28 julho 2009

o efeito luz nas borboletas

Já há largos meses o desfecho do episódio parecia bastante claro. No entanto, o delicioso jogo do "toca-e-foge" prolongou-se tempo demais e tal como asas de borboletas, inflamou e ardeu .
Não há mulher que resista a um homem que a abrace pelas costas. E o homem que o sabe e o faz merece estar num pedestal.
Ainda assim, não me parece que nenhuma de nós ande com os olhos vendados. Não creio que alguém ainda acredite em príncipes encantados, em cavalos brancos e muito menos ainda num salvamento glicodoce como mandava a tradição. Mas ainda assim...
DEIXEM, PELO MENOS, A CAMA ARREFECER
ATÉ DEITAREM LÁ OUTRA!!!

27 junho 2009

which will

Detesto o facto de ramente ter dúvidas e nunca me enganar. E ainda assim continuas a ser sintoma de que não havia outra opção de vida se não esta. Pergunto-me várias vezes se continuarias por perto. Se cumprias o prometido. Se o desfecho seria melodramático como estava previsto.

Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best.
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell me now
Which will you love the best.

o momento do "sem retorno"

Sabem aquele momento em que estão dispostos a deixar tudo para trás? O momento em que o estômago estremece e as pernas parecem ser incapazes de suportar o nosso peso? Este é o momento pelo qual vale a pena viver! Portanto, esqueçam as consequências, esqueçam tudo porque a única coisa da qual se vão recordar toda a vida será o instante em que deitaram tudo a perder...

09 abril 2009

# 1 retratos de pessoas da minha vida

A sua forma de inspirar e expirar o ar que entra nos seus pulmões é particularmente interessante. Nada é ao acaso, nem sequer a forma despreocupada com que humedece os lábios. Uma leve passagem da língua pelo lábio superior mostra de forma declarada que a hipótese de um desvio de milímetros é absurda. O seu controlo interior pode comparar-se a uma prisão de alta segurança o que eu acho perfeitamente magnífico. Não porque seja saudável, apenas porque consegue vestir o raio da gabardina durante todos os segundos do dia. Às vezes dou por mim a pensar se nunca lhe passou pela cabeça mandar alguém à merda, se nunca deu um murro na mesa... se algum dia errou. Daí ser-me tão difícil vê-lo como ser humano. Mas na verdade também não preciso. Não é esse o objectivo, não é esse o meu papel e muito menos o dele. Quando for grande quero ser melhor.

09 fevereiro 2009

as coisas que se vão perdendo pelo caminho

Começo a achar que ninguém me leva a sério. E pergunto-me se a culpa será minha ou se não passa de uma grande lacuna da parte deles. Ainda que não siga de forma alguma a minha própria voz, isso não quer dizer que eu esteja redondamente enganada. Aliás, se eu me dou ao luxo de fazer exactamente o contrário do que é suposto, a resposta é clara: simplesmente porque posso. Porque conheço os riscos, porque caí vezes de mais, porque quando dou um passo sei que a qualquer momento posso perder as forças e obrigatoriamente deixar-me levar. O que até nem é mau. Antes pelo contrário, é para isso que vivemos... embora não nos esqueçamos que um dos objectivos principais é sair de lá com vida! Até porque já ninguém morre de amor. E isso sim, é uma pena.

17 dezembro 2008

pieces

Ainda que haja pouca gente a percebê-lo, sei que te devo vida. Tenho para contigo uma dívida que irá para além das minhas capacidades, já que na verdade te devo quem sou.
O mundo está virado do avesso e a culpa só a posso atribuir ao amor - ou neste caso, à falta dele - e que muitas vezes está para além da compreensão dos comuns. Por isso um «muito obrigada» não chega. Fizeste de mim uma pessoa melhor, mais compreensiva e acima de tudo, mais leal para com os valores que construí contigo. Um dia escrevi que a vida não tem qualquer significado sem os outros, porque é neles que nos concretizamos. Acho que fizemos a diferença ainda que tivesse sido apenas um num outro. E isso vale uma vida inteira.

Até já.

"I won't cry
Anyone would rather
Shift their eyes
Than open up their leather
But you, you seem to be the one
So try me please
I'm a better dancer
Than it seems
The lightest floating feather
Is how i feel when i'm with you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone
Blaring car horns howl
Through feedback from this city
But i don't hear it now,
The chaos that surrounds me
No, you, you hold my mind's desire
You give me shelter
From all that's done un-pretty
My sold-out, felt-up
Retreated little secrets
Are tucked inside the warmth of you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone.." Joan as Police Woman

05 dezembro 2008

real life

Se hoje fosse o derradeiro dia, fugia para os teus braços. Juro que não pensava duas vezes. Sabes como é, certo? Faço de tudo uma grande peça de teatro. Começo a acreditar na minha mãe quando me diz que faço da minha vida um grande melodrama. E por ser assim, hoje sou eu a encenadora da minha própria vida. Então, vou ao teu encontro e agarro-te muito para que não tivesse de dizer nada. Tu ias perceber e retribuias de uma forma que só nós entendemos.
Depois peço-te o divórcio, porque já chegam os lugares, as musicas, os filmes e tudo o que nos rodeia para me lembrar que tenho uma outra parte com a qual não sei viver.
Depois do pacto quebrado, com sangue como manda a tradição, vou ao médico e imploro-lhe que cirurgicamente me arranque o pedaço que tenho a mais e que já não me pertence. E é nesse preciso momento que acordo e penso que ainda não foi desta que tu és tu e eu sou eu. Continuamos a ser um só.

27 setembro 2008

um dia destes

Um dia destes, vou-lhes contar a nossa história. Porque serão anos que com toda a certeza não poderemos apagar e porque teremos outros tantos pela frente. O mais importante não são os marcos, são sim, as razões pelos quais ficam registados. No nosso caso, a razão é simples: temos um objectivo comum. Queremos construir algo que julgamos fazer a diferença. Queremos ser nós, com uma certa tendência para traçar o nosso próprio destino. Partilhamos as mesmas crenças. Partilhamos a vontade e a determinação. Partilhamos algo que os outros não vêem e que nós mal compreendemos. Apesar de tudo isto, sabemos que estamos a fazer o que é certo. E o certo é acreditar.

eternal sunshine of the spotless mind

Se soubesses que às vezes penso no assunto provavelmente rir-te-ias do tremendo absurdo. Tu e eu, e mesmo assim não deixo de o fazer. Por qualquer razão lembro-me dos pormenores ridículos que fizeram e continuam a fazer toda a diferença. Passam-me principalmente pela cabeça as perguntas mais parvas, como por exemplo, se me deixas chegar perto quando for necessário ou se sabes que estarei lá assim que chamares por mim. Ainda que as nossas vidas sejam rectas paralelas e que por isso apenas se cruzarão num infinito longínquo demais, será que sabes que caminhamos lado a lado? Que temos exactamente o mesmo comprimento de onda? Sabes?
Num dia de verão sobre uma falésia qualquer fiz aquilo que a idade não permitia compreender. Hoje sei que na altura fiz os meus votos sobre um mar de prata sem ter noção da sua importância. Mas fi-los contigo.
Para tua informação, tenciono não esquecê-los e acima de tudo pretendo cumpri-los.

18 agosto 2008

round #1

Gosto quando olhas para mim com aquele ar de safado que só tu sabes fazer. Evidentemente que ambos sabemos como irredutivelmente acaba o enredo, mas mesmo assim não deixa de ser um delicioso jogo do toca-e-foge. Para variar, como tudo não passa de um equilíbrio ténue entre o bom e o péssimo, nunca nos entregamos verdadeiramente e tão pouco falamos nisso. É por isso que sou a favor do superficialismo. Porque não magoa mas afaga-nos a alma.

