Devíamos arder no inferno por não sabermos valorizá-lo. Isso sim é um crime e vai continuar a sê-lo até que tu deixes de me pôr na posição da qual foges como o diabo foge da cruz.
10 agosto 2010
porta adentro
Devíamos arder no inferno por não sabermos valorizá-lo. Isso sim é um crime e vai continuar a sê-lo até que tu deixes de me pôr na posição da qual foges como o diabo foge da cruz.
choose me, pick me
Estive a escassos milímetros de te pedir o impossível. Mas será que é mesmo assim? Será que é assim tão descabido pedir-te que te deixes ficar? É que a mim parece tudo bastante certo.
Podia fazer-te mil e uma promessas a troco de anuíres aos meus caprichos. Mas não o vou fazer, porque pura e simplesmente, eu só te quero, se e quando, tu me quiseres em igual medida. E não, não consigo contentar-me com menos.
09 agosto 2010
06 agosto 2010
é como é
Fui educada para ser uma "força da natureza", daí nunca perder a postura, poucas vezes perder a razão e raramente gritar.
Errei mais vezes do que aquelas que a memória me permite guardar mas sempre o enfrentei de cabeça levantada. Se há coisa imprescindível para mim é ter a certeza absoluta que se morrer amanhã, fiz tudo o que havia a fazer. Está claro que isso acrescenta a tudo o que sou e faço uma boa dose de insanidade, no entanto, isso não faz me mim uma pessoa menos feliz. Pelo contrário.
Posto isto, não me arrependo de te ter arrancado à força um beijo nem das palavras ditas. Não me arrependo de forma nenhuma de ter aterrado de pára-quedas na tua vida e muito menos de querer permanecer nela.
05 agosto 2010
hold still
04 agosto 2010
pequenos prazeres
Quero ficar onde houver um compasso diferente,
Quero adormecer com o vento,
E dormir à sombra até que o corpo me doa.
Gosto de sentir o cheiro da terra molhada,
E de tomar banho em dias húmidos.
Gosto de passarinhar de roupão e de café acabado de fazer
Gosto ainda mais de o beber em tardes frias.
Gosto do campo e da música que tem.
Um dia fujo daqui e vou plantar beringelas para bem longe.
01 agosto 2010
trio da caparica
31 julho 2010
por outro lado e só mais uma vez
"Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom
Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro não sei perceber...
Queres só mais uma volta, desta ninguém vai dizer." - TB, Só mais uma volta.
knockout
30 julho 2010
a canção mais doce
" But tonight let's be lovers,
We kiss and sweat
We'll turn this better thing
To the best
Of all we can offer,
Just a rogue kiss
Tangled tongues and lips,
See me this way
I'm turning and turning for you
Girl just tonight" - DMB, Say Goodbye
29 julho 2010
parvoíces
27 julho 2010
verdades
Hoje disseste-me uma coisa que ninguém me tinha dito. Apesar de ter sido em tom de brincadeira, o facto é que tens toda a razão. Como meu amigo já me devias ter alertado para isso e sobretudo explicar-me como é que estas coisas funcionam. Falta perceber se nunca passei por isto porque tive sorte ou porque fugi de todas as situações que adivinhavam um prognóstico reservado.
25 julho 2010
noite de nojo
Adoro os sábados à noite, trazem-nos uma melancolia muito própria para este tipo de cerimónia e por isso hoje faço o que vinha adiar por não achar propositado. Hoje assino o atestado de óbito de alguém que não devia ter sido ressuscitado. Se com isto aprendi alguma coisa foi de que jamais se recuperam páginas arrancadas à força. E ao contrário do que sempre defendi, nem sempre se esquece e perdoa.
Por nunca ter chorado a morte, hoje obrigo-me, pelo menos, a reflectir sobre ela. E sobretudo, a encerrar um capítulo. Porque já chega. E acima de tudo porque não quero mais.
Uma vez que não pretendo carpir em frente a uma lápide, despeço-me agora. Não porque ache importante, mas apenas porque o luto deve ser feito de uma forma consciente e séria, ainda que em frente a um ecrã anémico.
Esta será a última vez que assino com um apelido que não é o meu e cujas letras não assentam no papel da mesma forma fácil e deslizante que as restantes.
