sem aquelas calças pavorosas. Porque nos faz companhia à varanda nas noites quentes de verão. Porque faz parte da família. Porque nos alimenta a alma. Eu tive dois. Um deles toma conta de mim, o outro toma conta dos meus cães.

05 fevereiro 2010

auto-ajuda para mulheres de fé


Fui ensinada desde sempre a fugir da mediocridade e a não aceitar de forma alguma a fatídica frase do “quem dá o que tem a mais não é obrigado”. Por vezes dou-me conta da sorte que temos e, ainda mais, das sucessivas queixas de que tudo está mal. Este ano, como sabem, prometi ia dar o melhor de mim aos outros.

Ora como devem imaginar, o estado de hibernação profunda em que estive mergulhada nos últimos dois anos causou-me uma espécie de amnésia do “saber viver”, portanto, resolvi assumir publicamente que preciso de ajuda!
Assim que sair do mausoléu vou à Bertrand tratar do assunto.

04 janeiro 2010

em 2010

As coisas nem sempre correm como o esperado, aliás, estatisticamente falando, vou admitir que nunca correm conforme planeado. Por isso em vez de desejar coisas que estão para além da minha capacidade de decisão, vou-me limitar ao que efectivamente posso fazer apenas com uma boa dose de força de vontade.

Este ano vou dar aos outros o melhor de mim!

26 dezembro 2009

à dadinha

Durante doze anos recebi todos os dias o melhor presente que alguém pode pedir. Uma paciência sem fim, carinho e muito, muito amor. E por isso, hoje tomei a decisão mais difícil da minha vida. Hoje decidi que ia ser crescida, que não queria fazer sofrer alguém que me deu tanto. Que literalmente me deu a sua vida. Hoje pedi para a porem a dormir para sempre. Eu também gosto muito de ti Dadinha.

15 dezembro 2009

a idade dos "porquês"

Porque estremeces o chão que piso e não me deixas cair...
Porque tu és eu, numa outra versão. Porque sempre foste uma espécie de alter-ego. Porque tens sempre uma história para contar. Porque também a ti não faltam palavras, emoção e vontade. Porque me conheces como a palma da tua mão. Porque me levas à lua. Porque não há jogos. Fazemos um do outro pessoas melhores e por isso saímos os dois a ganhar.

Já te disse que te amo?

20 outubro 2009

fracções de segundo

Nada dura para sempre, pelo menos mantendo tudo nos mesmos moldes. Porque crescemos, porque nos zangamos ou porque pura e simplesmente é a vida. E ainda que isso nos custe, existem os chamados "pontos sem retorno". Para o bem ou para o mal, são momentos em que não é possível premir o "delete": aqueles que nunca esqueceremos quer queiramos ou não. São estas fracções de segundo responsáveis pela nossa verdadeira identidade e felizmente que até agora não há forma de as catalogar. Portanto, são só nossas. O truque? É aprender a viver com elas e dar-lhes um gosto doce. O outro? É partilhá-las.

28 julho 2009

o efeito luz nas borboletas

Já há largos meses o desfecho do episódio parecia bastante claro. No entanto, o delicioso jogo do "toca-e-foge" prolongou-se tempo demais e tal como asas de borboletas, inflamou e ardeu .
Não há mulher que resista a um homem que a abrace pelas costas. E o homem que o sabe e o faz merece estar num pedestal.
Ainda assim, não me parece que nenhuma de nós ande com os olhos vendados. Não creio que alguém ainda acredite em príncipes encantados, em cavalos brancos e muito menos ainda num salvamento glicodoce como mandava a tradição. Mas ainda assim...
DEIXEM, PELO MENOS, A CAMA ARREFECER
ATÉ DEITAREM LÁ OUTRA!!!

27 junho 2009

which will

Detesto o facto de ramente ter dúvidas e nunca me enganar. E ainda assim continuas a ser sintoma de que não havia outra opção de vida se não esta. Pergunto-me várias vezes se continuarias por perto. Se cumprias o prometido. Se o desfecho seria melodramático como estava previsto.

Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best.
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell me now
Which will you love the best.

o momento do "sem retorno"

Sabem aquele momento em que estão dispostos a deixar tudo para trás? O momento em que o estômago estremece e as pernas parecem ser incapazes de suportar o nosso peso? Este é o momento pelo qual vale a pena viver! Portanto, esqueçam as consequências, esqueçam tudo porque a única coisa da qual se vão recordar toda a vida será o instante em que deitaram tudo a perder...

09 abril 2009

# 1 retratos de pessoas da minha vida

A sua forma de inspirar e expirar o ar que entra nos seus pulmões é particularmente interessante. Nada é ao acaso, nem sequer a forma despreocupada com que humedece os lábios. Uma leve passagem da língua pelo lábio superior mostra de forma declarada que a hipótese de um desvio de milímetros é absurda. O seu controlo interior pode comparar-se a uma prisão de alta segurança o que eu acho perfeitamente magnífico. Não porque seja saudável, apenas porque consegue vestir o raio da gabardina durante todos os segundos do dia. Às vezes dou por mim a pensar se nunca lhe passou pela cabeça mandar alguém à merda, se nunca deu um murro na mesa... se algum dia errou. Daí ser-me tão difícil vê-lo como ser humano. Mas na verdade também não preciso. Não é esse o objectivo, não é esse o meu papel e muito menos o dele. Quando for grande quero ser melhor.

09 fevereiro 2009

as coisas que se vão perdendo pelo caminho

Começo a achar que ninguém me leva a sério. E pergunto-me se a culpa será minha ou se não passa de uma grande lacuna da parte deles. Ainda que não siga de forma alguma a minha própria voz, isso não quer dizer que eu esteja redondamente enganada. Aliás, se eu me dou ao luxo de fazer exactamente o contrário do que é suposto, a resposta é clara: simplesmente porque posso. Porque conheço os riscos, porque caí vezes de mais, porque quando dou um passo sei que a qualquer momento posso perder as forças e obrigatoriamente deixar-me levar. O que até nem é mau. Antes pelo contrário, é para isso que vivemos... embora não nos esqueçamos que um dos objectivos principais é sair de lá com vida! Até porque já ninguém morre de amor. E isso sim, é uma pena.

17 dezembro 2008

pieces

Ainda que haja pouca gente a percebê-lo, sei que te devo vida. Tenho para contigo uma dívida que irá para além das minhas capacidades, já que na verdade te devo quem sou.
O mundo está virado do avesso e a culpa só a posso atribuir ao amor - ou neste caso, à falta dele - e que muitas vezes está para além da compreensão dos comuns. Por isso um «muito obrigada» não chega. Fizeste de mim uma pessoa melhor, mais compreensiva e acima de tudo, mais leal para com os valores que construí contigo. Um dia escrevi que a vida não tem qualquer significado sem os outros, porque é neles que nos concretizamos. Acho que fizemos a diferença ainda que tivesse sido apenas um num outro. E isso vale uma vida inteira.

Até já.

"I won't cry
Anyone would rather
Shift their eyes
Than open up their leather
But you, you seem to be the one
So try me please
I'm a better dancer
Than it seems
The lightest floating feather
Is how i feel when i'm with you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone
Blaring car horns howl
Through feedback from this city
But i don't hear it now,
The chaos that surrounds me
No, you, you hold my mind's desire
You give me shelter
From all that's done un-pretty
My sold-out, felt-up
Retreated little secrets
Are tucked inside the warmth of you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone.." Joan as Police Woman

05 dezembro 2008

real life

Se hoje fosse o derradeiro dia, fugia para os teus braços. Juro que não pensava duas vezes. Sabes como é, certo? Faço de tudo uma grande peça de teatro. Começo a acreditar na minha mãe quando me diz que faço da minha vida um grande melodrama. E por ser assim, hoje sou eu a encenadora da minha própria vida. Então, vou ao teu encontro e agarro-te muito para que não tivesse de dizer nada. Tu ias perceber e retribuias de uma forma que só nós entendemos.
Depois peço-te o divórcio, porque já chegam os lugares, as musicas, os filmes e tudo o que nos rodeia para me lembrar que tenho uma outra parte com a qual não sei viver.
Depois do pacto quebrado, com sangue como manda a tradição, vou ao médico e imploro-lhe que cirurgicamente me arranque o pedaço que tenho a mais e que já não me pertence. E é nesse preciso momento que acordo e penso que ainda não foi desta que tu és tu e eu sou eu. Continuamos a ser um só.