16 agosto 2008

things behind the sun

Há dias em que depressa é noite, e a nossa vida escorre-nos entre os dedos, o que eu considero uma verdadeira perda de tempo. Já noutros, a espera por um novo amanhecer é penosa e faz mal.
Pergunto-me se ainda pensas em mim. Pergunto-me se fui apenas eu, a única alma a ficar agarrada a um tempo que a distância já se encarregou de distorcer. Se assim for, só posso agradecer porque caso contrário seria a minha desgraça. Talvez nunca o tenhas entendido, mas o seu significado será sempre maior do que a intenção de o apagar.
Hoje é um daqueles dias em que me sento no tapete e vejo a vida a escorrer-me entre os dedos. Logo hoje que preferia mil vezes que o dia depressa se tornasse noite.

14 agosto 2008

recomeço

Posso dizer com toda a certeza que tinha saudades disto. Há muito que pensava ter-me esquecido como era. De como me fazia sentir borboletas e como do outro lado do mundo gerava uma tempestade que todos os anos bate recordes. Afinal, fazê-lo porque sim até sabe bem. Ninguém está à espera de um final surpreendente, mas todos procuramos no entanto o mesmo. Não existe certamente ninguém que não queira um dia perder a cabeça e que muitos pensam mais no assunto do que gostariam, mas são os mais corajosos que a perdem mais vezes. "Às vezes gostava de ser eu a corajosa só para variar..." - disse-me. Se calhar eu também.

18 julho 2008

versões de mundos

Porque não se trata do meu próprio movimento hedonista.
Porque nós sem os outros não somos nada.
Porque interessante é viver noutro papel que não o nosso.
Porque nos enriquece.
Porque sabe bem.
Porque permite-nos chegar um pouco mais à frente.
Porque é um exercício de lógica.
É apenas uma receita de outras versões, de outras verdades, de outros mundos que não o nosso.
Ou talvez não. Talvez seja este o nosso próprio mundo: o mundo que é dos outros.

Message in a bottle

Raramente te sinto quando passas a caminho da casa do lado. Mas às vezes, o óbvio leva irredutivelmente à certeza. Ontem foi um dia desses. Gostaria de te conhecido antes. Gostaria de ter tido tempo de aprender aquilo que tinhas para ensinar. Talvez tenhamos uma outra vida inteira para o fazer. Até já.

09 julho 2008

os homens da minha vida

Até à data contam-se por uma mão aqueles que entraram e mudaram a minha vida. Apesar de não mo ser permitido, nunca gostei de abdicar de nenhum deles. Porque todos são diferentes, porque todos enriqueceram a minha vida de alguma forma e transformaram-na a partir daí.

Ainda que não lhes diga, tenho saudades e sinto-me em dívida. Talvez por essa razão, mantenha uma relação pouco usual com todos eles. Um misto de amizade e sensação de perda, porque tudo tem um espaço temporal muito limitado, facto com o qual ainda não lido muito bem.

Eles que, mal ou bem, sempre me aceitaram: sem máscaras, sem subterfúgios, sem protocolos desnecessários entre duas pessoas que apenas estão juntas porque querem. Sempre vivemos um misto de tempestade e de bonança que invariavelmente leva a episódios que deveriam ficar registados. São estes episódios que me fazem ter um sorriso rasgado, e ainda que uns bons e outros maus, todos eles deixam uma melancolia muito própria.

Tenho um problema em abrir mão das coisas, isso é certo e sabido.

Hoje é um desses dias, o dia das memórias dos “homens da minha vida”.

30 junho 2008

engana-me que eu gosto

"Com esta minha mania, um dia deito tudo a perder" - digo a mim própria na esperança que surta algum efeito. Mas não. Não agora, e provavelmente nunca venha a ter essa sorte, ou azar... Não sei. A única certeza é que tenho um espaço. Sim, um espaço, porque dizer que tenho um buraco no estômago é demasiado dramático e remete para imagens pouco apelativas, como por exemplo, para uma úlcera e não é esse o objectivo. Não se pode perder o chá que a minha avó me obrigou a beber durante anos, para chegar a este ponto. Portanto, falta qualquer coisa... Céus, a Florbela Espanca é que o sabia bem. Tento convencer-me a todo custo que isto deve ser da idade. Sim, porque estar a caminho dos trinta é uma grande responsabilidade. Por esta altura devemos estar lançadas profissionalmente, elevadas habilitações literárias, ser esposas e mães de alguém. Ah, como podia esquecer, manter uma inebrinate frescura. Eis uma coisa importante. Se calhar não tenho um espaço... talvez tenha é mesmo falta dele.

02 maio 2008

juntos

Mais do que uma vontade, sempre foi a certeza. Mais do que uma impressão, sempre foi a força que nos uniu.
Queiramos ou não, a nossa vida cruzou-se mais vezes que o suposto. E pergunto-me porquê, já que é difícil a convivência, um duelo de titãs que cansa, que corrói e que mais tarde ou mais cedo há-de matar. Lembro-me perfeitamente do coração que batia mais do que devia, da falta de palavras no momento errado e a vontade que tinha de te agarrar. E depois pensava “ainda não pode ser, espero mais um pouco”. Estavas no sofá e a expressão da tua cara perguntava-me se tinhas de esperar muito mais. Na verdade, tiveste. Mais do que querias e menos que eu previa. Hoje tento olhar para trás e não te reconheço desses tempos. O que nos marca agora é o presente e definitivamente o futuro. Aquele que teremos pela frente. Juntos.

03 março 2008

o aperto no estômago

Às vezes vem de mansinho, assim como só tu sabes fazer. Sopra de leve no ombro e mostra de forma muito subtil que ainda não foi desta vez que foste embora. Outras, poder-se-á dizer que me leva ao chão.

22 janeiro 2008

a ironia do delete

Assim foi. Uma fracção de segundo. Um erro. Um delete que não deveria ter sido executado. Porque sabia bem. Porque fazia-me recordar o que não queria esquecer.

A ironia do destino é lixada.

07 janeiro 2008

5 minutos

5 minutos é o tempo necessário para deitar a perder um beijo que era nosso. O tempo de ver o sol a esconder-se atrás do mar. O tempo para escrever um aforismo que jamais esqueceremos. É no entanto aquela fracção de segundo que faz toda a diferença. Um rasgo de genialidade em que o tempo não é mensurável. Portanto, e posto isto, que diferença fará 5 minutos a mais ou a menos? A resposta é simples, e apenas neste contexto se coloca: 5 minutos é tão só e tão pouco, o tempo de um desencontro. Nada mais.

um raminho de salsa

A história repete-se infinitamente mais vezes do que aquelas que podemos presenciar para as depois contar. Porque faz parte da história da humanidade. Porque quer queiramos, quer não, tudo isto é bastante superior a nós, homens e mulheres que procuram incessantemente a sua outra parte. Também isto faz parte. E o mal não está no facto de não sabermos por onde ela anda até a encontrarmos, está sim no facto dessa parte andar por aí partida, ao sabor do vento. E enquanto a nossa inocência não nos é desfolhada, por vilões mil, a ideia de que a nossa outra parte é una permanece imaculada. A perdição, a verdadeira era da rendição, chega quando um dia nos apercebemos que de facto a nossa outra parte anda por aí, mas totalmente estraçalhada. E é neste momento que um de nós perde o norte. A caminhada perde sentido e optamos na maioria das vezes por ficar à beira-rio a ver passar navios. Apesar de estarmos absolutamente convictos que é neste ponto que perdemos o rumo, a esperança de encontrar ali a parte milésima da nossa outra parte nunca morre.
Porque conforta. Porque não temos força para mais. Porque é a nossa última tentativa. Porque sabe bem.