24 julho 2010
nota num post-it cor-de-rosa
Kafka escreveu um dia, "Alimento-o com leite doce, é o que melhor lhe assenta."
A mim assenta-me bem ser mimada, ser alimentada a chocolate e estar apaixonada. Da próxima não me fico por menos.
23 julho 2010
rita catita
Todos nós devíamos ter uma pessoa como a que eu tenho. Pequena, loira e encantadoramente parva. Vai e regressa à minha vida mais vezes do que aquelas que eu gostaria, mas isso faz parte. É uma versão minha mas concentrada. Fazemos as mesmas asneiras. Rimos das mesmas coisas. Partilhamos as coisas boas, acima de tudo as coisas más e com ela, sou eu, sem papel de embrulho a enfeitar.
Conforme mandam as regras do universo, nenhuma de nós tem um percurso fácil e nem ela consegue sobreviver a tudo sem derramar uma ou outra lágrima. Lá está, também isto faz parte.
Como forma de agradecimento pela paciência que tem, vou tomando conta dela da melhor forma que sei: alimento a sua maluquice e as nossas parvoíces.
Sabes? Jamais me passaria pela cabeça ter escolhido outra pessoa. Disto não me arrependo mesmo nada.
conheço-te?
Durante muito tempo fiz a mesma pergunta sem nunca ter tido uma resposta. Hoje tive-a e foi clara como a água. Obrigavas-me a ter uma capacidade de encaixe maior do que aquela que eu podia suportar. És vento desgovernado e eu não soube lidar com isso. Aliás, ainda não sei e todos os dias vou tendo mais certeza disso. Tu acabas com a minha lucidez num instante. Contigo tão depressa estou nos píncaros como no segundo a seguir estou num buraco escuro sem sinalização de saída. E o pior é que a responsabilidade nem é tua. Quanto mais coerente tento ser, melhor vejo o esforço inglório que é. Sabes uma coisa? Seja o que Deus quiser.
21 julho 2010
20 julho 2010
arquivos
Como diz uma amiga minha, é-me mais fácil ficar por aquilo que conheço, ainda que seja mau à partida, já que desta forma não tenho surpresas. Tenho uma grave intolerância a episódios desconhecidos, isso sim. E daí, rapidamente se dá o salto para a obsessão pelas regras e pelas as histórias que acabam sempre da mesma maneira. De qualquer forma, desta vez permiti-me abordar a coisa de forma diferente. Acho que também não está a funcionar... Cada tiro, cada melro! Bonito, sim senhora. Duas palavras: bastante espectacular!
procura-se homem do café
Estou a pensar em colocar um anúncio no jornal, do tipo "Procura-se relação com homem do café. Não tenho preferência entre Nicola, Delta ou Segaffredo, desde que seja bem tirado. Assunto sério."
Não querendo pedir muito, será que posso juntar outras coisas, pequenas, mas que me davam imenso jeito? Por exemplo, ao café juntar um pequeno almoço de tabuleiro e um ou outro jornal?
Não... era sorte a mais.
amigas
"Se voltares a falar mais com ele, deixo de ser tua amiga!", diz uma delas. Começo a achar que qualquer coisa aqui está mal e que a culpa só pode ser minha. Ao que parece esta história de sobreviver a um episódio menos feliz não parece, à vista dos outros, nada bem. Parece-me que era mais credível chorar pedras da calçada e entrar no mundo das substâncias ilícitas. Lamentavelmente não sou capaz. Não faz parte do acordo. Não estava incluído na promoção.
Ando demasiado ocupada a tratar de um assunto realmente importante: ter direito aos que os meus pais me prometeram!
19 julho 2010
como diz pedro paixão
Acho que estou a pagar a minha dívida com a sorte. Não fiz um pacto com o diabo, é certo, mas parece-me que o universo me está a fazer pagar pelas oportunidades dadas de mão beijada. Sempre consegui voltar atrás e carregar no reset e nunca uma opção tomada deixou de ter retrocesso. Agora parece-me que vou ter de cumprir a minha parte do tratado.
De qualquer forma, estava na altura de aprender alguma coisa, portanto vou tentar ver isto da melhor perspectiva.