27 setembro 2008

um dia destes

Um dia destes, vou-lhes contar a nossa história. Porque serão anos que com toda a certeza não poderemos apagar e porque teremos outros tantos pela frente. O mais importante não são os marcos, são sim, as razões pelos quais ficam registados. No nosso caso, a razão é simples: temos um objectivo comum. Queremos construir algo que julgamos fazer a diferença. Queremos ser nós, com uma certa tendência para traçar o nosso próprio destino. Partilhamos as mesmas crenças. Partilhamos a vontade e a determinação. Partilhamos algo que os outros não vêem e que nós mal compreendemos. Apesar de tudo isto, sabemos que estamos a fazer o que é certo. E o certo é acreditar.

eternal sunshine of the spotless mind

Se soubesses que às vezes penso no assunto provavelmente rir-te-ias do tremendo absurdo. Tu e eu, e mesmo assim não deixo de o fazer. Por qualquer razão lembro-me dos pormenores ridículos que fizeram e continuam a fazer toda a diferença. Passam-me principalmente pela cabeça as perguntas mais parvas, como por exemplo, se me deixas chegar perto quando for necessário ou se sabes que estarei lá assim que chamares por mim. Ainda que as nossas vidas sejam rectas paralelas e que por isso apenas se cruzarão num infinito longínquo demais, será que sabes que caminhamos lado a lado? Que temos exactamente o mesmo comprimento de onda? Sabes?
Num dia de verão sobre uma falésia qualquer fiz aquilo que a idade não permitia compreender. Hoje sei que na altura fiz os meus votos sobre um mar de prata sem ter noção da sua importância. Mas fi-los contigo.
Para tua informação, tenciono não esquecê-los e acima de tudo pretendo cumpri-los.

18 agosto 2008

round #1

Gosto quando olhas para mim com aquele ar de safado que só tu sabes fazer. Evidentemente que ambos sabemos como irredutivelmente acaba o enredo, mas mesmo assim não deixa de ser um delicioso jogo do toca-e-foge. Para variar, como tudo não passa de um equilíbrio ténue entre o bom e o péssimo, nunca nos entregamos verdadeiramente e tão pouco falamos nisso. É por isso que sou a favor do superficialismo. Porque não magoa mas afaga-nos a alma.

16 agosto 2008

things behind the sun

Há dias em que depressa é noite, e a nossa vida escorre-nos entre os dedos, o que eu considero uma verdadeira perda de tempo. Já noutros, a espera por um novo amanhecer é penosa e faz mal.
Pergunto-me se ainda pensas em mim. Pergunto-me se fui apenas eu, a única alma a ficar agarrada a um tempo que a distância já se encarregou de distorcer. Se assim for, só posso agradecer porque caso contrário seria a minha desgraça. Talvez nunca o tenhas entendido, mas o seu significado será sempre maior do que a intenção de o apagar.
Hoje é um daqueles dias em que me sento no tapete e vejo a vida a escorrer-me entre os dedos. Logo hoje que preferia mil vezes que o dia depressa se tornasse noite.

14 agosto 2008

recomeço

Posso dizer com toda a certeza que tinha saudades disto. Há muito que pensava ter-me esquecido como era. De como me fazia sentir borboletas e como do outro lado do mundo gerava uma tempestade que todos os anos bate recordes. Afinal, fazê-lo porque sim até sabe bem. Ninguém está à espera de um final surpreendente, mas todos procuramos no entanto o mesmo. Não existe certamente ninguém que não queira um dia perder a cabeça e que muitos pensam mais no assunto do que gostariam, mas são os mais corajosos que a perdem mais vezes. "Às vezes gostava de ser eu a corajosa só para variar..." - disse-me. Se calhar eu também.