28 dezembro 2007

you grabbed my hand

... and we fell into it like a daydream or a fever.



Lembras-te dos nossos segredos inconfessáveis? Eu às vezes sim. Dou-me conta que deixo fugir um sorriso quando acontece. Não sei a razão, sei apenas que o faço, e definitavamente, mais vezes do que gostaria. Não falo do assunto com ninguém. Passaste a ser um mito urbano até porque provavelmente ninguém iria entender... nem mesmo tu, pois não?

24 dezembro 2007

e tudo um ano levou...

Ri e chorei mais vezes do que previ.
Perdi, reencontrei e conquistei estrelas que jamais esquecerei.

O ombro, as parvoíces, a mão, o abraço e o afago na altura mais que certa. Foi isto que ficou e que marcou definitivamente 2007.

10 outubro 2007

everything you want to give me

Se nem sempre sabemos qual o caminho certo, saberemos certamente identificar aquele que nos é nocivo. Mas ainda assim, muitas vezes, vezes demais, é esse que seguimos e para o qual corremos com quantas forças temos. Porque tem de ser. Porque existe sempre alguma coisa que nos empurra para lá. Tu és o meu caminho. Aquele para o qual sou empurrada, quer queira, quer não. Sabes que tento a todo custo fugir disso. Porque já lhe conheço o gosto amargo. Porque não passa de ácido úrico em cima de mármore, que não mata mas corrói.
Vou continuar a perguntar-me várias, demasiadas vezes, se não existe um antídoto para tudo isto. Mas calculo já saber a resposta: boa sorte.

05 outubro 2007

dear prince charming,

The only thing i can have of you is a weak description from my dearest mother. After all i never saw you. I am starting to think that you are not more than a urban legend. Here it is saying that: "He is who comes to the rescue of the damsel in distres, and typically must engage in a quest to liberate her from an evil spell."

So... i am wondering: WHERE THE F*** ARE YOU?

02 outubro 2007

hoje não

Nem hoje, nem nunca mais.
Estava decidida a não dizer mais nada. Aliás, estava decidida a não dizer nada de todo. Mas vou dizê-lo, em inglês porque é esta a única forma verbal que de facto expressa a coisa nas condições que eu considero mínimas e perceptíveis: "i´m finished here." Nenhum me chega. Nada é suficiente! Movam mundos e fundos não vale de facto a pena. Mas está visto que não fui suficiente clara para esses escassos neurónios, portanto vou tentar mais uma vez. Eu quero ter aquilo que um dia a minha mãe e o meu pai me prometeram. Eu não quero perder tempo com rectas e universos paralelos. Eu quero um que se cruze com o meu.
Tenho dito.

09 setembro 2007

what else?

A sabedoria popular é algo que me fascina. Quer queiramos, quer não, foge-nos da boca sem qualquer filtro e talvez por isso é sempre a mais genuína, aquela que devemos ter sempre em conta, porque é de facto a nossa melhor conselheira.
Deixei-me de merdas. Estendo as cuecas do lado da janela para que não sejam objecto de curiosidade por parte da vizinhança. Não visto a pele de lobo mau e trabalho que me farto. É esta a minha vida. Sou a filha, a irmã e a amiga afável e atenciosa. Ainda não aprendi a fazer café, mas fartei-me de esperar por alguém que me ensinasse. Basicamente, cansei-me de esperar pela história a que todos deveríamos ter por direito. A um sábado à noite estou na minha sala em excelente companhia. Sou eu, a cadela e a gata.
O que falta? Só mesmo o café. E por isso mesmo comprei uma nespresso.
"What else?"

08 setembro 2007

Procura-se homem insólito
para relacionamento despropositado
com mulher louva-deus.

Garantia: amputação rápida e indolor.

03 setembro 2007

hoje quero fingir

Hoje quero fingir que vais ficar por aqui um pouco mais.
Hoje quero fingir que acredito nas palavras que dizes.
Hoje quero fingir que os outros não passam de uma audiência leiga.
Hoje quero fingir que o mundo somos nós...
Hoje quero fingir que não vou ter de abrir mão de ti.
Hoje quero fingir que durarás para sempre.


27 agosto 2007

não é justo

Voltaste a bater-me à porta. Insistentemente. Como sou mais teimosa que tu, finjo não ouvir e aumento o volume das colunas. "Porra, devia ter comprado umas colunas melhores, esta merda não chega." - digo. Na realidade são poucas as coisas te chegam aos calcanhares. No pior e no melhor. E portanto há pouco a ser feito. Continuas a insistir e eu não tenho outra opção. De qualquer forma, também tenho umas palavras a proferir. Eu joguei com as cartas que me deste, mas chegou a hora de pôr o jogo em cima da mesa. Fartei-me dos teus golpes baixos. Porque não são justos. Porque deixaste-me sem reacção. Porque, ainda que à custa deles, tu não deixaste de ser o grande vencedor. Afinal o que queres mais? Dei-me por vencida e icei, naquele preciso momento, a bandeirola branca.
Podes entrar mas não faças barulho e não me faças mais perguntas. Estou demasiado cansada. A sério que não quero mais. Não aguentaria uma nova cartada.

23 agosto 2007

uma manhã à hitchcock

Acordo de uma noite aconchegada por um miudo muito doce, perfeito para quem sofre de hipoglicemia. Pensando no quão bem me parece o dia que se avizinha dirijo-me ao quarto-de-banho acompanhando a sessão musical do vizinho. Inclino-me para procurar a minha escova de dentes e nessa altura ecoa em alfama um grito impróprio para cardíacos. Algo maléfico e assustador está a ocupar o espaço entre a minha mão e a escova de dentes. Assim que me recompus, pensei: "Calma porque só pode ser imaginação tua. Aquela coisa amarela, não é aquilo que pensas. Aliás, nem lá está. É fruto da tua imaginação." Enchi-me de coragem e espreitei novamente, confiante de que estava a ter alucinações. Sim, porque a esta altura tudo me parecia melhor à realidade. A minha mão tenta passar por ela, ignorando-a a todo custo mas por lapso, ou ironia do destino, no momento em que estava praticamente a chegar ao meu objectivo, toco-lhe de leve e alfama estremece de novo. "Pronto. Confirma-se. Ela existe. O que é que faço agora? Mais, como é que isto veio cá parar?" Na esperança de ouvir uma resposta ainda perguntei em alto e bom som se num momento de pura insanidade tinha dado autorização para aquilo estar ali. A resposta tardou e nunca chegou. Mas aquilo não podia ficar ali, impune. Alguém tinha de pagar pela intrusão.

Estava a pensar em deitá-la ao rio, num saco preto para que ninguém descobrisse o meu crime macabro. Mas olhando bem e com atenção, ela parecia-me tão indefesa. Afinal não passava de uma coisa desgastada pelo tempo que não tinha lugar em lado algum.

"Ok. Pronto. Está combinado. Ficas na gaveta. Na tua gaveta, que espero sinceramente não ser ocupada por outras coisas despropositadas como tu. Será um segredo só nosso... É que uma sabe a pouco e duas são demais."

22 agosto 2007

"so please take the chance, be reckless with me ..."

Candyman,
Escrevo-te porque voltei a fazê-lo... Eu sei que te magoa, que te incomoda e não contribui em nada para justificar o meu "mais-do-mesmo". E eu sei que tu, a todo o custo, queres acreditar que este é apenas mais um dos meus exageros. Mas não é. E se to digo é porque também eu gostaria que tudo fosse um pouco diferente. Mas, mais uma vez, não é nem vai ser, porque de facto não trazemos nada de bom.
O que nos separa, desconheço, mas a sensação de desconforto que acompanha o nosso silêncio é suficiente para saber que também tu o reconheces.