"Para variar ainda não aprendeste. Tu gostas mesmo de te meter em confusões. Já devias estar à espera disto... ou não? É bem feito, pode ser que assim aprendas a lição.", diz a minha mãe. Talvez não esteja enganada, mas pelo sim, pelo não, vou fazer um pacto com satanás para não lhe ter de dar razão.
18 julho 2010
o meu namorado
Enquanto andares por cá prometo que te farei muito feliz. Ah, e tenho a certeza que tu farás exactamente o mesmo.
17 julho 2010
a mesma música em repeat
Hoje não consegui evitar. O meu corpo revoltou-se e manifestou o que me ia na alma. Pela primeira vez perdi literalmente a compostura e tremi que nem varas verdes ao sabor de um vento bastante desgovernado.
Sempre acreditei que bastava não alimentá-lo para que ele morresse por si só, sem grande esforço. Acho que andei enganada... caramba que o sacana é resistente!
14 julho 2010
o hastear da bandeira
Hoje não tenho vontade de ser a miúda afável e mesmo assim não consegui ter outra atitude que não essa, e isso dá cabo de mim.
Ninguém morre de amor é certo, mas as saudades, essas sim acabam connosco em três tempos.
13 julho 2010
golpe do chinês
...Longe da vista, longe do coração.
12 julho 2010
de volta a casa
Tenho mais duas peças na bagagem: dois quadros do Guilherme, porque mais ninguém pinta o acto de enamorar da forma como ele o faz. Ambos têm cor, um rapaz, uma rapariga e pouco mais. Mesmo assim, não deixa de me encher o coração sempre que olho para eles e cada vez que o faço penso que um dia também eu terei direito àquilo que à primeira vista está por completar.
três tiros de caçadeira
Vinha na viagem a rir-me sozinha enquanto ia pensando na situação insólita em que me tinha metido. Lá está, dei por mim com um sorriso do tamanho do mundo depois de ter dado três tiros de caçadeira no pé.
Sempre fui ensinada a não perder a postura ainda que tivesse muita vontade de o fazer. “Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele.”, diz a minha mãe. Pois bem mãezinha, desta vez não só me pus a jeito para levar com três chumbadas como premi o gatilho. Mas fiz o que tinha de ser feito, sabes? Antes três chumbadas e um sorriso do que uma dúvida persistente e incómoda.
10 julho 2010
#2 pessoas da minha vida
09 julho 2010
longe está o tempo
03 julho 2010
é assim que acontece
11 junho 2010
segredos inconfessáveis
01 março 2010
momentos de fé
06 fevereiro 2010
better man
guy next door
05 fevereiro 2010
auto-ajuda para mulheres de fé
Ora como devem imaginar, o estado de hibernação profunda em que estive mergulhada nos últimos dois anos causou-me uma espécie de amnésia do “saber viver”, portanto, resolvi assumir publicamente que preciso de ajuda! Assim que sair do mausoléu vou à Bertrand tratar do assunto.
04 janeiro 2010
em 2010
Este ano vou dar aos outros o melhor de mim!
26 dezembro 2009
à dadinha
15 dezembro 2009
a idade dos "porquês"
Já te disse que te amo?
20 outubro 2009
fracções de segundo
28 julho 2009
o efeito luz nas borboletas
27 junho 2009
which will
Which will you go for
Which will you love
Which will you choose from
From the stars above
Which will you answer
Which will you call
Which will you take for
For your one and all
And tell me now
Which will you love the best.
Which do you dance for
Which makes you shine
Which will you choose now
If you won't choose mine
Which will you hope for
Which can it be
Which will you take now
If you won't take me
And tell me now
Which will you love the best.
o momento do "sem retorno"
09 abril 2009
# 1 retratos de pessoas da minha vida
09 fevereiro 2009
as coisas que se vão perdendo pelo caminho
17 dezembro 2008
pieces
Até já.