18 julho 2008

versões de mundos

Porque não se trata do meu próprio movimento hedonista.
Porque nós sem os outros não somos nada.
Porque interessante é viver noutro papel que não o nosso.
Porque nos enriquece.
Porque sabe bem.
Porque permite-nos chegar um pouco mais à frente.
Porque é um exercício de lógica.
É apenas uma receita de outras versões, de outras verdades, de outros mundos que não o nosso.
Ou talvez não. Talvez seja este o nosso próprio mundo: o mundo que é dos outros.

Message in a bottle

Raramente te sinto quando passas a caminho da casa do lado. Mas às vezes, o óbvio leva irredutivelmente à certeza. Ontem foi um dia desses. Gostaria de te conhecido antes. Gostaria de ter tido tempo de aprender aquilo que tinhas para ensinar. Talvez tenhamos uma outra vida inteira para o fazer. Até já.

09 julho 2008

os homens da minha vida

Até à data contam-se por uma mão aqueles que entraram e mudaram a minha vida. Apesar de não mo ser permitido, nunca gostei de abdicar de nenhum deles. Porque todos são diferentes, porque todos enriqueceram a minha vida de alguma forma e transformaram-na a partir daí.

Ainda que não lhes diga, tenho saudades e sinto-me em dívida. Talvez por essa razão, mantenha uma relação pouco usual com todos eles. Um misto de amizade e sensação de perda, porque tudo tem um espaço temporal muito limitado, facto com o qual ainda não lido muito bem.

Eles que, mal ou bem, sempre me aceitaram: sem máscaras, sem subterfúgios, sem protocolos desnecessários entre duas pessoas que apenas estão juntas porque querem. Sempre vivemos um misto de tempestade e de bonança que invariavelmente leva a episódios que deveriam ficar registados. São estes episódios que me fazem ter um sorriso rasgado, e ainda que uns bons e outros maus, todos eles deixam uma melancolia muito própria.

Tenho um problema em abrir mão das coisas, isso é certo e sabido.

Hoje é um desses dias, o dia das memórias dos “homens da minha vida”.

30 junho 2008

engana-me que eu gosto

"Com esta minha mania, um dia deito tudo a perder" - digo a mim própria na esperança que surta algum efeito. Mas não. Não agora, e provavelmente nunca venha a ter essa sorte, ou azar... Não sei. A única certeza é que tenho um espaço. Sim, um espaço, porque dizer que tenho um buraco no estômago é demasiado dramático e remete para imagens pouco apelativas, como por exemplo, para uma úlcera e não é esse o objectivo. Não se pode perder o chá que a minha avó me obrigou a beber durante anos, para chegar a este ponto. Portanto, falta qualquer coisa... Céus, a Florbela Espanca é que o sabia bem. Tento convencer-me a todo custo que isto deve ser da idade. Sim, porque estar a caminho dos trinta é uma grande responsabilidade. Por esta altura devemos estar lançadas profissionalmente, elevadas habilitações literárias, ser esposas e mães de alguém. Ah, como podia esquecer, manter uma inebrinate frescura. Eis uma coisa importante. Se calhar não tenho um espaço... talvez tenha é mesmo falta dele.

02 maio 2008

juntos

Mais do que uma vontade, sempre foi a certeza. Mais do que uma impressão, sempre foi a força que nos uniu.
Queiramos ou não, a nossa vida cruzou-se mais vezes que o suposto. E pergunto-me porquê, já que é difícil a convivência, um duelo de titãs que cansa, que corrói e que mais tarde ou mais cedo há-de matar. Lembro-me perfeitamente do coração que batia mais do que devia, da falta de palavras no momento errado e a vontade que tinha de te agarrar. E depois pensava “ainda não pode ser, espero mais um pouco”. Estavas no sofá e a expressão da tua cara perguntava-me se tinhas de esperar muito mais. Na verdade, tiveste. Mais do que querias e menos que eu previa. Hoje tento olhar para trás e não te reconheço desses tempos. O que nos marca agora é o presente e definitivamente o futuro. Aquele que teremos pela frente. Juntos.