Queria poder dizer que gosto de ti, que me perdi e me encontrei. Não o posso fazer porque tu não deixas e não me permites qualquer passo em falso.
Mas a culpa é minha, não é? Fui eu quem sempre afastei a hipótese de criarmos expectativas, de nos envolvermos, de escrevermos a dois um guião melodramático onde no final a protagonista é beijada pelo galã. Fui eu quem desta vez estragou a história glicodoce. Deve ser esta a sensação de um guionista que mata as suas personagens por orgulho e que se arrepende na fatídica noite da ante-estreia. A crítica adora e aplaude de pé, mas o sabor que fica a quem lhes dá o golpe de misericórdia é sempre azedo.

Mas se eu te disser que estou arrependida podemos cortar alguns "takes"?

12 agosto 2007

vida de cão

Acordo e olho para ela. Espreguiça-se a jeito de Francesca e diz-me um "bom dia, amor" meloso. Corre para o chuveiro porque para variar está atrasada e enquanto lá está tenho a cama só para mim. Estico-me, rebolo-me e esfrego-me nos seus lençois. Ela não gosta muito, mas o "dadinha feia, não faças isso!" não é para ser levado muito a sério.
Sai do banho e veste-se à pressa. O ritual de todos os dias. Eu fico a vê-la, agora da minha cama. É simpática. Caótica, mas amorosa. Está sempre a queixar-se do tempo que não tem. E à conta disso, já passaram por aqui algumas pessoas que nunca ficaram muito tempo. Eu não me importo porque assim tenho-a só para mim. Mas ela às vezes chora. Muito. Felizmente, tão depressa começa como acaba, o que significa hora do passeio. O nosso tempo. Aquele que é só nosso. Onde não há mais ninguém. Nem a Francesca.
Essa é outra. Apareceu há dois anos. Pensei que não sobrevivesse porque era muito pequenina. Mas não. Não só cresceu para contar a sua miserável história, como ainda tem saúde para andar atrás de mim com as garras de fora. É chata e não gosto muito dela. Tem a mania de me roubar os croquetes para brincar com eles. Será que a parva não percebe que é de mau tom brincar com a comida, principalmente quando essa comida é a dos outros? A minha pessoa já está pronta. Dá uma festa à Francesca e outra a mim complementada com um beijo no focinho. Depois pega nas coisas dela e dirige-se para a porta com as chaves na mão.
Volta-se para trás antes de sair e diz: "Volto já. Não demoro muito. Gosto muito de vocês."

08 agosto 2007

o fatíco mais do mesmo

A expressão a utilizar é "não posso com um gato pelo rabo"... mas causa-me calafrios. A imagem mental que se cria não é das mais estéticas. Por isso uso outra. Não tão verdadeira. Nem tão crua. Com um sem número de corantes e conservantes. Porque prezo a vista com óculos de sol que filtram o que me é nocivo aos olhos. Porque adoro o que é fugaz e ainda mais as perspectivas vistas à lupa. Faço das últimas a minha vida. Perspectivas sem contexto, distorcidas e desencontradas, como nós. Não me pergunto como ou porquê, porque invariavelmente não o sei. Mas sei que dependo das fracções de segundo para as viver. Uma palavra, um gesto, um som num determinado momento fazem estremecer toda uma plateia, então porque não a nós?

07 agosto 2007

les choses d´or

O que mais gosto: o encaixe perfeito. O que menos gosto: o facto desse pormenor nos levar irredutivelmente ao engano. Não é justo, mas sabe bem. No momento em que as palavras não fazem outra coisa senão limitar-nos, vale o silêncio que as espaça. Ainda assim, não suficiente porque nunca nada o é. Poucas são as coisas que fazem a diferença. E também isto não é justo. Todos nós deveríamos ter direito a elas de vez em quando.
As minhas preferidas: o encosto num ombro, um beijo com um suspiro pelo meio, uma mão que se aperta no momento certo e uma palavra que se diz no mais absoluto silêncio.

05 agosto 2007

até já

Se tudo não não fosse mais do que aquilo que tenho à minha frente, a minha vida estaria reduzida a dez caixas de cartão. "Aquela sou eu empacotada", digo. Mas daquele monte de caixas desiguais, retiradas de um contentor porque ainda não tinha chegado a hora delas, apenas escolho duas peças que guardo por razões que ultrapassam a utilidade... A minha preferida: um copo que me foi oferecido há já demasiado tempo. Um copo que nunca foi utilizado porque primeiro nunca teve par, porque depois se tornou parte da decoração e finalmente porque se tornou demasiado valioso para correr o risco de se partir nas mãos de quem não lhe conhecia a história. O valor não está de facto no objecto, está sim nas vezes que o quis partir por raiva à pessoa que mo ofereceu, nas vezes em que o segurei com saudade e que hoje faz parte de mim. Foste tu quem bebeu o meu café vezes sem conta, foste tu quem sobreviveu às minhas trevas e que ainda hoje atende o telefone, com uma paciência de santo, e que produz o som típico de quem já me conhece há demasiado. O tempo passou-nos por cima sem que nos déssemos conta e ainda assim tu continuas comigo de uma forma que provavelmente só nós dois entendemos.
Hoje encontrei-te e segui porque é suposto assim ser. Mas no momento em que o telefone toca, a conversa flui sem a noção do tempo ou do espaço que nos separou. Como se de um mero recado esquecido se tratasse. A despedida? Com um breve até já porque de facto é-o sempre.

01 agosto 2007

solilóquio

Estou perdida. A história é sempre a mesma. O final já o sei de cor. Ainda assim, não sei o que é o certo ou o errado. Ou melhor sei. Mas não desisto do que é feio, mau ou falso. Não páro de correr. Desta vez em direcção a ti, não no sentido oposto como é habitual. Acho que definitivamente tenho um problema. Daqueles graves. Daqueles que permitem ter uma lúcidez aterradora, e que ainda assim não evita este terrível momento. O momento do solilóquio:
"Não é a ideia mais brilhante que tiveste. Sabes disso não sabes? Respira fundo e acaba com isto de uma vez. Nem tens de te esforçar muito. É tudo uma questão de não piorar o que já foi feito. É uma questão de estares sossegada. Não o alimentes e deixa-o morrer."

30 julho 2007

queixume

Falta qualquer coisa.
E apesar de eu querer a todo custo renunciar a falta que fazes, o esforço nunca é suficiente. Literalmente, nunca chega. Convenço os outros da ausência que não sinto, dos actos helénicos de que sou capaz. Mas também isto não me sobeja.
Fazes-me falta. Espero e desespero porque não sei quem és.
Porque te procuro e não te encontro.
Porque quero a todo custo acreditar que existes,

Ainda que noutro ponto distante do meu.
Serás tu quem:

Rir-se-á das minhas tolices com cumplicidade.
Adormecerá no meu sofá nas tardes de chuva.

Partilhará as minhas longas leituras para a tese.
E me ensinará a fazer café.

Será esta a minha outra pessoa?

recado na bancada da cozinha

Gosto de te ver dormir.

Durante todo o tempo que o fazes, tens um sorriso maroto na cara. E quando acordas, espreguiças-te como um gato. E também tu ronronas, baixinho, e enlaças-te em mim. É bom. És doce. Não me canso de olhar para ti, e por isso mesmo, fico sempre com a impressão que te observo em excesso. És uma criança crescida, que não tem lugar em lado algum. Tento a todo custo minimizar isso. É por isso que te sou tão aprazível. No fundo sei que não passam de gestos inglórios porque na verdade eu não faço a diferença. A vida não te é mais fecunda com a minha permanência nela. É irrelevante. E é desgastante para mim sabê-lo.