"I won't cry
Anyone would rather
Shift their eyes
Than open up their leather
But you, you seem to be the one
So try me please
I'm a better dancer
Than it seems
The lightest floating feather
Is how i feel when i'm with you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone
Blaring car horns howl
Through feedback from this city
But i don't hear it now,
The chaos that surrounds me
No, you, you hold my mind's desire
You give me shelter
From all that's done un-pretty
My sold-out, felt-up
Retreated little secrets
Are tucked inside the warmth of you
So now that i know you
I'm ready to show you
How good i feel'cause anyone can see through me
But you're not anyone.." Joan as Police Woman
05 dezembro 2008
real life
27 setembro 2008
um dia destes
eternal sunshine of the spotless mind
Num dia de verão sobre uma falésia qualquer fiz aquilo que a idade não permitia compreender. Hoje sei que na altura fiz os meus votos sobre um mar de prata sem ter noção da sua importância. Mas fi-los contigo.
Para tua informação, tenciono não esquecê-los e acima de tudo pretendo cumpri-los.
18 agosto 2008
round #1
16 agosto 2008
things behind the sun
Pergunto-me se ainda pensas em mim. Pergunto-me se fui apenas eu, a única alma a ficar agarrada a um tempo que a distância já se encarregou de distorcer. Se assim for, só posso agradecer porque caso contrário seria a minha desgraça. Talvez nunca o tenhas entendido, mas o seu significado será sempre maior do que a intenção de o apagar.
14 agosto 2008
recomeço
18 julho 2008
versões de mundos
Message in a bottle
09 julho 2008
os homens da minha vida
Ainda que não lhes diga, tenho saudades e sinto-me em dívida. Talvez por essa razão, mantenha uma relação pouco usual com todos eles. Um misto de amizade e sensação de perda, porque tudo tem um espaço temporal muito limitado, facto com o qual ainda não lido muito bem.
Eles que, mal ou bem, sempre me aceitaram: sem máscaras, sem subterfúgios, sem protocolos desnecessários entre duas pessoas que apenas estão juntas porque querem. Sempre vivemos um misto de tempestade e de bonança que invariavelmente leva a episódios que deveriam ficar registados. São estes episódios que me fazem ter um sorriso rasgado, e ainda que uns bons e outros maus, todos eles deixam uma melancolia muito própria.
Tenho um problema em abrir mão das coisas, isso é certo e sabido.
Hoje é um desses dias, o dia das memórias dos “homens da minha vida”.
30 junho 2008
engana-me que eu gosto
02 maio 2008
juntos
Queiramos ou não, a nossa vida cruzou-se mais vezes que o suposto. E pergunto-me porquê, já que é difícil a convivência, um duelo de titãs que cansa, que corrói e que mais tarde ou mais cedo há-de matar. Lembro-me perfeitamente do coração que batia mais do que devia, da falta de palavras no momento errado e a vontade que tinha de te agarrar. E depois pensava “ainda não pode ser, espero mais um pouco”. Estavas no sofá e a expressão da tua cara perguntava-me se tinhas de esperar muito mais. Na verdade, tiveste. Mais do que querias e menos que eu previa. Hoje tento olhar para trás e não te reconheço desses tempos. O que nos marca agora é o presente e definitivamente o futuro. Aquele que teremos pela frente. Juntos.
03 março 2008
o aperto no estômago
22 janeiro 2008
a ironia do delete
A ironia do destino é lixada.
07 janeiro 2008
5 minutos
um raminho de salsa
Porque conforta. Porque não temos força para mais. Porque é a nossa última tentativa. Porque sabe bem.
28 dezembro 2007
you grabbed my hand
Lembras-te dos nossos segredos inconfessáveis? Eu às vezes sim. Dou-me conta que deixo fugir um sorriso quando acontece. Não sei a razão, sei apenas que o faço, e definitavamente, mais vezes do que gostaria. Não falo do assunto com ninguém. Passaste a ser um mito urbano até porque provavelmente ninguém iria entender... nem mesmo tu, pois não?
24 dezembro 2007
e tudo um ano levou...
Perdi, reencontrei e conquistei estrelas que jamais esquecerei.
O ombro, as parvoíces, a mão, o abraço e o afago na altura mais que certa. Foi isto que ficou e que marcou definitivamente 2007.
10 outubro 2007
everything you want to give me
05 outubro 2007
dear prince charming,
So... i am wondering: WHERE THE F*** ARE YOU?
02 outubro 2007
hoje não
09 setembro 2007
what else?