03 março 2008

o aperto no estômago

Às vezes vem de mansinho, assim como só tu sabes fazer. Sopra de leve no ombro e mostra de forma muito subtil que ainda não foi desta vez que foste embora. Outras, poder-se-á dizer que me leva ao chão.

22 janeiro 2008

a ironia do delete

Assim foi. Uma fracção de segundo. Um erro. Um delete que não deveria ter sido executado. Porque sabia bem. Porque fazia-me recordar o que não queria esquecer.

A ironia do destino é lixada.

07 janeiro 2008

5 minutos

5 minutos é o tempo necessário para deitar a perder um beijo que era nosso. O tempo de ver o sol a esconder-se atrás do mar. O tempo para escrever um aforismo que jamais esqueceremos. É no entanto aquela fracção de segundo que faz toda a diferença. Um rasgo de genialidade em que o tempo não é mensurável. Portanto, e posto isto, que diferença fará 5 minutos a mais ou a menos? A resposta é simples, e apenas neste contexto se coloca: 5 minutos é tão só e tão pouco, o tempo de um desencontro. Nada mais.

um raminho de salsa

A história repete-se infinitamente mais vezes do que aquelas que podemos presenciar para as depois contar. Porque faz parte da história da humanidade. Porque quer queiramos, quer não, tudo isto é bastante superior a nós, homens e mulheres que procuram incessantemente a sua outra parte. Também isto faz parte. E o mal não está no facto de não sabermos por onde ela anda até a encontrarmos, está sim no facto dessa parte andar por aí partida, ao sabor do vento. E enquanto a nossa inocência não nos é desfolhada, por vilões mil, a ideia de que a nossa outra parte é una permanece imaculada. A perdição, a verdadeira era da rendição, chega quando um dia nos apercebemos que de facto a nossa outra parte anda por aí, mas totalmente estraçalhada. E é neste momento que um de nós perde o norte. A caminhada perde sentido e optamos na maioria das vezes por ficar à beira-rio a ver passar navios. Apesar de estarmos absolutamente convictos que é neste ponto que perdemos o rumo, a esperança de encontrar ali a parte milésima da nossa outra parte nunca morre.
Porque conforta. Porque não temos força para mais. Porque é a nossa última tentativa. Porque sabe bem.

28 dezembro 2007

you grabbed my hand

... and we fell into it like a daydream or a fever.



Lembras-te dos nossos segredos inconfessáveis? Eu às vezes sim. Dou-me conta que deixo fugir um sorriso quando acontece. Não sei a razão, sei apenas que o faço, e definitavamente, mais vezes do que gostaria. Não falo do assunto com ninguém. Passaste a ser um mito urbano até porque provavelmente ninguém iria entender... nem mesmo tu, pois não?

24 dezembro 2007

e tudo um ano levou...

Ri e chorei mais vezes do que previ.
Perdi, reencontrei e conquistei estrelas que jamais esquecerei.

O ombro, as parvoíces, a mão, o abraço e o afago na altura mais que certa. Foi isto que ficou e que marcou definitivamente 2007.

10 outubro 2007

everything you want to give me

Se nem sempre sabemos qual o caminho certo, saberemos certamente identificar aquele que nos é nocivo. Mas ainda assim, muitas vezes, vezes demais, é esse que seguimos e para o qual corremos com quantas forças temos. Porque tem de ser. Porque existe sempre alguma coisa que nos empurra para lá. Tu és o meu caminho. Aquele para o qual sou empurrada, quer queira, quer não. Sabes que tento a todo custo fugir disso. Porque já lhe conheço o gosto amargo. Porque não passa de ácido úrico em cima de mármore, que não mata mas corrói.
Vou continuar a perguntar-me várias, demasiadas vezes, se não existe um antídoto para tudo isto. Mas calculo já saber a resposta: boa sorte.

05 outubro 2007

dear prince charming,

The only thing i can have of you is a weak description from my dearest mother. After all i never saw you. I am starting to think that you are not more than a urban legend. Here it is saying that: "He is who comes to the rescue of the damsel in distres, and typically must engage in a quest to liberate her from an evil spell."