Não passo de um sofá confortável em que te aninhas quando precisas. Às vezes dou-me conta que existem alguns momentos, particularidades relevantes. Infelizmente, apenas naquela fracção de segundo. E isso não chega. Queremos à força arranjar um motivo para acordarmos juntos que não seja a vontade de não querermos dormir sozinhos. Por enquanto ainda não o encontrámos. Esta mentira conveniente dá cabo de mim. Mas ambos queremos vivê-la à força.

12 julho 2007

hoje não

Porque não me apetece. Porque não sou capaz. A substituição por outra coisa qualquer nem sempre basta. Ás vezes, muitas vezes, é preciso mais do que um querer pouco certo. Mas hoje não. Hoje sou eu a derrotada. Perdida numa edificação de carácter que já dura há demasiado tempo.
Hoje entro em estado de latência. Porque nada foi certo. E porque nada o é. Porque dói. Porque corrói. Porque hoje mata.

11 julho 2007

ref.17061980

Se a renúncia e o acaso tocassem ao mesmo compasso, essa seria a minha vida. Mas tudo não passa de uma regra matemática em que duas linhas rectas apenas se cruzam no infinito. Não no início, a meio, nem no fim. E é isso que nos enloquece. Andamos perdidos à procura de qualquer coisa que se cruze na nossa vida. Uma outra vida também ela rumando para o infinito. Mas a falha não está em nós. A falha está na matemática. E é essa mesma falha, esse fosso, que faz com que procuremos tanto. A questão é que ninguém jamais olhou para o lado. Se assim o tivessem feito, por esta altura já todos saberíamos que ainda que não nos cruzemos, caminhamos lado a lado. Não passamos de códigos de barras. Uns seguidos de outros.

monólogo de marte

Não falamos a mesma lingua certamente. Tu vens de vénus e eu sou de marte. E temos um problema de timing, ambos sabemos disso. É talvez este o único aspecto em que estamos de acordo. E quando procuro algo mais que isso vejo um grande fosso que nos separa. Tu és uma idealista. Eu pelo contrário não sou nada. Nem bom nem mau. Apenas não sou. O que para ti significa que não existo.

És um ser perfeitamente desconcertante, sabes isso não sabes? Roubas a alma, levas a essência sem permissão e depois gritas o habitual preciso-de-espaço... O que é desesperante. Aliás tu és desesperante. Capaz do melhor e do pior. Tão depressa dás, como no instante seguinte tiras o chão que pisamos.

"Não prendes, não ficas e nada prometes"... assim gostas tu de dizer baixinho. Mas é mentira. Tu prendes. E cansas. E não dás lugar a outra coisa senão à renúncia. No entanto, à lupa, és tu quem tem medo. Medo de te deixares levar e entregar. Medo de te perderes por alguém que não por ti. Mas um dia vai acontecer. E aí sim, tu vais entender que por mais caminhos percorras, que por mais depressa que corras não escaparás. E quando isso acontecer será a tua derradeira era da rendição.

07 julho 2007

há mais uma estrela no céu

Deixou gargalhadas, que a doença não intimidava.
Deixou alegria.
Deixou uma vida.
Deixou esperança, ainda que o destino lhe tenha roubado aquilo a que tinha direito.
Deixou amor:
A todos aqueles que com ela aprenderam a manter a cabeça erguida.
A todos aqueles que souberam abrir o seu coração.
Deixou acima de tudo uma grande lição de vida.
E uma grande saudade...
Luísa, há mais uma estrela no céu.
Reparaste como brilha? Como ofusca todas as outras?
É a mais bonita não é? Essa estrela és tu.

06 julho 2007

o que o silêncio não diz por ela

Sinto a tua falta. E sinto também que não vou lutar contra isso.
Mas sinto que luto contra ti. Todos os dias, a todos os instantes.
Não vieste a calhar. E sinceramente é uma merda. No outro dia perguntaste-me se tencionava fugir. Na verdade a resposta é um redondo sim. E se ainda assim não fosse, perguntar-me-ia qual o objectivo de tudo isto.
Se calhar sou eu que estou errada. Sinto-me como um operário que não se lembra como desaparafusar porque passou a vida inteira a fazer exactamente o oposto. Mas talvez também não seja isto. Talvez não seja de facto suposto fugir. Porque provavelmente e porque no fundo não o quero fazer. Sabes uma coisa? Acho que gosto de ti.

04 julho 2007

um adeus

Estou tentada a apagar-te. Tenho o dedo no delete há várias horas. Já arrumei e guardei as minhas coisas. Nada já me prende a ti. Hoje decidi que chegou a altura de mudar. Não foi premeditado, mas assim terá de ser. Já chega.
Ainda assim custa. Custa apagar o que foi dito, sentido e chorado na tua presença. Fizeste parte da minha vida durante o tempo fantástico que levou o descobrimento de "me, myself and i". Mas agora já sei o que quero e não posso continuar aqui. Vou sair. Apagar o passado e correr para o futuro. Um dia escrevi qualquer coisa como " a verdade é que não há nada para lembrar, e o futuro é amnésico por defeito"... Mas se o é, porque é que custa tanto?
Um adeus sentido, de alguém que não te quer apagar hoje. E não o vou fazer. Para variar a razão é simples... apenas porque sim.

03 julho 2007

a história da minha vida...

Ser fonte de conforto para alguém que se cruze comigo não é novidade. Dou por mim a ser tudo o que os outros querem. Não é dificil: afinal todos procuram o mesmo. O preocupante é tudo não passar de um mundo paralelo. E apesar de não o fazer propositadamente, dou por mim a cantar-te a música da sereia. Pode até ser agradável, mas não passará de um fruto da tua imaginação. No outro dia disseste meio a sério, meio a brincar, que eu precisava apenas de existir e é nesse preciso ponto que tudo falha.
Não passo de uma miragem para alguém que não bebe há já demasiado tempo.

26 junho 2007

monólogo a dois

- "Vieste na altura errada... merda!
Devias ter telefonado primeiro, já sabes que não gosto que apareças aqui sem avisar. Tenho imensas coisas em que pensar. Isto não tem estado fácil sabias? Passo os dias a preocupar-me comigo mesma. O que quero. O que deveria querer e aquilo que já deveria saber à partida. Mas afinal o que é que fazes aqui? Tens alguma coisa para me dizer que eu já não saiba? Isso é impossível e tu sabes que eu sei. Por isso to pergunto novamente. Queres um café? Faço um terrível. Ouvi dizer que é óptimo para passar o resto da noite acordado."
...
Pronto está bem, não digas nada. Já percebi. Mas afinal o que é que esperavas... eu não te avisei que seria assim? Chateias-me de morte quando ficas com esse ar de quem chegou aqui de pára-quedas. Tira imediatamente essa cara de cachorro abandonado. Já te tinha dito que não pode ser. Não quero que tu o queiras e também eu não o posso querer. É demasiado complicado e eu já disse que estou demasiado ocupada em ser infeliz e a martirizar-me por tudo aquilo que fiz e aquilo que ainda estou para fazer. Tu não és um dos meus planos. Por isso sai. Sai e deixa-me lamentar por isso. Não por seres tu, mas porque poderia ser um outro qualquer e eu continuaria sem disposição para o fazer."

25 junho 2007

winning a battle and losing the war...