Deixei-me de merdas. Estendo as cuecas do lado da janela para que não sejam objecto de curiosidade por parte da vizinhança. Não visto a pele de lobo mau e trabalho que me farto. É esta a minha vida. Sou a filha, a irmã e a amiga afável e atenciosa. Ainda não aprendi a fazer café, mas fartei-me de esperar por alguém que me ensinasse. Basicamente, cansei-me de esperar pela história a que todos deveríamos ter por direito. A um sábado à noite estou na minha sala em excelente companhia. Sou eu, a cadela e a gata. O que falta? Só mesmo o café. E por isso mesmo comprei uma nespresso.
08 setembro 2007
03 setembro 2007
hoje quero fingir
Hoje quero fingir que vais ficar por aqui um pouco mais. 27 agosto 2007
não é justo
Podes entrar mas não faças barulho e não me faças mais perguntas. Estou demasiado cansada. A sério que não quero mais. Não aguentaria uma nova cartada.
23 agosto 2007
uma manhã à hitchcock
"Ok. Pronto. Está combinado. Ficas na gaveta. Na tua gaveta, que espero sinceramente não ser ocupada por outras coisas despropositadas como tu. Será um segredo só nosso... É que uma sabe a pouco e duas são demais."
22 agosto 2007
"so please take the chance, be reckless with me ..."
Candyman,Escrevo-te porque voltei a fazê-lo... Eu sei que te magoa, que te incomoda e não contribui em nada para justificar o meu "mais-do-mesmo". E eu sei que tu, a todo o custo, queres acreditar que este é apenas mais um dos meus exageros. Mas não é. E se to digo é porque também eu gostaria que tudo fosse um pouco diferente. Mas, mais uma vez, não é nem vai ser, porque de facto não trazemos nada de bom.
O que nos separa, desconheço, mas a sensação de desconforto que acompanha o nosso silêncio é suficiente para saber que também tu o reconheces.
Queria poder dizer que gosto de ti, que me perdi e me encontrei. Não o posso fazer porque tu não deixas e não me permites qualquer passo em falso. Mas a culpa é minha, não é? Fui eu quem sempre afastei a hipótese de criarmos expectativas, de nos envolvermos, de escrevermos a dois um guião melodramático onde no final a protagonista é beijada pelo galã. Fui eu quem desta vez estragou a história glicodoce. Deve ser esta a sensação de um guionista que mata as suas personagens por orgulho e que se arrepende na fatídica noite da ante-estreia. A crítica adora e aplaude de pé, mas o sabor que fica a quem lhes dá o golpe de misericórdia é sempre azedo.
Mas se eu te disser que estou arrependida podemos cortar alguns "takes"?
12 agosto 2007
vida de cão
Sai do banho e veste-se à pressa. O ritual de todos os dias. Eu fico a vê-la, agora da minha cama. É simpática. Caótica, mas amorosa. Está sempre a queixar-se do tempo que não tem. E à conta disso, já passaram por aqui algumas pessoas que nunca ficaram muito tempo. Eu não me importo porque assim tenho-a só para mim. Mas ela às vezes chora. Muito. Felizmente, tão depressa começa como acaba, o que significa hora do passeio. O nosso tempo. Aquele que é só nosso. Onde não há mais ninguém. Nem a Francesca.
Essa é outra. Apareceu há dois anos. Pensei que não sobrevivesse porque era muito pequenina. Mas não. Não só cresceu para contar a sua miserável história, como ainda tem saúde para andar atrás de mim com as garras de fora. É chata e não gosto muito dela. Tem a mania de me roubar os croquetes para brincar com eles. Será que a parva não percebe que é de mau tom brincar com a comida, principalmente quando essa comida é a dos outros? A minha pessoa já está pronta. Dá uma festa à Francesca e outra a mim complementada com um beijo no focinho. Depois pega nas coisas dela e dirige-se para a porta com as chaves na mão.
Volta-se para trás antes de sair e diz: "Volto já. Não demoro muito. Gosto muito de vocês."
08 agosto 2007
o fatíco mais do mesmo
07 agosto 2007
les choses d´or
As minhas preferidas: o encosto num ombro, um beijo com um suspiro pelo meio, uma mão que se aperta no momento certo e uma palavra que se diz no mais absoluto silêncio.