So... i am wondering: WHERE THE F*** ARE YOU?

02 outubro 2007

hoje não

Nem hoje, nem nunca mais.
Estava decidida a não dizer mais nada. Aliás, estava decidida a não dizer nada de todo. Mas vou dizê-lo, em inglês porque é esta a única forma verbal que de facto expressa a coisa nas condições que eu considero mínimas e perceptíveis: "i´m finished here." Nenhum me chega. Nada é suficiente! Movam mundos e fundos não vale de facto a pena. Mas está visto que não fui suficiente clara para esses escassos neurónios, portanto vou tentar mais uma vez. Eu quero ter aquilo que um dia a minha mãe e o meu pai me prometeram. Eu não quero perder tempo com rectas e universos paralelos. Eu quero um que se cruze com o meu.
Tenho dito.

09 setembro 2007

what else?

A sabedoria popular é algo que me fascina. Quer queiramos, quer não, foge-nos da boca sem qualquer filtro e talvez por isso é sempre a mais genuína, aquela que devemos ter sempre em conta, porque é de facto a nossa melhor conselheira.
Deixei-me de merdas. Estendo as cuecas do lado da janela para que não sejam objecto de curiosidade por parte da vizinhança. Não visto a pele de lobo mau e trabalho que me farto. É esta a minha vida. Sou a filha, a irmã e a amiga afável e atenciosa. Ainda não aprendi a fazer café, mas fartei-me de esperar por alguém que me ensinasse. Basicamente, cansei-me de esperar pela história a que todos deveríamos ter por direito. A um sábado à noite estou na minha sala em excelente companhia. Sou eu, a cadela e a gata.
O que falta? Só mesmo o café. E por isso mesmo comprei uma nespresso.
"What else?"

08 setembro 2007

Procura-se homem insólito
para relacionamento despropositado
com mulher louva-deus.

Garantia: amputação rápida e indolor.

03 setembro 2007

hoje quero fingir

Hoje quero fingir que vais ficar por aqui um pouco mais.
Hoje quero fingir que acredito nas palavras que dizes.
Hoje quero fingir que os outros não passam de uma audiência leiga.
Hoje quero fingir que o mundo somos nós...
Hoje quero fingir que não vou ter de abrir mão de ti.
Hoje quero fingir que durarás para sempre.


27 agosto 2007

não é justo

Voltaste a bater-me à porta. Insistentemente. Como sou mais teimosa que tu, finjo não ouvir e aumento o volume das colunas. "Porra, devia ter comprado umas colunas melhores, esta merda não chega." - digo. Na realidade são poucas as coisas te chegam aos calcanhares. No pior e no melhor. E portanto há pouco a ser feito. Continuas a insistir e eu não tenho outra opção. De qualquer forma, também tenho umas palavras a proferir. Eu joguei com as cartas que me deste, mas chegou a hora de pôr o jogo em cima da mesa. Fartei-me dos teus golpes baixos. Porque não são justos. Porque deixaste-me sem reacção. Porque, ainda que à custa deles, tu não deixaste de ser o grande vencedor. Afinal o que queres mais? Dei-me por vencida e icei, naquele preciso momento, a bandeirola branca.
Podes entrar mas não faças barulho e não me faças mais perguntas. Estou demasiado cansada. A sério que não quero mais. Não aguentaria uma nova cartada.