Já vi este filme demasiadas vezes.
O cenário varia impreterivelmente porque nada se repete, ainda que as personagens sejam as mesmas. Mas as deixas e acima de tudo o desfecho da história é sempre o mesmo. É chato.
Dou por mim com vontade de desligar a televisão para não ter de assistir mais à história glicodoce, de dar vómitos ao mancebo mais guloso. Na verdade, hoje em dia tudo não passa de um mito urbano porque já ninguém morre de amor.
Estamos formatados para viver com isso. E o mais incrível é que continuamos a tentar, como salmões em época de desova procurando chegar a "bom-porto". É estúpido. Só alguns lá chegam e todos acabam por morrer. É também este o nosso fim. A parte boa? O percurso. As coisas tontas. Quando nada tem um propósito. Eu gosto das coisas postas desta forma. Pura e simplesmente porque sim. Porque apetece. Sem explicações. Sem barreiras à entrada ou à saída.
Sem galgar rios e com a certeza de que não vou morrer por esta causa... perdida já à partida.

17 junho 2007

um dia diferente

Apesar de hoje ser um dia diferente, isso pouco ou nada é relevante. É-o, mas não pela razão esperada. É-o porque mais uma vez este dia marcou outra coisa que não a ordinária. É-o porque mais uma vez dei um passo em frente, ignorando as mil razões pelas quais eu sou eu. Sim, acontece.
Este foi marcado por uma manifestação pessoal que muito revelou aquilo que sou verdadeiramente. Eu, uma mistura sem receita de uma ana e outra bárbara que não passam de água e azeite unidas à força. Desta vez a ana ganhou. Sem papéis nem receitas para medir a dose certa. Aconteceu. Apenas porque sim. Porque me apeteceu. Sem consequências. Sem explicações.

11 junho 2007

o síndrome de uma miúda igual a outras tantas

Vejo-o a dirigir-se a mim devagar.
Passo a passo, como alguém que quisesse outra coisa que não eu. E ainda que o veja a chegar, dou por mim incapaz de sair dali. Fico então ali, à espera. O meu coração entra em alerta encarnado. Ouço buzinas de emergência a ecoar na minha cabeça. E ainda assim não saio! Sinto o corpo sem chão, como se uma folha arrastada pelo vento se tratasse. E deixo-me ir.

06 junho 2007

recado no frigorífico

Tens definitivamente um problema de timing.
Não é novo. Sempre o tiveste.
Aprende a viver com isso.
Aliás, tu gostas mesmo é da pressão.
Daquilo que é caótico. Não compreensível. Desgastante.
É isso que te dá adrenalina.
Literalmente, tu gostas é de te meter em confusões.

05 junho 2007

isto não é uma história é o estado de cagufa

Cagufa. Estado de terror. De medo.
Medo de não saber o que quero.
Medo de saber e não conseguir lá chegar.
Medo de não ser suficiente.
Medo de não acreditar.
Medo de avançar.
Medo de ficar.
Medo de deixar por fazer.
Medo de tudo.
É este o meu actual estado. Credo, pela primeira vez em muito tempo, estou de facto a escrever sem personagens e cenários imaginados. Também isto mete medo.
Tenho todo um caminho desconhecido para percorrer e estou aterrorizada. No entanto, pela primeira vez em muito tempo, estou a sentir aquilo que as pessoas munidas de alguma sabedoria popular chamam de "nervoso miudinho".

04 junho 2007

o poder limitativo das palavras

Durante três dias chorou sem parar para pensar porque afinal o fazia e quando parou, tão pouco sabia porque o tinha começado. Limpou as lágrimas e saiu.
É este o maravilhoso mundo feminino. Choramos. Muito. Mais do que seria necessário. Mais que não seja porque de pouco serve. Mas não. Nós insistimos.
Lava-nos a alma. É por isso. É assim que carpimos a nossa raiva, o nosso desgosto e também a nossa alegria. Acho verdadeiramente deliciosa a forma leviana como uma mulher o consegue fazer.
Quando paramos, damos por nós a rir que nem perdidas porque de facto somos seres perfeitamente desconcertantes. E sabe tão bem sermos assim...

30 maio 2007

little things

Queria falar de todas as coisas das quais tenho saudades, mas o tempo já as desgastou.
Queria então que tudo voltasse um pouco atrás e que de novo sentisse para que então reconhecesse.
Lembro-me que tudo foi uma questão de opostos. O melhor e o péssimo.
Porque sofri como nunca tinha acontecido.
Porque chorei demais.
Porque voltava a fazer tudo de novo.
Há duas ou três coisas, as quais não consigo esquecer. E são essas que ainda hoje me fazem tremer que nem varas verdes quando sei que estás ali.

29 maio 2007

in a manner of speaking


In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you
I should find a way
To tell you everything
By saying nothing...
(nouvelle vague)

28 maio 2007

lullaby

Fecho os olhos com muita força e digo a mim mesma para adormecer rápido. Mas não sou capaz. Fumo um cigarro seguido de outros tantos, mas o sono nunca chega. Algo inesperado, maravilhoso e aterrador aconteceu. Luto a todo o custo para ficar calada. E vou ficar. Já saldei a minha dívida e quero por tudo manter-me assim. Quero paz. Quero sossego.
O que eu quero mesmo é ter certezas e essas ninguém mas pode dar... Talvez sejas tu capaz de o fazer um dia destes. Agora apenas quero pedir-te desculpa. Por ter fugido. Por sempre ter sabido e nunca aceitado.
A verdade é que não o devia ter feito. Pura e simplesmente porque não o merecias. Porque de facto não foi justo. O maior erro que uma pessoa pode cometer eu já o cometi. Contrariar ou desacreditar a verdade é o que de pior há. Pergunto porque é que tem de ser assim? Mas isto não passa? Nunca? Sou literalmente o meu pior inimigo e muitas vezes também o teu.
Tenho medo. De te deixar. De te magoar. De te prender. Até mesmo de te fazer feliz. Porque acho sempre que mereces qualquer coisa melhor que não eu. De te fazer de meu porto de abrigo sem ser capaz de te dar algo em troca.

Mas sabe tão bem.
Não digas nada. Segura-me e não me deixes cair nunca. E deixa que eu faça o mesmo. Não porque o queremos, mas porque assim tem de ser.
Estamos juntos nisto quer queiramos quer não. É doença comum que não se trata. Que não nos deixa respirar, estejamos próximos ou afastados.

deixa contar-te como foi...

Antes que me esqueça quero contar-te como foi. Porque merece ser contado. Porque aprendi com ele, aquela que poderá ser a maior lição da minha vida.

Antes de mais, quero agradecer-lhe:
Por me deixar encostar a minha cabeça no seu ombro todas as noites.
Por me aconchegar enquanto dormia.
Por me deixar proteger-lo enquanto o fazia.
Por querer fazer de mim a miúda mais feliz do mundo.
Por me levar a lugares longínquos.
Por me dar aquilo que considerava ser amor.
Por quer fazer-me acreditar que as histórias de amor ainda acontecem, ainda que ele nunca tivesse acreditado nelas.

Ambos resolvemos lutar contra todas as probabilidades e tentámos. Tentámos partilhar. Tentámos ser felizes. Tentámos acima de tudo amar da mesma forma.

Uns morrem por amor em excesso. Nós morremos porque o amor de um era o anti-cristo do amor do outro. Foi por isso.

Não vou apagar da memória o seu carinho, os beijos e o amor à sua maneira.

A questão é que o “menino dos cabelos encaracolados” não chegou.

Nada chegou. Nada foi suficiente para dizer agora que um dia fui feliz.
Não ficou nada. Não restam sorrisos de saudade doce. Resta apenas um lapso de tempo que não consigo reconstituir. É por isso que escrevo. Para te contar como foi. Para que também eu não me esqueça.