05 agosto 2007
até já
Hoje encontrei-te e segui porque é suposto assim ser. Mas no momento em que o telefone toca, a conversa flui sem a noção do tempo ou do espaço que nos separou. Como se de um mero recado esquecido se tratasse. A despedida? Com um breve até já porque de facto é-o sempre.
01 agosto 2007
solilóquio
30 julho 2007
queixume
E apesar de eu querer a todo custo renunciar a falta que fazes, o esforço nunca é suficiente. Literalmente, nunca chega. Convenço os outros da ausência que não sinto, dos actos helénicos de que sou capaz. Mas também isto não me sobeja.
Fazes-me falta. Espero e desespero porque não sei quem és.
Porque te procuro e não te encontro.
Porque quero a todo custo acreditar que existes,
Ainda que noutro ponto distante do meu.
Serás tu quem:
Rir-se-á das minhas tolices com cumplicidade.
Adormecerá no meu sofá nas tardes de chuva.
Partilhará as minhas longas leituras para a tese.
E me ensinará a fazer café.
Será esta a minha outra pessoa?
recado na bancada da cozinha
Gosto de te ver dormir.
Durante todo o tempo que o fazes, tens um sorriso maroto na cara. E quando acordas, espreguiças-te como um gato. E também tu ronronas, baixinho, e enlaças-te em mim. É bom. És doce. Não me canso de olhar para ti, e por isso mesmo, fico sempre com a impressão que te observo em excesso. És uma criança crescida, que não tem lugar em lado algum. Tento a todo custo minimizar isso. É por isso que te sou tão aprazível. No fundo sei que não passam de gestos inglórios porque na verdade eu não faço a diferença. A vida não te é mais fecunda com a minha permanência nela. É irrelevante. E é desgastante para mim sabê-lo.
Não passo de um sofá confortável em que te aninhas quando precisas. Às vezes dou-me conta que existem alguns momentos, particularidades relevantes. Infelizmente, apenas naquela fracção de segundo. E isso não chega. Queremos à força arranjar um motivo para acordarmos juntos que não seja a vontade de não querermos dormir sozinhos. Por enquanto ainda não o encontrámos. Esta mentira conveniente dá cabo de mim. Mas ambos queremos vivê-la à força.
12 julho 2007
hoje não
11 julho 2007
ref.17061980
monólogo de marte
És um ser perfeitamente desconcertante, sabes isso não sabes? Roubas a alma, levas a essência sem permissão e depois gritas o habitual preciso-de-espaço... O que é desesperante. Aliás tu és desesperante. Capaz do melhor e do pior. Tão depressa dás, como no instante seguinte tiras o chão que pisamos.
"Não prendes, não ficas e nada prometes"... assim gostas tu de dizer baixinho. Mas é mentira. Tu prendes. E cansas. E não dás lugar a outra coisa senão à renúncia. No entanto, à lupa, és tu quem tem medo. Medo de te deixares levar e entregar. Medo de te perderes por alguém que não por ti. Mas um dia vai acontecer. E aí sim, tu vais entender que por mais caminhos percorras, que por mais depressa que corras não escaparás. E quando isso acontecer será a tua derradeira era da rendição.
07 julho 2007
há mais uma estrela no céu
Reparaste como brilha? Como ofusca todas as outras?
06 julho 2007
o que o silêncio não diz por ela
04 julho 2007
um adeus
03 julho 2007
a história da minha vida...
26 junho 2007
monólogo a dois
25 junho 2007
winning a battle and losing the war...
17 junho 2007
um dia diferente
11 junho 2007
o síndrome de uma miúda igual a outras tantas
06 junho 2007
recado no frigorífico
05 junho 2007
isto não é uma história é o estado de cagufa
04 junho 2007
o poder limitativo das palavras
É este o maravilhoso mundo feminino. Choramos. Muito. Mais do que seria necessário. Mais que não seja porque de pouco serve. Mas não. Nós insistimos.
Lava-nos a alma. É por isso. É assim que carpimos a nossa raiva, o nosso desgosto e também a nossa alegria. Acho verdadeiramente deliciosa a forma leviana como uma mulher o consegue fazer.
Quando paramos, damos por nós a rir que nem perdidas porque de facto somos seres perfeitamente desconcertantes. E sabe tão bem sermos assim...