23 agosto 2007

uma manhã à hitchcock

Acordo de uma noite aconchegada por um miudo muito doce, perfeito para quem sofre de hipoglicemia. Pensando no quão bem me parece o dia que se avizinha dirijo-me ao quarto-de-banho acompanhando a sessão musical do vizinho. Inclino-me para procurar a minha escova de dentes e nessa altura ecoa em alfama um grito impróprio para cardíacos. Algo maléfico e assustador está a ocupar o espaço entre a minha mão e a escova de dentes. Assim que me recompus, pensei: "Calma porque só pode ser imaginação tua. Aquela coisa amarela, não é aquilo que pensas. Aliás, nem lá está. É fruto da tua imaginação." Enchi-me de coragem e espreitei novamente, confiante de que estava a ter alucinações. Sim, porque a esta altura tudo me parecia melhor à realidade. A minha mão tenta passar por ela, ignorando-a a todo custo mas por lapso, ou ironia do destino, no momento em que estava praticamente a chegar ao meu objectivo, toco-lhe de leve e alfama estremece de novo. "Pronto. Confirma-se. Ela existe. O que é que faço agora? Mais, como é que isto veio cá parar?" Na esperança de ouvir uma resposta ainda perguntei em alto e bom som se num momento de pura insanidade tinha dado autorização para aquilo estar ali. A resposta tardou e nunca chegou. Mas aquilo não podia ficar ali, impune. Alguém tinha de pagar pela intrusão.

Estava a pensar em deitá-la ao rio, num saco preto para que ninguém descobrisse o meu crime macabro. Mas olhando bem e com atenção, ela parecia-me tão indefesa. Afinal não passava de uma coisa desgastada pelo tempo que não tinha lugar em lado algum.

"Ok. Pronto. Está combinado. Ficas na gaveta. Na tua gaveta, que espero sinceramente não ser ocupada por outras coisas despropositadas como tu. Será um segredo só nosso... É que uma sabe a pouco e duas são demais."

22 agosto 2007

"so please take the chance, be reckless with me ..."

Candyman,
Escrevo-te porque voltei a fazê-lo... Eu sei que te magoa, que te incomoda e não contribui em nada para justificar o meu "mais-do-mesmo". E eu sei que tu, a todo o custo, queres acreditar que este é apenas mais um dos meus exageros. Mas não é. E se to digo é porque também eu gostaria que tudo fosse um pouco diferente. Mas, mais uma vez, não é nem vai ser, porque de facto não trazemos nada de bom.
O que nos separa, desconheço, mas a sensação de desconforto que acompanha o nosso silêncio é suficiente para saber que também tu o reconheces.

Queria poder dizer que gosto de ti, que me perdi e me encontrei. Não o posso fazer porque tu não deixas e não me permites qualquer passo em falso.
Mas a culpa é minha, não é? Fui eu quem sempre afastei a hipótese de criarmos expectativas, de nos envolvermos, de escrevermos a dois um guião melodramático onde no final a protagonista é beijada pelo galã. Fui eu quem desta vez estragou a história glicodoce. Deve ser esta a sensação de um guionista que mata as suas personagens por orgulho e que se arrepende na fatídica noite da ante-estreia. A crítica adora e aplaude de pé, mas o sabor que fica a quem lhes dá o golpe de misericórdia é sempre azedo.

Mas se eu te disser que estou arrependida podemos cortar alguns "takes"?

12 agosto 2007

vida de cão

Acordo e olho para ela. Espreguiça-se a jeito de Francesca e diz-me um "bom dia, amor" meloso. Corre para o chuveiro porque para variar está atrasada e enquanto lá está tenho a cama só para mim. Estico-me, rebolo-me e esfrego-me nos seus lençois. Ela não gosta muito, mas o "dadinha feia, não faças isso!" não é para ser levado muito a sério.
Sai do banho e veste-se à pressa. O ritual de todos os dias. Eu fico a vê-la, agora da minha cama. É simpática. Caótica, mas amorosa. Está sempre a queixar-se do tempo que não tem. E à conta disso, já passaram por aqui algumas pessoas que nunca ficaram muito tempo. Eu não me importo porque assim tenho-a só para mim. Mas ela às vezes chora. Muito. Felizmente, tão depressa começa como acaba, o que significa hora do passeio. O nosso tempo. Aquele que é só nosso. Onde não há mais ninguém. Nem a Francesca.
Essa é outra. Apareceu há dois anos. Pensei que não sobrevivesse porque era muito pequenina. Mas não. Não só cresceu para contar a sua miserável história, como ainda tem saúde para andar atrás de mim com as garras de fora. É chata e não gosto muito dela. Tem a mania de me roubar os croquetes para brincar com eles. Será que a parva não percebe que é de mau tom brincar com a comida, principalmente quando essa comida é a dos outros? A minha pessoa já está pronta. Dá uma festa à Francesca e outra a mim complementada com um beijo no focinho. Depois pega nas coisas dela e dirige-se para a porta com as chaves na mão.
Volta-se para trás antes de sair e diz: "Volto já. Não demoro muito. Gosto muito de vocês."