Lamento por ele.
Por não me ter deixado fazer mais.
Por não me ter amado como devia.
A verdade é que não o soube fazer.

Saiu pela janela de mansinho, só como o menino com alma de pássaro sabe fazer. Um menino que um dia julguei meu.

24 maio 2007

sweet talk

hey candyman, please come crash into me!
this might be the sweetest song...

23 maio 2007

o ritmo substância das coisas

Sinto-me estranhamente bem. Ao contrário do que esperava, sobrevivi.
Interessante é o facto de eu conhecer estranhamente os próximos passos dos outros e o caminho que escolhem, e ser uma perfeita estranha para mim mesma.
Estou sempre à espera de cair redonda e de me aperceber disso apenas quando estiver no chão. Acho que é esse o meu maior medo:deixar-me cair sem noção de que estou a fazê-lo. Depois de um passo vem outro e dou por mim a andar. Livre.
Tento convencer-me de que já paguei a minha dívida e que finalmente sou eu. Só eu. Mas depois, vem o medo. Não de saber que o passado ficou lá trás, mas medo de me ter esquecido como se corre.
A verdade é não há nada para lembrar e o futuro é por defeito, amnésico.

14 maio 2007

talvez a música mais doce...

Aquela em deixa espreitar o sorriso tonto. O sorriso do enamoramento.

We got the afternoon
You got this room for two
One thing I've left to do
Discover me
Discovering you
One mile to every inch of
Your skin like porcelain
One pair of candy lips and
Your bubblegum tongue
And if you want love
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Something 'bout the way your hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it
You want love?
We'll make it
Swimming a deep sea
Of blankets
Take all your big plans
And break 'em
This is bound to be a while
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Damn baby You frustrate me
I know you're mine all mine all mine
But you look so good it hurts sometimes
Your body Is a wonderland
Your body is a wonder (I'll use my hands)
Your body Is a wonderland
Your body is a wonderland.

(j. mayer)

11 maio 2007

a velha e a fé

“Se ainda não morri é como se já tivesse acontecido”, diz ela.
Respira o mais fundo que consegue para sentir o ar a entrar-lhe pelo corpo. Afinal ainda está viva, ainda que não perceba como e porquê. Muito ao longe ouve vozes que não lhe dizem nada. Percebe que a chamam mas não reage. Não consegue. E assim ficou. A olhar para as ondas que um dia tentaram sussurrar-lhe ao ouvido que existem coisas no mundo as quais jamais se podem alcançar.
Nunca ninguém soube dizer ao certo o que tinha acontecido com a velha. Mas alguém contou um dia que tinha sido um desgosto, o qual nunca chegara a superar.
Assim era ela. A velha da falésia. Todos os dias, os habitantes da terra a viam chegar e dirigir-se à falésia. Cumprimentavam-na, mas da sua boca nunca saiu palavra. Ficava calada, sentada nas pedras no último degrau antes do precipício.
Nunca se soube o que ela fazia sentada todos os dias na falésia. Mas ela sim.
A velha estava à espera. Mas tanto esperou que se esqueceu daquilo por que tanto esperava. Mas apesar dos anos lhe terem tirado a memória, a velha nunca deixou de lá ir. Acreditava piamente que se um dia aquilo que esquecera aparecesse, ela saberia de imediato aquilo que procurava.
Chama-se a isto fé. Fé pelas nossas certezas. Certezas que fazem com que nunca desistamos de respirar para saber que continuamos vivos. É isso que nos mantém vivos num mundo que se quer cruel, onde as pessoas já não conhecem a palavra amor, onde já ninguém respira tendo perfeita noção disso. É um mundo de mortos-vivos, onde ninguém sabe quem que é.

13 março 2007

pardal em cativeiro

Eu conheço-te como as palmas das minhas mãos... talvez até um pouco melhor.
Tu és eu e portanto quer tu queiras, quer não queiras, nós somos a mesma pessoa. E por isso, e independentemente de tudo o resto, eu vou continuar a querer ouvir as tuas histórias e tu as minhas.
És a minha alma gémea, aquilo por que eu esperei anos sem fim. Esperei até achar que estavas preparado. Infelizmente o medo de te perder não me permitiu esperar o suficiente. Admito-o: deveria ter sido mais forte, afinal aquilo que é nosso às nossas mãos há-de vir parar. Enfim, precipitei-me. Acabei por perder aquilo que por anos esperei.
O mais inacreditável é que não te consigo odiar. Ficou sim, a certeza de que não mudaste, a certeza de que és o pássaro que morre em cativeiro.
Resta-me a certeza de que um dia tu me hás-de prometer o mundo e nessa altura, eu vou dizer que sim.

09 março 2007

há mar e mar, há ir e voltar.

A lua não é a melhor conselheira... por isso prefiro o sol. O sol e o mar. A última vez que lá fui, faz agora dois anos. Por esta altura desejo nunca lá ter estado. Mas não é que tivesse mudado alguma coisa. Às vezes é preciso ir ao encontro das ondas para termos a certeza que não sabemos nadar. Não posso dizer que me arrependo. Arrepender é verbo para coisas que não fazemos por falta de coragem. Por isso acredito que o fui. Até talvez um pouco mais do que devia.
.
Podia ter-me afogado. Mas não. Para marcar o final da aventura ficaram apenas algumas nódoas negras.
.
Se lá voltava? Sem dúvida. É para isso que nasci. Há mar e mar, há ir e voltar.

euforismos à parte

A vida dá sempre mais voltas do que aquelas que estamos verdadeiramente à espera.

28 dezembro 2006

aos que...

Aos que me apoiaram.
Aos que me ouviram vezes sem conta.
Aos que me fizeram ouvir.
Aos que me mostraram o lado mais cinzento da vida.
Aos que trabalham comigo todos os dias.
Aos que me sorriem pela manhã.
Aos que, independentemente da minha insanidade, continuam a quer partilhá-la comigo.
Aos me me odeiam, porque sem eles eu não saberia o que era o amor.
Aos que me amam incansavelmente.
E finalmente aos que me inspiram todos os dias, mostrando-me que a vida é uma coisa que merece ser partilhada.

07 outubro 2006

uma questão de escolhas

Um ou outro caminho. Ambos são válidos. O mesmo também se aplica a todos os restantes que nos aparecem pela frente. Mas eu só conheço dois. Um que espera, o outro que não me deixa descansar.

16 janeiro 2006

o meu pequeno príncipe

Assim foi a minha viagem a um lugar muito distante. Não fui ao outro lado do mundo, mas pode-se dizer que viajei para lá do imaginável. Não visitei museus, nem ruas, nem edifícios, nem nada. Não foi um avião que me levou até lá. Tão pouco uma bicicleta. Foi sim, um miúdo. Um miúdo chamado "O Meu Pequeno Príncipe".

01 dezembro 2005

assim como eu...

Dou comigo a rir-me do seu ar impertigado, de miúdo que tudo sabe. Às vezes mais vale deixá-lo no seu mundinho para não o irritar. Mas de repente, dá-me um ataque e tenho vontade de o tirar daquele pedestal e mandá-lo ao chão para que se parta em mil pedaços e se dê conta da sua mortalidade. É que ele acha-se Deus!
Um dia perguntei-lhe: "Miúdo, achas que com a tua fraca figura podes mesmo ser o dono do mundo?". E Ele responde-me: " Claro que não... não apenas deste. Olha para o céu. Vês as estrelas? Então quando acabares de as contar multiplica esse valor por 10. Aí terás o valor aproximado da minha propriedade. Sabes, é que não é apenas o sol que tem planetas... as outras estrelas também terão. E portanto tudo isto me pertence!".
"Ai sim?" - retorqui-lhe.
"Claro, tudo o que está ao meu alcance a mim se rende. São os meus olhos... E quando não querem e fazem-se de difíceis, eu faço-lhes ar de mau... assim... com as sobrancelhas, vês?!? E elas percebem logo que não há nada a fazer. Que não vale a pena contrariar-me. No fundo, elas sabem. Assim como tu..."

ideias à parte

A ideia. s. f., representação mental; representação abstracta e geral de um objecto ou relação; conceito; imagem; juízo; noção; opinião; maneira de ver; visão; visão aproximada; plano; projecto; intenção; invenção; expediente; lembrança.
Mais, aquilo que está por detrás de uma grande coisa. Mas afinal se é ideia porque raio tem de passar para o realizável? Isto deve ser uma conspiração dos materialistas, e portanto por convénio determinou-se que a ideia terá sempre um dia de passar para outra coisa bem mais objectiva.
Mas porquê? Porque é que não pode ficar assim, subjectiva? Subjectividade essa que lhe confere um carácter tão voluvél, tão delicioso, tão mutável? É isso que lhe possibilita aperfeiçoar-se, sem limites, até ao fim, ou até que assim nos apeteça. Juro que não entendo. Porque razão as coisas têm de objectivas, perenes até, se nós homens não o somos? Talvez seja por isso. Uma ideia objectiva e acabada será uma impressão digital daquilo que um dia fomos.
A questão é que se nós avançamos, porque é que a ideia não?

aforismo I, mas não de Pascoaes

Às vezes quanto mais se avança, mais se anda para trás.

26 novembro 2005

pensamentos suburbanos

Dói e não é pouco. Dói como um objecto cortante que trespassa o coração. Ou seja, quase não se sente. E quando se sente, aí, é tarde demais. É aí que a dor chega. A sensação flamejante que não dá lugar a outra coisa. É o tempo de um suspiro. E no momento em que para nosso descanso pensamos ser este, o último, é hora de continuar. De continuar a caminhar ainda que não se saiba para onde.
E é este o verdadeiro momento para se dizer: "Vai-se andando.".

27 outubro 2005

a coisa que é coisa

A coisa. Coisa que se diz, coisa que se fala, coisa que se sente, ou não. De um lado para o outro sem nunca parar para pensar nessa coisa.
A coisa. Para uns a coisa evidente, a coisa que é coisa, para outros nem tanto.
Certo dia pensei: "E se as outras coisas não vêem a mesma coisa que eu?". E foi então que me lembrei que por mais que a coisa seja a mesma, os olhos das coisas que vêem a coisa nunca o são!

18 outubro 2005

palavras a metro

"Gostaria de ser capaz. Capaz de fazer e sentir aquilo que realmente faço. Mas não. Preciso de um cigarro.", disse. Pouca sorte a minha, já tinha um na mão. Foi então que pensei fumar dois ao mesmo tempo.
"A realidade é de facto uma coisa relativamente fácil de manipular. Ou não. A verdade é que partindo de nós próprios conseguimos alterar determinados momentos. Basta conhecermo-nos. E é essa a nossa derradeira imperfeição. Raramente nos tratamos por tu. Na maioria das vezes, o exterior é muito mais lógico que nós próprios, ou pelo menos, assim o pensamos.
Por isso é que gosto tanto de universos paralelos. Universos estes que me permitem explorar apenas uma fracção daquilo que sou, conseguindo desta maneira ter uma perspectiva muito mais objectiva de mim própria. De um passo para outro. E assim dou o salto de fracção para fracção." Não é difícil, basta convencermo-nos disso.

lisboa a 18 de outubro e hoje quase um ano depois

Um dia destes pediste-me uma coisa. Não uma coisa qualquer, aliás, tu nunca pedes algo facilmente realizável. Tu pedes sempre o impossível. Esse foi apenas mais um desses momentos.
Pensei então escrever-te uma história, mas isso é a tua vida. És um contador de histórias, de lugares longínquos, de pessoas diferentes e locais inóspitos.
Tentei levar-te para um lugar de ideias, de sonhos e de fracções de segundo. Fracções de segundo que por si só bastam. Foram as últimas
.

o menino que queria ensinar os pássaros a voar

dv2046006.jpg

Apareceu tão fugazmente quanto desapareceu sem deixar rasto.
Agradeço-lhe por não me ter acordado quando fechou a janela. Digo pela janela porque foi por ela que ele fugiu, mais uma vez. Chega-se de mansinho ao parapeito e parte, assim sem mais, sem barulho, nunca deixando para trás qualquer coisa que denuncie a sua presença. Eu nunca o vi verdadeiramente pois ele jamais se deixaria ver.
E assim nunca deixará de ser um sonho.
Certo dia, o menino assomou à minha janela. Fingi não o pressentir para que ele não ficasse desgostoso. Seria uma grande tragédia se o menino descobrisse que eu era capaz de reconhecer a sua presença. O menino precisa de pensar que é mais leve que uma pena e eu... eu faço-lhe a vontade.
Nada na vida é certo, o menino de cabelos encaracolados, muito menos.
De resto, eu já o sabia...
O menino vai e vem conforme o vento lunar. Eu não me importo, e é assim que gosto dele, com alma de pássaro. O pássaro menino que não prende, que não fica e que tudo pede.

23 setembro 2005

a lua clementina e o mar tela de pintor

lua clementina.jpg



A lua poderá ser uma clementina perdida no céu.
E mar cor de púrpura a tela de alguém que ainda não encontrou o caminho para casa.

As estrelas poderão não passar de inúmeros candeeiros que iluminam o Universo.

E as palavras que me escreves ainda não as li porque o vento, dissolvido, as perdeu.

Mas conta-me uma história e faz-me acreditar nela.

Prometo não questionar...

17 setembro 2005

limiar do perfeito

Um abismo. Um passo para a frente e outros tantos para trás. O medo, de avançar ou de ficar parada, é sempre o mesmo. É medo de errar, medo de morrer, medo de não viver. Seja o que for.
Podemos modificar, dividir, adaptar, diminuir, subtrair, reordenar, inverter, combinar, adicionar, multiplicar, reagrupar ou inverter até, mas não deixará nunca de ser o que é, de ter a essência da primeira coisa.
Pergunto, até que ponto é-nos permitido fazer algo fora dos limites da própria natureza, da base, do já perfeito?

16 setembro 2005

09 setembro 2005

subjectividades

Tudo acontece num determinado tempo e num determinado espaço. Quer dizer, talvez seja mais ou menos assim, afinal certezas, ninguém as tem. Até porque se pensarmos bem no assunto, o tempo e o espaço são variáveis altamente subjectivas.
Nada se repete. É único e diferente de todos os outros. É o aqui e agora que nunca mais volta atrás, ainda que por nossa vontade fosse repetido vezes sem conta, tal como o som resultante de um disco riscado.
Mas mesmo assim, nunca igual, nunca mais o verdadeiro.

16 julho 2005

não prendo, não fico e nada prometo

Um reflexo mudo no espelho. Uma imagem que por si só, de nada vale. Sou eu, ela e mais umas tantas outras. Todas diferentes e todas tão iguais. Se partilhamos a mesma matéria será por acaso.
Um passo seguido de outro. E se por vezes tudo parece incerto significa que estou a seguir o rumo correcto, disso tenho a certeza. Não somos adeptas do "continuísmo". Nunca fomos. Fecha-se uma porta e abre-se uma janela, isso é certo. Então porquê parar? Não prendo, não fico e nada prometo.
Tudo não passará de uma simples regra matemática: duas rectas paralelas apenas se cruzam no infini
to...