08 agosto 2007

o fatíco mais do mesmo

A expressão a utilizar é "não posso com um gato pelo rabo"... mas causa-me calafrios. A imagem mental que se cria não é das mais estéticas. Por isso uso outra. Não tão verdadeira. Nem tão crua. Com um sem número de corantes e conservantes. Porque prezo a vista com óculos de sol que filtram o que me é nocivo aos olhos. Porque adoro o que é fugaz e ainda mais as perspectivas vistas à lupa. Faço das últimas a minha vida. Perspectivas sem contexto, distorcidas e desencontradas, como nós. Não me pergunto como ou porquê, porque invariavelmente não o sei. Mas sei que dependo das fracções de segundo para as viver. Uma palavra, um gesto, um som num determinado momento fazem estremecer toda uma plateia, então porque não a nós?

07 agosto 2007

les choses d´or

O que mais gosto: o encaixe perfeito. O que menos gosto: o facto desse pormenor nos levar irredutivelmente ao engano. Não é justo, mas sabe bem. No momento em que as palavras não fazem outra coisa senão limitar-nos, vale o silêncio que as espaça. Ainda assim, não suficiente porque nunca nada o é. Poucas são as coisas que fazem a diferença. E também isto não é justo. Todos nós deveríamos ter direito a elas de vez em quando.
As minhas preferidas: o encosto num ombro, um beijo com um suspiro pelo meio, uma mão que se aperta no momento certo e uma palavra que se diz no mais absoluto silêncio.

05 agosto 2007

até já

Se tudo não não fosse mais do que aquilo que tenho à minha frente, a minha vida estaria reduzida a dez caixas de cartão. "Aquela sou eu empacotada", digo. Mas daquele monte de caixas desiguais, retiradas de um contentor porque ainda não tinha chegado a hora delas, apenas escolho duas peças que guardo por razões que ultrapassam a utilidade... A minha preferida: um copo que me foi oferecido há já demasiado tempo. Um copo que nunca foi utilizado porque primeiro nunca teve par, porque depois se tornou parte da decoração e finalmente porque se tornou demasiado valioso para correr o risco de se partir nas mãos de quem não lhe conhecia a história. O valor não está de facto no objecto, está sim nas vezes que o quis partir por raiva à pessoa que mo ofereceu, nas vezes em que o segurei com saudade e que hoje faz parte de mim. Foste tu quem bebeu o meu café vezes sem conta, foste tu quem sobreviveu às minhas trevas e que ainda hoje atende o telefone, com uma paciência de santo, e que produz o som típico de quem já me conhece há demasiado. O tempo passou-nos por cima sem que nos déssemos conta e ainda assim tu continuas comigo de uma forma que provavelmente só nós dois entendemos.
Hoje encontrei-te e segui porque é suposto assim ser. Mas no momento em que o telefone toca, a conversa flui sem a noção do tempo ou do espaço que nos separou. Como se de um mero recado esquecido se tratasse. A despedida? Com um breve até já porque de facto é-o sempre.

01 agosto 2007

solilóquio

Estou perdida. A história é sempre a mesma. O final já o sei de cor. Ainda assim, não sei o que é o certo ou o errado. Ou melhor sei. Mas não desisto do que é feio, mau ou falso. Não páro de correr. Desta vez em direcção a ti, não no sentido oposto como é habitual. Acho que definitivamente tenho um problema. Daqueles graves. Daqueles que permitem ter uma lúcidez aterradora, e que ainda assim não evita este terrível momento. O momento do solilóquio:
"Não é a ideia mais brilhante que tiveste. Sabes disso não sabes? Respira fundo e acaba com isto de uma vez. Nem tens de te esforçar muito. É tudo uma questão de não piorar o que já foi feito. É uma questão de estares sossegada. Não o alimentes e deixa-o morrer."